Notas iniciais
EDIT: Eu, Tebaldi, corrigi o último parágrafo desse capítulo.

Lire.

O pântano que fora antes mencionado por Jin não ficava exatamente ao sul, era no centro-leste. O grupo que estava agora indo para lá levou apenas vinte minutos para alcançar seu destino. Lire passara ali na madrugada do dia anterior, mas agora a aura maligna estava maior. Se esse tal Paprion estava enfraquecendo os monstros, isso já não ia funcionar por muito tempo.

— N-n-nós temos que entrar n-nesse lugar sombrio?! – perguntou Ryan, com os dentes batendo de medo.

— Para parar Victor e o inferno que ele criou, eu enfrentaria sozinho todos os sete deuses de Xenia – os olhos de Jin pegavam fogo.

Ao ver tanta confiança no olhar do rapaz, Lire não pôde deixar de sentir uma pontada de esperança. Acontece que, ao chegar no continente, ela sentiu uma névoa maligna pairando por ali. A princípio, pensou ser a de Cazeaje, mas é algo mais antigo e sombrio... Quando eles encontraram a Rainha Negra, Lire entendeu o significado do medo. Ela sempre teve confiança em sua própria força, afinal, desde criança tem lutado e nunca havia perdido uma batalha. Todavia, sua invencibilidade não passava de ilusão. A Rainha Negra acabou com todos os integrantes da Grand Chase tão rápido quanto eram os chutes de Jin. Naquele momento, Lire sentiu medo. Perdeu as esperanças, e, se Cazeaje fosse mais forte do que a Rainha, ela sabia que eles não teriam chances. Mas Jin venceu a fada das trevas praticamente sozinho. Era humilde da parte dele dizer que só venceu com a ajuda deles, é assim que funcionavam as coisas entre os nobres.

Mas o perigo mais a frente era muito maior. Paprion, O Leviatã era uma besta divina, assim como Cazeaje. Mesmo com Jin ali, Lire sentia que eles não sobreviveriam. Era cabível Ryan estar com medo, a aura sombria que vinha daquele pântano era algo nunca visto pelos elfos.

Eles adentraram o pântano. Ninguém se atrevia a dizer uma palavra, mas isso também não quer dizer que era silencioso. Barulhos de galhos mexendo, de água corrente, grunhidos de golems e a áspera voz de fadas e pixies das trevas preenchiam o local com uma melodia caótica.

Arme usou a mesma magia que havia usado na floresta élfica de Vermécia – as esferas de luz que seguiam os integrantes da equipe, pois não dava para ver a luz do sol lá dentro. Fizeram fila indiana. Jin tomou a dianteira, afinal, ele conhecia o continente com a palma das mãos. Logo atrás estava Arme, destemida com seu novo poder e, atrás dela, vinha Ryan, encorajado a protegê-la.O pobre garoto não desgrudava da maga. Lire não sabia bem o porquê, mas imaginou que eles estavam se dando bem.

Por último e não menos importante, vinha Lire. O medo tinha diminuído com Jin ali, mas só quem poderia aliviá-la cem por cento era Elesis. A ruiva era a pessoa em quem Lire mais confiava na Grand Chase. Ela já a considerava uma amiga.

Pararam quando chegaram em um vau de água negra. Era difícil ver o outro lado, mesmo com o Soneto Mágico de Arme. Esta usou um feitiço de bola de fogo como sinalizador, atingindo assim o outro lado. Uma milha à frente? Talvez mais que isso, era difícil de dizer. A floresta estava encantada para enganar quem quer que entrasse lá.

De relance, Jin vira um barco. Ele enxergava melhor que o restante do grupo – o que para Lire era uma surpresa. Ela tinha olhos élficos, tinha de ser ela a enxergar melhor em uma floresta. Porém ela tinha medo desta, era sombria demais para qualquer elfo morar ali, a não ser aqueles elfos.

O barco estava na outra margem, mas era impossível dizer se estava amarrado. A correnteza do rio era tão forte que podia ser arriscado atravessar. Ficaram alguns minutos empacados até que se lembraram de algo: o grande feito de arme algumas horas atrás! Ela levitara Jin, Elesis e Valky para fora do Lago. Podia invocar os ventos e tentar de novo.

