Grand Chase, A Verdadeira História

8 Capítulo Sete - O Samurai Lendário


Capítulo Sete – O Samurai Lendário

Ao acordarem, Elesis fala de seu sonho com o grupo. Sobre o lutador de vermelho, a cidade destruída e tudo o mais.

Arme: Deve ser um sinal. De acordo com sua descrição, só pode ser a Terra de Prata. Se não acharmos Cazeaje no castelo, acharemos lá.

Elesis: Terra de Prata? O que é isso?

Arme: Onde é isso seria a pergunta certa. É um continente. O continente é regido pelo reino dos Cavaleiros de Prata, por isso o nome.

Lire: Então é um continente regido por uma ordem de lutadores? Que bacana.

Ryan: Parece não ser tão bacana assim, querida. Aquela borboleta, os guardiões perturbados, o cavaleiro de vermelho sofrendo a perda... Deve estar tudo relacionado a Cazeaje. – Eles estavam de mãos dadas. Parecia já ser um costume.

Elesis: Pois é. Vamos levantar e pegar a estrada. Quero eliminar Cazeaje o mais rápido possível. – Ela levantou se apoiando na espada.

Ao falar, um portal de magia se abriu, e dele, quatro pacotes foram transmutados. Arme pegou-os e leu “Pacote do Guardião Divino”. Ela entregou para cada um os seus e se trocaram. As novas armas e vestimentas eram cheias de ornamentos, com símbolos sagrados. O símbolo de Elesis era diferente do de Lire e assim por diante. Tinham religiões e deuses diferentes, então não fazia sentido carregarem o mesmo símbolo sagrado.

Eles olharam novamente para a torre que era visível de onde estavam. Seria aquele o fim de tudo? Eles poderiam ir para casa, com a cabeça de Cazeaje em suas mãos?

Começaram a andar assim que todos estavam prontos. O caminho era longo. Partiram no horário do almoço e o previsto de chegada era ao entardecer.

Lire: Diga-me Arme, se Gaicoz tinha um exercito tão grande e poderoso, como ele morreu? – A elfa andava de mãos dadas com Ryan.

Arme: Quando a guerra estourou, uma elite de assassinos desconhecida por todos foi contratada para executar a amada do samurai. Eles foram bem sucedidos. Quando ele percebeu que ela tinha parado de responder seus chamados, ele entrou no quarto e viu a brutalidade. De acordo com as histórias, ela foi esquartejada, com a cabeça pregada com uma faca na parede e os braços e pernas no vão da porta do quarto. Ele culpou todo e qualquer um pela sua perda e dispersou seu exercito em muitas áreas. Isso o enfraqueceu. O exército desfalcado de Gaicoz foi sua ruina. Ele foi vitorioso na maioria dos locais nos quais mandou o exercito, mas o povo desconfiava dele. “Como um líder que deixou sua amada morrer em seu próprio quarto poderia ganhar uma guerra daquela magnitude?”. O povo então se rebelou e ateou fogo no quarto do líder enquanto dormia. Quando os exércitos vitoriosos retornaram, viram a torre queimada do líder. Eles acreditavam em Gaicoz e o seguiam cegamente. Eles mataram todos da vila. Suas famílias, seus companheiros... Ficaram vivos poucos... Menos de cem. Estes morreram em um contra ataque de um dos reinos em que o samurai não teve sucesso.

Elesis: Que história triste...

Ryan: Foi mais que merecido – Disse com uma bufada.

Lire: Para com isso! – Ela disse dando um tapa no braço do druida.

Ryan: O que? Ele perdeu a cabeça quando viu a amada... Ele não soube se controlar e perdeu tudo por isso.

Elesis: Ele perdeu a cabeça do mesmo jeito que você, contra o Lich.

Ryan: Foi diferen— Elesis o cortou, se aproximando.

Elesis: Não foi não. E você sabe muito bem disso. Você sabe que se você não tivesse conseguido, quem iria sofrer muito era a Lire. E eu ia te odiar para sempre.

Lire: Elesis... Por favor... – Ela tinha lágrimas nos olhos. Odiava brigas entre seus amigos e estava triste por pensar em Ryan morto.

