Gravity Falls: O Retorno das Estranhezas
2 Brincando de Slender
Notas iniciais
No dia seguinte pela manhã tentei acordar Nicholas para irmos ao Centro de Gravity Falls, porém ele continuou dormindo feito pedra e decidir sair por mim mesma, meu pai e tia Mabel realmente gostavam daquela cidade e eu queria descobrir o por quê.
Não foi uma boa ideia.
Estavam jogando vôlei e um dos times precisava de mais uma pessoa, então fui puxada para o meio da quadra, no meio daquelas garotas enormes e algumas meninas do time adversário me lançaram um olhar mortal antes do apito soar.
A garota de cabelo azul que me puxou deu um belo saque para o outro time, quase que imediatamente uma garota de cabelos castanhos praticamente socou a bola que veio em alta velocidade na minha direção, por uma fração de segundo estava lá e no próximo direto na minha cara.
— Marilyn! — Gritou uma mulher ruiva da arquibancada, vindo em minha direção. — Eu disse que era para você colocar menos força na bola!
— Desculpe, você está bem? — Perguntou Marilyn, me ajudando a levantar e olhando o local onde a bola havia batido. — Ah mãe, nem foi tão forte assim. Nem está vermelho.
— Caraca, menina! — Exclamou a mulher ruiva — Você é a cara de um garoto que eu conheci a um tempão atrás.
— Bom, se estiver falando de um Dipper Pines, eu sou filha dele. — Disse eu batendo levemente nas roupas para tirar a sujeira.
— Dipper está aqui na cidade?! — Exclamou ela, levantando-se do meu lado e me olhando — Ok, venha, vou te dar um pouco de gelo. Mal posso esperar para ver aquele baixinho.
* * *
Quando chegamos na Cabana me deparo com uma terrível cena: Nicholas comendo Doritos e assistindo TV de cabeça para baixo enquanto meu pai mexia no notebook.
— Filha, o que houve? — Perguntou ele vendo minha testa vermelha.
— Eu levei uma bolada na cara — Ri enquanto afastava suas mãos preocupadas — eu tô bem.
— Dipper! — A mulher dá um abraço de urso no meu pai.— Caraca, achei que nunca mais fosse te ver!
— Wendy, e-eu... — O seu rosto estava começando a ficar vermelho.
— Dipper, está gaguejando! — Sussurrou tia Mabel rindo levemente.
— Hã...eu é que vou começar a gaguejar se eu não sair daqui. — Comentou Marilyn coçando o pescoço, envergonhada com a cena. — Então Lisa, vamos dar uma volta na floresta?
— Eu vou com vocês! — Disse Nicholas já descendo e se virando do sofá.
— Ah, mas não vai não Nicholas! — Digo.
— Vem sim, Nick! — Ela entrelaçou nossos braços e começou a me puxar para a saída — Não é seguro para donzelas andarem pela floresta sozinhas.
Nick? Aquela garota mal tinha conhecido meu primo e já estava dando apelidinhos para ele? Se ela soubesse a praga que ele é...
Ninguém falou nada até a metade do caminho, quando chegamos ao túmulo do triângulo de um olho só. Mas dessa vez ele estava diferente, havia uma folha na palma da mão da criatura, prestes a ser levada pelo vento.
— Acho que estamos jogando Slender. — Comentou Nicholas olhando para o novo papel. — Porque aquele triângulo tem um braço e uma cartola?
— Eu não sei, mas que é estranho, isso é — Respondi indo em direção ao túmulo triangular. Senti um arrepio horrível no corpo quando me aproximei e peguei a folha rapidamente, a mesma apressada letra de antes.
Dia 03
Os gnomos me deram abrigo provisório, dizem que a floresta está infestada de novos e estranhos monstros, nem todos inofensivos, não sei o que querem dizer, porém Gravity Falls se mantém sendo estranhamente atraente e absurdamente assustador.
Se alguém encontrar esse papel, guarde-o e o mantenha seguro, depois do Estranhageddon ninguém mais é confiável.
Olhei rapidamente para Nicholas e Marilyn que também olhavam o papel surpresos.
— Gnomos? — Nicholas indagou olhando para mim — Não acho que essa pessoa tenha uma mente sã.
— Não é estranho que Estranhageddon seja citado tantas vezes e ninguém sabe de nada? — Voltei a olhar o papel. — Mariyn, você sabe o que é?
— Minha mãe diz que é um evento de inverno daqui — Comentou ela olhando para a copa das árvores — Todos dizem, mas nunca comemoramos isso.