— Espíritos do fogo, água e terra, me deem forças! – pedia a Maga, mas o vento dentro do pântano era parado e denso. Seria possível o ar lá dentro ser negro também? Era impossível dizer sem a luz do sol.

A tentativa fora em vão. Lire e Ryan tentavam pedir ajuda às árvores, mas não correspondiam... Até que Jin perguntou por uma corda.

Lire tinha uma, mas de que iria adiantar? O barco estava há várias milhas dali – ou pelo menos era isso que os olhos lhe diziam. Ela pôs esse pensamento em voz alta.

— Eu posso conseguir – disse Jin, confiante.

A corda era uma corda élfica; ela se esticava de acordo com a vontade do lançador. O lutador amarrou uma pedra de formato em V na corda e a arremessou, esperando que o barco não estivesse amarrado na outra margem. Ao arremessar, ele acertou a água.

— Tive uma ideia melhor. Eu sou arqueira, logo tenho boa mira. Posso usar uma flecha na corda pra acertar o barco... – sugeriu a elfa.

— Pois tente – e assim ela fez.

Levou três tentativas para acertar o barco, afinal, era difícil enxergar naquela escuridão. Jin e Ryan puxaram o mesmo, o que pareceu dar bastante trabalho. No fim de tudo, ele não estava amarrado.

— Só tem espaço para dois – notou Arme. – Tive outra ideia.

A maga sugeriu atirar outra flecha com corda, só que dessa vez em uma árvore. Assim a corda serviria de guia para o barco, pois não havia ali um remo. Lire fez da sugestão uma tentativa. Parecia seguro.

— Eu e Jin vamos primeiro – disse Arme.

— Não! Deixe-me ir com ele, a frente... – pediu Lire, com medo de ser deixada para trás. Achava mais seguro ir com Jin.

Ninguém tinha porque negar, então deixaram. Jin puxava a corda com cuidado, para a flecha não se soltar da árvore logo a frente. Chegaram lá e só ali perceberam que alguém teria de voltar para pegar o restante do grupo, pois o barco não voltaria sozinho. Lire quis voltar, não queria ser deixada sozinha.

Assim que ela trazia Arme, passos pesados se estendiam pela frente. Seriam passos de um guardião do barco? Era provável.

Ao descer do barco, as árvores mais a frente caíram com braçadas violentas. Era difícil dizer o que se movia por ali devido à escuridão, mas pôde-se ver pedras em conjunto, uma grudada na outra. Golem do pântano. Ele veio como uma fera indomável, mas Jin o segurou. Isso deu tempo para Arme e Lire saírem do barco.

Era incrível como Jin podia segurar aquele monstro três vezes maior que ele como se fosse fácil, mas não era hora para ficar admirada. Lire pegou suas flechas, tremendo, e avançou.

— Não temos tempo para isso! – disse Jin. – Lire, mate esse golem, vou segurar a corda élfica e Arme, volte e traga Ryan.

Como?!, perguntou-se Lire. Ele quer que eu enfrente isso sozinha?

Não era pedir demais. Era desesperado e arriscado fazer isso, mas Lire era forte e podia facilmente matar um golem. Só lhe faltava confiança. Como quem não tem escolha, a elfa atraiu o golem para fora da trilha. Erro fatal. Naquela floresta Lire não sabia se orientar! Era sombria demais para um elfo de Eryuell viver ali.

Lire cambaleava, tropeçava em raízes salientes e atirava desesperadamente, errando quase todos os tiros. Que desperdício de flechas! Não importa para onde corria, sempre via o brilho vermelho dos olhos sedentos das pixies prestes a atacar. Ela estava sozinha, desprotegida, fora da trilha e ocupada demais com um golem para lidar com pixies e fadas negras... Foi quando esbarrou em alguma coisa.

— Ai! James, tome cuidado! – reclamou a voz de uma mulher.

Lire também soltou um gritinho. Seria Valky? Arme? Não havia pessoas naquele continente.

— Quem está aí? – perguntou a mulher, ao ouvir o gritinho agudo de Lire.

— Valky? – perguntou Lire de volta.

— Não! Sou a mais bela e a mais ryca de todas! Sou Rey, filha de Peter, nascida nas forjas da beleza da Casa Von Crimson e noiva de Dio, regente desaparecido do Desfiladeiro Flamejan...

