Desde quando nasci, venho tentando te mostrar o quanto te amava.

Você sabe?

Foi difícil, mas eu não desisti. Meu nascimento foi algo alegre, que talvez tenha feito sua vida transbordar de felicidade, assim como o reino inteiro se encheu de esperança. Eu não entendia, mas se vocês estavam felizes, eu também estava!

Ao passar dos anos, eu aprendi a andar e dar de cara no chão, sempre que tentava “correr" ou se locomover, porém você estava lá para me levantar e me socorrer, assim que perdia o equilíbrio.

Você sabe? Eu te amo. Mas...

Sentir fome era confuso para mim, sentia como se fosse morrer. Era meândrica essa nova sensação e quando você me... Alimentava? Eu sentia satisfeito com tudo aquilo. Assim, não havia mais razões para chorar. Na verdade, nunca houve.

Suas piadas e suas risadas pareciam me contagiar e ter vontade de rir, embora não entendesse o quê você dizia. Algo como: “Não sei, mas me faz bem.", poderia me expressar facilmente.

Todo esse seu calor materno que me preenchia, quando dormia ao meu lado me trazia conforto e segurança. Sabia que não havia nada a temer quando você, minha mãe, estava por perto.

Como demonstrar isso?

Papai Asgore também era incrível. Eu sentia vontade de correr junto com ele e brincar de bola, mas com você? Queria poder ficar deitado o dia todo, escutando cantarolar e sussurra que queria que eu dormisse rapidamente.

Eu sentia medo.

Medo de quando você fechava a porta e me deixava sozinho, pois não havia seu calor naquele quarto. Não escutava sua voz acolhedora chegando aos meus ouvidos; E eu chorava. Não era pouco, pois havia entendido que quanto mais eu chorasse, mais rápido você, minha heroína iria chegar e me fazer bem novamente.

— Ah, Asriel... Só você mesmo. Durma meu bem, amanhã é um novo dia.

E essa sua voz me fazia relaxar e ter certeza que todas as minhas incertezas iriam embora.

Todo esse amor...

Eu sempre fui uma criança tímida.

Constantemente escondido atrás de você ou do papai, com medo do que poderia acontecer. Embora eu quisesse me juntar aos outros e brincar, ficar observando você e outras pessoas conversando era sempre mais interessante.

— Ele sempre foi um menino tímido, não é, Toriel?

— Ah, hah hah. Sim, bastante tímido. Mas ele não nos dá trabalho.

Não entendia o que poderia ser classificado como “tímido", mas eu sei que eu era. Todos falavam isso sobre mim.

Não via maldade nas coisas, principalmente quando passava outras crianças e me machucavam. Não entendo, por qual motivo faziam isso? E por que a mamãe estava tão brava?

Chamando a atenção de todos aqueles pequenos como eu, ela aparentava estar com raiva. Dizia para isso não se repetir e que não deve fazer isso com mais ninguém. Logo, seu rosto se voltou para mim e me pegou no colo. Acariciou a minha cabeça, murmurando um pedido de desculpas por isso acontecer.

É estranho, mas não gosto de vê-la chorar. No entanto, eu não pude me expressar, por não saber o que se passava.

Todos esses sentimentos...

Conversar e papear é a minha rotina, agora. Desde quando pronunciei a minha primeira palavra, tem sido mais legal interagir e brincar, pois eu entendo o que eles dizem. Embora usassem palavras difíceis...

— Ah, Asriel. Você poderia parar de falar um tempo? Estou incomodada.

Mamãe também tinha suas horas rudes e eram as que eu mais odiava. Ela simplesmente ignorava ou dava uma resposta mal-humorada. Bom, eu simplesmente odeio isso.

— Eu odeio você e seu mal humor.

É claro que eu não sabia o quão aquelas palavras machucariam uma pessoa. Apenas vejo seu olhar chocado e com uma mão próxima à boca. Nada falou, mas eu também não a quis ouvir. Eu, muito covarde, obviamente saí correndo e me escondi embaixo da cama, segurando-me para não chorar.

Era ridícula a forma de como eu falava e saía correndo. Sei que me arrependeria, mas vivia da mesma forma como sempre, pois isso era um ciclo inevitável.

Todos esses momentos... Como expressar que eu amei todos esses momentos?

Há tanta coisa que eu queria poder dizer.

Há tanta coisa que eu gostaria de recordar, ao passar do tempo esquecemos bons momentos.

Mas também há maus momentos, dos quais eu queria poder esquecer. Sei que te fiz mal com certas decisões.

Tenho tanta coisa que está presa em minha garganta, esperando para poder sair.

Possuo tanto para lhe dizer, para lhe demonstrar, mas... Você parece tão distante.

Desculpe, mas isso ficará para um momento mais aceitável. Eu só queria poder te agradecer por cuidar de mim e me amar, independente de todos os nossos momentos ruins e bons.

Eu só queria... Dizer que...

— Eu te amo, mãe.

E um simples abraço poderia descrever os mais dos meus complexos sentimentos por você? Um abraço tão comum consegue demonstrar o quão sou grato por você existir?

Obrigado por tudo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!