Grand Chase Heroes

31 Capítulo 29 - Elesis vs. Cazeaje!?


– Você parece o “Gorgos Vermelho”, mesmo que seja roxo. Venha. Desta vez estarei preparada para enfrentar seus truquinhos sujos.

Toda aquela força de vontade provinha de um único acontecimento. O medo que superou poucos meses antes, no calabouço de Gorgos.

***

“Eu sempre sou a fraca que fica para trás. Eu só pude distrair Wendy, eu só pude distrair orcs, eu só pude diminuir o número de harpias. Nada em mim é eficiente a ponto de acabar com tudo, de salvar as companheiras que me salvam todos os dias! Eu só posso... Eu só posso desistir”.

– Nem pensar que vou desistir! – gritou Lire, mais enérgica e estranhamente com sua voz ainda mais bruta que a de Elesis, parecendo até um pouco masculina.

Lire deslizou não só fugindo das chamas do Gorgos Vermelho, mas também notando a direção em que ele se movia para chegar exatamente abaixo de onde o dragão estava. Observava também em que parte do Gorgos a Elesis estava montada. Era aproximadamente no meio de seu corpo.

– Chuva de flechas! – criou Lire, direcionando várias dezenas de flechas no corpo de Gorgos acima. Todas elas perfuraram a pele que parecia impenetrável e mais: elas passaram pelo corpo bem à frente de onde Elesis estava montada, sem atingi-la.

Assim que passaram por todo o corpo e saíram dele, as flechas começaram a fazer um movimento circulatório parecido com aquele das penas das harpias. Agora as flechas eram teleguiadas. Lire chamou isso de:

– Tempestade de flechas!

O Gorgos, que estava perdendo a direção de voo após a chuva de flechas, caiu agora que foi atingido por todos os lados por flechas teleguiadas – o verdadeiro dom de uma elfa. Mais uma vez seus olhos não estavam possuídos.

***

– Daquela vez eu superei meu medo. Dessa vez, vou evitar mostrá-lo. Vou passar por cima dele antes que tome conta de mim, mesmo que seja por um único segundo.

– Conveniente. – Gorgos falou. – Pode vir.

Lire não tremeu. Mesmo sendo uma arqueira, arriscou metendo-se mais perto do inimigo do que deveria.

A garra do Gorgos se adiantou na tentativa de não falhar em ferir a arqueira, mas ela se precaveu tanto que conseguiu pular nela e então subir no inimigo.

“Se não me engano, Elesis tentou domá-lo subindo nele. Nesse caso, ele começará a voar descontrolado tentando me derrubar”.

– Voe, bichinho, voe!

Gorgos riu por ser chamado de “bichinho”. Atenderia as preces de Lire sem nenhuma reclamação, mas também se certificaria de fazê-la se arrepender do pedido.

Gorgos alçou voo. Era mais rápido que o Gorgos Vermelho, também. Logo já estava em uma grande altura. Suas duas garras comprimiram a própria pele onde antes estava Lire, que agora escapou para cima da própria garra. A garra jogou-a para longe. Se ela caísse daquela altura, morreria. Contudo, a garra fez ela ir um pouco mais alto do que o próprio Gorgos se encontrava. Era a deixa para ela continuar seu plano. Atirou uma flecha no altíssimo teto sabendo que agora ela alcançaria lá e a corda que estava pendurada nela possibilitou que ela ficasse em suspensão no teto.

Começou seu ataque de longa distância via “modo saraivada”. Isto é, toda vez que Gorgos se aproximava tomando seu ataque, era novamente distanciado e o dano tomado era pesado. Gorgos teria que pensar em uma maneira de contra-atacar!

***

– Fique um passo para trás e previna todos os ataques. Arme, você está muito enfraquecida. Chegou minha vez... Mesmo que isso signifique o auto-sacrífico em proteção a você!

Aquilo que passou pela cabeça de Arme... Sim, Ryan não estava levantando possibilidades, Ryan estava preso a ideia de que seu sacrifício era certo. Qual era a intenção dele?

– Eu não vou ser capaz de me levantar depois disso, mas sua vida não correrá nenhum tipo de perigo comigo nessa forma. Texugo, venha.

O texugo voltou a subir na cabeça de Ryan e agora colocou sua arma, a folha, na cabeça de Ryan. O fogo que atingiria os dois voltou para o basilisco.

– Transformação conjunta! – Ryan realizou com sua voz mudando constantemente, até ficar completamente monstruosa. Aquela sua nova forma... Era bem mais mítica que sua forma de “lobo”, ainda que o próprio lobo já derrotasse tudo pela sua frente.

