Gravado em sua mente
1 Capítulo 01
Notas iniciais
Ps.: Esse capítulo foi tirado e editado de 'Lua nova', qualquer semelhança NÃO é mera coincidência. Meu intuito não foi de forma alguma desrespeitar a obra da autora.
Capítulo 01
Quando Bella chegou na clareira, ela percebeu que o lugar não era nem um pouco tão fascinante sem a luz do sol, mas ainda era muito bonito e sereno. Não era a época certa para as flores selvagens; o chão estava grosso com a grama alta que balançava com a brisa leve como se fossem ondas num lago.
Era o mesmo lugar... mas não parecia que ela encontraria lá o que estava procurando. A decepção foi quase tão instantânea quanto o reconhecimento.
E então ela afundou onde estava, se ajoelhando lá na beira da clareira, começando a asfixiar.
De que adiantava seguir em frente? Não havia nada lá. Nada além de memórias que ela queria ter trazido à tona quando quisesse, se um dia ela fosse capaz de lidar com a dor que elas trariam — a dor que a pegou agora, lhe deixou fria. Não havia nada de especial nesse lugar sobre ele. Ela não tinha certeza absoluta do que esperava sentir aqui, mas a clareira estava vazia de atmosfera, vazia de tudo, exatamente como todas as coisas. Assim como os seus pesadelos.
Sua cabeça ficou confusa.
'Pelo menos eu vim sozinha.' Bella pensou sentindo uma onda de agradecimento quando se deu conta disso. Se ela tivesse descoberto a clareira com Jacob... bem, não ia ter jeito de disfarçar o abismo no qual estava enclausurada agora. Como era que iria explicar o fato de estar se fazendo em pedacinhos, o jeito como se curvava numa bola pra evitar que o buraco vazio lhe partisse em duas? Era muito melhor que não tivesse uma platéia.
E também não teria que explicar pra ninguém porque estava com tanta pressa de ir embora. Jacob teria presumido, depois de tanto trabalho pra encontrar esse lugar estúpido, que ela ia querer passar mais alguns segundos lá. Mas ela já estava tentando encontrar forças pra ficar de pé de novo, Se forçando a sair daquela bola pra poder escapar. Havia muita dor nesse lugar vazio pra suportar — ela iria se arrastando se precisasse.
Que sorte que estava sozinha!
Sozinha. Ela continuava a repetir a palavra com grande satisfação enquanto se esforçava para ficar de pé apesar da dor. Precisamente nesse momento, uma figura saiu de dentro das árvores ao norte, há uns trinta passos de distância.
Uma fascinante desordem de emoções passou por Bella em um segundo. A primeira foi surpresa; Bella estava distante de qualquer trilha aqui, e não esperava companhia. Então, enquanto seus olhos se focavam na figura imóvel, vendo a incrível rigidez, a pele pálida, uma onda de esperança penetrante passou por ela. A esperança foi suprimida viciosamente, uma luta contra a agonia igualmente afiada enquanto seus olhos continuavam para olhar o rosto embaixo do cabelo preto, que não era o que ela esperava.
A próxima foi medo; esse não era o rosto pela qual ela vivia aflita, mas ele estava suficientemente perto para que ela soubesse que aquele homem não era nenhum mochileiro.
E finalmente, no fim, reconhecimento.
—Laurent! — Ela falou com um surpreso prazer.
Era uma resposta irracional. Ela provavelmente devia ter parado no medo.
Laurent fazia parte do grupo de James quando ela o conheceu. Ele não estava envolvido na caçada que se seguiu — a caçada na qual Bella era a presa — mas isso foi só porque ele estava com medo; ele sabia que ela era protegida por um grupo maior do que o dele. Teria sido diferente se esse não fosse o caso — ele não tinha nada contra, naquela época, a ideia de fazê-la de refeição. É claro, ele devia ter mudado, porque ele foi para o Alaska pra viver com outro grupo civilizado lá, outra família que se recusava a beber sangue de humanos por razões éticas. Outra família como os... ela não conseguiu se fazer pensar no nome.
