Grand Chase: Legends

2 Capítulo 2: A Queda


Capitulo 2: A Queda.


Primeiro ato: Lass Isolet, o Retalhador



Alguns meses após a vitoria contra Gadosen, falei com o mestre da guilda, eu então informei a ele nosso sucesso e assim ele me levou até uma catacumba, parecia uma espécie de floresta dentro de uma profunda fenda, eu via esqueletos por todos os lados, armas abandonadas, e um cheiro constante de terra molhada. – Você é um bravo guerreiro Messor, mas para enfrentar futuros perigos, precisará de uma arma nova, algo que somente alguém bem treinado pode possuir. – Dizia ele enquanto caminhava. – Que tipo de arma, mestre? – Eu perguntava. – Uma lamina poderosa passada de mestre para mestre. – Disse ele com ar de sério. – E o senhor acha que mereço a honra de empunhar tal arma? – Perguntei recioso. – A Katana, só pode ser brandida por aquele apto a enfrentar de tudo. E eu a escondi aqui. – Ele dizia sem olhar para trás, eu então perguntei. – Por quê escolheu uma fenda tão profunda? – E ele responde. – Por uma razão especial. Aqui é a moradia de algumas criaturas que constam no pergaminho que lhe dei, uma delas é uma lendária e esquecida criatura chamada, Golem de Aço. – Eu conhecia os golens, criaturas nascidas de rochas milenares, que guardavam catacumbas antigas, criaturas sólidas como de onde saíram. Eu me lembrava de meu pai falar sobre um golem de aço, eram criaturas muito resistentes e fortes, mas foram varridas do mundo como poeira ao vento pela primeira geração da Grand Chase. O mestre estava muito quieto depois de mencionar o golem, mal sabia que minha preocupação estava apenas por começar. Após algum tempo caminhando nas trevas da fenda, o mestre para. – Chegamos. – Ele diz, eu já estava com a mão sobre meu alfanje e me preparando para o pior. Vejo um vulto na escuridão, observo mais atentamente e noto um leve brilho que refletia a pouca luz que vinha do topo da fenda, a sua silueta era grotesca, tinha cerca de uns cinco ou seis metros de altura. A criatura movia-se nas trevas em nossa direção, a terra tremia a cada passo seu, a criatura abre seus olhos dourados e luminosos como estrelas em meio às trevas, levantava seus enormes braços e rugia ensurdecedoramente e dava uma grotesca pancada no chão, fazendo toda a estrutura da fenda tremer. Apesar de ter enfrentado o rei do inferno, naquele momento eu senti o mais profundo medo. – Apresento-te, o Golem de Aço, seu adversário. – Dizia o mestre. Era inconcebível, a ideia de aquela monstruosidade ser meu adversário, contando que eu estava sozinho. – A Katana do Retalhador é feita a partir do coração desta criatura, traga-o para mim e daremos inicio ao seu ultimo treinamento. Mais uma coisa, esse não é um Golem de Aço qualquer, ele possui uma energia negativa muito poderosa, como as bestas possuídas por Cazeage, boa sorte, você vai precisar. – Dizia o mestre. Corri na direção da besta e com toda minha força lhe acertei diretamente entre os olhos com meu alfanje, mas dali meu ataque não passou, não havia feito sequer um arranhão. A besta então golpeou-me de repente, apesar de seu tamanho grotesco não pude esquivar-me, seus movimentos eram muito rápidos pro seu tamanho. Fui arremessado contra a parede da caverna e caí sem forças ao chão. Aquilo era muito mais do que um golem, era uma aberração! Eu vi a criatura tentando furiosa atacar-me com seu punho gigantesco, tentei me mover rapidamente. Tive sorte da besta ter errado o golpe por milímetros de distancia, o choque do impacto me jogou longe novamente, o mestre mantinha-se onde estava, não olhava para mim, somente para o golem. Tentei me levantar apoiando-me em meu alfanje e disse – Mestre! Eu não posso contra essa coisa! – O mestre me olhou e disse. – Eu não teria trazido você aqui em baixo se não soubesse que seria capas de derrotar o golem. Agora vá! – Eu estava em pânico, vi a criatura vindo desgovernadamente em nossa direção e disse. – Mal consigo cortá-lo! Como vou derrotar essa coisa? – O mestre manteve-se em silencio e volta a olhar para o golem. Mais uma vez eu tentei atacá-lo, só que mais uma vez fui surpreendido pelo punho da criatura, que me atingiu em cheio de forma brutal, esmagando-me contra o chão. Naquele momento, tudo ficou escuro, eu tentava sentir o chão mas não conseguia, por alguma razão eu não conseguia me mover, mas não sentia nenhuma dor. E eu ouvi uma voz, era parecida com a do mestre, de repente eu vi uma imagem, mas minha visão estava embaçada, mas pude ver que era um humano, porem eu não podia ver sua face com clareza. Trajava uma indumentária azul com detalhes dourados, e possuía cabelos prateados. Aos poucos a voz ficava mais clara, parecia chamar meu nome, eu não tinha escolha a não ser atendê-lo. – Messor! Messor! Pode me ouvir? – Era o que a voz dizia. – Quem é você...? – Perguntei a voz. – Meu nome é Lass Isolet, sou o mestre ancestral da guilda dos Assassinos da Cruz de prata, é um prazer conhecê-lo. – Era o que a voz dizia. Eu já havia ouvido falar desse nome, Lass Isolet, irmão por parte de pai de Lupus Wild, fazia parte da primeira geração da Grand Chase, haviam banido o mal de todo o mundo, lutaram contra o guerreiro asmodiano Duel Pon Zec, e enfrentaram Astaroth, também conhecido como Bardinard. – Eu morri? – Perguntei para Lass. – Não, mas seu estado é delicado, vejo que está para se tornar o retalhador, mas com esse seu alfanje, não vai cortar nem sequer um pedaço de tatame. E vejo que você pulou um estagio do treinamento, não domina as garras. – Dizia ele. Realmente, eu nunca havia utilizado garras. – Então existe uma razão para que me tornar diretamente um retalhador? – Perguntei. – Você tem um poder harmônico que corre pelo seu corpo, mas com essa lamina nunca vai derrotar aquela coisa, então terei de ensiná-lo uma técnica antiga. O “Espírito da Lamina”. É uma técnica de criação com a Mana. Assim como o Tornados Gêmeos, você concentrará sua energia em suas mãos, mas mentalize uma espada e compartilhe da energia de ambas as mãos. Te darei forças para levantar-se, mas lembre-se, você só tem uma chance. – Nesse momento eu via o golem tirando seu gigantesco punho de cima de mim, meu corpo estava cheio de cortes e arranhões, meu coração batia forte e lento, então eu me levantei com muito esforço. O golem viu que eu me levantei, logo soltava um rugido ensurdecedor e começava a emanar uma aura negra. Eu então me lembrava das palavras de Lass, concentrei minha energia em ambas as mãos, e mentalizei a espada, e ela surgiu. A espada tinha a lamina larga, tinha duas vezes o meu tamanho e era feita de pura energia. A besta concentrava seu poder em seus punhos e preparava um novo ataque, naquele momento, sentia-me como próprio Lass encarnado. A besta atacou com seu grotesco punho em minha direção, e em um único movimento amputei o punho do golem. A besta gritava enfurecida, e com seu outro punho atacava novamente em minha direção, desviei-me do golpe, pulei sobre o punho da besta e corri por seu braço até chegar à sua cabeça. Onde sem hesitar, segurei firme a lamina que criei, e decapitei o Golem de Aço. Ele caia de costas no chão, fiquei a espada em seu peito e arranquei seu coração, ainda palpitante. Mas de repente sinto minhas forças abandonando meu corpo, a espada se desfaz, e caio inconsciente sobre os restos do golem.



