Grand Chase, A Verdadeira História
7 Capítulo Seis – A Rota Traçada para Gaicoz!
Capítulo Seis – A Rota Traçada para Gaicoz!
Após dormirem e recobrarem as forças, o grupo se reuniu novamente no salão. Eles conversavam sobre como iriam agir, por onde e suas estratégias. Depois com o breve encontro com Cazeaje, ficou bem explicita a diferença de seus níveis. Eles precisariam treinar muito para chegar ao ponto de conseguir derrota-la.
Lire: Ok. Ela disse algo sobre os mortos levantarem, portanto, temos que passar pelo Cemitério. – Ela colocou uma pequena marca em um mapa de Vermécia que estava sobre a mesa.
Elesis: Sim. Também disseram que tem um monstro enorme e perturbador pelo caminho, portanto pegaremos a trilha que passa pela área. Disseram que é um pântano. – Quando ela terminou de dizer, Arme estava suando frio.
Arme: P-Pântano? – Perguntou preocupada.
Elesis: Sim. Os cidadãos de Canaban o chamam de o Pântano Esquecido. Dizem que quem vai lá, jamais retorna. Era uma rota comercial, até a chegada de um enorme monstro que transformou o local em um pântano. Depois, passaremos pelo Cemitério dos Mortos. Logo à frente, temos uma Cidade Abandonada. São ruinas de uma cidade anã antiga, não deve apresentar nenhuma dificuldade. Logo a frente, se encontra o Castelo de Gaicoz. Devemos chegar lá por volta de três dias.
Ryan: Porque tanta volta?
Elesis: A cidade abandonada é segura e curta. Não quero correr o risco escalando montanhas para chegar ao mesmo destino. Só teremos problemas mesmo no pântano e no cemitério.
Arme: Bem, se os mortos estão voltando à vida, como os cidadãos de Canaban dizem, deve existir algum tipo de necromante ou algum Lich por lá.
Elesis: Lich? O que é isso?
Arme: É um monstro lendário. É um inimigo que lembra um humano, mas em tamanhos desproporcionais, ele conjura magias elementais e ressuscita os mortos. Mas acho muito, muito difícil ter um desses por aqui. Se tiver, devemos nos precaver ainda mais com relação à Cazeaje.
Lire: De qualquer forma, acho que já é hora de partirmos. A cada minuto que passamos, piora.
Ryan: Concordo com Lire. Devemos ir agora. – Ele olhou pra ela sorrindo, ela respondeu com um sorriso tímido.
Elesis: Bem, então vamos. Já soube dos guardas da fronteira de que tem movimentação na floresta.
Ao terminarem de decidirem e chegarem a melhor conclusão, o grupo partiu para o pântano. O começo da viagem foi bem tranquilo, algumas gosmas e goblins, nada que apresentava dificuldade. A viagem começou a dar suas caras na entrada do pântano. O cheiro de carniça, pútrido e forte acossava suas narinas.
Elesis: O Pântano Esquecido... Tem certeza de que ninguém jamais fez o caminho de volta?
Lire: As pessoas da redondeza dizem que todos foram devorados por um monstro.
Arme: Elesis, por favor, vamos embora! Odeio lugares com esta reputação!
Lire: Esta neblina e esse cheiro pútrido não ajudam também.
Elesis: Este cheiro deve estar vindo destas gosmas. – Ela apontou para algumas gosmas diferentes. Eram mais verdes e opacas, com lama na parte de cima da cabeça. Além destes tinham esporos gigantes e sapos de tamanhos desproporcionais. Pareciam mutações genéticas.
Elesis tomou a frente e sacou a espada. Ela investiu nas gosmas. Quando cortou uma, percebeu que a dificuldade não mudara tanto, mas quando menos percebia, uma nuvem toxica se formou do corte da gosma. Na medida em que a fumaça ia saindo do corpo da gosma, ela ia ficando novamente transparente, até se dissolver como de costume. Quando Arme sentiu o cheio da névoa, ela fez uma careta.
Arme: EEW! Sai! Não chega perto de mim, coisa gosmenta! – Ela jogou uma bola de fogo que foi o suficiente para explodir o monstro. Mais da névoa malcheirosa e tóxica saiu.
