Grand Finale
1 Seven Devils
Notas iniciais
Los Angeles
A noite estava fria e chuvosa, pequenas gotículas de água umedeciam os seus cabelos no pequeno trajeto até o seu carro no estacionamento. O dia foi demasiadamente estressante, e tudo que Chloe queria era ir para casa e tomar um banho relaxante. No caminho até a sua casa muitos assuntos a distraíam, como o fato de ser difícil criar uma filha sozinha, mesmo com a ajuda de Dan não era isso que ela havia imaginado. E além de tudo isso, tinha o fato de ter que se destacar no seu trabalho pelo simples fato de ser uma mulher, e ainda mais levando em conta todo o seu passado cinematográfico. Não parecia, mas cada dia era uma batalha a ser travada e vencida. É claro que seu percentual de crimes resolvidos havia aumentado consideravelmente após a admissão do seu consultor. Mas no fundo, ela não saberia dizer se a presença de Lúcifer era ou não uma coisa boa em sua vida, pois, por muitas vezes a sua presença causava mais confusão do que resolução. Para começar, a vida dele era uma bagunça, regada a mulheres, sexo e bebidas, mas ela acabava fechando os olhos para muitas das atitudes do seu parceiro para o bem da sociedade, pois ela sempre acreditou que a presença dele era importantíssima para o trabalho.
Contudo, no fundo Chloe sabia que o inegável magnetismo que ligava a ambos, ia muito além do trabalho. Por vezes, ela pegava Lúcifer a olhando sorrateiramente e isso a prendia. Aqueles olhos negros fixos e misteriosos diziam muito mais do que os seus lábios finos e obscenos poderiam proferir. Sacudindo a cabeça levemente, Chloe buscou afastar tais pensamentos de sua mente. Talvez Maze estivesse certa, esses devaneios era falta de companhia, claro que não foram essas as palavras dela, contudo Chloe não costumava partir para o grand finale assim na primeira noite. Por outro lado, ela havia dito também que o modo mais fácil de acabar com os sonhos e devaneios envolvendo o seu parceiro, seria aproveitar e partir para cima, esse último pensamento a fez sorrir de canto enquanto estacionava o carro na garagem. Por sorte, hoje ela teria a casa todo para si, já que era dia da Trixie ficar com o pai, e obviamente Maze nunca passava uma noite em casa. Seria a sua noite de relaxar com um bom banho e depois um filme leve, ou quem sabe um livro. Com esses pensamentos fixos em sua mente, ela adentrou na casa e seguiu para o banheiro, após preparar a banheira na temperatura que mais a agravada e com os seus sais preferidos, imaginou que não faria mal buscar algo para beber. Chloe não gostava muito de ter bebidas alcoólicas em casa, mas como ela não poderia e nem conseguiria mandar em Maze, seguiu para o seu quarto da mesma em busca de algo mais fraco, quem sabe uma garrafa de vinho ou algo similar. Não foi difícil encontrar uma garrafa perdida entre as coisas dela.
Relaxando na banheira, sorveu um gole do vinho, de início achou um pouco forte, mas passado o ardor do primeiro gole o seu paladar se acostumou à bebida. Chloe não saberia dizer quanto tempo se passou, se por acaso seu corpo se acostumou com a temperatura da água ou não, só o que sabia era que acordou meio confusa com batidas insistentes em sua porta. Se levantando apressadamente, pegou uma toalha e secou rapidamente o corpo. A sua pele está pegando fogo mas isso não a incomodava, pelo ao contrario, o fogo era vida e estava enchendo o seu ser de entusiasmo e algo mais que não soube identificar. No trajeto até a porta da frente, Chloe passou os dedos pelo coque mal feito e soltou os cabelos; mechas loiras e levemente onduladas caíram feito cascata pelos seus ombros. O robe de seda azul, deslizava pela sua pele, massageando ao mesmo tempo que provocava uma deliciosa sensação de liberdade tão agradável, que ela não soube dizer se foi o banho ou o vinho que havia feito ela se sentir desse modo.
Ao abrir a porta, ela vislumbrou Lúcifer com um semblante misterioso e sorriso encantador. Ele se mostrou confuso, fitou o corpo da detetive lascivamente se voltando para os olhos dela de modo interrogativo.
