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35 Meu mundo tá desabando
Notas iniciais
Passei a tarde inteira ali, e só quando já estava anoitecendo Junior me encontrou.
J: Carol! — ele me abraçou — Nunca mais some assim, me entendeu, NUNCA MAIS. Quase morri de preocupação, meu amor, todos nós
C: De que adianta? Daqui uns dias você vai pra Londres, vai encontrar novos amigos. E eu vou ficar aqui, nessa porcaria de cidade sem você
J: Que isso Carol? Você acha que eu vou conseguir pensar em alguém que não seja você? Eu te amo demais, Carolina Correia, isso nunca vai mudar NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA. Mas e o Beto? Você não pensa em como ele está preocupado?
C: Junior, como você quer que eu fique sabendo que o homem da minha vida vai se separar de mim? Você não queria que eu ficasse chorando as pitangas no orfanato neh?
J: Seria bem mais seguro. Se alguma coisa acontecesse com você eu não me perdoaria nunca. E se alguém tivesse te sequestrado ou coisa pior? Como você acha que EU iria ficar?
C: Parecido comigo neste momento. Você não faz ideia de como importante pra mim. Não faz mesmo
J: Carol, põe uma coisa na sua cabeça: eu não quero ir pra porcaria de Londres nenhuma, acontece que eu estou sendo obrigado
C: Você promete que vai me ligar de vez em quando?
J: Sempre que eu puder meu amor. Agora vamos voltar pro orfanato, por favor. Todos estão preocupados com você
C: Vamos — eu disse enxugando as lágrimas
J: Deixa eu avisar o Beto que te encontrei
POV Junior
~Ligação on
J: Beto
B: Oi
J: Encontrei
B: Ah graças a Deus, como que ela tá?
J: Ta bem neh, na medida do possível
B: Onde vocês estão?
J: No parque, perto da fonte
B: To chegando aí. Obrigado por avisar Junior
J: Nada Beto. Tchau
B: Tchau
~Ligação off
Decidi não contar sobre o nosso banquinho ao Beto, ele acabaria espalhando para os outros e eu queria que fosse algo só nosso. A abracei e andamos até a fonte, ela ainda soluçava muito e eu me sentia impotente não podendo acalmá-la e dizendo que tudo fora apenas um pesadelo. Mas infelizmente não. Nos sentamos e e esperamos até que Beto nos encontrasse.
B: Carol, ainda bem! — ele disse a abraçando — Onde você tava?
C: Andando por aí — ela disse com a voz embargada
B: Oh minha irmã, vamos voltar pro orfanato. Você deve estar com fome
C: Não...
J: Como assim? Você comeu alguma coisa por aqui?
C: Não, mas eu não to com fome
J: Tá sim, você não vai ficar fazendo greve de fome
C: Eu não sinto fome Junior, meu mundo está desabando e essa é só uma das consequências.
Depois que ela falou isso, senti como se o chão estivesse sumido. Nenhum de nós ficaria bem com essa separação. Baixei a cabeça e não falei nada até chegarmos no orfanato. Para melhorar o dia, meus pais estavam lá
G: Carol!
A: Você ta bem?
J: O que você acha? — eu disse lançando um olhar ao meu pai
JR: Bom, agora que encontraram a menina podemos ir embora
J: Amanhã eu vou vir aqui, mãe?
R: À noite você pode vir para se despedir, filho. Seu voo ta marcado pra bem cedinho na segunda
B: Por favor, Dr. José Ricardo, deixa o Junior ficar.
JR: Não. Vai fazer bem pra ele
J: Bem o caramba. Você só vai me afastar das pessoas que amo e nos deixar muito, mas muito, mal. Então não vem com esse papinho pra cima de mim porque não rola.
JR: Chega Junior. Vamos embora! — disse ele saindo
Peguei o rosto da Carol em minhas mãos e lhe dei um beijo apaixonado. Ela chorou e me abraçou, chorei também. Me despedi de todos e saí, deixando a garota que mais amo no mundo aos prantos na sala.
#CONTINUA
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