Segundo ato: O Legado



Acordo em minha cama no dojo na guilda, mas minhas feridas logo me diziam que minha luta não havia sido um sonho. Zi estava ao meu lado, seu rosto estava um pouco inchado, parecia ter chorado e adormecido, provavelmente não se conteve a me ver ferido desse jeito. Meu irmão treinava sozinho no pátio do dojo, estava tudo muito quieto. O silencio era quebrado apenas pela pisadas fortes de meu irmão em conjunto aos metais de sua armadura no pátio do dojo. Fui até meu irmão e ele disse. – Finalmente acordou! Achei que dormiria dois dias inteiros! O mestre te trousse nas costas, e disse que você foi fazer um teste, pelo seu estado creio que tenha falhado. – Eu recordava-me da batalha e dizia. – Eu passei no teste, tive de enfrentar um Golem de Aço. – Meu irmão parecia não acreditar ao dizer – Um Golem de Aço? Tu não foi capas de derrotar o Gadozen sozinho sem se machucar todo, vai querer que eu acredite que encarou um Golem de Aço sozinho? – Eu então disse – Pergunte ao mestre, ele estava lá. – Meu irmão então diz me abraçando. – Quando ele disse que você quase morreu, não imagina o quanto fiquei preocupado, seu cabeça de camarão. Eu tenho tanto orgulho de você! – Ele me soltava e dizia – Ah sim, o mestre disse pra te levar até ele quando você acordasse! Disse que teria algo para você, creio que seja uma arma nova, muitos ferreiros e todos da guilda ajudaram na forja, essa noite foi muito agitada. – Então eu disse. – Quanto tempo eu fiquei desacordado? – Meu irmão respondeu. – Um dia e uma noite. Zi estava começando a achar que você não acordaria mais e abriu um baita berreiro. Vamos, o mestre lhe espera. – Chegando à sala do mestre, ele pediu para que todos se retirassem, queria falar a sós comigo. – Messor, não recordo de te ter lhe ensinado a técnica Espírito da Lamina, como conseguiu fazer aquilo tão perfeitamente e manter a espada por tanto tempo? – Eu reverenciei o mestre e disse. – No momento em que fui esmagado pelo golem eu ouvi uma voz e vi um rapaz, ele dizia ser Lass Isolet, o mestre ancestral desta guilda. Ele me disse como executar o Espírito da Lamina, e assim o fiz, mas creio ter me esforçado demais. – O mestre apontou para minha cintura e disse. – Onde está seu alfanje? – Tateei minha cintura e senti a ausência de minha arma e disse. – Creio ter esquecido em meu quarto, que descuido o meu! Prometo ao senhor que não irá... – O mestre me interrompe e diz. – Sua arma foi destruída em combate, aquela lamina não foi projetada para suportar tanto poder, mas esta aqui foi. – dizia ele desembainhando uma katana de sua cintura. Não me parecia nova, tinha muitos arranhões e pedaços que pareciam quebrados no cabo, e sua estrutura parecia um tanto rústica. – Esta é a Katana pertenceu ao mestre Lass, o maior de todos os retalhadores, passada de mestre para mestre, e ela será sua amanhã. – Eu senti um pouco de decepção com a aparência da katana até o mestre dizer. – Mas não será essa que usará em batalha, forjamos uma katana especial para você. – Então ele vai até um baú próximo e tira uma katana visivelmente recém-forjada. Desembainha a espada e dizia – A Lamina foi feita do coração do Golem de Aço, seu cabo foi feito com um dos chifres da coroa de Gadosen. Vê essas duas gemas na lamina? São do chakram do antigo demônio Kamiki. Sem duvida uma arma que se adaptará a você sem problemas. – A lamina da katana emanava uma poderosa energia das trevas, eu me aproximei para checar, mas o mestre a recolheu e disse. – Reuniremos toda a guilda amanhã, e eu gostaria que você estivesse ao meu lado Messor. O que me diz? Cof, cof! – O mestre estava a tossir sangue, Kaze havia me dito algo sobre a saúde do mestre, mas não achei que fosse tão grave, eu então disse que aceitaria estar ao lado dele na reunião, ele me mandou sair. Saindo da sala do mestre encontro com Kaze, ele se aproximou e disse feliz. – Há! Eu sabia que essa hora um dia chegaria! – Parou de sorrir, olhou meus curativos e disse. – Olha pra você, o que andou encarando? Javalis de Xênia? Ah isso não importa, o mestre mandou a guilda forjar uma katana! Sabe o que significa? Um novo mestre será nomeado! E claro todos sabem que serei eu! – dizia ele praticamente saltitando de alegria, eu comecei a compartilhar de sua alegria até ele dizer. – Uma katana de batalha é dada ao novo mestre, juntamente com a katana ancestral do mestre Lass, estou a tantos anos esperando esse dia, com o poder dessa katana, irei dizimar todo o exercito das trevas de Cazeaje! E tudo que perturbar a paz de Ellia, Vermecia e Terra de prata! E você como meu braço direito! O velho me jurou um duelo digno antes de me passar o titulo de mestre! Eu ando treinando pesado todos os dias desde o juramento! E pode crer Messor, mesmo que seja o melhor da guilda, terei de me esforçar para superá-lo, ouvi dizer que foi você quem desceu até as catacumbas de Kastule para enfrentar o Golem de Aço, sem duvida um feito heroico, o mestre disse que nunca vou me comparar com você, mas tenha certeza que vou superá-lo um dia! Grave minhas palavras! E meu primeiro ato como mestre da guilda será lhe ensinar a usar as garras! – Meu coração apertava naquele momento, o mestre pelo visto encobriu a verdade de Kaze, eu não sabia se era melhor contar a ele, pois assunto entre ele e o mestre não me dizia respeito. Então apenas me