Sim, sentir medo faria mais sentido, mas o que ela sentia era uma dominante satisfação. A clareira era um lugar mágico de novo. Uma magia mais negra do que a que se estava esperando, com certeza, mas mágica do mesmo jeito. Aqui estava a conexão que era buscada. A prova, mesmo que remota, de que — em algum lugar no mesmo mundo que ela — ele existia.
Era impossível o quanto Laurent parecia exatamente o mesmo. Ela achou que era muito bobo e humano esperar que as coisas mudassem tanto em um ano. Mas havia uma coisa... e ela não conseguiu identificar o que era direito.
— Bella? — ele perguntou, parecendo mais pasmo do que ela mesma se sentia.
—— Você lembra. —Ela sorriu. Era ridículo que estivesse tão feliz porque um vampiro lembrava seu nome.
Ele sorriu.
—Eu não esperava te ver por aqui. —Ele andou na direção dela com a expressão divertida.
—Isso não é o contrário? Eu vivo aqui. Eu pensei que você tinha ido para o Alaska.
Ele parou a uns dez passos de distância, inclinando a cabeça para o lado. Bella pensou que o rosto dele era o rosto mais bonito que ela havia visto pelo que pareceu ser uma eternidade.
Ela estudou o rosto dele com um ganancioso senso estranho de alívio. Ele era uma pessoa para a qual ela não precisava fingir.
—Você está certa —ele concordou. —Eu fui para o Alaska. Ainda assim, eu não esperava… quando eu encontrei a casa dos Cullen vazia, eu pensei que eles haviam se mudado.
—Oh. —Ela mordeu o lábio quando o nome fez as beiras em carne viva da sua ferida doerem. Ela levou um segundo para se recompor. Laurent esperou com olhos curiosos. —Eles se mudaram — finalmente conseguiu dizê-lo.
—Hmm… —ele murmurou. — Eu estou surpreso que eles tenham te deixado pra trás. Você não era uma espécie de animal de estimação deles? —os olhos dele estavam inocentes como se não tivessem a intenção de ofender.
Ela deu um sorriso torto.
— Alguma coisa assim.
— Hmm — ele disse, pensativo de novo.
Nesse exato momento, ela percebeu o porque que ele parecia igual — igual demais. Depois que Carlisle disse que Laurent havia ficado com a família de Tânia, ela começou a imaginá-lo, nas raras ocasiões em que pensava nele, com os mesmos olhos dourados que os... Cullen —ela forçou o nome a sair, estremecendo — tinham. Que os vampiros bons tinham.
Ela deu um passo involuntário para trás, e os seus curiosos, olhos vermelhos escuros seguiram o movimento.
—Eles te visitam frequentemente? — ele perguntou, ainda casual, mas o peso dele se inclinou em sua direção.
Minta — a linda voz aveludada sussurrou ansiosamente na memória de Bella.
Ela se assustou com o som da voz dele, mas isso não devia tê-la surpreendido. Ela não estava se submetendo ao maior perigo imaginável? A moto parecia um bando de gatos bonzinhos comparada a isso.
E então, ela fez o que a voz lhe disse para fazer.
—De vez em quando. —Ela tentou fazer a voz ficar leve, relaxada. —O tempo parece mais longo pra mim, eu imagino. Você sabe como eles podem ser distraídos… —ela estava começando a tagarelar.
—Hmm… —ele disse de novo. — A casa cheirava como se estivesse vazia já há algum tempo...
Você precisa mentir melhor do que isso, Bella — a voz disse com urgência.
