Gravity

1 Capítulo único


A dor finalmente passara, levando consigo a escuridão que o envolvera por tanto tempo. Toda a culpa e angústia, medo, raiva e desejo por poder se esvaíra de seu ser, deixando-o ser apenas ele mesmo outra vez... Anakin Skywalker.

Ele podia sentir como se fosse novamente aquele garotinho criado em Tatooine, experimentando a sensação de vencer aquela corrida de pod's, o momento que mudara sua vida para sempre. Havia também o frio que o alcançara quando embarcou naquela espaçonave, deixando para trás sua mãe e tudo mais o que conhecia.

E então havia ela, o anjo que visitara seus sonhos todas as noites nos anos seguintes, que o acolhia com um sorriso caloroso e o acalentava num abraço... Padmé, a mulher mais corajosa, determinada, altruísta e apaixonante que conhecera; aquela que moldou seu destino, para o bem e para o mal.

Amava-a acima de qualquer coisa, e o medo de perdê-la fez com que jogasse de lado todos os princípios nos quais se criara, agarrando-se a uma suposta força que teria o poder de mantê-la ao seu lado. A escuridão dessa força, porém, levou-a para sempre, arrancando dele seu bem mais precioso.

Desde então, sonhava e sofria com a visão dos olhos de sua esposa em seus sonhos, carregados de angústia e dor. "Anakin, está partindo meu coração!" dizia ela em meio às lágrimas, enquanto ele se perdia mais e mais na escuridão.

Nos longos anos que se seguiram, a escuridão obscureceu ainda mais sua visão, enterrando seu "eu" no canto mais escondido de seu ser. Restara apenas Darth Vader, seu imenso poder e o lado sombrio que o guiava.

Fora em meio a uma missão da Aliança Rebelde que ele encontrara um ponto de luz, algo capaz de estremecer os escuros alicerces nos quais acreditava ter se reerguido: um piloto corajoso e incrivelmente habilidoso. Um garoto chamado Luke. Luke Skywalker.

Sentira a Força nele logo no primeiro instante, o poder que aquele garoto trazia dentro de si. De princípio, se imaginara trazendo o jovem Luke para o Lado Negro da Força, fazer dele seu padawan e ser chamado de "mestre". Com o poder de ambos unidos, seriam capazes até de por um fim no reinado do Imperador Palpatine. Não haveria mais Darth Sidious e seu pupilo, mas Darth Vader e Luke, uma nova era para os Sith!

Mas Luke trazia consigo a coragem e a determinação de sua mãe. Havia muito de Padmé no garoto, e foram essas semelhanças que abalaram a escuridão na qual Vader esteve submerso por tanto tempo. Foram as lembranças e semelhanças que fizeram com que ele escolhesse a vida do garoto ao invés da sua, que escolhesse seu próprio sangue ao invés do Império.

Tal escolha acabara levando-o de volta para aquele lugar encantado e tão familiar, o lugar preferido de Padmé, onde Anakin lhe roubara o primeiro beijo: a Região dos Lagos, em Naboo. O ar ali ainda lhe parecia perfumado e fresco; o céu, o lago e os bosques tão coloridos e brilhantes quanto ele conseguia lembrar. Faltava apenas "ela" para que pudesse se sentir em casa outra vez.

— Anakin, você chegou! — uma voz suave soou às suas costas, fazendo com que ele se voltasse no segundo seguinte. — Você voltou para mim.

— Padmé?

— Você finalmente chegou — continua ela, aproximando-se e afagando seu rosto. — Esperei tanto tempo por isso... Quase cheguei a pensar que nunca mais o veria — completa, com aquele sorriso de que Anakin sentira tanta falta.

— Como isso é possível? — o rapaz indaga, permitindo-se afagar os longos cabelos de sua amada. — Depois de tudo o que fiz como ainda posso merecê-la? — continua, beijando-lhe a testa carinhosamente enquanto lágrimas escorriam preguiçosamente por seu rosto. — Eu sou um monstro... — murmura, afastando-se abruptamente. — Eu senti tanto medo... E tanta raiva... E nenhuma das loucuras que fiz foi capaz de salvá-la. Perdi você, nossa família e a mim mesmo. Ajudei Palpatine a erguer um Império, mas não fui capaz de proteger o que mais importava... Eu não mereço você Padmé, muito menos seu amor ou perdão — completa, deixando-se cair de joelhos no chão.

— Ani, olha pra mim — ela sussurra, tomando o rosto dele em suas mãos e fazendo-o estremecer àquele simples toque. — Não podemos negar o que Darth Vader fez, mas Anakin Skywalker escolheu proteger o filho, o nosso garotinho, quando foi mais necessário. Sua capacidade de amar e se importar conseguiu abrir uma brecha na escuridão em que esteve preso. Posso ver luz em você, Ani. Posso ver você, o homem por quem me apaixonei tanto tempo atrás!

— Padmé, eu...

— Eu amo você — ela o interrompe, unindo seus lábios aos dele num beijo suave.

— E eu amo você — Anakin responde, tomando-a em seus braços e retribuindo o beijo.

Ele já conseguia se sentir em paz, pois Padmé estava ali e ela o amava. Ele a amava acima de tudo. Não importava mais quanto tempo ainda teriam para estar lado a lado... Estavam juntos ali, e finalmente o mundo parecia ter recuperado o equilíbrio.

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