— Será que estão escondendo algo de nós? — Perguntei, suspeita brilhando em meus olhos, porém antes de continuarmos um barulho na cabana chamou nossa atenção.
— Talvez... Mas acho melhor voltarmos para cabana — Nicholas comentou olhando de volta para nós — O que eu menos quero é dar de cara com um desses monstros aí.
Quando voltamos para a cabana reparei tia Mabel numa correria danada, jogando as coisas para fora da mala na procura de algo enquanto Wendy apenas ria sentada na poltrona da sala.
— O que está acontecendo? — Perguntou Marilyn enquanto minha tia mostrava uns sapatos para Wendy.
— Hoje tem mais um baile da alta sociedade no Solar dos Northwest! — Exclamou a tia Mabel, dando pulinhos de alegria como se fosse uma pipoca.
— Mas não tinham cancelado esse negócio? — Marilyn perguntou confusa.
— Só se for nos seus sonhos! — Disse Wendy — A Pacifica nos convidou! Vamos lá filhota, vamos nos arrumar que essa noite vai ser inesquecível.
Meu pai e eu trocamos olhares, ambos pensando a mesma coisa: Isso não pode acontecer. Vi pelo canto do olho Wendy testando uma gravata no pescoço de Nicholas e dei uns passinhos para trás.
— Dipper e Lisa, amores da minha vida...— Tia Mabel deixou a voz fininha como se estivesse falando com um bebê e eu sabia qual seria o final disso. — TROQUEM DE ROUPA AGORA MESMO!!! — Ela simplesmente berrou no nosso ouvido.
— Tia Mabel — Respondi, tampando os ouvidos — Eu...hã....ai, minha nossa! Minha cabeça tá latejando por causa da bolada, não estou me sentindo muito bem.
— Não! Você não está bem. — Interviu meu pai. — Você está tendo uma convulsão com parada cardíaca! Sinto muito Mabel, tenho que ficar para cuidar da Lisa.
A tia Mabel nos lançou um super olhar mortal, eu sabia que não seria uma boa ideia discutir com ela, pois ela sempre ganhava as discussões, mas eu realmente queria ficar para terminar de ler as cartas do Stan e Ford, então fiz o que qualquer garota faria.
Coloquei a mão na testa e fiz uma cara sofrida, meu pai e tia Mabel começaram a discutir sobre minha saúde e eu aproveitei para pegar a mão de Nicholas e saímos para o nosso quarto fechando a porta atrás de nós.
— Nicholas — Tranquei a porta e virei em sua direção — Ouça bem, não vamos nessa festa.
— O QUÊ? — Exclamou ele, e depois abaixou o tom de voz. — Está maluca? A minha mãe vai nos matar.
— Não esquenta com ela, coloquei uma dose extra de açúcar no suco energético dela. Sempre funciona!
— Da ultima vez ela correu até a praia Lisa. — Ele revirou os olhos, porém parou por um minuto — Apesar que da outra ela dormiu por dois dias seguidos. Mas por que você quer ficar?
Levantei o colchão da minha cama, revelando vários papéis que estavam escondidos ali, juntei os papéis com a carta que encontramos na floresta.
— Porque essa cidade é rodeada de mistérios, e eu tenho que descobri-los!
— Mas o tio Dipper não vai gostar nada disso — Ele se senta na minha cama cruzando as pernas. — E outra, deve ser perigoso demais.
— Por isso mesmo que temos que investigar, você não acha que o povo precisa saber o quanto essa cidade é perigosa?
— Você só está fazendo isso porque quer voltar para a Califórnia — Ele deu um sorriso irritante de quem sabe tudo.
Eu estava prestes a protestar quando ouvimos fortes batidas na porta:
— Nicholas! — Gritava tia Mabel. — Você tem cinco minutos para sair daí!
— Eu cuido disso! — Disse Nicholas abrindo a porta e saindo do quarto.
Soltei um longo suspiro, definitivamente a tia Mabel não me deixaria em paz até que eu saísse arrumada daqui. Revirei a minha mala e troquei de roupa o mais rápido que pude, colocando todas as cartas de Stan e Ford dentro de uma mochila.
A coloquei nas costas e saí para encontrar todos arrumados na sala, até meu pai estava de terno! Minha tia era a cabeça dessa família, com total certeza.
Foi nesse dia que simplesmente tudo virou de cabeça para baixo.
uEaqouestu i !
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