— Eu vou ter que dizer a Carlisle que você esteve aqui. Ele vai ficar triste por ter perdido a sua visita. —Ela fingiu estar pensando por um segundo. —Mas eu provavelmente não deveria mencionar isso para...Edward, eu acho — ela mal conseguiu dizer o nome dele, e isso fez sua expressão se contorcer, arruinando o blefe. —Ele tem um temperamento forte... bem, eu tenho certeza de que você lembra. Ele ainda está nervoso com aquela coisa de James. — Ela revirou os olhos e abanou displicentemente com uma mão, como se isso fosse uma história antiga, mas havia uma pontada de histeria em sua voz. Ela se perguntou se ele poderia reconhecer o que isso era.
—Ele está mesmo? —Laurent perguntou prazerosamente... e ceticamente.
Ela manteve a resposta curta, para que assim minha voz não deletasse o seu pânico.
—Mm-hmm.
Laurent deu um passo casual para o lado, olhando ao seu redor na pequena clareira. Ela não deixou de reparar que o seu passo o trouxe para mais perto de si. Em sua cabeça, a voz respondeu com um rosnado baixo.
—Então como estão as coisas em Denali? Carlisle disse que você tinha ido ficar com Tânia? —A voz de Bella estava alta demais.
A questão fez ele parar.
— Eu gosto muito de Tânia —ele meditou. —E da sua irmã Irina ainda mais... eu nunca havia ficado tanto tempo em um só lugar, e eu aproveitei as vantagens, as novidades de tudo. Mas as restrições eram difíceis... Eu estou surpreso que eles tenham conseguido aguentar por tanto tempo —ele sorriu pra ela conspiradoramente. —As vezes eu trapaceio.
Ela não conseguiu engolir. Os seus pés começaram a ir para trás, mas ela ficou congelada quando seus olhos vermelhos olharam pra baixo pra captar o movimento.
—Oh —ela disse com uma voz fraca. —Jasper tem problemas com isso também.
Não se mova — a voz sussurrou.
Ela tentou fazer o que ele lhe dizia. Era muito difícil; o instinto de se mandar era quase incontrolável.
—Mesmo? —Laurent pareceu interessado. —Foi por isso que eles foram embora?
—Não. —Bella respondeu honestamente. —Jasper é mais cuidadoso em casa.
—Sim. —Laurent concordou. —Eu sou também.
O passo à frente que ele deu agora foi de propósito.
—Victória encontrou você? —ela perguntou, meio sem fôlego, desesperada para distraí-lo. Essa foi a primeira pergunta que lhe veio à mente, e se arrependeu de ter dito as palavras assim que saíram. Victória, que havia a caçado com James, e depois desaparecido, não era alguém em quem ela queria pensar nesse momento em particular.
Mas a pergunta o faz parar.
—Sim. —ele disse, hesitando no passo. —Na verdade eu vim aqui como um favor pra ela. —Seu rosto adotou uma expressão estranha. —Ela não vai ficar feliz com isso.
—Com o que? —Bella disse ansiosamente, o convidando a continuar. Ele estava olhando para as árvores, pra longe dela. Ela tomou vantagem na distração dele, dando um passo furtivo para trás.
Ele olhou de volta pra ela e sorriu — a expressão fez ele parecer um anjo de cabelos pretos.
—Eu vou matar você. —Ele respondeu com um ronronar sedutor.
Bella vacilou em outro passo para trás. O rosnado frenético em sua cabeça tornava difícil escutar.
—Ela queria salvar essa parte pra si própria… —Ele continuou, alegremente. —Ela está meio... aborrecida com você, Bella.
—Comigo? —ela conseguiu resmungar.
Ele balançou a cabeça e gargalhou.
—Eu sei, parece um pouco atrasado pra mim também. Mas James era o parceiro dela, e o seu Edward o matou.
Mesmo aí, à beira da morte, o nome dele rasgou as paredes não cicatrizadas de sua ferida como se a estivessem serrando. Laurent não estava consciente de sua reação.
