Grand Chase: Dimensional Cross
3 Capítulo 3 - Restrições
Notas iniciais
Acomodados em seus lugares, os integrantes da Grande Caçada direcionaram seus olhares para Lothos, que se mantinha em pé na ponta da mesa. Ela, após passar o olhar por todos eles, respirou fundo. Tirou de seu bolso dois pergaminhos, objetos que de imediato chamaram a atenção dos ali presentes.
- A situação atual é de paz e harmonia. – começou a falar, firme e calma. – Nada além de lutas contra monstros que já perturbavam os humanos antes mesmo de Cazeaje matar o rei de Serdin.
- Aonde quer chegar, Lothos? – Amy perguntou receosa.
- Essa tranquilidade toda pode estar acabando. – abriu um dos pergaminhos e levantou-o para que todos pudessem ver. – De acordo com pesquisas recentes, o índice de magia negra espalhada no ar é 4,5% maior do que o normal.
- Ok, e isso quer dizer o que? – Ryan recebeu vários olhares e se encolheu na cadeira. – Tá, não está mais aqui quem perguntou.
- Quer dizer que houve uma elevação no índice de magia negra contida ar. – Mari revirou os olhos ao ver um druida mais confuso ainda.
- Veja bem, Ryan... – começou Arme. – Dizendo em outras palavras: mais usuários de magia negra estão surgindo.
- Oh... – sussurrou ele.
- Exatamente, Arme. – Lothos depositou o pergaminho na mesa.
- Mas se for por isso, qual o problema? – perguntou Lire.
- O problema não se limita a isso. – colocou as mãos na mesa. – Os monstros estão começando a ficar violentos novamente. Já há registros de três ataques sem motivo apenas na semana passada.
- Três ataques?! – gritou incrédula Elesis.
- Você acha possível que Cazeaje tenha voltado? – o olhar de Ronan mirou a comandante.
O silêncio se fez presente na sala. Isso apenas aumentou a tensão no ar. Sentado ao lado de Lothos, Lass encarava-a como os outros, esperando uma resposta. Seus punhos estavam cerrados, mesmo ele não demonstrando estar irritado.
- É uma possibilidade. – disse suspirando. Antes que começassem a falar, Lothos continuou. – Mas não é só por isso que estou aqui.
- Tem mais?! – Amy deu um pulo. – O que é? Uma chuva de meteoros vai nos atingir e matar todo mundo?? – Arme lançou um olhar não muito amigável para a dançarina.
- Até agora, meus meteoros não mataram nenhum humano. – sussurrou, um pouco ofendida.
- Err... – Lothos deu uma leve tossida, fazendo a atenção voltar-se para si. – Como eu dizia, isso não é tudo. – abriu o segundo pergaminho e mostrou a eles.
Nele havia a imagem de um monstro, ou uma criatura, como pensaram todos. Monstro, para eles, eram aqueles que se enfrentava todo dia. E aquele, com certeza, não era conhecido por ninguém ali, nem mesmo por Sieghart ou Dio. Parecia uma bola de pêlos com patas, dentes afiados, enormes olhos e patas de aranha nas costas.
- Isso foi encontrado há quatro dias. Ele estava roubando os viajantes que passavam pela Floresta dos Desafios. Felizmente, ninguém foi ferido. – ouviu um suspiro aliviado vindo de algumas pessoas ali. – Tentamos fazê-lo falar, mas parece que ele não entende a nossa língua.
- Talvez ele tenha vindo de uma área desconhecido. – Arme apontou para Dio. – Por exemplo, nosso companheiro asmodiano. Ele veio de outra dimensão. – Lothos balançou a cabeça, afirmando ter entendido o pensamento da arquimaga.
- É possível. – falou séria. – Mas não vamos tirar conclusões precipitadas, por enquanto. – guardou os pergaminhos novamente em seu bolso. – Como o perigo parece próximo, recebi ordens de seres superiores para não deixar nenhum grupo separado. Se forem para alguma missão, terão que ir todos. Aquele que não quiser ficar em grupo, terá que ir comigo para Serdin. – disse a última frase com um leve tom de ameaça. – Exceto Arme e Ronan, estão dispensados.
