Notas iniciais
"Oh!"
A exclamação saiu da sua boca quando nem mesmo sua mente havia processado que caía, e Chuuya só o fez quando foi parado. O chão ainda estava um tanto distante e os braços de Kouyou eram confortáveis apesar de fortes e definido com músculos por conta dos exercícios de kendo.
Cair não era um motivo para amar, tiraria até questionamentos de descrença de quem o ouvisse dizer tal coisa, mas para Chuuya não havia outro motivo mais válido, a gravidade havia compactuado para seus sentimentos.
Kouyou claramente lhe tomava a atenção bastante, fosse por algo que Chuuya tivesse feito ou que o próprio fizesse. Era mais interessante e benéfico observar Kouyou limpando e guardando os livros na estante do que ouvir qualquer coisa que saísse da boca de Dazai. Chuuya até podia usar de desculpa que estava aprendendo para não cometer mais erros.
Ela se considerava e denominava-se romântica, mas dizer que estava apaixonada parecia um exagero, ao menos até o momento. Ela era grata por Kouyou abrigá-la e cuidar dela, Mori não permitiria que ela passasse mais um mês dormindo na sala de descanso do café, e claro, pessoalmente, Chuuya poderia escolher mais adjetivos do que ela tinha de altura para elogiar o homem e ainda assim, todos pareciam não fazer jus à ele de fato.
Talvez, aquele pensamento fosse a prova de que Chuuya tivesse sentimentos por Kouyou, mesmo que não esclarecidos, mas que residiam em algum lugar no seu peito.
Foi preciso um minuto para Chuuya recompor seus batimentos acelerados, seu corpo voltar à temperatura normal, e seus olhos focarem em outra coisa que não Kouyou em pânico perguntando em vão se ela estava bem. Com o rosto corado, afirmou que sim apesar da dor no calcanhar.
Ser carregada nos braços de Kouyou fora apenas mais um fator para a pane do seu sistema interno.
Chuuya esperou pacientemente sentada nas cadeiras do balcão que Kouyou voltasse com uma bolsa de gelo enquanto olhava os livros que caíram junto à si ao redor da escada, e que obviamente, seriam seu trabalho arrumá-los depois, porém no momento, eram apenas objetos sem importância diante da situação. Só a baixa temperatura contra seu calcanhar que trouxe-a de volta à realidade, apenas por segundos para, então, outra vez, a vergonha fazer seu rosto vermelho e lhe impossibilitar de olhar diretamente nos olhos de Kouyou, que expressavam preocupação. Chuuya sempre se denominava romântica, entretanto, literalmente cair no amor parecia algo saído de algum dos livros que há pouco arrumava, mas não deixava de ser a pura verdade.
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