—Ela achou mais apropriado matar você do que Edward, um troco justo, parceiro por parceiro. Ela me pediu pra ficar de olho na terra deles, por assim dizer. Eu não podia imaginar que seria tão fácil te pegar. Mas então, talvez o plano dela falhe, aparentemente não era a vingança que ela havia imaginado, já que você não deve ser tão importante pra ele já que ele te deixou aqui desprotegida.
Outro golpe, outra lágrima em seu peito.
O peso de Laurent se moveu levemente, e ela deu outro passo para trás.
Ele fez uma careta.
—Eu acho que ela vai ficar zangada, do mesmo jeito.
—Etão porque não esperar por ela? —ela conseguiu gaguejar.
Um sorriso maquiavélico transformou o rosto dele.
—Bem, você me pegou num mal momento, Bella. Eu não vim pra esse lugar por causa da missão de Victória, eu estava caçando. Eu estou com muita sede, e o seu cheiro é... simplesmente de dar água na boca.
Laurent olhou para ela com aprovação, como se ele estivesse falando sério quando a cumprimentou.
Ameace ele — a linda voz da ilusão ordenou, a voz dele estava desorientada de medo.
—Ele vai saber que foi você. —Bella sussurrou obedientemente. —Você não vai se safar dessa.
—E porque não? —o sorriso de Laurent cresceu. Ele olhou ao redor para a pequena abertura das árvores. —O cheiro vai ser lavado na próxima chuva. Ninguém vai encontrar seu corpo, você simplesmente terá desaparecido, como tantos, tantos outros humanos. Não vão haver motivos para Edward pensar em mim, se ele se importar o suficiente para investigar. Não é nada pessoal, Bella, eu te asseguro. Só sede.
Implore — a alucinação ordenou novamente.
—Por favor. —Ela implorou.
Laurent balançou a cabeça, seu rosto estava gentil.
—Veja dessa forma, Bella. Você tem muita sorte que fui eu quem te encontrou.
—Eu tenho? —Murmurou arriscando outro passo para trás.
Laurent seguiu, leve e gracioso.
—Sim. —ele assegurou. —Eu serei bem rápido. Você não vai sentir nada, eu prometo. Oh, eu vou mentir pra Victória sobre isso mais tarde, naturalmente, só pra aplacar ela. Mas se você soubesse o que ela tinha planejado pra você, Bella... —Ele balançou a cabeça com um movimento lento, quase com desgosto. —Eu juro que você estaria me agradecendo.
O olhar que ela lançou pra ele, foi de puro horror.
Ele fungou a brisa que soprava o cabelo dela na direção dele.
—De dar água na boca… — ele repetiu, inalando profundamente.
Ela ficou tensa pra sair dali, seus olhos piscando enquanto tentava se afastar, e o som do rosnado enfurecido de Edward ecoava no fundo de sua cabeça. O nome dele escapou pelas paredes que ela havia construído para pará-lo.
Edward, Edward, Edward. Ela iria morrer. Não devia importar se pensasse nele agora.
'Edward, eu te amo' Ela pensou com os olhos fechados.
Pelos olhos apertados, ela viu Laurent parar no meio do ato de inalar e virar a cabeça rapidamente para a esquerda. Ela estava com medo de tirar os olhos dele, de seguir a direção do seu olhar, apesar de que ele já não precisava mais de nenhum truque ou nenhuma distração pra lhe pegar.
Ela estava muito surpresa para se sentir aliviada quando ele começou a se afastar.
—Eu não acredito nisso. —ele disse, a voz dele estava tão baixa que Bella quase não o ouvia.
Então ela teve que olhar. Seus olhos vasculharam a clareira, procurando pela distração que havia estendido sua vida em mais alguns segundos.
No início ela não viu nada, e o seu olhar voltou para Laurent. Ele estava se afastando com mais velocidade agora, os olhos dele fixos na floresta.