O golem a interrompeu. Com uma braçada, acertou Lire e Rey juntas, que voaram alguns metros. Aturdida, Rey conseguiu dizer: – James! Mate quem quer que tenha me interrompido!

— Sim, senhora – assentiu o empregado. Lire não podia enxergá-lo, mas sabia de onde vinha sua voz.

Em segundos, ouviu-se barulho de uma pedra se estatelando no chão. e então, outra; e junto a esta, mais uma, formando um sonoro estrondo que preencheu os ouvidos de quem estava ali. Era o golem caindo em pedaços.

— Rey? Pensei que não haviam humanos nesse continente – disse Lire, recuperando-se.

— Humanos? Não, não! Eu sou uma asmodiana!

— Asmodiana? Aquela raça de Elyos que tentou destruir Calnat seiscentos anos atrás, na Guerra Mágica?

— Sim! Eu estava lá! Mas os portões de Elyos estão quase todos fechados. Preciso achar Dio e voltar antes que todos eles se fechem... E você? Não me disse quem é!

— Pois que sentemos e conversemos, agora que o golem caiu – disse Lire.

Ela explicou toda a situação a Rey, e Rey à ela. Basicamente, a princesa tentava encontrar seu príncipe e, como a situação de Lire era pior, Rey prometeu ajudar. Não tinha porquê recusar, afinal.

— Não conseguiu derrotar um golem e se diz uma guerreira? – impressionou-se a asmodiana. – Vocês de Ernas são bem fracos.

Lire ficou sem o que dizer. Derrotar um golem não era nada difícil... a elfa apenas tinha medo do perigo a ser enfrentado e perdeu a confiança. Por isso, perdeu-se do grupo e diminuiu ainda mais a chance deles. Sentia-se culpada e precisava compensar: levaria Rey como ajuda.

Assim fez. Seguiram um caminho mais claro até que puderam ver a lua. Então seguiram em direção desta. Lutaram com algumas pixies travessas e fadas, mas James podia derrotá-las facilmente.

Chegaram a ficar quase embaixo da lua, foi quando Lire pôde enxergar Rey e James com clareza pela primeira vez. Eles tinham orelhas pontudas e podiam ser confundidos com alguns parentes distantes de Lire, não fosse pela cor da pele. Esta era roxo claro. Rey tinha cabelos rosa e olhos verdes, enquanto James tinha cabelo branco e olhos vermelhos. A pele de James era mais escura que a de Rey, e ele vestia-se como um mordomo sombrio. Tinha asas e uma calda com ponta triangular e chifres do lado esquerdo da cabeça, que pareciam pedras. Também tinha uma cicatriz cortando o olho esquerdo.

Rey vestia pouca roupa. Era uma bota de salto alto nobre que vinha até metade da coxa e algum tipo de vestido de cigana, mas sem moedas. Visto por trás, era um vestido, mas visto pela frente, tinha um enorme decote, deixando metade dos seios de fora. A parte da barriga também ficava para fora, assim como as coxas. Tinha um enorme chifre envolto em joias de ouro no lado esquerda da cabeça e pequenos chifres que também pareciam pedras no lado direito. Na bochecha, também cresciam dois, porém menores.

Ouviu-se um grito.

— Essa é a voz de Ryan! – Lire saiu em disparada pelo pântano.

Rey disse algo, mas ela não pôde ouvir. Ao passar por uma mata, Lire congelou. Ela estava diante do maior monstro que ela já vira! Era três vezes maior que o golem, que era três vezes maior que Jin, que era o maior do grupo. Era Paprion, O Leviatã.

Jin, Arme e Ryan lutavam contra a besta, mesmo que os três estivessem machucados. A raiva ferveu no sangue de Lire ao ver a cena. A desconfiança em si mesma desapareceu em segundos, e, tomada pela adrenalina, ela atirou as flechas sem um pingo de hesitação.

O grupo ficou feliz e surpreso ao ver Lire novamente. E mais surpreso com Rey, que viera atrás dela. Lire também ficou grata com a mulher e seu criado.

A asmodiana também soube reagir rápido. Apesar de aparentar fraca e não gostar de se envolver em brigas, colocou uma espécie de luva com garras e utilizou de sua magia: invocação.