Lire começou a perceber que seu corpo ficava pesado e ficava tonta por entre o cheiro que exalava, parecia um veneno que se transmite pelo ar, entorpecendo seus sentidos. Ela passou a perceber que suas flechas iam cada vez mais fracas, junto com as magias de Arme, os golpes de espada de Elesis e os movimentos de Ryan.
Lire: Pessoal, vamos encontrar logo quem comanda estes monstros, não podemos combatê-los por muito tempo.
Ryan: Lire tem razão, parece que quanto mais tempo ficamos por entre estes inimigos e estas névoas, mais ficamos fracos. Vamos logo.
Eles se reagruparam e começaram a correr, Elesis e Ryan abrindo passagem na linha de frente, cortando as gosmas. Após andarem alguns metros, sua passagem foi bloqueada por um esporo tóxico e alguns sapos venenosos. Os sapos eram do tamanho deles e verde, com algumas listras pretas nas costas, mostrando a pele venenosa. O esporo era um cogumelo grande, do mesmo tamanho do sapo, com alguns fungos entre o tronco e espinhos no topo, por cima da cabeça roxa.
O esporo rugiu para cima deles, arremessando alguns espinhos logo em seguida. Os espinhos eram rápidos e precisos, quase todos atingiram, mas a armadura impediu-os de chegarem ao corpo. Elesis conseguiu cortar o esporo com facilidade, Ryan fincou seu machado em um sapo e continuaram andando. Na medida em que iam avançando, o cheiro ficava mais forte. Eles começaram a ficar tontos e mais lentos.
Lire: Meu deus! Quanto tempo demora? Não aguento mais.
Ryan: Aguente firme, Lire. Vejam! – Ryan apontou para frente, uma clareira se aproximava.
Ao chegarem à área clara, eles viram o tal monstro. Elizabeth. Estava sentada de frente a uma árvore, comendo as folhas. O cheiro ficou extremamente forte. Eles mal conseguiam ficar em pé. Elizabeth era um tipo de troll gigante, mas com espinhos nas costas e na mão, segurando uma marreta de madeira grande. Ela tinha alguns símbolos vermelhos no braço, pareciam tribais ou miras para arco e flechas.
Elesis: Este cheiro está me dando tontura.
Lire: Eu acho que é este monstro é a fonte do cheiro!
Arme: Minha cabeça está rodando, não vou conseguir usar magias!
Lire: Arme, foco! Fique comigo! Não podemos deixar abater!
O monstro percebeu a presença deles, levantando e rugindo em sua direção. Ele levantou sua marreta e começou a correr em direção ao grupo.
Elesis: Está vindo!
Quanto mais perto o monstro estava, mais forte o cheiro ficava, isso fez Arme desmaiar e Lire ficar fraca, sendo forçada a se ajoelhar. Ryan quase não conseguia levantar seu machado. Elesis foi a única treinada a lutar sem precisar se concentrar em cheiros a sua volta, portanto era a única que poderia lutar com ele.
Elesis: Ryan, consegue se transformar?
Ryan: Não por muito tempo.
Elesis: Então me consiga tempo, para eu levar as meninas para um local seguro.
Ele afirmou com a cabeça e se transformou. Ele parecia ter se regenerado por um tempo, mas ninguém lembrou que os sentidos de um lobo são muito mais aguçados que a de um humano ou elfo. Ele investiu no monstro, desferiu alguns golpes com as garras e mordidas, mas a cada ferimento o cheiro ficava mais forte. O monstro parecia não sentir os golpes de Ryan. Elesis colocou as meninas em um tronco de árvore, escondidas dos pequenos monstros que as seguiam. Ela empunhou a espada e observou a situação. Ryan estava pesado e lento, isso porque o monstro nem revidava.
O golpe foi forte e preciso, Elizabeth atingiu sua marreta no corpo de Ryan. Quando foi atingido, ele se transformou de volta em humano e atingiu uma árvore. Ele sangrava pela boca e não conseguia se levantar. Elizabeth foi correndo da direção de Ryan, Elesis também começou a correr, mas para defender o companheiro. Elesis parou na frente de Elizabeth, mas o monstro nada fez, além de bater o apoio de sua marreta no chão, levantando a terra nos pés de Elesis e fazendo a árvore em que Ryan estava encostado cair.