calei e sorri para Kaze. A noite cai, um integrante da guilda me chama as pressas para o quarto do mestre, algo grave havia acontecido. O segui e entrei no quarto do mestre, e ele estava deitado em sua cama, pediu para que todos se retirassem, mais uma vez estávamos a sós. – Messor, como sabe, estou doente e morrendo, creio não passar desta noite, cof, cof, urgh, então tentarei ser breve. Você é o escolhido, o guerreiro digno de assumir a liderança da guilda e do dojo. O guerreiro escolhido para repassar e manter os ensinamentos dos Assassinos da Cruz de Prata. O escolhido, por Lass Isolet. – dizia ele, sem forças, segurei sua mão, mas com profundo peso em minha consciência tive que dizer. – Mestre, estou aqui há tão pouco tempo, por que não Kaze? Ele está aqui há tantos anos e... – O mestre me interrompia dizendo – Kaze é forte e corajoso, sem duvida seria alguém apto para liderar se não fosse um mero detalhe, Kaze é muito imprudente. Kaze quer ser sempre o mais forte, mais forte que todos ao seu redor, o que muito imprudente. O que o leva a fazer coisas por impulso. É bom querer ser forte, mas isso pode se reverter contra ele futuramente, de uma maneira fatal. Cof, cof, cof! Entendo, você ainda é jovem, tem saúde, e tem uma mulher que o ama mais que a própria vida. Não lhe impeço de ir, mas... – O mestre parecia preocupado, parou alguns segundos para pensar e disse. – Kaze não vai admitir um “novato” como líder, ele vai querer lutar, eu ainda devo um combate a ele mas... Urhg! Cof, cof, cof! Eu disse que o líder da guilda daria esse combate a ele, quando jurei, já não tinha mais condições de lutar, mas essa foi a única maneira que consegui fazer ele se empenhar nos treinos, ele sempre foi o mais forte e o mais rebelde, ele lhe inveja por sua habilidade, e começou a treinar como realmente deve, pegue a katana que forjei e erga aos olhos de todos amanhã, eles entenderão. Tenho certeza... cof, cof! – O mestre já perdia totalmente as forças e começava a fechar os olhos ao dizer – Que você saberá o que fazer... Messor... – Senti que sua respiração havia parado, terminei de fechar os olhos dele, e disse. – Sim mestre. Saberei o que fazer. Descanse em paz. – E assim se fez, durante a noite conversei com Zi e Balltazar, mandei ambos ficarem longe do dojo ao amanhecer, arrumei minha indumentária, poli minhas adagas, peguei as katanas que o mestre deixou em sua sala e meditei até o amanhecer. O sol estava prestes a raiar, via a aurora da amanhecer e novamente ele apareceu diante de mim entre os raios de luz que adentravam a sala do mestre. – Está pronto? – Perguntou Lass com sua plena serenidade. – Sim, mas ainda tenho minhas duvidas. – era o que eu dizia. – Você precisa encontrar sua paz interior, o equilíbrio entre eu yin e yang, a katana que forjaram para você é puro poder das trevas, domine a espada, ou ela te dominará, agora empunhe-a. – Dizia Lass pegando sua katana. Eu o obedeci e empunhei a lamina. Tudo corria bem até a aura negra da espada passar para meu braço, e a começar a me dar leves choques. De repente me veio um desejo enorme e incontrolável de ver sangue sendo derramado aos cortes de minha lâmina. Eu ria baixo sem razão, minha respiração estava pesada e queria destruir Lass, mas eu ainda estava consciente de meus atos, porem meu corpo parecia querer se mover sozinho. – As trevas estão a tomar conta de você, lute contra isso! Ou se tornará uma ameaça maior que os monstros usados para criar essa lâmina! – Dizia Lass em guarda, então involuntariamente eu dizia com a voz um pouco distorcida. – Silencio! Insolente! – E lançava uma rajada de cortes em direção a ele. Lass defendia sem esforço algum, golpe após golpe, eu me sentia cada vez mais voraz e sentia meu corpo acumular mais e mais energia. Tanta mana reunida que meus golpes já deixavam rastros de energia em seus movimentos, minha velocidade e força aumentavam cada vez mais, porem Lass se mantinha indiferente. Logo comecei a notar que a aura da espada havia parado de emanar, e percebi a energia era minha, e não da espada. Logo utilizei a técnica Espírito da Lâmina, mas a espada não estava azul como antes, e sim negra como a aura que antes emanava da katana. – A escuridão reside dentro de você, e ninguém pode detê-la a não ser você mesmo. – Disse Lass. Eu lutava contra os choques que a espada me dava, eu poderia simplesmente soltá-la mas a mesma estava presa a minha mão de alguma forma. – Minha alma é bondosa, e minha lâmina não tem piedade, então farei de minha alma e lamina, um único ser! – Foi o que eu disse. E de repente, tudo ficou branco, estava num lugar absolutamente vazio, vi Lass vindo em minha direção e ele dizia. – Messor, você atingiu a iluminação mesmo quando as trevas consumiam sua alma. És digno para portar uma katana, agora vá, os Assassinos da Cruz de Prata lhe aguardam. – Tudo ficou escuro, e eu abria meus olhos, vendo um feixe de luz que adentrava a sala do mestre pelo teto, algumas folhas caiam na sala. Estava deitado, ainda segurava a katana, porem estava embainhada. Levantei, e andei até a porta, já podia ouvir o som dos aprendizes do dojo conversando paralelamente com os integrantes oficiais da guilda. Sabia que encontraria Kaze lá fora. E um pensamento escuso ainda me vinha a mente: Esperando o melhor, preparado para o pior. Abri a porta, os raios de sol me