Elesis: Egoísta. Nada mais a falar sobre você. – Ela disse fitando o druida, depois saiu e o grupo voltou a viagem.

Ryan ficou remoendo e repensando o que tinha feito. Teria sido tão ruim assim? O trabalho em equipe era importante, mas Arme e Lire já não tinham condições de lutar e Elesis estava fora de si. Talvez ela só não quisesse admitir e o culpava por isso...

A tarde passou rápida e a entrada para o Castelo também. Chegaram no horário previsto, logo ao entardecer. Pararam nos portões para discutirem a estratégia.

Elesis: Como sabemos, o ultimo exercito dele, aquele que morreu com ele, aqueles últimos que morreram aqui, devem ter retornado também. Esperamos monbans, arqueiros, samurais, sacerdotes, Gaicoz e Cazeaje.

Arme: Não esqueça a figura que vimos ao lado de Cazeaje. Tem mais alguém envolvido.

Lire: Quantos são, Arme?

Arme: Não sei. Parece que eu estou tendo dificuldades para identificar o poder e a quantidade que está aqui.

Elesis: Não interessa. Vamos sair quebrando tudo.

Ryan: Não temos outra escolha. Vamos. – O grupo preparou suas armas e empurrou o portão.

A paisagem era aterrorizadora. Se não fossem guerreiros de elite, correriam do lugar. As torres de observação estavam todas quebradas. Estavam em pé, mas rachadas e com janelas especializadas. O cheiro de pútrido enfestava o local. Lanças fincadas ao chão suspendiam esqueletos com farrapos. Em outro local, com mais ênfase, lanças com a cabeça de vários cidadãos. Parecia o campo de guerra, horas depois de a poeira abaixar.

Lire: Que local perturbador.

Elesis: Então este é o castelo do samurai fantasma Gaicoz... – Ela disse entrando.

Lire: Um samurai que perdeu sua amada quando a guerra estourou, e acabou perdendo a vida em seguida, vitima de uma conspiração.

Elesis: Certamente ele tem rancor o suficiente para ficar preso a esse mundo. Isso certamente deve ter ajudado a transforma-lo no que é hoje.

Arme: Pobrezinho... Sinto pena dele...

Elesis: De qualquer forma, este lugar precisa ser limpado. Vamos.

Os guerreiros começaram a andar pelo feudo destruído. Ao andarem pelas construções tombadas passaram a perceber bandeiras. As bandeiras ficavam presas em uma lança dourada, apontando para o céu. Era um tribal de chamas. Na medida em que iam passando pelas galerias, Elesis olhou rápido e parecia ter visto a bandeira no meio de uma rua. Ela parou, pensou e voltou. Na rua em que ela tinha visto a bandeira estavam vários esqueletos vestidos de samurai, alguns com a bandeira nas costas. Estavam em formação de guerra, mas estavam estáticos e quietos, como o exercito de pedra de terracota.

Elesis: Pessoal, vejam isso.

O resto do grupo parou ao lado de Elesis, observando os guerreiros estáticos. Quando todos entraram na rua e começaram a se aproximar, o samurai que estava na frente desembainhou sua katana e a levantou para o céu. Em seguida todo o exército levantou as armas também. Então eles gritaram como se estivessem preparados para a batalha a muito tempo.

Elesis: Malditos! Em posição! – Elesis sacou a espada.

Os samurais investiram no grupo. Eram quatro contra cinquenta, no mínimo. Elesis defendia as katanas e os empurrava para o lado, Ryan pegava-os de surpresa e os quebrava. Eram frágeis como os do cemitério em que tinham enfrentado o Lich. Lire arremessava suas flechas, Arme lançava suas bolas de fogo. Todo acerto era um a menos.

A dificuldade foi aumentando na medida em que abatiam os inimigos. Quando chegaram ao final do esquadrão, já estavam exaustos. A poeira misturada com o sangue deles já estava começando a se formar sobre a pele. Eles sentaram rapidamente para retomarem o folego, mas não havia tempo para conversas. Elesis encostou sua espada no chão.

Elesis: Os monstros estão muito fortes. Muito mais que as armaduras novas.

