Grand Chase: Após o Eclipse
1 A Sala Branca
...!!
Uma súbita inspiração nos meus pulmões apavora minha mente por alguns segundos, enquanto as luzes da Sala Branca vão se tornando cada vez mais nítidas. Mais uma vez, o sopro imortal devolve-me a vida.
Com um sentido ainda completamente selvagem, me viro de frente, apoiando as minhas mãos no chão coberto com meu sangue, aplicando um chute traseiro em uma figura que foi tomando forma na minha mente, na região que aparentava ser o seu estômago. A conexão do golpe trouxe uma sensação prazerosa.
A criatura agonizava com o golpe, mais parecendo soar um grito de batalha estranho do que sentir alguma espécie de dor com o movimento que eu havia feito. Aproveitando a surpresa, rolei para frente e corri pela extensa e sangrenta poça, com meus sentidos ainda se recuperando da fratura que eu havia recebido antes de tudo voltar ao preto. Não demorou para que os outros dois que estavam com ele iniciassem a perseguição.
Os espectros da provocação fatal. Mesmo sendo grandes, após ter matado centenas deles e morrido dezenas de vezes dentro desta Sala, eu podia sentir um novo sentido tomando conta de mim, mesmo dentro da inconsciência que se sente após se acabar de ter ressuscitado. Minha vitória finalmente havia chegado.
Ao meu correr pela extensa sala branca e vazia, com seu chão coberto por poças e mais poças do meu sangue feitas pelos meus executores, meu único pensamento era ganhar tempo longe dos últimos três espectros o suficiente para que minha consciência pudesse tomar a postura para derrotá-los. As armas e armaduras que antes eu equipava, agora todas inutilizadas e quebradas ao redor da Sala, não mais me protegiam dos meus inimigos. A única coisa que cobria minha pele eram as vestes com as quais cheguei aqui no início, agora esfarrapadas e cobertas de manchas secas de sangue, conseguindo cobrir apenas minhas intimidades e ao redor das minhas pernas.
Não sei por quanto tempo corri deles pela vazia Sala até que minha consciência voltasse. Quando meu instinto de fúria finalmente retornou, é como se tudo tivesse ficado muito mais lento. De repente, pude sentir de novo a energia para movimentar meus membros mais livremente. Me virei de volta aos meus inimigos e conjurei uma lâmina feita pela minha fúria. Por tantos renascimentos, não sobrevivi o bastante na Sala para que a fúria pudesse retomar seu efeito de verdade, mas agora que apenas três deles faltavam, havia acabado.
Instintivamente, desvio de um golpe diagonal e, com um simples corte para o lado, decapito o primeiro dos espectros, que tentava me abater com seu machado. O movimento pareceu mais natural do que nunca. No momento em que sua cabeça cai no chão, seu corpo vira cinzas, que desaparecem da Sala, assim como foi com todos os outros. Com o aproximamento do segundo espectro, faço um rolamento sutil para o lado e desvio de seu ataque horizontal. Ao meu ataque, pareceu como se eu tivesse todo o tempo do mundo para enfiar minha lâmina em sua garganta, fazendo-o cair no chão impotente, em um ponto bem distante na Sala Branca, onde seu corpo desintegrou-se.
Dentro daquele quase infinito intervalo de tempo entre os golpes dos meus inimigos, com um simples giro na minha espada e um passo para frente, pude ouvir por trás de mim o terceiro e último espectro —o qual tinha a marca do meu pé ensanguentado no estômago— perdendo sua mão e tendo seu corpo cortado pela metade. Eu havia vencido.
Suspirei e olhei ao redor da Sala. Originalmente branca e vazia, as manchas do meu sangue preenchiam boa parte do lugar. "Esse é o poder de um highlander?" Pensei para mim mesmo. O treinamento dos highlanders finalmente havia terminado, e a porta oculta da Sala Branca dos Highlanders finalmente se abre de volta.
—Uau.
—Que incrível! —Torceram Lin e Jin, sentados com os outros membros da Grand Chase ao redor da fogueira acesa em algum lugar dentro da floresta dos arredores de Serdin.
—...E quanto tempo você passou naquela sala? —Perguntou Ronan, parecendo espantado com a história.
—Não se tem muita noção do tempo naquele lugar. Era sempre a mesma luz, toda hora. —Respondeu Sieghart, com o tom relaxado e sorridente de sempre. —Se eu fosse chutar... Algumas semanas, eu diria.
