Grand Piano - Bellarke version
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Por favor, deixem comentários. Minha primeira fic aqui no site.
Boa leitura.
Bellamy estava tão exausto. Tudo a sua volta era suor e caos. Sangue dos seus amigos derramado. Sangue daqueles, que eram considerados, inimigos derramado. Pessoas fisicamente feridas. Pessoas emocionalmente devastadas. Tudo a sua volta era suor e sangue. E a troco de quê?
Seu olhar vagou até a irmã, Octavia. Estava com os olhos verdes mais obscuros do que nunca. Desde a morte de Lincoln, sua irmã deixou de ser a mesma. O olhar, antes doce e delicado, agora era pura fúria assassina. O que estava acontecendo? Porquê subitamente ele se sentia perdendo o controle de tudo?
Onde estava Clarke? Seus olhos vagaram por aquele campo de gente morta à procura da loira. Ela não estava ali, isso era claro. Mais uma vez, ela não estava lá por ele. Estava com a comandante grounder há umas duas aldeias dali, ele sabia. E ele não conseguia impedir o nó na garganta. Onde ela estava, afinal? Por quê ela o abandonara depois de Mount Weather? Porquê juntar-se à comandante dos Grounders? Qual era o plano dela?
Perguntas e mais perguntas. Algumas com as respostas já fervilhando na mente dele. Outras ele preferia não saber a resposta. Clarke. Sua Clarke. Tão distante e, parece que, cada vez mais inalcançável. Seu coração já estava cansando de bater pelo dela. Resolveu entrar em Arkadia. Precisava de uma bebida.
Jasper serviu-o do melhor destilado que conseguira produzir no meio daquela balbúrdia que ele chamavam de vida. Depois de três copos, Bellamy avistou algo que ainda não havia reparado existir ali. Um piano. Levantou-se e andou até o objeto incrivelmente conservado e majestoso. Sentou-se. Nunca havia tocado em público, mas quer saber? Essa angústia estava despedaçando-o. ele precisava colocar esse sentimento pra fora antes que explodisse por dentro, ou pior, matasse mais alguém. Deixou seus dedos deslizarem pelas teclas brancas. Lembrou-se de uma música que sua mãe cantava.
Am I just a fool?
Blind and stupid for loving you
Am I just a silly ‘boy’?
So young and naive to think you were
The one who came to take claim of this heart
Cold hearted shame you'll remain just afraid in the dark
Os remanescentes da Guerra que moravam em Arkadia, aos poucos, foram desviando os olhos de suas bebidas para acompanhar o moreno que tocava uma melodia tão triste e que dizia tanta coisa.
And now the people are talking
The people are saying that you have been playing my heart
Like a grand piano
The people are talking
The people are saying that you have been playing my heart
Like a grand piano
Jasper e Monty trocaram olhares enquanto observavam Bellamy tocar. Eles sabiam pra quem era aquela música. Eles sabiam quem despedaçava o coração do amigo daquela forma. Viram Octavia voltar pela porta principal, os olhos verdes marejados pela dor do irmão encontraram-se com os de Jasper. Ela não podia fazer nada. Ou será que podia? Correu para fora, sendo seguida de perto por Illian, seu “companheiro” de batalha, que somente acenou com a cabeça enquanto a via montar seu cavalo e sair em disparada.
So play on, play on, play on
Play on, play on, play on
Play on, play on, play on
Play on, play on
Helius, o cavalo de O, nunca correra tanto. Os cabelos de Octavia pareciam um borrão ao vento, de tão rápido que ela passava pelas aldeias próximas. Ela sabia quem estava procurando e não iria parar até convencê-la a voltar para casa. A voltar para seu povo. A voltar para ele, por ele.
Am I being a fool?
Wrapped up in lies and foolish truths
What do I see in you?
Bellamy já estava absorto em sua música que a tocava de olhos fechados. Tinha medo de abrí-los após expor-se tanto assim. Ele, que já havia namorado com tantas garotas naquele lugar, que partira o coração de tantas, agora era o único que sofria. Provara do seu próprio veneno, alguns diriam. Para ele não importava mais. Estava cansado de esconder essa dor. A dor de nunca ser ele. A dor de estar sempre disposto a tudo por ela e não ser correspondido. Ela o confundia e nem sabia disso. Talvez a culpa nem fosse dela. Talvez, só talvez, não existisse nenhum culpado além de seu próprio coração, burro o bastante para se apaixonar depois de Lily.