cegaram por alguns segundos, tampei meus olhos com as mãos e recobrei a visão, e um absoluto silencio tomava o lugar. – Eu lamento a perda de nosso grande mestre, que veio a falecer esta noite, sei que um de nós seria nomeado o novo mestre, mas isso foi definido por ele noite passada. Irmãos, irmãs, em suas ultimas palavras, o mestre me disse que vocês entenderiam claramente se eu fizesse... isto! – Foram minhas palavras, antes de erguer a minha katana, todos admiravam a arma, e sussurros comentavam sobre eu ser o novo líder. Estava calmo demais para meu gosto, até eu ouvir um grito grotesco que dizia. – Desgraçado! – Logo vi vários integrantes da guilda sendo arremessados em direções aleatórias, abrindo rapidamente caminho em minha direção, e eu não tinha duvidas, era Kaze. Ele vinha furioso em minha direção e já estava visível, estava muito mais rápido do que me lembrava, senti a ausência de sua íris em seus olhos, ele saltou em minha direção utilizando seu alfanje e com uma força grotesca desferiu um corte na altura do meu pescoço, eu via seu movimento com clareza e bloqueava com a katana, olhando-o cara a cara. – Por que ele te escolheu! – Disse Kaze em sua fúria, eu olhei serenamente e disse, ainda bloqueando o golpe dele, que ainda mantinha a força mesmo após sua falha. – Kaze! Eu não tenho culpa, eu não escolhi ser mestre! – disse tentando acalmar Kaze – Mentiroso! – Exclamou ele. As lâminas faiscavam em atrito, empurrei Kaze com uma estocada usando um de meus pés, ele afastava-se sendo arrastado pela força de meu golpe a uma distancia de pouco mais de um metro. Entrei rapidamente em guarda, e aguardei seu próximo movimento. Os membros da guilda estavam tensos com a luta, queriam ajudar, mas temiam a ambos os guerreiros que ali pelejavam pela memória do falecido mestre. Kaze abaixava a cabeça e começava a murmurar. – Por quê? Por quê...? – Eu compreendia sua dor e frustração, mesmo assim, sentia medo de meu amigo, sua fúria era imprevisível para mim, não me sobravam escolhas alem de manter o silencio e de manter-me alerta. A cada segundo que Kaze passava murmurando, eu ficava mais tenso, até o instante em que ele solta um urro ensurdecedor arqueando seu corpo e olhando para o céu com os braços abertos, uma aura negra envolvia seu corpo e suas íris continuavam ausentes. Aquilo estava me assustando, de repente a aura some, e ele sem ar dá fim ao grito, sua cabeça voltava a ficar baixa, e um súbito silencio toma todo o dojo. Ele rapidamente levanta a cabeça e como um vulto desaparece. Foi uma fração de segundo, eu o vi diante de mim desferindo um corte na altura de meus joelhos brandindo sua lâmina na horizontal. Eu via seus movimentos quase como em câmera lenta, finquei minha katana sobre a larga lamina do alfanje, atravessando o mesmo e fincando a ponta de minha katana no chão num único movimento, travando a arma dele ali. Eu tentei segurá-lo com uma das mãos, mas ele havia desaparecido novamente. Eu senti sua presença pouco acima de mim, e girando meu corpo, eu puxava a katana para tentar defender qualquer possível contra-ataque. E eu estava certo, ele estava no ar sobre mim, puxando de sua cintura um par de adagas, atacava com ambas na vertical, segurava-as ao contrario dos punhos, defendi com minha lâmina, meu movimento foi brusco, o que levou minha katana a atravessar metade do aço das adagas de Kaze. Então joguei seu golpe para minha direita, girei meu corpo e tentei chutá-lo no alto com meu calcanhar. Ele desaparecia de novo, suas adagas ainda estavam no gume de minha katana, eu ainda estava voltando a ficar em guarda, meu corpo estava terminando o giro, ele reaparece na minha frente com o seu alfanje, e como um relâmpago, voltando a me atacar. Eu sabia que não daria tempo de contra atacar com minha lâmina, então puxei a bainha da katana com a outra mão e defendi o golpe, então apoiando-me e finalmente com os dois pés no chão, tentava cortá-lo, ele esquiva, o corte havia passado muito perto de sua cabeça, a ponto de lhe tirar uma mecha de cabelo. Ele recua uma distancia de dois metros, balancei minha lâmina para tirar as adagas dele que haviam ficado grudadas. – Eu tenho mais direito de ser mestre do que você! – Exclamava Kaze. – Estou aqui desde pequeno! Eu sempre estive ao lado do velho! Enfrentei mil demônios para ficar mais forte! Enfrentei o mais árduo treinamento, fui sempre o mais próximo do mestre, fui sempre o mais poderoso da guida! E você vem do nada e tira de mim o que é meu por direito? Eu vou arrancar a sua cabeça! – Dizia Kaze com profundo ódio. Eu tinha uma desvantagem, era muito mais lento que Kaze, mas seus movimentos eram previsíveis, eu sabia que ele iria atacar de novo mais cedo ou mais tarde. Kaze voltava a ficar com a aura negra, eu entrava em guarda e ouvia a voz de Lass ecoar em minha cabeça. – Ele é rápido, mas você pode ser mais, atinja o equilíbrio espiritual novamente e desfira toda sua mana de uma única vez num corte certeiro na direção dele, essa técnica chama-se “Corte da Escuridão” você não terá mana por um tempo, então, só tem uma única chance. E se errar, ele lhe arrancará a cabeça. – Foram as ultimas palavras dele até eu concentrar toda minha energia na espada, embainhei-a e concentrei toda a energia que eu tinha. Uma aura azul emanava de meu corpo de tanto poder canalizado. O silencio se fez por