— Parece que alguém está tendo uma ótima noite. – disse adentrando na casa. — Onde está o felizardo? – indagou.
— Felizardo? Como assim – a sua confusão era legítima.
— Ah, por favor, detetive, olhe para os seus trajes e sua face toda vermelha. É evidente que tem alguém por aqui em algum lugar. – enquanto falava, Lúcifer explorava com os olhos em busca de alguém.
Chloe fechou a porta com força. Seu sangue subiu, sua pele estava mais quente do que nunca, afinal o que tinha naquele maldito vinho? E com que direito Lúcifer poderia entrar em sua casa dessa maneira, fazendo tais indagações?
— Sabe, eu achei que era uma mulher livre, e por algum momento achei que era uma adulta dona do meu nariz. – sua voz estava firme enquanto gesticulava nervosamente. – Quem você pensa que é para entrar aqui e me fazer essas perguntas? – ela se aproximou apontando um dedo em sua face.
Por um breve segundo, ela tirou as palavras de sua boca, pois, nada poderia fazê-lo falar e deixar de contemplar aquela beleza toda. Suas respirações por um segundo se misturaram; a mão masculina se aproximou e acariciou a lateral do rosto da detetive, e o mero contato fez suas pernas fraquejarem. Com o reflexo apurado, Lúcifer enlaçou um braço ao redor da cintura feminina impedindo que a mesma caísse no chão. A sensação do contato e do calor do corpo junto ao seu fez Chloe se esquecer de todos e do mundo, de modo quase automático ela jogou seu pescoço para trás, fechando os olhos. O movimento fez os corpos de ambos de aproximarem ainda mais.
— Detetive, acho melhor eu ir embora- cada letra saiu entrecortada como um sussurro em seus ouvidos.
Chloe estava perdida naquele olhar, e não poderia colocar toda a culpa no vinho, afinal estava desejando o parceiro a muito tempo. Mas a sua parte racional e profissional a impedia de seguir em frente e dar corda aos flertes dele. Até o momento, a relação de ambos consistia em brincadeiras e um beijo que não dera em nada.
— Sabe, eu estou um pouco tonta. — disse fitando-o com os lábios entreabertos. — Acho que foi o vinho que tomei. — O que você faz aqui?
— Eu... Eu. — aquele contato estava deixando-o fora de controle. -...queria pedir desculpas, por ter me distraído no caso hoje.
— Você sempre se distrai. – ela sorriu e subiu um pouco a perna direita, que roçou mais firmemente na dele. O seu toque provocou algumas reações no corpo do moreno. Sentiu a mão pressionando com mais firmeza a base da sua coluna.- Você quer ficar e tomar uma taça...- Lúcifer fechou os olhos e aspirou o perfume da detetive delicadamente no vão entre o pescoço e o ombro, fazendo-a prolongar a frase. — ... de vinho ?
— Detetive, o que você mais deseja? – o moreno a fitou com precisão mesmo sabendo que esse truque não funcionaria com ela, mas acho válido tentar já que a mesma estava demonstrando um comportamento fora do normal.
— Você sabe que isso não funciona comigo. — seu olhar era firme. — Mas se é de uma permissão que você precisa. — tomada de extrema coragem, Chloe espalmou uma das mãos no abdômen firme, enquanto a outra mão buscava aproximar os lábios másculos aos seus, segurando de modo possessivo a nuca do moreno.
O beijo era urgente. Uma mistura de vinho com uísque intercalado com o hálito quente de ambos se misturava enquanto as mãos de Choel se infiltravam por entre o paletó preto, ajudando-o a se despir. Suas mãos quentes exploravam os ombros do parceiro, enquanto seus lábios dançavam com urgência. Observando a sofreguidão dos dedos da detetive, Lúcifer terminou de jogar o paletó no chão no momento em que seus lábios haviam se separado.
— Você tem certeza? – ele indagou.
— Nunca estive tão certa. — sua resposta firme lançou sobre ele um desejo ainda maior.
