Greco-Romana
7 Esquadrão Classe Semideus
Meridia estava lá, deitada, com uma faixa na cabeça.
-Foi grave?-Perguntei a Jay. Ele estava com uma prancheta anotando algumas coisas.
-A pancada poderia ter sido bem pior. Mas ela sai dessa com alguns dias de descanso. Dez dias é o suficiente. Então, não foi grave. Ficou preocupada com ela?
-Sim. Ela parece ser gentil. Não deu tempo de nos conhecermos. Quero fazer amizade com ela.
-É. Eu só quero saber como isso aconteceu. Sei que foi em uma luta, mas quero saber como. -Disse Jay.
-Eu entendo. Jay, se ela acordar, me chame.Vou tirar uma soneca.
-A gente ainda tem atividades.
-Sou obrigada?
-Não, mas é bom fazer.
-Então, é hora da soneca. -Sai da enfermaria e fui para o chalé onze.
Meu sonho eu estava no refeitório. Os campistas comiam, notei que junto com Quíron e um homem que ainda não sabia quem era, estava uma menina ruiva. Ela se levantou para pegar o prato, assim que me viu ela ficou rodeada de fumaça verde e pessoas a sua volta.
Depois disso me vi andando pela Times Square. A rua bombando, como sempre. E então, o sonho muda e eu estou com a mão cheia de sengue olhando fixamente para algum lugar.
Acordei com Tresh me cutucando.
-Acorda. Vamos, tem que fazer essa atividade e depois é o jantar.
-Que horas são?
-Seis. Levanta dai. -ele me jogou um travesseiro.
-Mas que droga. Eu estou indo. Porque veio me chamar? Qual é a atividade?-Disse levantando
-Esconde-esconde.
-Ai meu poupe, eu vou voltar a dormir. -Me curvei para a cama, mas parei quando ele advertiu.
-Não. A atividade é o seguinte: Os dois times adversário vão esconder algum objeto de valor em todo o acampamento, nós, do grupo vamos procurar.
-Ta. Cadê a ação?
-A ação é que se um de nós estiver prestes a achar o outro do time adversário tem que nos deter.
-E para que isso?
-É para saber a nossa capacidade de percepção.
-Minha percepção é que isso é perda de tempo. -Deitei na cama de volta.
Tresh me tirou de lá a força. Ele me pegou no colo.
-Você faz isso porque sabe que eu odeio.
-Não sabia. Agora sei. Portanto, vou sempre te pegar no colo.
-Me coloca no chão educadamente.
-Tudo bem.-Ele me desceu com toda a fragilidade possível.
-Obrigada. Achei que ia ser grosso comigo.
-Romana, sou diferente de você. -Ele sorriu e saiu andando até onde uns campistas se reuniram. Fui até Jay.
-Esconde-esconde?-Perguntei.
-Sim, é legal. -Ele me respondeu.
-Campistas-Disse Quíron-Vamos começar a atividade. O representante de cada time já escondeu o objeto. Lembrando que, o time que achar o objeto primeiro ganha.
-Ainda assim, preferimos o pega bandeira. Tem mais emoção. -Ouvi alguém dizer na direção dos filhos de Marte, ou melhor, Ares.
-Já disse. Vamos despertar o lado da percepção de vocês. As formas de distribuírem dica será da seguinte forma: Se passou uma hora de prova, e ninguém achou o objeto do outro, poderá ser dado uma dica. Resumindo, dicas são de uma em uma hora. -Falou Qúron.
-Vamos ficar aqui até amanhã. -Ouvi Jessy dizer.
-Então boa sorte. Já vai escurecer. Seus equipamento estão com o líder do time. As regras são a mesma do pega bandeira. É proibido matar ou aleijar. -Por fim, Quíron, concluiu o assunto.
A divisão de time foi feita entre os vinte um chalés ali existente. Sem contar o de Júpiter (Zeus),Netuno (Poseidon) e Plutão (Hades) ,que estavam vazios. Ouvi dizer que o filho de Poseidon saiu para uma missão.
-Boa sorte. Espero que não ganhem. Eu escolhi um lugar bem difícil para esconder o objeto. É uma pena não estarmos no mesmo time. -Disse Jay. Ele foi o líder do time adversário.
-Uma pena. Espero que me socialize melhor agora. -Falei.
-Se não se socializar vai machucar alguém. Se contente.-Jay sorriu e saiu andando.
Foi autorizado que saíssemos a procura. O jogo durou três horas. A escuridão em alguns locais atrapalhava. Mas nada que nossas lanternas não resolvessem.
-Pode me acompanhar na busca?-Perguntei para uma das filhas de Atena que estavam em nosso grupo.
-Tudo bem -A garota dos cabelos castanhos e olhos cinzentos me acompanhou. Ela foi atingida com um soco na barriga por um garoto. Isso conclui que estava perto. Desarmei o garoto com um pouco de dificuldade, depois segui pela aquela região para procurar o objeto.
