Grand Chase Heroes

72 Capítulo 68 - Lamentos de Azin


– Realmente todos perdemos ela de vista. – Elesis reuniu a equipe num círculo em volta de sua fogueira, no matinho que estranhamente era o lugar ao qual era guiada desde obter o estranho poder de sua nova aura. Ao longe, tudo que se ouvia eram grilos. Estariam mesmo no lugar certo? Por que ali? – Ainda temos poucas horas para que aconteça o que estiver para acontecer.

Elesis falava aquilo, porque seu subconsciente dizia que apenas três horas depois deveriam estar ali.

– Nesse caso, devemos nos separar para procurar por Daliah. É nossa última chance de contato.

– Mas eu estou tão cansada. – Amy bufou num instinto de lamento. Queria tanto estar em uma casa, com pais para lhe oferecer um jantar delicioso e em seguida determinarem que está na hora de dormir. – Não dormimos há quantas horas? Quarenta e oito? Setenta e duas?

– Sim, Amy. Alguém terá que ficar à espera de Sieghart. Nesse caso, será você. A Lire e o Ryan podem caçar, como sempre. Essa pode ser a nossa última refeição por muuuito tempo!

Ryan parecia estranhamente contente.

– Elesis. Tem algo que eu preciso perguntar para Lire. Eu poderia caçar com ela no lugar de Ryan?

Elesis concordou. A equipe de busca por Daliah começaria naquele instante.

– As informações de Sieghart apontam para um possível subordinado de Daliah nesta área de guerra aberta. Eu tenho uma ideia, Elesis. – Ronan iria expôr.

***

– Você parece tão cansada quanto Amy. – Jin reparou na Lire que também bufou.

– Não é isso... Você apenas não entenderia.

Jin entendeu Lire. Segurou-se para não rir do que pensava.

– De qualquer forma, o motivo de vir até aqui foi para te fazer um pedido.

O coração de Lire disparou. Não era de Jin que gostava, mas se ele se declarasse, ela não poderia voltar a encarar o colega enquanto estivessem na mesma equipe. E não gostando de magoar ninguém, poderia ela negar o pedido?

– Eu gostaria de distância... – Jin principiou.

Então era o contrário. O cavaleiro de prata teve uma errônea impressão de que era dele que Lire gostava!

– Gostaria de distância da Grand Chase por um momento. Eu preciso conversar às sós com Amy. Você poderia dizer a todos que ajudei em sua caçada?

– Ah, claro. – Lire estava aliviada. Nem precisaria mesmo de um companheiro de caça, nunca precisou antes de conhecer Ryan, não era agora que necessitaria de um.

***

– Essa é uma péssima ideia. – Elesis foi a única a pensar assim.

– Todos nós votamos a favor. – Arme deixou Elesis fula mostrando todos com a mão erguida.

– Mas você só votou a favor porque não quis que você fosse a cobaia, Arme! – a cavaleira jogou na cara.

– Ronan já nos falou que o cara é pervertido, Elesis. Essa é a única maneira de conseguirmos a informação. – Dio não gostou da indecisão dela, perante a aprovação de todos.

Elesis não gostava de bancar a atriz e seduzir o cara em questão para conseguir informações de Daliah. Era realmente a única opção? Ela afinal preferiria torturá-lo.

– O código dos elfos é muito claro. A vida de um mero subordinado não é importante o suficiente para ser mantida em casos de tortura. Ele simplesmente desistirá de sua vida. – Ryan sabia. Se estava certo ou não, ninguém sabia.

– Vamos, Elesis. Temos pouco tempo, você tem que admitir.

– Eu concordo com a ideia. – Elesis se rendeu à maioria. – Mas faremos isso com Amy, então. Ela é a mais bonita de todas nós.

– Jin não vai deixar... – Ronan lembrou Elesis.

– No momento, Jin está caçando com Lire, esqueceu? – tentou lembrar, mas ela parecia ser a única a acreditar que Jin realmente estava caçando.

– Elesis, você sabe que temos pouco tempo! Se Arme, que parece uma criança sedutora não quer, e Amy, que é a mais bonita de todas não pode, só sobrou você! – Ronan reparou.

“Só sobrou você?”, a expressão de Rey deixava claro seu pensamento. Não bateu em Ronan. Ronan não era “Dio” o suficiente para merecer um tapa dela.

– Quer dizer que para você eu só sou uma criança? – Arme pisou no pé do Ronan de nervosa.

– Calma, calma, não foi isso que eu quis dizer. – Ronan recuou seu corpo sem tirar o pé do solo e levantou suas mãos chacoalhando-as em sinal de desaprovação.