Então ela viu; uma enorme figura preta saiu das árvores, quieta como uma sombra, e perseguiu de propósito na direção do vampiro. Era enorme — alto como uma casa, só que mais grosso, muito mais musculoso. O longo focinho fez uma careta, revelando uma longa fileira de dentes afiados como adagas. Um horrível rosnado saiu pelos seus dentes, rompendo pela clareira como o barulho de um trovão prolongado.
O urso. Só que aquilo não era um urso de jeito nenhum. Mesmo assim, aquele enorme monstro preto tinha que ser a criatura que andava causando o alarme. De longe, qualquer um pode presumir se tratar de um urso. O que mais poderia ter uma estrutura tão vasta, tão poderosa?
Ela desejou ter sido sortuda o suficiente para vê-lo de longe. Ao invés disso, ele caminhava silenciosamente na grama a menos de dez pés de onde ela estava.
Não se mexa nenhum centímetro —a voz de Edward sussurrou.
Ela olhou para a criatura monstruosa, sua mente borbulhando enquanto pensava num nome pra dar pra ela.
Havia uma aparência canina bastante distinta no formato dele, no jeito como se mexia. Bella só podia pensar numa possibilidade, travada de horror como estava. Ela nunca tinha imaginado que um lobo podia ficar tão grande.
Outro rosnado saiu da sua garganta, e ela se encolheu com o som.
Laurent estava tentando voltar para a beira onde ficavam as árvores, e, por baixo do terror que a congelava, a confusão ficou visível em seu rosto.
Porque Laurent estava fugindo? Com certeza, o lobo era de um tamanho monstruoso, mas era só um animal. Por que razão um vampiro teria medo de um animal? E Laurent estava com medo. Os olhos dele estavam esbugalhados de horror, como os dela.
Como se isso respondesse à pergunta, de repente o lobo do tamanho de um elefante não estava mais sozinho. Saindo dos dois lados da clareira, outras duas bestas gigantes se arrastaram para dentro da clareira. Uma era de um cinza escuro, o outro marrom, mas nenhum era tão grande quanto o primeiro. O lobo cinza saiu das árvores a apenas alguns centímetros dela, com os olhos grudados em Laurent.
Antes mesmo que Bella pudesse reagir, mais dois outros lobos os seguiram, alinhados como um V, como gansos voando para o sul. Isso significava que o último monstro marrom que entrou na clareira estava perto o suficiente para Bella tocá-lo.
Ela deu um suspiro involuntário e pulou pra trás —que foi a coisa mais estúpida que poderia ter feito. Bella congelou de novo, esperando que os lobos se virassem pra ela, a presa muito mais fraca e vulnerável. E ela desejou brevemente que Laurent começasse a destruir o grupo de lobos —isso devia ser fácil pra ele. Bella achou que, entre as duas escolhas à sua frente, ser comida por lobos era certamente a pior opção.
O lobo mais próximo dela, o marrom avermelhado, virou a cabeça levemente com o som do seu suspiro.
Os olhos do lobo eram escuros, quase pretos. Ele olhou para Bella por uma fração de segundo, seus olhos profundos se grudando aos dela por um pequeno momento que pareceu infinito. Suas orbes negras pareceram inteligentes demais para um animal selvagem.
Ele a encarou, e sem saber porquê, ela pensou em Jacob de repente. Era como se aqueles olhos, animalescos e ao mesmo tempo tão humanos, a fizessem se lembrar dele, era o mesmo jeito singular que seu amigo lhe olhava.
Então outro rosnado baixo do líder fez a cabeça do lobo se virar, na direção de Laurent. Laurent estava olhando para o monstruoso bando de lobos monstruosos com um inexplicável olhar de choque e medo. Primeiro Bella não conseguiu entender. Mas ficou atordoada quando, sem nenhum aviso, ele se virou e desapareceu entre as árvores.
Ele fugiu.