-Ei, vou te ajudar a procurar-Disse Tresh saindo de trás de uma árvore. Em questões de segundo um bando de pessoas do outro time nos cercou. O objeto estava próximo. Só não fomos abortados porque veio a outra parte do nosso time muito bem equipada.
A luta no geral foi sangrenta. Mas ninguém fugiu das regras. Nossa equipe venceu com um menino alto do chalé de Íris que achou uma bolsa de armas. Esse era o objeto.
O jogo terminou mais ou menos as oito e vinte. Tomamos o nosso banho e nos reunimos as nove para a janta. Em vista ao horário normal da janta, estávamos com uma hora e alguns minutos atrasados. Ninguém ligou para o atraso. Todos estavam falando do jogo e de como o pega bandeira seria mais útil.
Assim que entrei no refeitório meu olhar se dirigiu a mesa em que estavam Quíron e o homem do meu sonho. Mas a garota ruiva não estava.
-Quem é aquele moço junto com Quíron?-Perguntei para um meio irmão meu que estava do meu lado.
-O senhor D. Ele é Dionísio o deus do vinho.
-Baco? Vocês tem um deus aqui com vocês?
-Dionísio. E temos, sim. Aposto que lá no acampamento romano, não tem nenhum deus. Aqui nós temos.
Pensei em responder: 'não temos esse azar lá', mas decidi ficar quieta porque as coisas sempre podem piorar.
No dia seguinte, logo pela manhã acordei sozinha. Os outros campistas estavam dormindo. Decidi tomar outro banho. Coloquei uma bermuda que Verona me emprestou, mas ainda assim, fiquei com minha camiseta roxa do acampamento romano. Sai do chalé e logo me encontrei com Jay.
-Cruzes garota! Vai trocar de blusa, a sua está fedendo. Podia ter lavado ela. Seca de um dia para o outro. Que nojinho. -Disse Jay.
-Qual é eu não estou fede...A, que nojo, cara!-Eu disse logo que coloquei meu nariz de baixo da manga da minha camiseta-Pelo amor do deus da água.-Eu tirei minha camiseta ali mesmo.
-Que físico, em!
-Me arranje uma blusa.
-Ok. Coloca a minha. E espero que você não passe seu fedor para ela. -Ele sorriu. Quando Jay tirou a camisa minha boca automaticamente abriu. Desviei meu olhar, mas foi impossível não fixar meus olhos naquela linda barriga. Confesso que quase babei.-Eu sei.
-Sabe o que?
-Que sou gostoso. Coloca a mão aqui. -Disse ele colocando a mão nos seus peitos.
-Não vou por mão ai.
-A você vai. -Ele pegou a minha mão e colocou-a na sua região do tórax.
-Por Apolo! Você...você...você não presta garoto!
-Você está me alisando loucamente, e aposto que está tendo certos tipos de pensamentos...sou eu quem não presto?
-Me desculpe. -Tirei a mão de seu corpo.
-Eu estou brincando. Toma.-Ele jogou a blusa em meu rosto. Eu coloquei a blusa dele.
Estava parecendo uma retardada cheirando aquela camisa. Mas galera, vamos combinar. Um dos meninos mais gato do acampamento era meu amigo, me fez colocar a mão em seu corpo e ainda me deu sua camisa. Cara, ele está na minha!
-Aqui. Devolve a minha. -Disse ele me dando uma menor. Tirei a dele e coloquei a nova. Ficou em um ótimo tamanho.
Chegando ao refeitório eu observei a mesa de novo. A garota ruiva ainda não estava lá. Eu comecei a ficar perturbada. Nosso café da manhã foi interrompido por Quíron que nos deu um aviso.
-Atenção!-Disse ele em alto e bom som para todos o escutassem. -Essa noite houve a morte de um campista. O Mark do chalé seis. Ele foi encontrado essa manhã atrás de uma árvore. Sabemos que não foi na atividade resultou sua morte, pois a contagem da atividade deu que não havia nenhum morto. Foi essa madrugada. Ele também estava com sua própria arma enfiada em sua região pulmonar. Cremos que não foi suicídio. -Houve um breve falatório, mas logo Quíron voltou a falar e todos se calaram- Não sabemos se foi um assassinato, ou se foi uma vingança. Esse caso está sendo apurado, então, não saiam de seus chalés de madrugada. Ele desobedeceu uma regra, que é não sair após todos terem ir se deitado. Mas, vocês não tem culpa do seus reflexos de batalhas. -Ele juntou as mãos.- Tenham um ótimo café da manhã.
Como se de esperado o refeitório virou um falatório. Se escutava de tudo. Todos a respeito da morte de Mark.
-Cara, eu ouvi os meninos dizerem que ele estava com os olhos tão aberto que dava para ver o cérebro.- Disse um menino da mesa ao lado.
-Ele estava com as tripas de fora por causa da espada enfiada naquela região. -Disse uma menina do chalé dez.
-Amiga, tripa não é no estômago?-retrucou a outra.- Mesmo sendo em qualquer lugar a tripa, ele era um gato.
-Vamos organizar uma busca pelo local depois que sairmos daqui, ok?-Disse um dos filhos de Ares.