O friozinho na barriga de Arme não parecia ser apenas provocado pelas palavras de Ronan. Realmente esfriava de repente. Por que será?

– Ninguém aqui parece gostar desta sensação. – Zero enfim abriu a boca. – Já está na hora de nos decidirmos.

– Está bem. Eu vou. Arme, deixo tudo nas suas mãos.

– Pode deixar, Elesis. – Arme preparou o figurino de Elesis. – Para começar, não seja tão bruta. Talvez conforme o tempo se passar, ele goste de brutalidade, mas chegar lá e já ficar assim vai passar uma má impressão. Precisamos tirar essa armadura, e a espada vai ter que estar escondida no meio de sua roupa. Para isso, porte uma espada básica de madeira. Sei que uma de madeira já é suficiente para você intimidar a todos!

***

– Já te falaram o quão ardente seus olhos penetram em um coração? – Uma voz interrompeu a música de Amy que procurou pela pessoa. – Estou aqui, moça.

Amy encarou. Aquele rapaz era magro demais. Não era atrativo. Mas era legal, simpático e estranhamente diferente dos outros.

– Amy está acostumada a elogios. Não pense que fará de mim sua namorada. – virou o rosto por um instante, como se fosse “difícil”. Enfim sorriu mostrando estar interessada: – Qual é o seu nome?

– Eu sou Azin. Cheguei aqui porque sinto necessitar deste lugar. Só que... Seria o destino agindo para que a conhecesse?

– Eu também sinto a necessidade de estar aqui, mas... Vai muito além de nós dois. Assim que meus companheiros chegarem, você pode ter uma ideia.

Ah, é claro. Como Azin foi idiota imaginando que ela não tinha “companheiros próximos” para cuidarem dela. Não iria se render. Seria diferente desses companheiros e seria o único com quem Amy gostaria de ficar. Para isso, precisaria surpreender!

Usou sua técnica de cavaleiro de prata. Arrastando seu pé em rápidos giros cortava o que via pela frente. Tudo o que foi cortado ele reuniu em sua mão o mais rápido que pôde, para realmente impressionar!

– É lindo. Muito obrigada. – Amy se encantou com o buquê mais completo e diversificado de flores, com lindas flores embutidas aqui e ali.

Algo estava à espreita. Azin sabia que olhos sedentos por sangue o encaravam, mas a moita escondiam o dono do olhar. Era a chance para impressionar Amy por completo, provando ser forte para combater monstros selvagens!

***

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– Elesis, você está linda! – Ronan estava boquiaberto.

– Jóinha, jóinha! – Ryan não pôde acreditar.

“Hunf”, até Zero não ficou calado.

“Eu acho que exagerei no visual dela. Ronan não tem olhos para mim!”, Arme simulou choro num canto para não chamar a atenção e descarregar sua frustração.

– Iniciar missão! – Elesis estava enérgica.

Entrou na casinha indicada.

Enquanto Ryan, Ronan, Arme e Lin espiavam Elesis por uma grande janela de aspecto tradicional e oriental, Lass, Rey, Dio, Lupus e Zero se aconchegavam na moita para esperar o resultado da tal missão.

Uma parede se quebrou de fora para dentro da casa.

– Alguém pediu entrega à domicílio?

“E eu a alertei para não demonstrar brutalidade”, Arme fez um “facepalm”. A situação exigia aquela reação!

Elesis estava cheia de bebida por todo o seu corpo. O homenzinho que era tão redondo quanto uma gosma (só que com braços e pernas) parecia estar mais para lá do que para cá, com todas aquelas garrafas de bebida por ali.

Toda a delícia que Elesis representava para o homem estava à mostra. Ele babava como um bebê à procura dos seios de sua mãe... Hm, seios, Elesis parecia ter muito isso! Eles chacoalhavam para lá e para cá a cada passo. Estava indo à loucura!

– Eu posso ser sua. – falou sua voz tímida. Não pôde simular tanto ao ponto de realmente ficar vermelha, mas já estava um tanto convincente.

– E quanto é que vai me custar? – babava ainda mais, por puro tesão.

Elesis colocou aquele rosto no meio de seus seios e enfim respondeu:

– Apenas uma informação. Conte-me tudo o que sabe sobre Daliah, para que eu possa repetir a experiência de hoje com uma companheira elfa. Soube da fama dos elfos...