“Ryan, o elfo prodígio”, Arme pensou ao cruzar com o olhar de Ryan em sua nova forma. Ele estava confiante. “Se é para eu me proteger, e julgando que ele está certo... Deixarei proteger-me. Bem... Acho melhor criar uma barreira de proteção. Ela não gastará minha magia se eu estiver constantemente reunindo-a”. Arme começou seu habitual ritual: “espíritos do fogo...” e assim foi.

Somente agora ambos repararam. Onde estava o troll morto? Ele simplesmente... Sumiu!

***

Gorgos entendeu a astuta jogada de Lire, de prever movimento lançando o ataque numa direção diferente daquela que gostaria, esperando acertá-lo em pleno voo. Sendo que tudo funcionava, o certo seria zigue-zaguear em intervalos irregulares, assim nenhum padrão poderia ser descoberto. Estava pronto para voltar à ativa.

A flecha de Lire passou raspando enquanto ele se aproximava. Já no outro lado, passou longe da flecha seguinte. Ambas as flechas, que acertaram o chão, quebraram o próprio chão que se auto-regenerou em segundos.

“As flechas começaram a fazer um movimento circulatório parecido com aquele das penas das harpias. Agora as flechas eram teleguiadas”, Lire lembrou da primeira vez que lutou com Gorgos. Deveria mais uma vez aplicar o uso da tempestade de flechas. Usando o pouco controle que tinha daquela distância enorme, entre o chão e a terra, fez com que todas suas flechas de saraivada pegassem Gorgos.

Gorgos acertou o local onde Lire estava no mesmo momento que ela acertou outra flecha em uma das paredes, com sua corda, movendo-se para lá. Lire fugiu de Gorgos com sucesso e este agora caía, por ter sido atingido pelas flechas de sentido controlado.

“Isso com certeza irá matá-lo”. E Lire preparou:

Estrelas cadentes! – e as estrelas caíram sobre Gorgos, que separou seu corpo em dois. Lire não sabia como, mas ele não perdeu nadinha de sangue!

***

Ryan sob aquela forma, a qual Arme já foi informada de ser chamada de “Nephirim, o caído”, lutava bravamente com o basilisco. Mesmo após tanto combate, não tinha um arranhão sequer.

– Vou ficar te devendo essa, Ryan. Graças a você meu poder mágico está quase restaurado.

“Eu digo isso, mas o poder mágico não era meu único problema... Minhas feridas, aliás, não desapareceram”!

O basilisco estava cansado das inúteis tentativas de batalhar à longa distância. Avançou tentando abocanhar o Nephirim. Ryan não deixou. Segurou com suas pesadas mãos a boca fechada do grandalhão que o arrastava por metros. Arrastou até o momento que Ryan se chocou à barreira-mágica de proteção de Arme. Aproveitou que não conseguiria ser arrastado mais e pegou seu inimigo.

Levantou-o, chocou com o chão. Levantou, chocou com o chão. Girou e fez ele parar longe ao arremessar. Agora que ele estava caído, poderia dar o ataque fatal. Seu projétil de luz, verde e curto, foi se alinhando no ar até colidir com o basilisco, que ficou partido em dois. Repentinamente, o basilisco sumiu.

– O que aconteceu? – Arme indagou enquanto ainda reunia energia, agora com sua barreira desativada e prestes a ver qual era o estado de Ryan.

Simplesmente sumir... Nenhum momento perdendo sangue. O que era aquele basilisco, afinal?

***

Elesis também estava prestes a lutar.

– Você é quem está por trás de todos os soldados, não é? – Elesis contentou-se ao notar que aquele que enfrentaria tinha várias engrenagens. Era como um robô também, mas aparentemente através de energia mecânica transportava algum outro tipo de energia para o funcionamento dos outros guerreiros de Cazeaje.

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Lembrando que Arme explicou que os monstrinhos de estimação da Grand Chase se cansavam rápido e deveriam ser mantidos em outra dimensão com a magia de armazenamento, Elesis fez o seu retornar ao seu mundo. Era realmente um cogumelo muito engraçadinho, e decidiu chamá-lo de “Pepe”.

– Pepe, destrua aquela engrenagem principal. – Elesis pediu. – Mas não seja precipitado. Apenas siga a minha deixa.

– Destruir a engrenagem principal? – falava o inimigo de Elesis. – Como se eu, Kacaro, o aliado de honra de Cazeaje, fosse deixar.

Kacaro, era o nome? Era muito, muito diferente! Seus movimentos eram sempre iguais e mesmo enquanto Elesis não chegava perto ele – ou ela, sabe-se lá o que era! – permanecia atacando. Era realmente um robô, algo movido à inteligência artifical, composto de movimentos regulares apenas e muito previsíveis. Contudo, era rápido, forte e seu material parecia resistente.

– Nenhum desafio estaria menos “à minha altura”.