Os lobos foram atrás dele em um segundo, se espalhando pela grama com passadas poderosas, rosnando e fazendo estalos tão altos que ela levantou suas mãos instintivamente para cobrir os ouvidos. O som desapareceu com surpreendente velocidade assim que eles desapareceram na mata.
E então ela estava sozinha de novo.
Seus joelhos tremeram e ela caiu em cima das mãos, soluços se construindo em sua garganta.
Ela sabia que tinha que ir embora, e tinha que ir agora. Por quanto tempo os lobos iam caçar Laurent antes de voltarem por ela? Ou Laurent ia se virar contra eles? Seria ele quem voltaria a procurando?
Porém, primeiramente ela não conseguia se mexer; seus braços e pernas estavam tremendo, e ela não sabia como voltar a ficar de pé.
Sua mente não conseguia superar o medo, o horror ou a confusão. Ela não entendia o que havia acabado de testemunhar. Um vampiro não devia fugir de cachorros crescidos daquele jeito. Que mal os dentes dele poderiam fazer á sua pele de granito?
E os lobos devem ter dado a Laurent um longo espaço. Mesmo que o tamanho extraordinário deles os tenha ensinado a não temer nada, ainda não faziam nenhum sentido que eles o perseguissem. Ela tinha dúvidas de que a pele de mármore gelado dele cheirasse como comida. Porque eles iam deixar passar alguma coisa com sangue morno e fraca como ela para perseguir Laurent?
Ela não conseguia entender o sentido disso.
Uma brisa fria passou pela clareira, balançando a grama como se alguma coisa estivesse em cima dela.
Bella ficou de pé, se afastando mesmo que o vento estivesse passando por ela sem lhe causar danos. Tremendo de pânico, ela se virou e correu em linha reta entre as árvores.
As horas seguintes foram de agonia. Bella levou um tempo três vezes maior para escapar das árvores do que eu tinha levado pra chegar até a clareira. No início ela não prestou atenção para onde estava indo, já que estava focada na sua fuga. Na hora que ela conseguiu se recompor o suficiente para se lembrar da bússola, ela já estava no meio da floresta não familiar e ameaçadora.
Suas mãos estavam tremendo tão violentamente que ela teve que colocar o objeto no chão lamacento para poder usá-lo direito. A cada minuto ela parava pra colocar a bússola no chão e checar se ela ainda estava indo para o Nordeste, escutando — quando os sons não estavam sendo escondidos pelos seus passos frenéticos — os baixos sons de coisas que ela não via se movendo entre as folhas.
O chamado de uns pássaros a fizeram pular para trás e cair num monte de jovens madeiras derrubadas, arranhando seus braços e sujando o cabelo com seiva.
Finalmente ela encontrou uma abertura nas árvores à frente. Bella entrou na estrada e caminhou uma milha ou algo assim pra chegar onde havia deixado a caminhonete. Mesmo exausta como estava, ela ainda correu até encontrá-la. Até a hora que se jogou dentro do carro, ela já estava soluçando de novo.
Ela apoiou os braços no volante e despencou a cabeça sobre eles; ela precisava se acalmar, só não sabia como fazer isso.
'Você está viva Bella, viva' Ela disse para si mesma.
E foi o pensamento de que ela estava viva, de que Charlie não passaria o resto de sua vida buscando por seu corpo impossível de ser encontrando que a manteve calma o suficiente para que ela dirigisse até sua casa em segurança.
Ela nem tirou a chave da ignição quando estacionou o veículo na entrada da garagem de sua casa, seu estômago estava embrulhado, como se a qualquer momento ela fosse vomitar; abrindo a porta rapidamente, ela correu em direção ao banheiro no momento em que o conteúdo de seu estômago voltava.
Quando terminou de vomitar, Bella se sentou no chão do banheiro e encostou as costas contra a porta. Ela fechou os olhos e passou a mão pelo rosto; os olhos quase humanos do lobo preencheram seus pensamentos, e ela tinha certeza que demoraria para esquecê-los.
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