Ryan: Percebi isso também. Pareciam fracos como os monstros do cemitério, mas são resistentes e habilidosos. Só estamos vivos por causa das novas armaduras e encantamentos.

Arme: Pessoal... Silencio. Estão escutando? – Ela apontou o dedo para cima e ficou escutando. Todos se concentraram e então, de longe eles ouviram rugidos.

“WOOOK, HAT, KORIIII” Era o que dizia.

Lire: Procurem abrigo! Imediatamente! – Enquanto falava ela se escondia em uma torre, puxando Ryan com ela.

Elesis não entendeu, até uma sombra tapar a área próxima a ela. Ela olhou para cima e conseguiu ver infinitas flechas tapando o céu. A guerreira então procurou um abrigo, mas não tinha mais tempo para se esconder. As flechas estavam próximas. A guerreira se encolheu no chão e começou a gritar.

Arme: Elesis!

Lire: Cuidado, Elesis!

Não tinha mais tempo. Uma sombra roxa apareceu ao lado de Elesis. Pelo menos foi o que ela teve tempo de ver. Mas ela reconhecia a voz do Vale do Juramento.

Ronan: ESCUDO DO VENTO! – O guerreiro encostou a palma da mão no chão, usando a mão que não segurava sua espada. Uma barreira envolveu ele e Elesis, com um poderosa rajada de vento circulando freneticamente em volta dela.

As flechas caíram e acertaram tudo, mas as flechas que tocaram o escudo de Ronan foram refletidas para o mesmo ponto em que foram lançadas. Com isso, as flechas acertaram e desmontaram alguns dos arqueiros.

Elesis levantou e abraço Ronan com força. Ela começou a chorar.

Elesis: Obrigada! Mesmo! Se você não estivesse aqui, eu teria morrido! – Ela escondeu o rosto riscado pelas lágrimas no ombro do rapaz.

Arme: Elesis... Chorando? Está ai uma coisa que não se vê todo dia.

Lire começou a rir. Ryan manteve-se quieto. Ele não teria tempo de conjurar a magia de ressuscitação. Ele começou a se culpar por não ser útil. Lire sabia exatamente o que se passava na cabeça dele. Ela apertou a mão do druida e sorriu para ele.

Lire: Não se preocupe Ryan. Nem tudo na nossa vida é como agente quer.

Elesis então se afastou de Ronan, ajoelhando ao chão. Ela retomou o folego e então levantou.

Elesis: Qual o plano agora?

Lire: Continuar avançando! Gaicoz já se revelou, não sei se alguém mais viu.

Ronan: É. Eu estava detido por um esquadrão de samurais, mas algo desviou a atenção deles e eu consegui escapar. Estavam me levando para Gaicoz.

Lire: O que você fez, desde aquele dia do Vale?

Ronan: Eu cheguei ontem. Ontem pela noite. Fiquei observando tudo e vendo como seria melhor de agir. Gaicoz é impiedoso e muito poderoso. Ele também não está em seu tamanho normal. Alguém ampliou o seu tamanho. Então ele é rápido, grande e forte.

Elesis: Então... Onde estão os terríveis, poderosos e grandes monbans?

Ronan: Apenas três voltaram à vida, por nossa sorte. Dois guardam o palácio real e são irmãos gêmeos, lutam e trabalham em dupla. O terceiro fica em constante ronda pelo feudo. – Ao terminar de falar, a terra começou a tremer. – Não poderia ser em hora melhor, eu acho.

Então um gigante vestido de samurai apareceu no inicio da rua. Ele sacou sua espada gigante e se posicionou.

Elesis: Eles não ficavam pelados e usavam um porrete?!

Ronan: De acordo com livros sim. Mas todos que tem monbans como mascotes fazem alterações. Gaicoz os treinou para serem esgrimistas.

A criatura pulou para frente deles, numa velocidade absurda. Ele desceu sua espada em Elesis. Com sorte, ela conseguiu esquivar para o lado. O ataque do monstro foi o suficiente para quebrar o chão e cavar a terra no formato da espada.

Elesis: É muito rápido!

A criatura então soltou uma mão da espada e empurrou Elesis na parede. O grupo estava sem reação. Era brutal ter de enfrentar um monstro deste tamanho e poder.

