Grava Essa Ideia
5 As mãos
Notas iniciais
A abracei e senti que a outra pessoa que havia chorado era ela. Saí e sentei na beira da estrada tentando absorver a ideia que agora era só eu e o Beto contra o mundo. Aos poucos os bombeiros foram tirando os corpos do ônibus, todos queimados. Junior sentou perto de mim e apoiei minha cabeça em seu ombro. Sentia que se fosse ter alguém pra me ajudar nesse momento, seria ele. Dali a 15 minutos chegou uma equipe de imprensa, mas não me levantei. Ao contrário, me deitei sobre o colo do Junior e ele começou a brincar com meus cachos. Logo virei e comecei a olhá-lo.
C: Junior, eu queria te agradecer por tudo que você esta fazendo por mim.
J: Eu faria por qualquer pessoa Carol, não precisa agradecer
C: Mesmo assim, eu nunca vou esquecer o que você e a sua família estão fazendo por mim e pelo Beto. – me levantei e dei um beijo em seu rosto.
Ele sorriu e encostou sua testa na minha. Algumas pessoas vieram em nossa direção e nos levantamos, de mãos dadas. Uma era a repórter e o outro trazia uma câmera nas mãos.
C: Pois não?
R: Eu gostaria de saber se você poderia responder a algumas perguntas sobre o acidente.
C: Sim, mas façam poucas perguntas por favor
R: Pode deixar. – eles arrumaram a câmera e começaram a gravar – Você viu o acidente acontecer?
C: Mais ou menos, estava acordada no momento do impacto mas não deu pra ver muita coisa
R: E como você conseguiu escapar com o seu irmão sem se machucar?
C: Eu tenho uma cisma muito grande com cinto, então eu acho que isso ajudou a não me machucar quando o ônibus caiu. A parte de empurrar a janela e sair do ônibus foi fácil.
R: Você sabe como foi, o que aconteceu no acidente?
C: Um carro foi tentar ultrapassar a carreta e não viu o ônibus, então o motorista desviou mas perdeu o controle e caiu na ribanceira.
R: Ok, obrigada.
Depois que ela foi me virei e percebi que ainda estava de mãos dadas com o Junior mas não quis soltá-la. Entrelacei meus dedos nos dele e sorri. Ele retribuiu o gesto e fomos andando pela estrada. Quando estávamos longe, Rosa nos chamou pra ir embora.
R: Junior, Carol, vamos – ela gritou
Nos viramos e fomos. Chegando lá, Gabi estava dormindo no banco da frente e Beto estava no banco de trás, então tivemos que usar os bancos reservas. A viagem estava sendo tranquila mas eu não conseguia dormir e nem ninguém, então começamos a conversar.
R: Carol, quantos anos você tem?
C: 15, e vocês?
J: Eu tenho 16, Gabi tem 14 e a minha mãe tem 43
C: O Beto tem 13
R: Você estuda?
C: Estou no 2 ano
R: Você planeja fazer faculdade?
C: Sim, eu quero fazer faculdade de psicologia. E você Junior?
J: Ah, eu não penso ainda em que faculdade quero cursar
C: Mas você já esta no 3 ano, não esta?
J: Sim, mas eu vou dar 1 ano de descanso porque estou adiantado na escola
C: Hmmmmm
R: Carol, dorme um pouco. Acho que você não dormiu nada durante a viagem
C: Vou tentar dormir sim
J: Deita aqui – disse ele batendo a mão em seu colo, mas percebi que seu pai nos lançou um olhar de reprovação
C: Junior, eu encosto a cabeça no vidro e está bom
J: Para com isso.
#CONTINUA
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