Livre de suas peças de roupa, apenas vestindo as calças sociais e os sapatos italianos, Lúcifer pegou a loira em seus braços, mantendo o contato visual e se perguntando se tudo aquilo não era um sonho ou uma pegadinha de mal gosto. Enquanto caminhava em direção ao quarto da detetive, observava o olhar firme e o brilho intenso naqueles olhos claros. Ao depositá-la delicadamente sobre os lençóis, ele terminou de retirar o restante de suas roupas sem quebrar o contato visual com Chloe, que por sua vez, escorregou o robe de seda pelos ombros, revelando a pele levemente bronzeada e totalmente nua. Era um jogo de sedução que ambos estavam dançando a muito tempo e que até o momento, ninguém tivera a coragem de terminar. Mas ao se despir por completo, a face de Chloe se tornou vermelha e quente; o moreno a fitou e sorriu. Era difícil não se deixar levar por aquele corpo escultural, aqueles olhos perversos e o sorriso misterioso. Tudo nele era demais para ela, e agora o vislumbrando, não saberia como lidar com toda a situação, afinal ele era mais experiente.
— Você é linda.- disse tocando de leve em seu ombro. Já não havia mais distância entre eles agora. A pele de ambos estava em contato direto, e se desfrutando do momento, a mão que acariciava o ombro desceu até a lateral do seio esquerdo. — E perfumada.
A mão masculina chegou até a cintura da loira a puxando para mais perto de si, para que ela sentisse a sua masculinidade pronta e firme. O toque superficial de seus quadris fez Chloe arfar, enquanto suas mãos deslizavam com urgência nos músculos das costas de Lúcifer. Aquele gemido rouco despertou a atenção do moreno, que buscou os lábios da loira com avidez. O beijo sensual era deliciosamente provocador, parecia que haviam nascido para aquele momento. Os lábios de Lúcifer iniciaram outro percurso descendo pelo queixo, atravessando o vale até os seios firmes, projetando atenção para ambos, o que fez brotar um sorriso no rosto da loira. A trilha de beijos parou no ventre o que fez Chloe o fitar nos olhos.
— Lúcifer... — gemeu com a voz profunda. As sensações que estava sentindo era algo novo e cheio de paixão. Os lábios que antes estavam junto dos seus, agora desencadeavam outras sensações em sua intimidade úmida e quente. Nunca ninguém havia feito o que ele fazia, nunca havia recebido tanta atenção e cuidado com as suas próprias necessidades. Mas ela precisava dele, queria ele por completo. – Por favor... eu preciso de você.- disse de modo irregular.
Ele queria aproveitar o momento. Queria sorver ela, fazê-la se sentir completa, especial e importante. Queria beijar cada centímetro de sua pele, provocar sensações, ouvir seus gemidos roucos e contidos. Sentir seus dedos massageando o seu cabelo o empurrando para os lugares certos e sensíveis que ela possuía. Queria satisfazê-la, pois, assim ele também estaria satisfeito. Mas também precisava se sentir abraçado pelo calor daquele corpo de modo completo, por isso, afastou seus lábios da abertura entre as pernas longas, e buscou o olhar da detetive. Se aproximando, ele protegeu seu membro firme com um preservativo antes de invadir com paciência o corpo da loira. O breve contato foi necessário para que Chloe se sentisse completa, com isso, enlaçando as pernas em volta de Lúcifer, o breve contato se tornou intenso e firme. Seus movimentos sincronizados poderiam durar a noite inteira, nenhum deles iria se importar. Seus olhos por vezes se fitavam, seus lábios se tocavam, suas mãos se apertavam nos lençóis, seus corpos se encontravam e dançavam perfeitamente. Chloe impulsionava os quadris buscando saciar seus próprios desejos, enquanto suas mãos deslizavam por entre os fios de cabelo de Lúcifer de modo sensual. Em meio à confusão de sentimentos e gemidos, seus lábios se encontraram e juntos chegaram ao ápice. Com os corpos suados e respirações misturadas, o moreno afastou uma mecha loira da testa da detetive e sorriu. Chloe sorriu diante daquela beleza, observando os dentes brancos e o olhar sedutor e por um segundo, jurou ter visto uma sombra vermelha brilhar naquele olhar. Talvez esse fosse somente o lado travesso de Lúcifer se aflorando na cama. E ela queria mais.
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