Elesis balançava sua espada de um lado para outro sem motivação alguma. Em sua outra mão havia um sanduíche mordido. A espadachim dava algumas pequenas mordidas, porém não estava realmente com fome. Surpreendeu-se assim que viu uma cabeleira negra perto de sua mão, terminando com seu lanche.
- Olá, ruivinha. – falou após enviar o resto do sanduíche para o estômago. Ela encarou-o, não muito contente.
- O que faz aqui? – ele sentou do lado dela, o sorriso de canto se formando em seus lábios.
- Não deveria ser eu a fazer essa pergunta? – como Elesis realmente não estava com vontade de discutir, apenas suspirou.
- Vim tomar um pouco de ar. Pensar um pouco. – fincou a espada no chão, observando a lâmina refletir a luz da Lua.
- “Como sou burra! Estamos a poucos quilômetros de distância da Floresta dos Desafios, então por que raios não notei essa criatura atacando os viajantes? Em que mundo eu estava?!” – tentou imitar a voz da garota, fazendo uma veia saltar na testa dela. – Era isso o que você estava pensando, certo? – sorriu de canto, irritando-a.
- Quer perder a imortalidade, Sieghart?! – arrancou a espada do chão e encostou a lâmina no pescoço dele. – Quero ver se imortais continuam vivos sem cabeça!
Num rápido gesto, o rapaz foi parar atrás da espadachim e segurou seu braço, imobilizando-a. Elesis piscou algumas vezes, tentando se recompor e, quando percebeu o que havia acontecido, começou a se remexer e quase que acerta as regiões de baixo de sua vítima.
- ME SOLTE! – ordenou, dando chutes aleatórios para trás.
- Não sou louco nem suicida, então não. – riu, desviando com facilidade dos golpes da ruiva.
- Sério, você bem que podia voltar pra Xênia! E tirar umas longas e distantes férias! – dando um forte puxão, conseguiu se livrar de Sieghart, mas as marcas de seus dedos eram bem visíveis no pulso de Elesis.
- Poder, eu poderia, mas já descansei demais. Se ficasse mais um segundo por lá, começaria a ficar entediado. – deu de ombros.
- Pois é. Idosos com mais de 600 anos não possuem muitas coisas para fazer!
- São seis séculos de pura experiência de vida e eu ainda continuo com esse belo corpo. Se fosse no seu caso, não daria nem um século e já estaria cheia de rugas, cheirando a mofo e com pelancas pra todo lado. – Sieghart saiu de lá rapidamente, antes que Elesis lhe enfiasse a espada goela abaixo.
Enquanto caminhava com as mãos nos bolsos, tentava abafar o riso sempre que se lembrava da expressão irritada da ruiva. Estava do lado de fora da base, vagando pelo caminho de pedras construído em volta dela e que adentrava alguns metros na floresta ali perto. Havia alguns pares de bancos de pedra na esquerda e na direita, enquanto que na frente do prédio ficava a fonte, onde Elesis estava. Sieghart andou por mais uns minutos antes de esbarrar com Lass.
- Foi mal. – desculpou-se, mas não recebeu resposta. – É, a GC não mudou muito desde a última vez que nos reunimos. – suspirou, dando um leve tapa nas costas do ninja. – Se não tiver nada pra fazer, vá falar com a Elesis. Ela parece precisar de alguém pra conversar. – Lass olhou-o e arqueou uma sobrancelha. – Eu já tentei falar com ela, mas aquele monstro quase me arrancou a cabeça. – o garoto de cabelos prateados balançou levemente a cabeça, num sinal de ter entendido o que Sieghart havia dito.
Elesis, estando em pé na frente da fonte, erguia seus braços aos céus e sussurrava palavras que, se fossem objetos sólidos, estariam rodeadas de uma intensa aura assassina.
- Deuses, devolvam-me a paz e a tranquilidade que antes eu tinha! – implorava. – E me deixem matar esse maldito idiota sem-noção do Sieghart! – esbravejou, dando um soco no ar.