Elesis: Ryan! Cuidado! — Ryan teve um breve tempo para colocar a mão em seu peito.
Ryan: RESSUCITAR!
A árvore caiu em Ryan, mas não o esmagou. Uma luz envolveu o corpo do druida, empurrando a árvore para o lado, fazendo o druida levantar da mesma forma em que estava um segundo antes de ‘’morrer’’. Elesis olhou preocupada, mas logo depois ficou feliz e confusa. O monstro estava igualmente confuso. Ela se virou para o monstro.
Elesis: Agora é entre mim e você.
Elesis correu para o monstro, brandindo a espada, uma chama roxa segui a espada enquanto ela atacava o monstro.
Elesis: ATAQUE MAGNO! – Ela desceu a espada no inimigo, causando um corte profundo na perna, que chamuscava com o fogo roxo, logo depois, levantou a espada, causando outro corte profundo no braço que iria ataca-la, o monstro caiu de costas e foi o tempo para o ultimo corte de Elesis. Ela desceu a espada pela ultima fez, cortando a barriga do monstro.
O monstro rugiu e agonizou, até entregar a sua vida devido à hemorragia. Elesis juntou as amigas e as tirou de lá. Ryan as seguiu, mesmo que bem pouco. Logo, eles conseguiram andar normalmente, o cheiro entorpecente havia passado. Arme e Lire recobraram a consciência e ajudaram Elesis a se recuperar. Lire que cuidou de Ryan, era seu desejo e vontade. A elfa se ajoelhou ao lado do druida, encostado em uma árvore. Ela deu um beijo de leve no rosto do amigo.
Lire: Não faça mais isso. Não me mate de susto. Meu coração quase parou naquele momento.
Ryan, com sangue escorrendo por um lado da boca, deu um sorriso.
Ryan: Fique tranquila, Lire. Não vou a lugar algum. – Sorriu de volta para ela e retribuiu o beijo no rosto.
Lire enfaixou o corpo do druida, enquanto Arme ainda não estava bem para curar. Elesis cuidou da tonteira de Arme e dos ferimentos leves dela. O grupo havia montado o acampamento no local onde ainda era floresta, depois do pântano e antes do cemitério. Já era noite.
Lire estava ajoelhada com as mãos no joelho, ao lado de Ryan. O druida olhou pra ela e sorriu. Ela sorriu tímida de volta. Arme chegou, com seu cetro.
Arme: Desculpa, mas vou curar os ferimentos agora. – Ela apontou o cetro para Ryan – CURAR! – As faixas que Lire havia colocado soltaram e os ferimentos haviam sumido, junto com os ferimentos leves e arranhões de Lire.
Eles estavam novamente recuperados. Lire acendeu uma fogueira com uma bola de fogo. O grupo se reuniu em volta do fogo para se manterem aquecidos.
Arme: O que vamos fazer agora? Digo, passamos o pântano, devemos ir para o cemitério e logo em seguida para as ruinas. Mas iremos agora ou pararemos a noite?
Elesis: Não acho prudente passar a noite a campo aberto nas linhas inimigas. Devemos continuar assim que Lire e Ryan estejam descansados.
Ryan: Eu estou pronto para continuar. A cura de Arme recuperou tudo que eu sofria.
Lire: É, eu também estou bem. Podemos seguir para o cemitério. Ele não fica longe daqui.
Elesis: Então vamos. Peguem suas coisas.
Lire pegou seu arco. Quando tocou a arma, a mão de Ryan estava por cima da dela. Ela corou e olhou para o druida. Ele estava olhando com olhos profundos para ela.
Ryan: Tome cuidado, Lire. Eu tenho medo que você se machuque. Não vou poder te proteger toda hora.
Lire: Vai sim. – Então ela sorriu para ele e deu um beijo de leve na boca do druida. Ele ficou paralisado e em seguida sorriu de volta. – Vamos.