—Pra mim, é tudo um bocado de lorota. —Murmurou Elesis, concentrada no peixe que comia.
—Acredite se quiser, ruivinha. —Respondeu Sieghart, com um tom infantil. —É como os highlanders faziam. “O que os humanos chamam de inferno, os highlanders fazem pra treinamento”.
—Isso explica por quê você não gosta de treinamento. —Falou Lire, rindo baixinho.
—Bem, pra ser justo, nunca foi minha praia mesmo. —Sieghart riu de volta.
—Então... Pela metade disso daí, você ficou lutando pelado? —Perguntou Jin, parecendo interessado com o estilo de treinamento.
—Por aí. Pode deixar que da próxima vez eu levo você junto comigo. —Sieghart ironizou.
—Acho que ele iria preferia ir com a Amy... —Ryan retrucou maliciosamente, fazendo todos rirem, constrangendo Jin visivelmente.
—Nem sei do que você tá falando... —Respondeu Jin, nervoso, visivelmente vermelho de timidez e irritado com o druida.
—Humm... —Amy respondeu docilmente, com seu timbre sempre suave e energizado, do jeito que apenas ela possui. —Parece ser divertido. Mas eu não quero rasgar minhas roupas desse jeito! Vamos ter que fazer em intervalos. O que você acha, Jin? —Amy pergunta enquanto encosta sua cabeça sob o ombro do cavaleiro de prata, olhando-o com felicidade e admiração ao lutador.
—Bem, é, eu...
Jin estava prestes a responder algo dentro de seu nervosismo até perceber uma pergunta vindo de Mari, que prestava atenção à história contada por Sieghart desde o início, com seu rosto levemente arqueado para baixo.
—Mas a tecnologia dos highlanders foi destruída há muito tempo atrás... não é, Ercnard? —Mari olhava para o chão, levemente ruborizada, como se seus olhos quisessem se encontrar com os do imortal.
Jin aproveitou o momento para se livrar da situação em que havia sido posto.
—Nós sabemos, nós sabemos! Puxa vida, Mari. Tanto tempo com a gente e você ainda não é muito boa com piadas. —O grupo riu amigavelmente. Depois de tantas batalhas, a equipe havia se tornado, de fato, uma família. Outros assuntos foram tomando conta da fogueira, mas Sieghart e Mari ainda estavam na mesma página.
—Hum. —Sieghart respondeu com um som. —Acho que aquela sala não existe mais mesmo. —Os olhos do imortal se dirigiram aos da arquimidiana, que retribuíram o olhar. A conexão gerou uma sensação prazerosa. Mesmo sendo uma energia tão forte vindo daquela troca de olhares, apenas os dois conseguiam sentir aquilo. Era bom. Sieg ia dizer algo a mais, quando Lass chamou ao grupo.
—Bem, devemos dormir agora. —Lass falou, esticando o pescoço. —É melhor levantarmos cedo se quisermos chegar a Serdin na hora e não sermos mortos pela Lothos.
—Eu concordo. —Secundou Elesis, sorridente e ainda vigorosa líder da Grand Chase. —Vamos nos recolhendo, pessoal, para fazermos... seja lá o que a comandante queira que façamos amanhã.
Dito isso, os vitoriosos membros da Grand Chase foram se espalhando e se recolhendo pela fogueira, banhados pelo bonito e estrelado céu que cercava a floresta de Serdin. Todos admiravam o céu, aconchegados em seus lugares e conversando baixo uns com os outros.
—Eu me junto a vocês depois, preciso ir ali fazer xixi. —Sieghart falou ao seu grupo, andando para longe na floresta e podendo ouvir a reação de Arme e a risada dos outros.
—Já falei que não precisa dizer que vai fazer isso! —Arme reclamou ao imortal, constrangida.
—Qual é! Ordens da líder! —Retrucou Sieghart, rindo e sumindo pelas arvores.
—Eu também volto depois. —Disse Mari, pedindo licença a seus companheiros e seguindo o caminho que Sieghart havia tomado.
...
Notas finais
Muito obrigado por acompanhar este capítulo! O próximo capítulo deve sair na próxima semana. Por favor, diga o que achou da história e deixe sua opinião! Será de grande ajuda para mim. Te vejo por aí.
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