Elesis meteu-se no inimigo. Escapou do ataque se movendo na mesma direção dele, já decorou mesmo com tanta facilidade o seu estilo. Deu início a uma série de estocadas que quebravam aos poucos a mão metálica dele.

– Você está me desapontando, eu sinceramente esperava mais! – Brincou. Kacaro não levou na brincadeira e começou a ativar as esferas de magia de sua cabeça para atingir por todos os lados, inclusive aqueles que seus braços mecânicos não alcançavam.

Continuava na mesma direção e velocidade rodopiando os braços.

Elesis escapou dos ataques mágicos e já havia quebrado uma das mãos.

– Agora, Pepe. – Elesis sinalizou. Com uma cabeçada, sua mascote quebrou a gigante engrenagem.

***

Os soldados que chegavam até Arme e Ryan simplesmente pararam de se mexer. Arme estranhou. “Vamos procurar Cazeaje”, Arme falou agora que seus inimigos estavam parados. Ryan não correspondeu suas palavras. Tentou falar algo, mas estava fraco.

***

Elesis continuava atacando, mas... Oh! A mão de Kacaro se regenerou? Pepe apontou algo com seus olhos.

Elesis notou o que ele quis dizer. Havia cinco portais de metal. Um deles quebrou-se assim que Pepe destruiu a engrenagem. Os outros perderam um dentre os dois selos mágicos que tinham.

– O selo mágico daquele ali... – Elesis apontou. – sumiu enquanto a mão direita de Kacaro não se regenerou, mas faltou um selo. Nesse caso, se só restou um e “este um” voltou, a cada vez que eu derrotar uma parte do corpo o selo restante ficará vulnerável. Se neste momento eu atacar o portal, Kacaro não irá se regenerar?

Elesis tentou. Sabendo que sua espada estava mais afiada que nunca, apelou aos cortes. Mas o metal de Kacaro também era duro! Atacava, desviava, pulava, cortava.

– Droga! – deixara uma das três esferas atingi-la. Passou despercebido. Aquela era a esfera amarela (dentre três – azul, amarela e vermelha) que saiu da cabeça. Elesis foi eletrizada.

Atacou constantemente sem ser atingida novamente. Estava com raiva e dor. Quebrara o braço de Kacaro por completo desta vez. Realmente, o selo restante de um dos portais se desfez. O portal quebrou ao mero tocar de sua espada.

– Não, o meu selo! – Kacaro reclamou. Pela voz, mostrava-se fraca.

– Seu selo é um misto de regeneração e movimento. Uma magia dupla, não é?

– Você é esperta, garota. Contudo, não deixarei mais encostar em mim.

“Pelo menos alguma coisa eu aprendi com a Arme... estes encantamentos hoje me parecem tão óbvios”.

Elesis escapou das três esferas. Atacou a cabeça mais uma vez. Sem a mão para dar apoio ao movimento, a cabeça era fácil de se enganar. Ela foi quebrada.

Mais um portal teve o selo desfeito, e o ataque foi instantâneo.

– Está perdido agora. – Elesis sabia. A área de acerto do braço restante era tão pequeno, que ela poderia atacar por muitos lados sem ser acertada. A cabeça também não forneceria nenhuma magia de suporte.

Quebrou. Derrotou. Quebrou o portal.

– Você parece ser o mais forte inimigo que conheci, e o lugar é o mais impenetrável de todos. Contudo, essa defesa absoluta só tem uma falha: Ela não imaginava que eu seria sua inimiga. – Elesis se achou, fazendo um “jóinha” com a mão.

Pepe apontou outra coisa. Elesis já estava se esquecendo. Havia um quarto portal e, mesmo sem destruir uma quarta parte do corpo de Kacaro, ele estava sem defesa mágica alguma. O corpo de Kacaro, por outro lado, se regenerava pouco a pouco.

Elesis quebrou o último portal. Kacaro parou por completo soltando um longo “nããããããão”.

Elesis ainda olhava os portais. Um deles serviu para acabar com os monstros, provavelmente, e desativar um dos selos mágicos do selo duplo. Outros três para evitar regeneração corporal parcial. O último, para evitar a regeneração total. Era misterioso, mas Elesis conseguiu dar conta daquilo. Afinal, só era era ela.

“Eu não me acharia tanto julgando que ainda estou aqui”, a voz masculina tornou a falar.

Elesis lembrou-se de quando Arme falou que aquela maldade impregnada na voz deveria pertencer a Cazeaje, mesmo que fosse masculina. Então era aquele o outro significado do portal restante, o último destruído. Aquilo abrira o portal para Cazeaje.

Elesis atravessou e deu de cara com alguém.

– Cazeaje? – questionou.

Só uma risada escutou-se.