- Quanto ódio, hein. – Elesis deu um pulo assim que ouviu a voz do retalhador.
- Quer me matar de susto?!
- Você é que estava distraída, não tenho culpa. – falou calmamente.
- Que seja. – sussurrou, sentando na beirada da fonte.
- O que houve? – sentou do lado dela, olhando para o céu. – Você não está normal.
- Sieghart. – Lass olhou-a pelo canto dos olhos, abaixando a cabeça.
- Só? Você sobrevive. – comentou friamente.
- Não se ele fizer a raiva estourar minha cabeça! – gritou, lembrando-se da conversa que teve com o imortal mais cedo. – Mas, mudando de assunto, você também não parece muito bem desde que voltamos. O que está te incomodando? – a espadachim observou a rapaz soltar um longo suspiro.
Depois de pensar um pouco, Lass decidiu contar para Elesis sobre o que ocorreu naquela loja, com aquela adaga, naquele momento. Descreveu o máximo que conseguiu, mesmo com as poucas palavras que usou. A voz, os desenhos familiares, a forma que segurou aquela arma, a história que ele ainda iria descobrir sobre a adaga. Elesis ouviu tudo de braços cruzados.
- Entendo. Então você está ansioso. – balançou a cabeça para cima e para baixo, fechando os olhos por míseros segundos. – Você acha que podemos descobrir alguma coisa do seu passado com isso?
- Talvez. – inclinou-se pra frente, juntando as mãos. – Mas, não sei. Não é apenas ansiedade. Sinto também um pouco de... – sua voz falhou. A garota olhou-o, esperando que ele continuasse. – Medo. – Elesis continuou séria, sem se mover. – Nunca senti meu passado tão perto como agora. – antes que pudesse dizer mais alguma coisa, sua companheira interveio.
- Fraquejando? – sorriu de canto, num tom de deboche. – Vamos lá, Lass! Eu e você sabemos que seu passado não é o mais limpo de todos, mas nunca saberemos da verdade se não formos atrás. É natural sentir medo, receio, então erga a cabeça e não pare agora. Eu vou estar do seu lado caso precise de um ombro amigo! E lembre-se: você não está sozinho. Todos da Grand Chase estão com você. – seu sorriso mudou para um mais motivador, mais otimista.
Lass deu um pequeno sorriso. Elesis podia ser a criatura mais violenta e perigosa que já conheceu, porém era uma boa amiga e fazia loucuras por aqueles que ela amava. Uma líder meio imprudente, mas pura de coração. Era uma das poucas pessoas com quem ele conseguia desabafar, ela foi a primeira a lhe estender a mão quando se livrou do controle de Cazeaje, foi a que mais apoiou a entrada dele no grupo. Ele devia muito a Elesis.
- Já sei! – deu um soco na palma de sua mão. – Vamos falar com a Arme. Tenho certeza que ela iria adorar te ajudar. – levantou-se num pulo e saiu correndo na direção da sala de reuniões. Lass desapareceu dali num segundo, logo depois dela sumir de sua vista.
Lire, Ryan, Zero, Dio, Amy e Mari localizavam-se na sala de estar da base. Os rapazes assistiam um programa qualquer na TV, enquanto as garotas conversavam entre si, sentadas em um canto.
- EPA! – gritou o druida. – Não muda, não muda! Deixa nesse canal, poxa! – tentou tirar o controle remoto das mãos de Dio.
- Cara, ninguém aqui quer ver TV Escola. – revirou os olhos, esticando o braço e distanciando o controle de Ryan.
- Mas é um documentário sobre Entes! – balançou os braços, avançando no asmodiano.
- Ryan, você já viu isso umas cincos vezes semana passada. – comentou Zero, sentado na poltrona, enquanto observava Dio e Ryan brigando no sofá.
- Que coisa. Eles não podiam ser menos barulhentos? – Amy bufou, mas logo voltou sua atenção para Mari. – E então? Como foi em Xênia? Rolou alguma coisa entre você e o Sieg? – soltou um sorriso malicioso quando fez a última pergunta.