Maybe I'm addicted to all the things you do
'Cause I keep thinking you were
The one who came to take claim of this heart
Cold hearted shame you'll remain just afraid in the dark
—Ei, você. – Octavia entrou num rompante na tenda de Lexa, onde ela e Clarke discutiam. – Você, loira, vem comigo agora.
Clarke estava atônita demais para responder imediatamente por dois motivos. O primeiro era que Lexa havia acabado de acusá-la de se preocupar mais com Bellamy do que com os outros amigos. O segundo era que não esperava a entrada abrupta de Octavia. Lexa recompôs-se primeiro.
—Ela não vai a lugar algum. – a loira, antes entorpecida pelos motivos anteriores, cravou os olhos nos da comandante, replicando:
—Lexa, você não manda em mim. Não sou sua grounder, lembra? – ela desviou o olhar para O., que estava mantendo a postura de que não estava pedindo um favor. – o que houve, Octavia?
—O que houve? – a morena retrucou sarcástica – acho melhor você ver com seus próprios olhos a destruição que está causando a seu povo.
Clarke sabia que Octavia não estava se referindo ao povo de Arkadia, num geral. Ela sabia o que o olhar desapontado e irritado da amiga falavam somente de uma pessoa, Bellamy.
—Ele está bem? O que aconteceu, O? – o desespero de suas palavras, muito autênticas para serem travadas, só constatou o que Lexa já sabia. Clarke se importava. Muito. E nem enxergava isso.
Antes de Octavia responder, Lexa pediu um minuto a sós com Clarke. Octavia assentiu à contragosto, acrescentando que seria:
— Só um minuto mesmo, estamos perdendo tempo! – disse saindo da tenda.
The people are talking
The people are saying that you have been playing my heart
Like a grand piano
Bellamy estava completamente entregue à canção. Tanto que não reparou como repetia o mesmo refrão uma meia dúzia de vezes. As pessoas a volta dele não se importavam. Estavam cansadas dos horrores da guerra, um pouco de música era reconfortante. Seus longos dedos passavam pelas teclas brancas, já acostumados com os sons que fluíam delas. A voz arranhada pelo — aquilo era conhaque?- destilado de Jasper já falhando em muitos tons, mas ele não se importava. Na verdade nada mais importava desde a partida dela.
The people are talking
The people are saying that you have been playing my heart
Like a grand piano
Helius fez o caminho de volta com o dobro de peso em suas costas e o triplo de rapidez. Mais alguns segundos e estaria nos portões, já abertos de Arkadia. O borrão preto e loiro que passava pelos aldeões das vilas próximas já iniciavam os burburinhos. Wanheda estava regressando, finalmente.
So play on, play on, play on
Play on, play on, play on
Play on, play on, play on
Play on, play on
Bellamy terminou o ultimo acorde com a necessidade de outro copo de bebida. Quando seus dedos longos deslizaram pela última tecla e seus olhos abriram, dirigiu-se até Jasper, de pé, ao lado de Monty (abraçado a Harper), encarando-o. Este já lhe servia o conforto líquido em seu copo, parando abruptamente. Os olhos do amigo estavam vidrados na porta principal do hangar. Bellamy observou o que todos ali presentes olhavam com tanto choque. Seus olhos castanhos profundos encontraram-se aquelas duas lagoas azuis e ele nunca esteve tão surpreso na vida.
—Bellamy, precisamos conversar... – a loira disse dando um passo em sua direção. Ele engoliu o restante do líquido de seu copo e veio ao encontro dela. Não havia o que dizer. De qualquer forma ele estava cansado de falar. Precisava sentir. Precisava de respostas. Precisava de um desfecho.
Aproximou-se o suficiente e parou. Não sabia bem o que fazer. Sabia o que queria, mas não sentia-se seguro para fazê-lo. Encarou aqueles olhos que, pela primeira vez, demonstravam algo mais. Não. Sentia-se perdido tanto longe quanto próximo dela. Era cansaço e ele devia estar alucinando pela bebida, era isso. Ali era Clarke, e aquele olhar cheio de afeto e algo a mais não podia estar direcionado a ele. Foi tudo muito rápido. Sentiu-se tirado de seu turbilhão de pensamentos quando sentiu os lábios dela nos seus. Levaram alguns segundos para ele entender o que estava acontecendo. Bellamy sentiu-se leve e seus pensamentos pararam. As mãos frias dela tocaram-lhe o pescoço quente. Seus braços envolveram-na com uma necessidade absurda e ele soube. Ela estava ali. Por ele. Para sempre.
Notas finais
Tentem vocês também. rs
Original: https://www.youtube.com/watch?v=5DslDFodPbY
Male Cover: https://www.youtube.com/watch?v=LzN0AsvxCvA
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