Greatness, Madness
1 I - Único

Daenerys está em casa, finalmente. Pelo menos é isso que ela repete a si mesma, hora após hora, enquanto observa seu castelo.
A casa que nunca conheceu. A casa que nunca foi casa. Ela suspira. Continua não parecendo um lar, mesmo com estandartes de dragão pendendo nas paredes.
E Daenerys sabe porque Pedra do Dragão não era seu lar, e esta era uma verdade bem simples: Pedra do Dragão, Westeros, tudo, pertencia a Viserys.
O mesmo Viserys que, quando ainda eram apenas crianças tolas e sozinhas, lia para ela antes de dormir, desde que naquele dia ela tivesse sido boazinha e não acordado o dragão.
Mas quase sempre ela o acordava, querendo ou não. Porque ela podia enxergar – Viserys parecia um dragão quando a defendia, quando permanecia forte quando eram mandados embora de uma casa onde antes haviam sido bem recebidos. Todavia, ela via o lado ruim de um dragão quando realmente o enfurecia.
No começo, eram apenas algumas vezes, isoladas e ignoráveis. Mas então o dragão cresceu e com ele cresceu a maldição de ser um dragão.
Dragões não podem ser amados e dragões não podem amar. Daenerys entende isso de todo coração. Dragões não são escravos, tampouco são senhores. Dragões são livres para ir, para devastar, para criar.
Os deuses sabiam que Daenerys podia ser grande. Então decidiram que Viserys seria louco.
E ele foi. Ela pode ver, olhando em seus olhos, a deterioração de sua alma. Lá dentro, a ganância e a corrupção de seu coração queimavam como fogovivo.
Daenerys custou a entender o que a levou a permitir que ele fosse morto. Talvez estivesse cansada. Cansada dos abusos e do ódio que ele emanava.
Mas, em seus sonhos mais secretos, Daenerys sabe que ela queria ser o dragão. E ela o é agora. Todavia, não há glamour. Dany sabe do fundo de seu coração que não há nenhum usurpador além dela.
Não existem dragões como antigamente. Existem seus filhos, Drogon, Rhaegal e Viserion. Mas não há dragões, porque ela matou o último.
Daenerys, nascida da tormenta, Rainha Dragão, quebradora de correntes. Viserys, o rei pedinte, o rei louco.
Ela e Viserys haviam sido dois lados de uma mesma moeda. Era como o velho homem, seu velho honrado membro de sua guarda real, sempre dizia.
A loucura e a grandeza sempre seriam lados opostos. Assim como os últimos Targaryen.
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