alguns segundos. Kaze parecia me olhar intrigado com algo. Logo dois gritos simultâneos foram pronunciados. – Lamina Afiada! – disse Kaze. – Corte da Escuridão! – disse eu sacando a katana com todo o meu poder. A velocidade que atingi era tão grande que nem meus olhos puderam ver o que estava no caminho de minha lamina. Até eu ter atingido bruscamente algo que parou minha investida. La estava ela, Lothos, parando minha lamina com a ponta de sua espada cilíndrica, e parando o golpe do alfanje de Kaze com uma das mãos nuas. – Escutem bem vocês dois. Parem com isso antes que eu dê uma prensa em vocês dois! Ouviram bem? – Disse Lothos com toda a sua autoridade. Embainhei minha katana novamente e recuei, Kaze caia de joelhos, e fincava seu alfanje no chão, apoiando-se sobre o mesmo voltando a murmurar com os olhos fechados. – Creio que minha presença não seja mais necessária aqui, passar bem e... estou de olho em vocês. – Disse Lothos guardando sua arma e saindo dali em passos largos com seu ar de seriedade. Minhas mãos tremiam, e me perguntava o quão poderosa Lothos poderia ser, parar dois golpes de tamanha magnitude tão facilmente era algo que eu imaginava ser impossível, eu me aproximava de Kaze, abaixava a frente do mesmo e dizia. – Hei... Kaze, levante-se... – Ele se mantinha ali, parado olhando para o chão. – Vá embora, me deixe morrer aqui. – Dizia ele com profunda tristeza. – Kaze, o mestre conversou comigo antes de falecer, eu disse a ele minhas razões, não poderia ser mestre e mesmo assim ele me nomeou. O mestre me ensinou muitas coisas, e uma delas foi a ser justo. Isso lhe pertence, pegue. – Tirei de minha cintura a katana ancestral de Lass, e coloquei na frente de Kaze, que entre lagrimas dizia. – Por que quer isso? Eu não seria capas de te derrotar. Não sou digno de ser um mestre. – Eu disse então. – Kaze, você está aqui há muitos anos, conhece todas as técnicas e doutrinas do mestre, coisa que pouco sei. Você treinou do seu jeito, mas conhece os ensinamentos do mestre e o convívio do dojo como ninguém. O mestre me disse que você era muito imprudente, e eu sei que ele te devia um duelo. Mas agora, tenho uma proposta a lhe fazer. Está apto a aceitá-la? – Kaze olhava em meus olhos, suas íris azuis estavam novamente visíveis, e ele disse. – Diga sua proposta. – Então pousei minha mão sobre minha katana e disse. – Leve o legado de nosso mestre, seja o mestre da guilda, use seus conhecimentos para o bem, seja fiel aos seus ensinamentos, seja fiel ao verdadeiro caminho da razão, e mantenha viva a essência da guilda. Eu em breve terei de partir, mas prometo que voltarei e lhe darei o maior duelo de sua vida, e não pense que deixarei de treinar enquanto estiver fora. – Kaze pegava a katana que deixei no chão, amarrava em sua cintura e dizia. – Eu aceito suas condições, mestre Messor. – O dojo vibrava com nosso acordo. Demos um aperto de mão, e o reverenciei dizendo. – Treine bastante até eu voltar, mestre Kaze. – Retirei-me dali e fui encontrar-me com minha amada e com meu irmão nos limites da Cidade da Cruz de Prata. O dojo fez uma cerimônia em luto pelo falecido mestre. E assim passamos a noite tranquilamente.



Terceiro ato: o Herdeiro.



Kaze e eu treinamos por mais um tempo, meu irmão orgulhava-se de mim por minhas atitudes, Zi continuava bela e doce como sempre, porem, começou a sentir uns enjoos estranhos. Conversei com Lothos e ela me olhava torto após isso, a comandante examinou Zi e disse que queria conversar com ela a sós. Alguns minutos se passaram e Zi corria com lagrimas nos olhos e eu perguntei o que houve a Lothos. – Ela está grávida seu imbecil! – Dizia ela me dando um cascudo forte. – Não podemos manter ela aqui nessas condições. Ela vai voltar pra casa de vocês em Vermecia, você e ela estão dispensados até a criança nascer, e quando nascer, eu irei atrás de você Messor. – Dizia ela me encarando friamente. – O que disse a ela pra que ela saísse chorando daquele jeito? – Perguntei. – Apenas que foi uma irresponsabilidade dela, e que ela era uma incompetente por colocar uma criança no mundo numa era tão difícil. – Respondeu Lothos. Eu corri atrás de Zi para consolá-la, e ela em prantos me abraçava, expliquei a situação a ela e ela se acalmou, então eu disse. – Fique calma, voltaremos para Vermecia, para nossa casinha. – Eu passava a mão sobre a barriga de Zi e dizia. – E cuidaremos do fruto do nosso amor, juntos. – Ela olhava em meus olhos e sorria docemente como sempre fez. Me deu um beijo e se entregava em meus braços dizendo. – Messor, não imagina o quanto lhe amo. – E eu lhe disse. – Nosso amor é a flor de luz no jardim da escuridão desta vida que vivemos. Nosso destino é eterno, e que nosso amor também seja. – Ela sorria para mim e disse. – Eu te amo. – E eu respondi. – E sempre lhe amarei. – Não demorou muito para que fossemos deportados para Vermecia, mas antes falei com Balltazar, e ele disse que ficaria bem e que mandaria noticias, me despedi dele e também falei com Kaze, e ele me presenteou com um par de garras de combate, disse que seriam úteis um dia, me abraçou e disse para eu não demorar muito para aparecer no dojo. Eu sorri para ele apenas e disse que voltaria mais forte do que nunca. Ah... estava tão feliz, meu primogênito estava por vir em breve. Ser pai... era bom saber que seria algo que quase nunca tive.



