Grand Chase Heroes

89 Capítulo 85 - O último mago


– Ryan... Aquele aperto no coração me fez cair na real. Eu jamais deveria ter te abandonado quando encontramos aquele gigante. Arme, Lin, eu notei que vocês duas ficaram para trás sem motivo aparente. Vocês três... Me esperem. Eu não deixarei que se machuquem a partir de agora!

– Belas palavras para quem só sente medo de ser deixada para trás pelo seu líder. Fala sério, você não queria que ele te deixasse aqui comigo, agora que sua melhor amiga e seu namorado não estão aqui.

– Mais cedo Arme falou que você não é um tipo de mago especializado em ler mentes. Por que está lendo a minha então?

– Quem foi que falou em ler mente? – o mago rebateu.

No incidente de mais cedo, o mago realmente esteve presente e Lire e Arme repararam em seu estilo, mas não o desvendaram. Que mistérios o guardavam? Pois tudo que viram ele fazer, na verdade, foi evitar que Arme atacasse quando ela achou ter criado um ataque que anulou outro.

***

A cabeça de Lire estava quente. Não sabia o que houve, mas agora viu seus amigos correndo para longe e então a elfa diria algo que queria prometer a si mesma.

– Ryan... Aquele aperto no coração a fez cair na real. Você jamais deveria ter o abandonado quando encontraram o gigante Krong. Quanto à Arme e à Lin, você notei que as duas ficaram para trás sem motivo aparente. Os três devem te aguardar, você não deixará que se machuquem a partir de agora!

Lire estranhou. Seu inimigo leu sua mente? Porque era exatamente isso que Lire pensava!

– Pena que você sente medo por seu líder ter te deixado para trás. – O mago tornou a abrir a boca.

Lire achou a adivinhação mais sobrenatural do que a magia de leitura de pensamento de Arme. Começou a ter medo. Não devia ficar paralisada pelo medo como outras vezes, iria só atacar para ver no que é que dava.

– Você escapou com facilidade de minha velocidade máxima mesmo se movimentando tão pouco. Quando algum inimigo consegue escapar dos meus ataques, ele costuma fazer isso com medo, e se mover o mais longe. Contudo, você deixou ambas as flechas passarem perto de você. Qual é o significado? Você não sente medo? – Lire indagou olhando nos olhos dele.

– Quê? – A voz veio de trás.

Lire se virou de imediato e viu o mesmo mago atrás dela e virando-se novamente viu que o mago não estava lá.

Então focou a visão atrás numa terceira virada de seu corpo onde sabia que o mago estava parado. Não, ele não estava.

– Estou aqui.

Outra vez, encontrava-se na posição original.

– Exibindo os poderes antes de começar o ataque? – Lire analisou.

– Eu sempre faço isso. Para os fracos e para os fortes. É engraçado como até mesmo os mais espertos não entendem, então eu costumo deixar por longos períodos eles analisando antes e durante a luta. Mas como ninguém descobre, eu perco a paciência e conto logo. Ninguém consegue me acertar um golpe, mesmo.

– “Ninguém consegue acertar um golpe”. Essa é uma fala de um mago teleportador ou um mago dos portais, estou correta?

– Passou raspando... Afinal, eu sou um mago dos portais. Já abri muitas fendas dimensionais. Só que não acertou. Minha verdadeira especialização não é portais... É algo mais complexo.

Lire não reconhecia nenhuma variação de magia que fosse mais complexo que magia dos portais, julgando que ele realmente não fosse teleportador. É claro que devia considerar a opção de ele estar mentindo.

– Será que eu não estou mentindo? – indagou. Lire sentiu medo outra vez. Ele lia seus pensamentos, mesmo não sendo a especialidade? – Calma aí, mocinha. Já falei que não sei ler pensamentos.

– Já sei várias coisas a seu respeito. Primeira: Você nunca proferiu uma única verdade! – Lire atacou ele de longe, quando ele sumiu e ela logo virou para o novo lado que ele se encontrava. – Segunda: você é irritante. – e deu um segundo ataque. – Terceira: você vai morrer. Assalto-tornado!

– Quarta: se eu morresse, eu saberia. – provocou tocando nos seios de Lire. – Ora, isso é apenas uma tábua! Você é mesmo garota?