Eles levantaram e continuaram a viagem. Passaram brevemente por uma pequena floresta, a parte da floresta que ainda restava onde agora é o pântano. Bloqueando a passagem mais a frente estavam os portões do cemitério. A saída era na parte de trás do mesmo. Eles entraram no cemitério vagarosamente, procurando os supostos zumbis. O cemitério era enorme e cheio de mausoléus. Os inimigos deviam estar escondidos.
Lire: Bem, chegamos ao Cemitério.
Arme: Eu... Não... Gosto... De... Lugares... Assim... – Ela disse pausada e com a voz trêmula.
Lire: Eu também acho melhor não ficarmos aqui por muito tempo.
Elesis: Não temam! Somos guerreiros da Grand Chase!
Arme: Tem um fantasma ali! – Ela disse fingindo susto e apontando.
Elesis: Onde? Onde? Tira ele de perto de mim!
Lire: Você também esta com medo, Elesis! – Ela disse rindo junto com os outros.
Elesis: Corta essa – Disse com uma bufada.
Arme: Olha atrás de você! – Ela apontou novamente.
Elesis: Hã? – Ela olhou assustada e se virou de novo – Não tem nada... Sua... Você vai ver quando sairmos daqui!
Não havia mais tempo para conversas, no momento em que Elesis começava a ameaçar Arme, dois pequenos esqueletos começaram a vagar pelo cemitério. Mais pareciam zumbis, pela forma de andar. O grupo se aproximou dos esqueletos devagar. Ao chegar perto, os esqueletos correram e tentaram segurar Elesis e Ryan, que estavam mais a frente. Nenhum dos dois foi atingido, apenas colocaram suas armas no caminho dos mortos e eles se despedaçaram.
Ryan: Que ironia. Voltam do reino dos mortos para se despedaçarem logo na primeira pedra.
Elesis: Vamos esperar que continue assim.
Não havia tempo para piadas. Um machado de pedra fincou a frente de Lire. Era um orc de pedra zumbi, parecido com aqueles que Elesis tinha cortado no Templo Orc. Até o corte era parecido com os da espada da guerreira.
Elesis: Meninas tem algo realmente estranho acontecendo aqui.
Lire: Eu percebi também, Elesis.
Arme: Só n vamos demorar ok? Não quero ficar muito tempo aqui!
Lire atirou uma flecha no orc, ele morreu rapidamente. Aliás, já estavam mortos, só estão contando por quantidade. Das criptas e túmulos no chão, mais e mais esqueletos e zumbis apareciam. Lire e Arme iam derrubando-os assim que levantavam. Quanto mais adentro do cemitério iam, mais nítida ficava a imagem de um monstro, segurando um cajado. Elesis parou e ficou observando.
Elesis: Olhe pessoal. Tem algo ali.
Ninguém tinha reparado. A imagem levantou o cajado e mais mortos levantavam de seu descanso. Aparentemente, aquele era o centro dos problemas.
Elesis: Lire, Arme e Ryan matem os monstros que estão renascendo e me encontrem perto do necromante. – Logo em seguida, ela se esquivou dos mortos-vivos e se aproximou do inimigo.
Era um corpo flutuante, com uma grande máscara de caveira, com o cabelo comprido. Suas roupas eram rasgadas e segurava um cajado com caveiras entrelaçadas em pequenas gemas parecidas com rubis. Assim que Arme, Lire e Ryan chegaram perto para verem a criatura, a maga foi atacada por um tremor.
Arme: Meninas... Isso... É... Um... Lich.
Ryan: Mas você disse antes que se fosse mesmo um Lich estaríamos encrencados!
Arme: E estamos.
O Lich não estava querendo conversar. Ele levantou o cajado mais uma vez e o chão sob os guerreiros se abriu, trazendo braços sem vida que os puxava para o chão. Todos caíram incapazes de levantarem pela força dos braços. Enquanto estavam impossibilitados de lutar, o Lich preparava um relâmpago em seu cajado. Lire começou a chorar. Ela não queria morrer ali e não daquele jeito. Queria ter uma vida com Ryan e ser a arqueira mais poderosa de todos os planos.