Quarto ato: o Crime



Voltamos para nossa casa em Vermecia, estava um tanto empoeirada, já havia perdido a conta de quanto tempo havia passado fora, fiz a limpeza de todo o lugar. Deixei a casa brilhando. Zi sentia-se cansada e foi dormir um pouco, finalmente teria um tempo tranquilo depois de tantas missões e quase ter morrido. Aproveitei o tempo livre e fui até o comercio, e vi num mural um panfleto, a procura de um candidato poderoso a guarda real da princesa de Vermecia, a Rainha estava preocupada com sua aventureira sucessora, o pagamento me parecia razoável. Peguei o panfleto e levei ao local indicado e falei sobre a oferta de emprego com um guarda do castelo, ele disse que eu poderia fazer a inscrição e que os testes começariam somente amanhã a noite. E assim foi feito, aguardei em casa, e ao por do sol eu fui ao castelo da rainha, caminhando até lá devagar a lua já surgia no céu. Aproximava-me do castelo, estava um tanto escuro, notei a ausência dos guardas da frente, e um mórbido silencio que ali se fazia presente. Continuava indo em direção ao castelo, quando de repente vieram dois indivíduos correndo em minha direção, um deles trombou bruscamente comigo, tinha cabelos prateados e possuía uma roupa parecida com a minha, o outro não consegui ver com clareza, mas saiu correndo como um desesperado. Em seguida vejo vindo em minha direção uma flecha, saquei minha katana e quando minha lâmina tocou a flecha, ela se abriu num circulo mágico brilhante criando uma espécie de barreira ao meu redor. Logo dezenas de guardas me cercaram e um deles me observou por um tempo e disse. – É ele mesmo! Levem-no! – quando menos esperava, senti um golpe brutal em minha nuca, e cai inconsciente. Quando acordei, estava com os braços para trás e senti minhas mãos acorrentadas. Tentei me levantar mas alguma espécie de selo mágico mantinha meus joelhos grudados ao chão, olhei ao meu redor e estava numa cela. Um soldado que guardava a porta da cela olhava para mim e dizia. – Que bom que acordou. Estavam todos esperando por você. – Eu então perguntei. – Todos quem? – E o soldado respondeu. – A corte suprema de Vermecia. Um assassinato ousado desses não é todo dia que se vê. – As palavras do guarda me eram confusas, então tornei a perguntar. – Assassinato de quem? – E o guarda responde. – Não se faça de bobo, ande logo! – Ele desfez o selo em meus joelhos e andamos, eu continuava a querer respostas mas ele me ignorava e apenas mandava eu seguir em frente. Logo chego a um grande salão, uma grande plateia em arquibancadas de forma circular, um pequeno altar a minha frente, e pouco mais a frente um altar maior e mais alto com algumas cadeiras até então vazias. Logo aparece uma mulher alta, com olhos serenos e longos cabelos dourados, e claro, muito bonita. Reconheci-lhe de cara, era a gloriosa rainha de Serdin. Um grande falatório se fez presente, então a rainha com um martelo de madeira batia sobre o altar algumas vezes dizendo. – Ordem! Ordem! – O silencio absoluto se fez presente. E minha cruel duvida era não saber por que estava ali. – O réu, Messor, o Retalhador, ex líder da famosa guilda dos Assassinos da Cruz de Prata, irá a julgamento pelo assassinato da princesa de Serdin, minha filha. – Quando a rainha disse tais palavras, meu coração apertava, meu corpo gelava, minhas mãos tremiam e definitivamente não sabia o que fazer. – Messor, o que diz em sua defesa? – Dizia a rainha me encarando friamente, e o silencio presente era perturbador. – Eu... sou inocente! – E finalmente as pessoas começaram o falatório novamente. A rainha parecia não estar com muita paciência, batia novamente o martelo mais forte pedindo silencio. – Senhor Messor, a vitima da fatalidade, minha filha, estava com ferimentos feitos por adagas, como as que carrega em sua cintura, e também o sangue presente em suas vestes se encaixam com a cena do crime. O que leva sua afirmação de inocente a ser falsa. – Dizia ela severamente me encarando do topo do altar. – Minha rainha, eu estava a vir para a vaga de um emprego de guarda real, quando dois sujeitos... – A rainha me interrompia dizendo. – Minha filha antes do óbito veio a descrever o assassino, cabelos prateados, roupas azuis com detalhes amarelos. Procuramos por toda Serdin aquela noite, e só encontramos você nas proximidades, com as roupas sujas com o sangue da princesa. Não foram encontrados mais suspeitos nas proximidades, e todas as provas apontam você como único culpado. Seu caso irá a júri. – Seus olhos aparentavam estar lacrimejando, e ela dizia com profundo ódio tentando segurar o choro. – E espero que os deuses tenham piedade de sua alma... – O ódio que a rainha demonstrava despertava um profundo medo em meu coração. Ali ficamos um tempo, o sussurros das pessoas presentes ecoava em meus ouvidos, a rainha me encarava friamente aguardando a decisão do júri. Até que alguém entrega uma carta à rainha, e ela lê a carta e diz. – A decisão foi tomada. Messor, você foi condenado à morte. Aguardará sua sentença na prisão de segurança máxima de Mijölnir em Arquimidia. Levem-no daqui imediatamente! – Eu tentei dizer algo, mas novamente fui golpeado e mais uma vez cai desacordado.



Quinto ato: The Jail



Novamente acordava atordoado, estava escuro, não via as coisas com clareza, tateava as coisas ao meu redor, o chão era de madeira, as paredes também, haviam barras de ferro a minha frente, logo me via em uma cela novamente. Mas algo me chamava à atenção, um constante ruído se fazia presente, dois na verdade. O ruído constante de uma espécie de motor, e o som de alguém andando no piso de madeira. Eu então disse. – Tem alguém ai? – E uma voz feminina me responde. – Sim, achei que estava morto, estava inconsciente há tanto tempo. – Eu nunca havia ouvido aquela voz na minha vida, era doce, porem forte. – Quem é você? – Perguntei com um pouco de medo. – Meu nome é Hikaru, a Cavaleira de Prata. E você? Assassino. – Dizia ela como se soubesse de algo. – Messor, o Retalhador. Onde estamos? – Perguntei a ela, sentando-me no chão. – Numa aeronave que está a nos levar para a prisão em Arquimidia, uma espécie de barco a vela voador. Então você é o cara que matou a princesa de Serdin? Quais foram seus motivos? – Perguntava ela de uma maneira fria. – Eu sou inocente, estava indo para o castelo quando dois caras vieram trombando em mim, de fato eu estava no lugar certo na hora errada. – Dizia eu me justificando. – E o que você fazia nas proximidades do castelo? – Dizia ela, continuando a me interrogar. – Havia uma oferta de emprego, como guarda real, eu fui até lá pelo emprego. – Mais uma vez eu me justificava. – E por que foi a noite? – O interrogatório dela parecia não ter fim, e eu disse. – Porque o guarda disse para que eu fosse a noite. – E