- Terminamos a missão no prazo estipulado. Após a conclusão desta, ficamos por lá treinando e aprimorando nossas habilidades durante as 24 horas do dia. Não contarei sobre nossos progressos, isso será visto e avaliado no campo de batalha. – Amy franziu a testa, não gostava muito do jeito que a polaris falava. – E não, não rolou nada. – arrumou seus óculos, encarando Amy séria. – Não estou interessada em relacionamentos amorosos. Entre mim e o imortal não existe nada além de amizade. – a musa chegou a abrir a boca, mas estremeceu quando recebeu um olhar mortal de Mari. – Nada. – repetiu e Amy balançou a cabeça pra cima e para baixo rapidamente, não discordando de mais nada.
- Imagino que esteja cansada. A viagem de Xênia até aqui não é fácil, por que não vai descansar um pouco, Mari? O jantar demorará um pouco para ficar pronto. – sorriu gentilmente a elfa.
- Agradeço, mas estou bem. Minhas reservas de energia se mantêm em um nível razoável e não possuo nada que chegue a limitar meus movimentos neste momento. – mais uma vez, a dançarina fraziu a testa. Mari suspirou, olhando para ela. – Não estou realmente cansada e não tenho ferimentos. Não preciso descansar agora. – tentou traduzir o que havia dito antes, utilizando palavras mais simples e comuns, facilitando o entendimento da garota de cabelos cor-de-rosa.
- Você bem que podia parar de falar tão difícil assim! Nem todos aqui conseguem te entender. – cruzou os braços, fazendo um biquinho.
- Calma, calma. Esse é só o jeito dela ser, Amy. – Lire depositou uma de suas mãos no ombro da mais nova. – Pedir para ela mudar seria o mesmo que te proibirem de cantar, por exemplo. Por isso, se a Mari vai mudar seu jeito de falar, vai ser por decisão dela, não porque você quase nunca entende o que ela diz.- riu.
- Estou levando sermão. – sussurrou num tom amedrontado. Logo depois, desatou a rir. – Eu entendi, eu entendi. Desculpa, Mari! – abraçou a polaris com um sorriso de orelha a orelha.
Lire e Mari sorriram, mesmo que a última tenha dado um sorriso meio tímido. As garotas ouviram um grito vindo do sofá e olharam pra lá. Ryan, que antes estava de pé estendendo o controle para o alto, agora estava na frente da TV, sacudindo-a desesperado. Zero e Dio encaravam-no com gotas na cabeça, gesto imitado pelas garotas.
- NÃO MORRA! NÃO MORRA! – gritava o druida. Apertava todos os botões possíveis, mas a televisão não ligava de nenhum jeito.
- O que aconteceu? – Amy se aproximou com as amigas logo atrás.
- Ele quebrou a nossa TV. – Dio suspirou, desanimado.
- Se ele continuar a balançá-la daquela forma, ela vai se despedaçar em poucos minutos. – comentou Lire.
Mari parou atrás de Ryan. Ele, já com lágrimas nos olhos, virou-se para ela, implorando ajuda. A garota afastou-o do objeto eletrônico e começou a examiná-lo. Depois de olhar superficialmente o problema, Mari sussurrou algumas palavras e tocou a TV. Sem demora, a imagem voltou. Podia-se dizer que ela ficou até melhor que antes.
- Obrigado, Mariii! Muito, muito, muito obrigado! – os olhos dele brilharam. Jogou-se no sofá e ficou trocando de canais, procurando a maldita TV Escola que ele queria tanto ver.
- Uau, a garota é o que? Médica de TVs? – Lire olhou para Dio e então se lembrou que os dois não haviam sido apresentados.
- Ah. Dio, aquela é a Mari. Ela é uma tecnomaga, atualmente utiliza o título de polaris. – a elfa puxou a garota de olhos com cores diferentes e a trouxe para mais perto de Dio. – Mari, esse é o Dio. Ele se juntou a nós enquanto você e o Sieghart estavam em Xênia.
- Prazer em conhecê-la. – o rapaz apertou amigavelmente a mão dela.