Ryan a viu chorar e meio que entendeu o que queria, pois queria algo parecido. Então, ele se transformou em lobo. Aquela sensação de força revigorou o grupo. Perto do lobo, eles ficavam mais fortes. Devia ser algo relacionado com espíritos. Ryan olhou para o Lich. O inimigo continuava a carregar o relâmpago. O lobo rugiu e os braços ficaram frouxos. O druida quebrou-os com facilidade e usou sua velocidade para se aproximar ao inimigo.
O monstro bateu seu cajado no chão e um zumbi orc apareceu instantaneamente, nem precisou sair do chão. Parecia uma invocação de familiar. O lobo foi impedido de seguir pelo corpo do orc. O Lich disparou seu relâmpago em uma linha reta e atingiu Ryan e Arme. O lobo rugiu de dor e Arme gritou. O relâmpago dele era equivalente ao poder de Arme, talvez um pouco mais forte. Eles só continuavam vivos pelas propriedades mágicas que as armaduras tinham. Ryan voltou a sua forma humana e os braços que seguravam Arme fritaram.
A maga se levantou com lágrimas nos olhos devido a dor do relâmpago e queimou os braços que seguravam Lire e Elesis com bolas de fogo. Em seguida, ela se ajoelhou e se encolheu devido a dor das queimaduras. O Lich passou a preparar outro relâmpago, com um sorriso macabro. Elesis tirou Ryan de perto do inimigo e Lire atirou uma flecha. A flecha acertou a mão do inimigo e ele foi interrompido de continuar sua magia. Ele grunhiu de dor e acertou seu cajado na elfa.
Ryan: Lire!
A elfa foi arremessada alguns metros. O golpe a fez desmaiar. Ryan entrou em uma fúria que ninguém achava que existia. Nem mesmo ele. O druida correu em direção ao inimigo e ao chegar perto do necromante, ele levantou seu machado, que cresceu exponencialmente.
Ryan: FÚRIA TITÂNICA! – Ele pulou e cortou o inimigo na descida, Ao bater o machado no chão, uma luz carregou pedras que atingiu o corpo do Lich em várias partes. Ao abaixar o machado, ele encolheu ao seu tamanho normal, mas a fúria de Ryan não tinha passado. Ele recolheu a luz que carregava as pedras na mão e a arremessou em uma bola de energia na direção do inimigo. – RELÂMPAGO! – A esfera que foi arremessada era massivamente poderosa. A bola carregou o inimigo, para em seguida se desfazer e se transformar em relâmpagos que aproximaram o corpo do inimigo para perto novamente. O druida já estava o esperando. Ao chegar perto o suficiente, o Ryan deu o golpe final. – TERRA ESTILHAÇADA! – Ele cortou o inimigo, atingindo a terra em baixo dele. A terra se levantou em um espinho grande o suficiente para atravessar o corpo do necromante. Logo em seguida, espinhos de terra vieram pelos lados, perfurando o corpo do necromante em vários locais.
Elesis e Arme olharam o monstro ser tratado feito fantoche, enquanto Ryan gastava todo seu poder para eliminar o inimigo. Quando o monstro não dava mais sinal de vida, o druida caiu de joelhos. Junto com o druida, os servos do Lich perderam a vida. Ele olhou para Lire e tentou se levantar para ir ao seu encontro. As dores das queimaduras e a perda de poder o fez cair. Ele começou a se rastejar. A maga e a guerreira ficaram paralisadas. Seria aquilo o amor que tanto ouviam falar? Gastar todo o seu poder para eliminar algo ou alguém que estava tentando eliminar quem você ama?
O druida chegou perto da arqueira e abraçou. A elfa começou a chorar.
Lire: Achei que você não ia voltar para mim – Ela disse chorando.
Ryan: Eu não poderia fazer menos do que isso. – Sorrindo, ele beijou a elfa.
Arme se levantou com a ajuda de Elesis e curou os ferimentos de todos. Em seguida transmutou os inimigos.