ela por fim disse. – Não acha que esse guarda armou pra você? – Eu comecei a pensar e disse. – Você tem razão. Mas por que alguém mataria a princesa? – Perguntei, e Hikaru respondia. – Talvez para criar fraqueza no coração daqueles que moram em Serdin, quem sabe seja uma jogada de nossa amiga Cazeaje. – Hikaru me parecia ter razão, mas me caiu a ficha naquele momento e perguntei. – Hikaru, fui condenado a morte injustamente pelo assassinato da princesa, e pelo que você foi condenada? – E ela respondia. – Tentativa de homicídio, ao contrario de você, o meu caso foi em legitima defesa, minha melhor amiga foi possuída por Cazeaje e tentou me matar, utilizei um dos meus golpes mais poderosos para me defender, e acharam que eu matei ela. – Eu comecei a ficar confuso e tornei a perguntar. – Como assim? Você não a matou? – E ela responde – Na verdade, ela estava possuída por Cazeaje e tentei me defender, nesse caso eu lhe abri um buraco na altura do coração atravessando-a. A questão, é que ela já estava morta... – As palavras de Hikaru me assustaram, e comecei a pensar, estaria Cazeaje trazendo os mortos de volta a vida? – Minha amiga havia morrido dias antes do ocorrido, ela tinha uma grave doença, e dias depois ela reapareceu, e seus olhos possuíam com as íris vermelhas como rubis, com os olhos completamente negros e chorando sangue. Sua face expressava seu ódio em batalha, toda a sua fúria estava canalizada, e destruía tudo ao seu redor, não tive outra escolha a não ser matá-la novamente. Foi a tarefa mais dolorosa da minha vida... – Dizia ela com uma profunda tristeza. – Poderíamos fugir daqui, talvez encontrar uma maneira de deter Cazeaje. – E Hikaru diz. – Existem muitos guardas lá fora, fortemente armados e preparados para deter pessoas do nosso nível. Estamos em desvantagem, se não notou, sequer tem sua katana em mãos. – E então eu dizia. – Deve haver alguma maneira de sairmos daqui... – Nesse exato momento ali passava o carcereiro, e eu me jogava no chão, me retorcendo e gritando como um louco. O carcereiro olhou para mim e Hikaru exclamava. – Socorro! Socorro! Ele está sofrendo uma possessão! Livre-se dele antes que mate a todos nós! – Me surpreendia com a capacidade de percepção de Hikaru, colaborou com meu plano antes mesmo que eu dissesse algo. O carcereiro abriu a porta, e apontou uma espécie de pistola para mim, eu sabia exatamente o tempo que levaria para ele puxar o gatilho e eu desviar, quando ele pensou em disparar, dei um chute em sua mão, desviando sua mira. Aproveitei o impulso do chute para girar o meu corpo e me levantar, assim golpeando o pescoço do carcereiro com uma das mãos, nocauteando o mesmo num único movimento. Peguei as chaves e fui até a cela de Hikaru. Uma mulher jovem e forte, de curtos cabelos ruivos, utilizava uma vestimenta leve, de cor branca com detalhes vermelhos, e calças largas e pretas. Eu abri a cela e outro prisioneiro começou a gritar – Ei! Me tirem daqui! Isso é absurdo! – Sua voz me era familiar, fui até sua cela e vi meu amigo, Kaze. – Messor!? – Disse ele surpreso, e eu estava ainda mais surpreso por ele estar ali, abri sua cela e perguntei. – O que aconteceu contigo? O que faz trancado nessa cela? – E ele um tanto sem jeito me respondeu. – Bem, eu fui preso injustamente. – Eu comecei a ligar os pontos e disse. – Eu e Hikaru também. – E ela disse. – Todos os prisioneiros desta nave foram condenados a morte, e pelo visto, por motivos dos quais não somos culpados. – Eu pensei por um ou dois segundos e disse. – Kaze, eu fui preso por supostamente ter matado a princesa de Serdin, Hikaru por ter matado alguém que na verdade já estava morto, e você? – Kaze coçou a cabeça e disse. – Fui condenado por... ah você não vai acreditar. – Eu então disse. – Eu já vi de quase tudo nesse mundo, diga logo o que aconteceu. – Ele responde um pouco acanhado. – Messor, fui preso e condenado à morte por... roubar uma galinha... – De fato, eu não acreditei logo de cara, ninguém do nível dele seria preso e condenado à morte por um crime tão ridículo, pedi explicações e ele disse. – Bem, tudo começou quando eu estava indo para uma missão, cruzei as terras de Ellia e cheguei à Aton, e acabei me perdendo no meio do deserto depois de ter lutado contra um besouro gigantesco, nossa aquele bicho deu trabalho. Após zanzar muito pelo deserto, durante uns três dias, sem nada pra beber ou comer, eu avistei uma criatura, uma galinha, e comecei a imaginar aquilo sendo frito. Comecei a salivar, e meus instintos de caça me fizeram correr e pegar a galinha, de repente vi que estava absolutamente cercado, e como estava sem a menor condição de lutar, tive que me render. E pro meu azar era um animal sagrado ou algo do gênero pra gente daquele povo. – Eu senti certa repulsa de Kaze aquele momento, mas até que sua historia era cabível, Hikaru disse que precisaríamos de nossas armas para fugir da nave, e não fiz nada mais nada menos do que tirar o uniforme do carcereiro e me disfarçar, deixei eles esperando enquanto ia atrás de nossas armas. Após as encontrar em um baú, vi que ali estavam uma luva um tanto incomum e duas katanas, levei os itens para Kaze e Hikaru, cada um para seu respectivo dono, e assim eu disse. – Hikaru, não encontrei sua arma, mas encontrei essa luva, parecia fazer parte de seu uniforme, logo eu peguei também. – Hikaru vestia a luva e dizia. – Messor, esta é minha arma... – Eu talvez poderia estar subestimando-a, mesmo assim eu disse. – Pretende enfrentar todos os guardas, utilizando apenas uma luva? – Hikaru seriamente me encarava e dizia. – Eu sou uma cavaleira de prata, e líder atual... bem... ex atual líder atual dos Cavaleiros de Prata. Não devia me subestimar por ser mulher! – Então Kaze disse. – A mulher do Messor me dizia a mesma coisa, quase foi esmagada por um Monban... – Eu olhei para Kaze e disse. – Isso não vem ao caso. Vamos assumir o controle da nave e voltar para Vermecia. – Então Hikaru disse. – E dar de cara com todo o exercito da Grand Chase? Não me parece muito inteligente de sua parte. Os verdadeiros assassinos devem estar longe e essa altura... – Nesse momento um forte tremor tomou conta da nave, algo parecia ter nos atingido, corremos para o deck da nave e vimos dezenas de demônios, possuíam um par de chifres, asas de anjo, roupas de cor roxo-escuro, e usavam variadas armas. Pareciam com o antigo demônio chamado Kamiki, porem pareciam mais ameaçadores, e estavam constantemente atacando a nave, sua energia parecia nunca ter fim, um desses demônios pousou diante de mim, e soltava um rugido amedrontador, e por reflexo, puxei minha katana e lhe cortei ao meio. A energia negra que emanava do cadáver parecia ser consumida por minha lâmina, eram muitos e a nave estava muito avariada. Começamos a cair.