– São realmente bons. Tudo bem. Se é a localização que você quer, ela estará fora amanhã. Há poucos quilômetros, no norte. É uma de suas últimas noites de reunião para que tome o reino de Karuel para ela. Tudo será feito daqui a cinco horas. Depende do quanto durarem os preparativos da reunião, também. Assim que ela retornar, garanto que ela estará ansiosa para te conhecer. Vou marcar uma hora. Mais alguma coisa?

– Sim. – Elesis levantou sua saia e passou uma de suas mãos pela perna. – eu odeio tarados.

E a mão, que havia pego a espada de madeira, arremessou o homenzinho tão longe que o fez desmaiar, parcialmente por conta do ataque, parcialmente por conta da embriaguez.

– Eu realmente odeio tarados! – Elesis estava nervosa por estar cheia de bebida revestindo seu corpo. Pegava sua pesada armadura para se mover como costumava, e enrolava todo seu lindo e longo cabelo para vestir um de seus elmos guardados magicamente por Arme.

Nojo era o que sentia daquele homem. Graças a Deus estaria longe dele agora. Nem soube por que aceitou se vestir daquele jeito.

– Se Daliah estará por perto daqui a cinco horas, deve estar dormindo por aqui. Vamos nos separar nos pontos certos e procurar por ela. Lass, você será o primeiro. Vire à direita. Todo o resto continue correndo em frente até eu mandar separar. Nos encontramos em duas horas, próximo do tempo combinado, onde Amy está atualmente.

Depois de Lass, foi Ryan quem se separou, agora pela esquerda. Ryan continuou correndo por um certo tempo, mas assim que teve a certeza de estar sozinho, desviou-se do caminho.

– Então você não me deixou por último por acaso, Elesis. Eu não tenho muito o que falar. Apenas pergunte o que tanto quer. – Zero cortou rodeios.

– Você tem as técnicas da família Sieghart. – Elesis parou de correr para indagar e prestar atenção na resposta. – Como você as adquiriu? Você conhece o meu pai?

– Há algum tempo, Elscud me treinou em Elyos. Elscud pode ser o tal pai que esteja procurando, mas não tenho nada a acrescentar sobre ele. Nunca mais vi nosso pai.

– “Nosso pai”? – Elesis estava confusa.

– É forma de falar. Eu sou mais velho que Elscud. Mas ele foi o pai que nunca tive.

Elesis sentia uma pontinha de ciúmes, mas não poderia descontar em Zero não. O garoto era legal, mesmo sendo um tanto introvertido. O que Elesis não suportava era que ele usava uma maldita máscara o tempo todo.

***

– Não era um monstro selvagem? Me desculpe, Jin. – Azin estava triste por atacá-lo.

– Jin, pare de revidar! Ele não é nosso inimigo. – Amy implorava.

– Eu o conheço, e sei bem o que ele é! – Jin agia sem medir palavras e socos por duas razões. Uma, a Amy. Outra, a personalidade que Azin mostrara ter há muito tempo.

Azin era socado. Era socado. Estava apenas aceitando toda a dor. Não demorou muito para seu nariz escorrer sangue.

– Por que... Por que não revida? – Jin questionou ao som de um pulmão em árduo trabalho. Falava pausadamente de tão forte que sua respiração estava.

– Eu posso sim ser bipolar, Jin, mas desde nossa luta sinto o futuro que poderia ter trilhado ao seu lado. A reconstrução dos cavaleiros de prata, talvez. Jin... Eu lhe devo desculpas.

– Eu não aceito suas desculpas. Apenas pare de tentar se meter em minha vida. – Agora desculpou Azin, mas não desculpou a atitude bulinadora dele perto de Amy. A partir deste ponto, toda a briga era gerada apenas por ciúmes.

– Puxa, Jin. Você é mesmo um ignorante. – Amy estava muito brava, e chegou para acolher Azin. Iria fazer o tal “quase nada” sobre curativos que sabia (estancar o sangue) para no mínimo dizer que tentou ajudar Azin.

As palavras de quem mais amava se revoltaram contra ele. Deveria refrescar a cabeça, longe dali, ainda que tivesse uma desconfiança em Azin.

***

Jin, caminhando entre as árvores, viu Lire, e estava pronto para começar a ajudar com a caça, por mais estranho que seus socos pudessem ser para garantir carne.

Esteve, contudo, preso a um dilema: aparecer ou não aparecer? Havia mais alguém ali, então seria melhor esperar a pessoa se manifestar, para saber se era adequado aparecer para Lire, ou não seria?

Lire também notou que não estava só. Além de Jin que nem imaginava estar tão perto, notara ao olhar para frente uma sombra maior que a sua. Alguém estava atrás dela?

– Jin, e o amor como...? – começou uma pergunta se virando e notando que quem estava por trás não era Jin.