A saída agora era visível. Era parecida com a entrada do cemitério, mas agora dava para um vale extenso. Antes de seguirem viagem, acamparam nas portas do cemitério. Lire e Ryan dormiram lado a lado. Elesis e Arme não sabia se ficavam nervosas ou com inveja.
Na manhã seguinte, seguiram a viagem para as ruinas. Iniciaram a viagem quando ainda era cedo, o sol mal tinha saído. A viagem começou silenciosa, todos ainda recordando muito bem sobre o que Arme disse e os perigos enfrentados. Ryan e Lire andavam agora de mãos dadas, como já era esperado.
Arme: Pessoal, olhem bem. Lichs são seres perigosos e é muito difícil, quase impossível, que sejam domados. Ou aquele Lich era fraco, o que eu acho improvável, ou Cazeaje tem muito poder, para recrutar um monstro daqueles. Na história do livro da Academia Violeta, só foi citado o monstro Lich duas vezes, em três mil anos de história.
Ryan: Isso só significa que temos que prestar mais atenção em tudo que fazemos.
Elesis: Não só isso. Devemos esperar coisas muito piores. Olhe, eu acho praticamente impossível de que Cazeaje esteja nos esperando no Castelo de Gaicoz. Acho difícil que esteja até neste continente.
Lire: Elesis tem razão. Cazeaje deve ter uma fortaleza com guardas ainda mais fortes em outro continente ou até mesmo outra dimensão.
Arme: Agora que vocês comentaram, faz sentido. Não tinha pensado nisto antes. Bem que eu achava que os monstros que estamos enfrentando estão bem fracos. Digo, não fracos, mas o suficiente para vencê-los sem muitos problemas.
Lire: Arme, não está ajudando. Eu e você quase morremos nas mãos do Lich, esqueceu?
Arme: Mas o Ryan poderia nos ressuscitar, caso algum problema. Certo?
Ryan: Errada. – Todos olharam para o druida – Eu posso sim ressuscitar alguém. Mas apenas uma vez em quarenta e oito horas. Tirando a parte de que é apenas um, ou seja, se tiver um grupo selecionado para a morte, eu poderia salvar apenas um. E eu teria que tocar a pessoa segundos antes de morrer. E como ontem eu tinha me ressuscitado em menos de quarenta e oito horas, eu não poderia salvar ninguém ontem.
Elesis: Então foi besteira sua bancar o herói, ao enfrentar o Lich, sabendo que ele era tão forte.
Ryan: Sim e não. Eu não pensei muito no que estava fazendo, apenas fiz. Mas deu certo, isso que importa. – O druida andava com as pernas bambas, mal conseguia ficar de pé. Talvez usar todo aquele poder de uma só vez não faz bem. E isso nem as magias de Arme poderiam curar.
Lire: Pode ter sido besteira, mas estamos vivos graças a ele, Elesis.
A guerreira deu de ombros, mas tinha sido a única que paralisou em frente ao inimigo. Ela só não queria admitir.
A viagem prosseguiu em silêncio, não demorariam muito para chegarem ao destino. Quando o sol castigava a pele do grupo foi que eles chegaram às ruinas.
Lire: Então esta é a cidade em ruinas da qual ouvimos falar?
Arme: Eu vejo muitas geringonças que parecem divertidas. – Ela disse, olhando para alguns seres flutuantes, com um olho vermelho no centro e cercado de triângulos.
Elesis: Agora que você comentou, o que são essas coisas?
Logo após de falarem, os monstros perceberam a presença do grupo.
Paraminisa de intruso! Alerta de Intruso! Eliminar! Eliminar! — O som emitido pelas geringonças era robótico e pré-programado. Alguma invenção dos anões, provavelmente.
Elesis: Como assim? – Um dos seres flutuantes jogou um laser de seu olho. O laser acertou logo na frente de Elesis e fez um buraco no chão. – Cuidado! Estão atacando!
Os muitos monstros sentinelas começaram a aparecer aos montes, mas eram lentos e demoravam a carregar seus ataques. Lire e Arme os eliminavam a distancia com flechas e bolas de fogo. Acertar o olho das criaturas fazia com que as pirâmides, composta por quatro triângulos em cima e em baixo das criaturas, se desmontassem e caíssem, encerrando com as atividades de sentinelas dos monstros. Na medida em que iam adentrando as ruinas, a quantidade de paraminis diminuía, dando espaço para golens de pedra em miniaturas. Os golens são gigantes de pedra, mas estes eram do tamanho delas. Algo soava muito estranho.