Sexto ato: A Rainha das Trevas



A aeronave veio ao solo com forte impacto, sendo assim inutilizada. Eu ainda estava um pouco atordoado, logo vi as ruínas da nave ao meu redor, logo procurei por Kaze e Hikaru, estavam inconscientes e um pouco feridos, caídos ao chão. Logo me vi novamente cercado, por varias bestas enormes, como Monbans, Gorgos, e varias Kamikis. Eu previa nosso fim, pois um pútrido cheiro de cadáveres cujos corpos eram dos guardas nave, que eram devorados vivos pelos demônios Kamiki. Kaze acordava um pouco zonzo, eu continuava a observar a situação ao meu redor, empunhei minha katana e me preparava para pior, Kaze viu meu olhar enquanto notava que estávamos cercados. Ficamos um de costas para o outro e entramos em guarda, Hikaru ainda estava desacordada, a situação era critica. Quando o primeiro monstro declarou ataque, todos partiram em nossa direção. Confiamos nossas almas às laminas naquele momento, e ondas e mais ondas de monstros se aproximavam, e um rio de sangue se formou, pois a cada corte feito por nossas katanas, dois ou mais inimigos caiam. Até que ouvimos um grito autoritário dizer. – Parem imediatamente! – E todos os monstros recuaram. Uma linda dama de cabelos negros e olhos vermelhos, trajando vestes elegantes, aproximava-se de nós. E dizia. – Eu estava esperando por vocês... – Seu rosto era lindo, porem ao reconhecê-la, senti o mais amedrontador dos calafrios, pois estava diante de mim, a rainha das trevas, Cazeaje. Ela vinha calmamente em nossa direção, eu estava paralisado pelo pânico silencioso que me tomava por inteiro, ela olhou para mim e disse. – Messor, o ratalhador da ponte infernal, que derrotou o rei do inferno de Ernas, Gadosen, ao lado de seu fiel companheiro Kaze. Os escolhidos pelo espírito de Lass. – Ela parava diante de mim tocando suavemente minha face olhando fixamente nos meus olhos, suas mãos eram macias e delicadas, mas seu olhos pareciam atravessar o meu ser e olharem em minha alma. Ela disse para acompanhá-la, e para levarmos Hikaru conosco se quiséssemos, e assim fizemos. O terreno era desolado, e uma constante energia negra emanava por toda parte. Os monstros nos observavam, sabiam que a rainha poderia nos aniquilar em questão de segundos, mesmo assim, pareciam estar protegendo-a. Após algum tempo andando, chegamos a um enorme palácio que parecia ter surgido de debaixo da terra em meio a enormes fendas e pedras que emergidas do chão. Quando adentramos o palácio, nos deparávamos pelo caminho com alguns caixões um tanto grandes, selados com magia, muitas correntes e cadeados. Chegando a sala do trono, Cazeaje se senta olhando para nós dizendo. – Vocês todos andam atrapalhando um pouco meus planos, logo eu tenho uma proposta para vocês. – Kaze colocava Hikaru no chão e dizia. – Que tipo de proposta? – E a rainha respondia. – Lhes ofereço todo o poder que quiserem. lhes ofereço armas melhores, armaduras melhores e toda comida e bebida que quiserem, quiçá a vida de vocês de volta como era antes e ainda melhor. O que me dizem? – Kaze indagava. – Com toda certeza isso não virá de graça, o que quer de nós? – Cazeaje riu baixo e disse. – Gostei de você, direto ao assunto, gosto disso. Meu preço não é nem um pouco alto, peço apenas que se unam ao meu exercito das trevas e me ajudem a conseguir alguns itens “básicos”. – Eu então disse. – Não vamos nos unir as forças das trevas, Cazeaje. Pode esque... – Ela me interrompia dizendo. – Sei que ama muito aquela Maga Violeta, seria uma pena se algo estivesse acontecendo a ela. – Meu coração apertava, uma raiva imensa começava a crescer dentro de mim, mas para não me precipitar eu disse. – O que você fez com ela? – Cazeaje respondia com um sorriso em seu rosto. – Eu? Nada. Mas a rainha, Lothos e a corte de Serdin, quem sabe? – Recordava-me do julgamento e disse. – O que eles pretendem? Não minta para mim, rainha das trevas. – Dizia eu, pousando a mão sobre o cabo de minha katana, Cazeaje abriu uma espécie de portal diante de mim e disse. – Por que não vê com seus próprios olhos? – Uma imagem se formava ao fundo escuro do vórtice do portal, e eu via Zi sendo levada a julgamento, via também a rainha de Serdin dizendo. – Confirmada a acusação, Zi, a Maga Violeta, condenada a morte por ser cúmplice de Messor e desrespeitar as regras da Grand Chase, sua execução será em três dias, e cumprirá pena de prisão domiciliar devido as suas condições. Caso encerrado! – E o portal se fechava, Cazeaje sabia que eu optaria por salvá-la, logo disse. – Eu sou uma pessoa bondosa, Messor. Posso fazer de você e seus amigos os guerreiros mais poderosos de Ernas, e serão conhecidos como os Guerreiros Imortais das Trevas, aceita aliar-se ao meu exercito, Messor? – Seu convite era tentador, quando pensei em responder, Kaze disse. – Nós já fomos condenados mesmo. Quando descobrirem que a nave caiu, nos darão como foragidos, de certo modo nossas cabeças já estão a premio, não temos nada a perder. Eu aceito. – Poupei minhas palavras e apenas afirmei balançando a cabeça. Cazeaje nos deu uma indumentária de cor preta com linhas azuis e douradas detalhando seu todo, as luvas de indumentária eram acimetricas, uma cobria apenas a mão e era do mesmo tecido que a indumentária, a outra cobria o braço esquerdo inteiro e era feita de metal, sobre o punho possuía um par de espinhos. Ela nos deu um Gorgos negro para usarmos de montaria e chegar até Vermecia, disse que cuidaria de Hikaru e nos avisaria quando ela acordasse. Pensando no que houve com Hikaru eu me dispus a perguntar. – Cazeaje, por algum acaso estaria você trazendo os mortos de volta a vida? – Cazeaje não me parecia preocupada com minha pergunta e respondeu. – Sim, mas ainda estou a testar isso, para só então trazer de volta os campeões das trevas, dentro de um dos caixões que você viu, está o corpo de Duel Pon Zec, em outro, o corpo de Astaroth, e outros como Nemophila, Vulcanus, Vairne, Thanatos e outros, eu preciso das essências dos deuses em conjunto com martelo de Calnat e a pedra da alma. Com esse poder serei capas de trazer de volta os dias de gloria desse mundo decaído e desunido. Astaroth pode ter usado o poder das deusas que havia restado no martelo, mas ainda sobrou algo, tenho certeza. Mas só com a ajuda deles, e da sua, conseguirei isso. Agora vá e salve sua amada. E embaixo de minhas, tu estarás guardado pois eu sou tua rainha. – Sua causa me parecia razoável, mas... não o suficiente para que ela fosse de minha confiança. Naquele momento apenas duas coisas me importavam, salvar Zi e caçar os desgraçados que me colocaram nesta situação.