Lire nunca sentiu tanta raiva antes! Desperdiçou até mesmo seu assalto-tornado. Usando ele, as flechas se espalharam para todos os lados, exceto onde tocaria Lire. E não é que o safado foi justamente nela se proteger, e ainda fazer aquela taradice?

– Sua maior vontade agora é calar a minha boca. – afirmou o que Lire afirmaria um segundo mais tarde quando abrisse a boca.

– Falando em calar a boca, eu vou simplesmente lutar. Não vale mais a pena conversar com alguém como você.

Os olhos do homem se arregalaram.

– Me ignorar? Você é muito estúpida.

Todo o medo que seus olhos deixavam explícito sentir deu a Lire uma luz. Ela provavelmente estaria certa, e se por todo o tempo que não falasse acontecesse essa coisa diferente que esperava acontecer, ela comprovaria. Enquanto isso, era analisar os movimentos, pensar, contra-atacar e reanalisar.

Lire atacou, errou o alvo. Atacou, errou o alvo.

– O que é isso? Não consegue me acertar?

“Está tudo indo bem”, Lire pensou.

– Errar apenas aumentou o seu ódio. – o mago falou. Este foi o primeiro palpite que ele errou. Tudo o que falara até então havia acertado.

“Se ele for um mago do tempo, cada vez que eu falava o que pensava, ele retornava no tempo e falava ele mesmo, para me deixar aflita. Quando eu parei de falar, ele sabia que devia dar um palpite do que eu estava pensando, pois eu de fato estava em uma pose pensativa. Se ele não falasse nada, eu desconfiaria. Contudo, ele errou pela primeira vez a afirmação dele. Isso significa que de fato ele é um mago do tempo”.

– E agora você voltou a pensar que eu sou um mago leitor de mentes!

Era o segundo palpite que ele errava. A charada estava matada! Como mago do tempo, aquilo de fato invalidava o que Lire falou mais cedo: “Você nunca proferiu uma única verdade”. Significava que ele não se teleportava, mas parava o tempo e mudava de posição para que parecesse um teleporte. Ele não lia a mente, mas ouvia o que Lire tinha a dizer e voltava no tempo repetindo a palavra. Ele era acertado, mas ignorava o acerto voltando no tempo e desviando por centímetros do ataque.

“Agora eu devo fazer um rosto de surpresa, como se eu realmente imaginasse que as duas últimas afirmações dele fossem verdadeiras. Ele vai notar que não tem com o que se preocupar, pois não sei do seu segredo. Assim, preciso matá-lo em um único ataque. Assim, ele não sobreviverá para voltar no tempo e negar o meu ataque que o acertou. Contudo, matá-lo exige um espaço menor. Vou ter que alterar minha forma de combate para média distância, e usar a magia que Arme me forneceu”.

Lire se aproximou dele a curtos passos que mostravam não querer atacar. Seu inimigo falou exatamente o que ela pensava em lhe dizer, desta vez não querendo guardar o pensamento para si mesma.

– Você pensa em desistir, mas não sabe o que fazer. Afinal, você sente a obrigação de lutar por conta dos sentimentos que tem pelos seus amigos.

Ele falou o que ela gostaria de falar. Isto validava mais uma vez sua teoria. E agora, ela estava próxima o suficiente para atacar mais de perto, sem que ele imaginasse que esta era sua intenção. A intenção que transparecia era de estar em dúvida entre batalhar e se render.

Lire liberou a magia de armazenamento de Arme.

“Arme me explicou que assim com magia dos portais, uma magia do tempo demora aproximadamente meio segundo para ser realizada. Com a soma de um segundo que ele deve sentir de dor, eu devo acertar minha flecha em menos de um segundo e meio”.

Lire preparou uma flecha que um mago, sem visão de arqueiro, jamais repararia. Liberou a magia de Arme, que soltou da outra dimensão sua mascote, Kungji fofo. Ele deu, por trás, um ataque corporal.

Pouco mais de um segundo foi o tempo que demorou para se virar, sentir a dor ficar mais forte e reparar quem o atacou. Agora, demoraria menos de um segundo para ele voltar no tempo como se nada tivesse acontecido.

O ataque de Lire o acertou neste meio-tempo! Ela nem terminou de dizer o nome de seu ataque, e ele já foi acertado, agora morto.

Armadilha élfica! – era o nome daquilo que mirou no coração do mago derrotado.