Elesis e Ryan tomaram a frente, dando espaço para Lire e Arme descansarem. Elesis cortava a pele de pedra dos monstros sem problemas, mas sua espada não estava mais tão afiada assim. Deviam ser filhotes. Ryan não poupava esforços. Cada golpe de seu machado destruía pelo menos dois inimigos.
Quando passavam pelo o que parecia o centro comercial da antiga cidade, começaram a ouvir ruídos altos. Era algo muito grande. Não poderia ser o monstro que gerava as sentinelas, pois eram silenciosas. Não poderia ser um golem adulto, pois seria facilmente visto. Elesis começou a sentir o chão tremer. Ela observou os lados e viu paredes caindo na esquerda.
Elesis: Está na esquerda! Todos a postos!
O monstro foi rápido. Ele se apoiou em uma parede que estava na frente e pulou por cima dela. Era um troll, parecido com aquele que castigou a floresta de Ryan, porem este possuía uma coloração diferente. O problema do druida era um troll da floresta. Este que estava babando e grunhindo em sua frente era um troll do deserto. Os da floresta são mais lentos, porem mais fortes e resistentes. Derrubar este não deveria ser problema.
O troll avançou para Elesis e a guerreira logo percebeu a diferença de velocidade entre este e o que ela enfrentou na floresta. Foi por pouco que conseguiu desviar. O troll não conseguiu parar seu golpe e prendeu o prego em uma parede. Ele tentava tirar, mas era inútil.
Lire começou a preparar uma flecha, de acordo com o clima atual, seria algo relacionado a fogo. O golpe foi rápido e preciso.
Lire: CENTELHA METEORO! – A arqueira projetou três flechas encantadas com chamas, que fizeram um triangulo em volta do inimigo, impossibilitando-o de sair. Ela então preparou outra flecha, totalmente imbuída de chamas e arremessou ao inimigo. A flecha o acertou no peito e explodiu. O troll não aguentou a explosão. O poder foi tanto que foi o suficiente para vaporizar metade do corpo do inimigo. As partes que ainda restavam, embora queimadas, do troll caíram ao chão.
O grupo voltou a avançar por entre a ruina. O numero de golens e de sentinelas diminuiu rapidamente. Apenas um ou outro ainda estavam perturbando-os. Em certo momento, o fim da ruina de aproximava, com isso, os inimigos pararam de aparecer para impedir a passagem.
Elesis: Vamos pessoal! A saída está logo ali! – Ela disse sorrindo.
Lire: Não acho que sejam criaturas orgânicas, estas sentinelas.
Arme: Eu não tenho certeza do que é aquilo. Mas parece grande. – Ela disse apontando para um monstro igual à sentinela, mas de tamanhos desproporcionais. Cada triangulo do monstro era o tamanho de uma sentinela.
Paradoma de Intruso! Alerta de Intruso!
Elesis: Meu deus, outro desse! Espero que seja o ultimo! Todos prontos?
Paradom: Eliminar! Eliminar!
A sentinela maior preparou um laser, como esperado, mas a velocidade do preparo e a força eram sem igual. O laser disparado tinha um diâmetro maior. O golpe raspou na armadura de Elesis. A parte em que o laser tocou a armadura virou pó.
Elesis: Não acho que seja boa coisa tocar nisso.
Lire: Então vamos rápido com isso.
Lire atirou uma flecha. A flecha fincou em um dos triângulos do monstro. Ele virou o olho central para baixou e deixou um laser cair abundante. Ele começou a se mexer, com o laser deteriorando tudo que tocava. Todos conseguiram se safar da linha reta que o monstro traçou.