Mari não disse nada, apenas ficou encarando-o. Seus olhos percorreram pela face dele, pelo corpo, em sua mente fazia algumas anotações, como o fato dele ter chifres e uma das mãos dele ser bem diferente da outra. Chegando aos olhos, um brilho diferente se fez presente no olhar da polaris. Sorriu e balançou a mão.
- O prazer é todo meu.
Dentro da sala de reuniões da base da GC, Lothos estava sentada de frente para os dois jovens. O primeiro a cortar o silêncio foi Ronan.
- O que quer falar conosco, Lothos? – tentou o máximo possível não ser rude.
- Quero a opinião de vocês. Como usuários de magia, eu gostaria de saber o que vocês acham sobre o aumento repentino da taxa de magia negra. – falou séria.
- É um assunto complicado de se discutir. – Arme entrelaçou seus dedos na frente do rosto. – Pode ser tanto um mau sinal quanto bom.
- Prossiga, Arme. – pediu a comandante.
- Nem todos aqueles que usam magia negra são exatamente malvados. Ronan é um exemplo disso. Como você disse, não podemos tirar conclusões precipitadas, mas eu imagino que algo ruim está para acontecer. Além disso, ainda tem esse monstro estranho que apareceu.
- Muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo. – Ronan falou num tom pensativo. – E se elas estiverem interligadas?
- Se for esse o caso, pelo menos teremos apenas uma coisa para nos focar. – Lothos sorriu ao ver que a conversa estava tomando um rumo. – Provavelmente teremos que lutar. – o olhar dela voltou a ficar sério.
- É o que fazemos de melhor. – as duas moças olharam para Ronan, surpresas. Não esperavam essa frase dele. – É o que a nossa líder diria. – sorriu.
- É bem a cara da Elesis. – riu Arme.
Correndo pelos corredores, a justiceira parou e espirrou.
- Alguém está falando de mim... – ignorando esse fato, voltou a correr.
- Acho que é isso. – Lothos levantou-se, sendo acompanhada por Arme e Ronan. – Entrarei em contato assim que obter mais informações.
- Por que não janta conosco, comandante Lothos? – sugeriu Arme, sorrindo gentilmente.
- Adoraria, mas infelizmente não posso. Ainda tenho que alertar mais três grupos antes de voltar para o castelo de Serdin. – soltou um longo suspiro. Assim que os três saíram da sala, avistaram Elesis e Lass do lado de fora.
- Arme, precisamos falar contigo. – Elesis falou, desencostando-se da parede.
A arquimaga pareceu meio confusa no começo, mas seguiu os dois depois de se despedir de Lothos. Elesis explicou sobre o que aconteceu com Lass naquele dia e Arme ouviu cada palavra com muita atenção. Quando a ruiva terminou de falar, eles já estavam perto do refeitório da base.
- Misterioso. – comentou a maga. – E interessante. – sorriu. – Sabe, amanhã eu iria comprar alguns ingredientes de poções que não consegui hoje. Posso ir com vocês até essa tal loja se quiserem. – Lass agradeceu com um balanço da cabeça e um rápido sorriso. – Nós, procurando pistas do passado do Lass. Sinto-me como uma detetive! – seus olhos brilharam.
Ao abrirem a porta, os três depararam-se com todos sentados em silêncio, a comida sendo servida por pixies. Estranharam toda aquela calmaria, geralmente o almoço e o jantar eram tumultuados e barulhentos.
- Err... A Lothos já foi embora. – sussurrou Arme.
Neste momento, começou a bagunça. Toda a ordem e a paz que estavam ali foram extintas a facadas crueis pelo entusiasmo e pela fome. Muitas pessoas falando ao mesmo tempo, comidas voando pelas cabeças dos famintos, bebidas sendo derramadas no chão. Elesis olhou aquilo incrédula.
- Tenho muito que aprender com a comandante. – falou mais para si do que para outra pessoa.
Após o jantar, todos foram descansar. Alguns, claro, precisaram de um bom banho antes. Nada de anormal aconteceu depois, então ninguém teve problemas para ir dormir. A última a se render ao sono foi Elesis, que ficou esperando Jin voltar de seu treino noturno.