— Gárgula! – conjurou ela, e uma gárgula cinzenta surgiu a partir do brilho mágico.

Não apenas isso, como mandou James atacar, enquanto atacava de longe. A vantagem de todos dobrou em instantes! Rey era realmente forte. Com Rey e Jin ali, a fagulha de esperança de Lire se tornou chama, e logo ela também era forte novamente.

Mas de súbito, Paprion desapareceu e em seu lugar, estava uma linda mulher de cabelos brancos.

— Tenho pouco tempo, Jin... – disse ela. Todavia, ele estava boquiaberto e muito surpreso para responder. – Por favor, me salve. Sou Paprion em minha forma humana, e preciso da ajuda de vocês... Estou fraca e mal posso resistir a força dele... Derrotem-me agora, enquanto há tempo.

Foi então que todos entenderam. Paprion era uma besta divina, por isso podia assumir a forma que quisesse. Com o luar, ela ficava mais forte – como fora antes mencionado por Jin, caso lembrem – e podia ter maior controle sobre si mesma.

Todos combinaram um ataque. Rey e Arme encantaram a flecha de Lire, e Ryan e Jin atacaram juntos. O golpe fora tão forte que fizera com que Paprion perdesse a consciência.

Ela acordou no colo de Jin. Estavam todos cuidando dela durante todo esse tempo.

— Como... como vocês me tiraram do controle dele?

— Com uma porrada muito forte na cabeça – respondeu o lutador. – Isso te fez perder a consciência e interrompeu o controle mental, afinal sua mente parou de funcionar por um certo tempo.

— Uau... Incrível e doloroso. Ele sentirá minha falta, então vou explicar tudo antes que ele descubra que não mais me controla.

— Você diz ele isso, ele aquilo. Quem é ele? – perguntou Arme, curiosa.

— O Deus Governante. Thanatos, o Deus da Morte e Sincronia, tornou-se ganancioso e dominou a mente de todos os outros deuses de Xenia. Há apenas um único Deus que não pôde ser pego por ele; Gaia.

— Isso é verdade? Como sabe tanto? – perguntou Lire, apavorada. Não bastava a ideia de enfrentar uma besta divina como Cazeaje, mas um Deus?! Aquilo era muito maior.

— Ele esteve em minha mente – respondeu Paprion, tremendo. – Jin, por favor, você é o único que pode pará-lo...

Lire olhou para o lutador. Ele não parecia ter medo, mas sim a coragem que precisava para seguir em frente. Agora o rapaz sabia quem era o inimigo e não parecia temê-lo.

Diferentemente dele, Paprion tremia. Ryan e Arme pareciam extremamente surpresos e mesmo Rey não acreditava na vitória.

— Vamos – disse Jin. – Temos outra besta divina para libertar. A Serpente Infernal, O Dragão Vermelho, Lorde Drahcar.

Lire arrepiou. Um dragão?! Esse era o tipo de inimigo que ninguém queria enfrentar! Mais uma vez pensou em como os Silverlanders são incríveis. Realmente, a Grand Chase era fraca quando comparada a Jin e Rey.

— Jin – disse Paprion. – Posso diminuir o poder dele durante a noite. Por favor, acabe com tudo antes de o sol começar a surgir. E salve-o.

— Já disse uma vez, agora direi de novo: para parar Victor e o inferno que ele criou, eu enfrentaria sozinho todos os sete deuses de Xenia.

Foi assim que partiram. Rey disse a Lire que a acompanharia até sair do continente, e então seguiria seu próprio caminho. Marcharam muitos dias ao sul, em caminho do território da Serpente Infernal, e, enquanto acampavam, Jin contava a todos a história de Paprion e Drahcar:

Quando se conheceram, casaram-se e se tornaram os representantes dos deuses em Silverland. A ilha era interligada a Xenia havia muitos anos, todavia, cinco anos atrás, Thanatos começou seu plano para dominar o mundo.

Os dois, Paprion e Drahcar, foram separados e dominados pelo exército do Deus. E, à medida que Jin contava, todos ficavam impressionados, boquiabertos e tensos. Lire engoliu em seco ao término da história. Eles tinham que libertar Drahcar, mas não seria nada fácil, ela presumira.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.