Arme: Que poder bizarro. Eu acho que ele ainda esconde parte do potencial, mas não quero testar! – Arme arremessou o cetro no inimigo envolvido em uma bola de fogo. O cetro girou na frente do inimigo e a maga preparou uma magia com as duas mãos. Um circulo mágico vermelho girava em torno da mão dela. – ESFERA EXPLOSIVA! – Ela arremessou uma bola de fogo grande, maior do que as pessoas tinham acostumado a ver. Quando a esfera tocou o monstro, ela explodiu, acendeu uma chama no monstro.
Ryan: Parece que não foi tão efetivo. Deixe-me tentar uma coisa. – O druida preparou o machado e atacou o ar. Rapidamente, ele estava na altura do monstro. Ele deu dois cortes, um em cada extremidade, e depois apareceu em cima do inimigo, com o machado para baixo. – GLÓRIA DA TERRA! – Ele arremessou o machado para o inimigo, que perdeu a altitude com o golpe. O golpe fez com que a descida pegasse fogo em linha reta, e quando estava no chão, a chama formou a lâmina de um machado.
O monstro estava no chão, o que dava abertura para Elesis atacar.
Elesis: ATAQUE METEORO! – A guerreira pulou, traçando um arco no ar com a espada, invocando diversas bolas de fogo para atacar o inimigo.
A sentinela já não dava mais sinal de vida. Elesis, para garantir, cortou o olho e todos os triângulos, que agora estavam ao chão. Ryan e Elesis juntaram os restos dos monstros e Arme os transmutou. Estava anoitecendo. O grupo agora estava parado na saída da cidade. Eles olhavam para o horizonte e conseguiam ver uma torre do castelo.
Elesis: Acho que aquela torre faz parte do Castelo.
Lire: Sim. Eu não tenho bom pressentimento sobre isso, pessoal.
Ryan: Fique calma. Vai ficar tudo bem. Derrotamos até um inimigo que deteriora as coisas.
Arme: Pode ser que sim, mas acho sábio passarmos a noite aqui, pois já enviamos muito material para Winkler e ele talvez nos mande armaduras novas. Não podemos enfrentar Cazeaje, ou até mesmo Gaicoz, com estas armas e armaduras.
Elesis: Afinal, quem é Gaicoz?
Arme: Ele era um samurai lendário.
Lire: Era? Como assim?
Arme: Ele morreu há três séculos. Ele saqueava cidades e reinos. Depois de muita revolta, os reinos e vilarejos montaram um grupo e mandou exterminá-lo. Não sobrou ninguém. Nenhum monge e mago de seu concelho, nenhum samurai de sua guarda, nenhum arqueiro de sua elite, nenhum monban do seu exército.
Lire: Monban? O que é isso?
Arme: São monstros extremamente poderosos. Eles são duas vezes maiores que humanos e carregam porretes com espinhos que são capazes de derrubar torres inteiras. O único guerreiro que lutava contra monbans para treinar foi conhecido por ser o guerreiro mais poderoso de todos os tempos. O guerreiro lendário. Sieghart.
O grupo ficou surpreso. Sieghart era tão poderoso assim?
Ryan: Bem, vou procurar madeira para a fogueira. – Ele se transformou em lobo e correu atrás da madeira na floresta ao lado.
Elesis: Mas se os monbans são tão fortes, como ele os usava para treinar?
Arme: Não sei. Dizem que ele conseguia parar os porretes com sua espada.
Lire: Nossa. Ele era tão forte assim?
Arme: Nós vimos um pedaço dele. Aposto que não vimos nem o começo de seu potencial. E lembrem-se de que ele tinha três cristais. Ele deve treinar com deuses agora. Monbans são fracos para ele.
Ryan voltou com a madeira e Arme a incendiou com uma bola de fogo.
Ryan: acho bom descansarmos. Um dia cheio está pra vir amanhã.
Elesis: Sim, é verdade. Boa noite a todos.
O grupo se deitou e começou a dormir. Elesis teve um pesadelo. Ela sonhou que um rapaz de cabelos vermelhos, um lutador, estava sofrendo com a perda de seus companheiros. Uma borboleta maligna e guardiões perturbados também estavam no sonho. Foi algo perturbador. Fora o sonho de Elesis a noite foi calmo.
Elesis: Vamos pessoal. Gaicoz espera sua libertação.
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