O verdadeiro Jin espiava o olhar de apreensão daquele que estava atrás de Lire.

– O que é? – Ryan quis saber.

Lire desviou o olhar, largou a carne que carregava no mato e colocou seus dois dedos juntos num sinal de extrema timidez.

– Se você prometer não contar, eu acho que Jin gosta de Amy.

Ryan entendeu errado a pergunta incompleta de Lire? Era melhor tirar a limpo a história toda.

– Ah, então você não ama Jin?

O olhar desviado de Lire focou nos olhos de Ryan, que parecia de repente ter crescido demais perto dela, que continuava pequena. Estava tão vermelha que nem a noite foi capaz de esconder sua coloração.

– Na verdade, não.

Era a resposta que Ryan precisava saber para continuar o que almejava, chegando ali e escapando da tarefa que Elesis deu.

Ryan se aproximou como nunca de Lire e curvou-se, sobretudo com a cabeça, para baixo fazendo algo rápido e simples. Um beijo. Um beijo e tudo acabou como começou: rápido.

A reação instintiva de Jin de dizer “uau” mais alto do que devia quando viu a aproximação dos dois foi cortada por uma outra reação instintiva tão escandalosa como a primeira. Soltou um “ai” tão alto, expressando o quão insatisfatório achou que o beijo pareceu. Tão alto, que chamou a atenção da dupla de elfos.

– Quem está aí? – Lire tremeu de vergonha.

Após um longo período de tempo sem resposta, Ryan teve que enfim se explicar:

– Me desculpe, foi muito precipitado. Eu só...

– Tudo bem. – Lire interrompeu sem soltar o “cala boca e volta a me beijar” que tanto queria ter soltado. Com vergonha, apenas mostrou que aceitava.

– “Tudo bem?”. – Ryan não acreditava no que ouvia.

– Eu não quis parecer rude, eu só...

– Não me pareceu rude, eu pensei que você odiaria, mas “tudo bem” significa “sem problemas”, não é? – Não acreditava que Lire estava ali, sem dar um tapa como quando entrou nas termas caindo em cima dela.

– Significa, sim. Eu nem sei o que dizer.

– Eu com certeza quero dizer e sentir muita coisa, mas depois deste “ai” que alguém soltou eu quero mesmo é saber o que faremos. – Ryan estragou o clima.

– Se for alguém da Grand Chase, vamos nos certificar que ninguém além dele saiba até que tenhamos mais confiança um no outro. – falou mais para cobrir sua própria vergonha do que por imaginar que Ryan tinha a mesma falta de confiança. – Se não for, significa que não vamos ter que fazer alguém guardar segredo.

– De acordo. Eu não sei como lidaria com a situação. – Ryan concordou.

Voltaram, como se nada tivesse acontecido, para o lugar combinado, onde todos já estavam reunidos – inclusive com um membro não-oficial novo, Azin.

Jin conversava com Lass e Ronan.

“Aí, ao invés de falar 'cala boca, me beije logo!', Lire simplesmente perguntou quem a espiava. Resumindo, é o casal de introvertidos da Grand Chase”, Jin fez a piada sem saber que os dois chegaram por trás dele.

Faltavam poucos minutos para finalmente o tempo certo chegar, da reunião ali, e estavam todos tensos.

Quanto à Lire e ao Ryan, não poderiam mais chegar por trás de Jin tapando a boca dele e arrastando por aí pedindo para guardar segredo. Uma vez que não era mais segredo, Lire só queria uma resposta:

– Se todos sabem, significa que não preciso mais me conter em pegar na mão que sempre sonhei em pegar?

– Na suada mão. – o tenso Ryan respondeu afirmativo, e finalmente pegaria na mão de Lire como uma namorada, agora sabendo que o coração dele sempre foi dela.

A atenção de todos foi direto para uma nova pessoa, que aparentemente também deveria estar ali. Mais tarde se apresentaria como Holy.

Na falta de Sieghart e Mari, o horário do encontro que chegou ao fim criou uma forte luz que dava início à apresentação do motivo de ali terem sido convocados.

Lire e Ryan também tiveram que prestar atenção, justo quando seus níveis hormonais chegaram ao ápice. Jin mal conseguia focar no objeto iluminado agora que Amy havia xingado ele duas vezes – uma por ser malvado com Azin, outra por falar de Lire e Ryan antes de pedir consentimento.

No meio da Grand Chase em seu estado final, com mais enrolações – romances, novos membros, ausência de Sieghart, Mari capturada – do que nunca, a madrugada mais longa estava prestes a começar.