Assim que terminamos de comer vi que Tyler e Jessy estavam de mão dadas. Ai eu entendi o que Tresh quis dizer sobre não querer ver eles juntos.
-Amor, tome cuidado. A senhora está proibida de ir nessa busca. Seu braço está em recuperação. -Disse ele dando um beijo desentupidor de pia nela. Reparei que ela estava com o braço enfaixado.
-Mas minha lança preferida, sabe que eu tenho que fazer isso.-'Minha lança preferida'. Isso é uma droga de apelido. Que tipo de semideusa com caca na cabeça coloca esse apelido maldito no namorado?
-Sem mais, sua deusa. Agora vamos. Tenho que terminar de fazer umas coisas e você me ajuda.
-Só se eu ganhar um beijo dou meu lindão. -Essa é a parte em que eu quis vomitar meu café da manhã. O pior foi presenciar os dois se beijando e ver aquela troca de línguas ao vivo. Que horror!
-Eu disse que ia ser ruim.- Disse Tresh com cara feia trás de mim.
-Vamos sair daqui.-Virei as costas e sai de lá. Tresh apenas me seguiu.
Ficamos livre está manhã. Eu e Tresh nos separamos. Fique junto com Jay e Verona. Ela ficou babando por ele de forma discreta. Eu fiquei afiando meu kit de facas. E Jay ficou falando sobre primeiros socorros. Verona teve que sair pois houve uma briga no seu chalé que teve de ser resolvida.
-Jay, vamos fazer um esquadrão?
-Esquadrão? Tipo: somos uma equipe?
-Sim.
-Ta. Mas quem é a equipe? Eu, você e Verona?
-Não. -Coloquei a mão no queixo.- Já sei quem!-Sai correndo em uma direção que estava certa. Era o local a onde eu tinha brigado com Tresh e depois quis o ajudar.
-Você não ta pensando em chamar ele, está?
-Não.
-Que bom.
-Não pensei. Eu tive a certeza-Eu sorri para Jay.-Tresh! Venha aqui!-eu gritei. Ele estava dando um show manuseando a espada.
-Ou quer me bater, ou, quer me bater. O que te trás aqui?-Disse ele vindo até mim.
-O que te faz você não ter um bom adversário quanto você mesmo?-Disse. Ele estava treinando sozinho.
-Por opção. O que você quer?
-Estamos montando um esquadrão. Estou pensando em te chamar. Quer fazer parte?
-Esquadrão? Romana, qual o seu problema?
-Nenhum. Eu quero fazer um esquadrão. Vai querer entrar ou não?
-E posso pensar se você me responder uma coisa. Porque me chamou?
-Eu reconheci que você era bom.- Tresh começo a rir.
-Eu sei. Eu disse para ela que não compensava te chamar. -Disse Jay.
-Disse?-Perguntei para Jay.
-Eu sou bom sim, Jay. Não precisa ficar com ciúmes dela. -Disse Tresh.
-Ciúmes? Eu não estou com ciúmes!-Disse Jay com uma cara feia. O que era difícil, pois ele era lindo.
-Está sim. O que foi? Não quer que eu entre só porque está com medo que poça perder sua namorada para um gordo.
-Namorada? Não sou namorada dele. -Falei.
-Não é o que dizem os boatos. -Disse Tresh.
-Boatos são sempre boatos. Não importa a onde comece. -declarei.
-Mas que vocês estão se tornando um casal isso é fato.- Tresh falou.
-Olha, quer parar de graça? Se eu e ela namoramos não é da sua conta. Vai querer entrar pro negócio, ou não? — Disse Jay, por fim.
-Ta eu entro. Quem é o líder?
-Eu oras. Fui eu quem criei.
-Posso voltar atrás da minha decisão?
-Não pode, Tresh. Olha, se vamos ser um esquadrão precisamos de cod-nomes.
-Tipo, nomes secretos? -Perguntou Jay.
-É. -Falei,
-Ta. O que você pensou?-Perguntou Tresh.
-Ok. Eu seria 'a encrenqueira', Jay seria o 'ofuscante', e você 'o gordinho maligno'.- Tresh e Jay começaram a rir.
-Romana, isso esta ridículo. -Disse Jay.
-Ta melhor do que 'senhor castor' e 'Rufo, o bola'.-falei.
-Que raio é um Rufo? Senhor Castor? Romana, quantos anos você tem?-Disse Tresh.
-Não te interessa. Galera, é um nome legal.
-Não é não. -Disse Jay.-Se vamos ser uma equipe e ter cod nomes, cada um escolhe o seu.
-Concordo com ele. Qual quer coisa é melhor que 'gordinho maligno' e 'Rufo, o bola'
-Vocês gostaram. Só não admitem!-Falei.
A partir desse momento Tresh e Jay ficaram discuindo. Acho que eles se odeiam. Na verdade tenho certeza, porque o Jay chama ele de 'rolo compressor' e Tresh chama Jay de 'magrelo com pernas de gazela'. Depois ficamos conversando sobre certas coisas a ser estabelecidas em nossa convivência. Ai, chegou a hora no almoço.
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