- Que horas pra voltar, hein. – falou, deitada de qualquer jeito no sofá. O lutador riu, sentando no pouco espaço vago. – Você precisa de um relógio de pulso.
- Pra que? Ele seria destruído durante uma batalha. – deu de ombros.
- Por que acha que eu não uso? – sorriu, sentando-se.
A conversa não se estendeu por muitos minutos. Jin levantou-se e desejou bons sonhos à ruiva, indo tomar uma ducha antes de dormir. Elesis também se retirou e, assim que pôs a cabeça no travesseiro, caiu num sono profundo e completamente vazio, sem sonho algum.
-Erros de gravação-
A garota finalmente notou a ausência do terceiro integrante do time. Uniu-se na busca por ele, que não durou nem cinco minutos. Os dois encontraram-no numa biblioteca, olhando fixamente para o livro em suas mãos.
- Zero! O que está fazendo? – Ronan se aproximou dele. – Zero? – chamou-o mais uma vez, tocando de leve em seu ombro.
- AAAAAAAHHHHHH!!! – gritou, assustando os amigos. – Meus olhos! Meus olhos! Estou cego! – cobriu os olhos, largando o livro no chão. Arme e Ronan olharam para o objeto e logo perceberam porque Zero ficou daquele jeito. Ali, aos pés deles, estava um mangá yaoi com Sieghart e Dio como personagens principais.
Autora: Ok, de onde surgiu isso? – cutucando o mangá com um palito de churrasco. – ... – pega o mangá e vai ler num cantinho.
Assistente: C-chefe! – gota. – Certo, sem pânico. Mas peraí, se ela ler aquilo talvez essa fanfic mude para uma yaoi...! – todos os personagens masculinos protestam.
Elesis: Calem a boca! – gritou. – Isso servirá para não serem tão estúpidos!
Assistente: Naquele mangá não tinha yuri também? – Elesis parou de dar um sermão para se juntar aos garotos no protesto. – Hoje vai ser um dia daqueles... – suspirou.
Dio virou-se e se espantou. Uma enorme pilha de armas e suprimentos movia-se lentamente na direção dele. No meio disso tudo, o pobre Ryan utilizava toda a sua força para empurrar todos aqueles itens. Se o pobre coitado tivesse pensado um pouquinho melhor, saberia que não é uma boa ideia empurrar várias espadas, adagas, lanças, montantes, katanas e vários outros tipos de armas cortantes sem uma proteção adequada.
- SOCORRO! – berrou enquanto jorrava sangue de suas mãos. Dio deu tapa em sua própria testa, observando tudo aquilo de longe.
Autora: Pois é, né... Devíamos ter dado algo para o Ryan se proteger. – disse, distraída.
Assistente: ELE VAI MORRER! ELE VAI MORRER! – correndo de um lado para o outro, desesperado. – CHAMEM O SAMUUUUUUU!!! – descabelou-se, ligando para o 192 enquanto tentava parar o sangramento do druida com um pano.
Quando chegaram, avistaram o grupo de Arme os esperando. Elesis e Lass estranharam a presença de Sieghart e Mari ali. Ficaram ainda mais confusos quando viram Jin e Amy chegando junto com Lire, Ryan e Dio. E, nos céus, vinha um travesti agarrado aos pés de uma harpia. Assim que ele soltou, caiu em cima de Sieghart, agarrando-o ali mesmo.
- Ei, arranjem um quarto! – falou Dio com nojo.
- NÃO FIQUEM SÓ OLHANDO! TIREM ESSE TRECO DAQUI! – tentava afastar o travesti com o pé enquanto pegava sua Soluna, desesperado.
Autora: Não adianta, Sieg. O travesti é lv. 9999999999 (...), nem você é páreo contra ele. – comendo pipoca enquanto assiste tranquilamente aquilo.
Assistente: Tenho pena dele... – comentou, também comendo pipoca. – Não devíamos ajudá-lo?
Autora: Não, não. Vamos deixar, isso ajudará nas pesquisas da Mari sobre o Sieghart. – apontou para a tecnomaga que anotava tudo o que estava acontecendo num bloco de notas.
Fale com o autor