Ryan buscou o corpo ferido de Elesis. Ela sangrava pela boca e estava prestes a desmaiar. Os cinco guerreiros se agruparam para contra-atacar.

Ronan: BENÇÃO DIVINA! – Um círculo mágico apareceu abaixo deles e abençoou suas armas. Estavam mais leves e mais poderosas. Em seguida, ele levantou sua mão para o inimigo – CONGELAR! – Um floco de neve saiu de sua palma. Ao atingir o inimigo, uma camada de gelo cobriu todo seu corpo. – Agora temos alguns segundos. Deem-me cobertura. – Então fechou os olhos e começou a acumular poder. Uma luz azul corria o corpo dele e balançava seus cabelos.

Elesis: Ele parece com você ao acumular o poder dos espíritos, Arme. – Então se virou para a maga.

Arme: Sim. Mas não temos tempo, Elesis! Preste atenção! – Ela estava focada no monstro, mas não conseguia parar de pensar em Ronan. Ele era fascinante!

O gelo que cobria o inimigo começou a trincar. O grupo já estava preparado.

Elesis: ARCO FATAL! – Elesis brandiu a espada aos pés do inimigo, na medida em que ia acertando, pulsos mágicos cortavam a perna do monstro. Ao cortar a parte da perna do inimigo, ela saltou e fincou a espada em seu pé. Causando uma pequena explosão que dividiu em dois o pé do inimigo.

O monstro urrava de dor. Depois de um tempo ele caiu ao chão.

Ronan: Pronto! – Ele apontou sua mão para a espada e passou em cima da lâmina. Ao terminar de passar, a arma do arcano brilhava negra. – Saiam da frente. Não vão querer ser acertados por isso. Ele saltou e fincou sua espada no peito do inimigo. – GOLPE DE CANABAN! – Um círculo azul apareceu em baixo do inimigo, conjurando várias lâminas que trespassaram o corpo da criatura. O local onde o guerreiro perfurou o monstro começou a ficar negro. A magia parecia amaldiçoar o inimigo. Logo, todo o corpo do inimigo ficou negro e ele parou de resistir.

Lire: Nossa. O que foi isso?

Ronan: Eu encantei minha arma com a propriedade maligna. Caso ele tentasse atacar novamente, todo o dano que ele faria em alguém seria feito sobre ele também. Mas só posso fazer esta magia uma vez em poucas horas.

Arme: Bacana! – Os olhos dela começaram a brilhar.

Lire: Acho que a Arme ficou enfeitiçada pelo Ronan! – Disse cochichando para Ryan e cutucando seu braço. O druida começou a rir.

Elesis sorriu, depois tombou ao chão inconsciente. Arme sentou ao seu lado e curou seus ferimentos. A guerreira tinha lutado mesmo com aquele ferimento. Deve ter sido difícil levantar até mesmo a sobrancelha.

Arme: Idiota. Porque você tem sempre que ficar com o destaque? – Rindo, ela posicionou seu cetro no corpo da espadachim – CURAR!

Os ferimentos de Elesis se fecharam e ela voltou a acordar.

Elesis: Onde está aquele monban? Vou destruir a raça dele! – Ela levantou em um pulo procurando.

Ronan: Fique calma. Nosso problema agora são os gêmeos.

Ryan: Se um sozinho nos deu esse trabalho, o que uma dupla dinâmica faria?

Lire: Relaxem. Está tudo sob controle. Já sabemos como lutar contra eles.

Elesis: Sabemos mesmo? Não podemos nos dar ao luxo de errar.

Ronan: De qualquer forma, vamos andando. Temos de enfrentar sacerdotes, samurais e arqueiros até os gêmeos.

Ao falar, todos empunharam suas armas novamente e se dirigiram ao próximo pavilhão, onde encontrou todos em um só esquadrão.

Ronan: Pelo numero de esqueletos que já derrubamos, estes a nossa frente são todo o resto do exercito. Significa que se desmontarmos estes, o caminho para os gêmeos fica livre. Só temos de continuar até a torre principal.

Elesis: Como Ryan já disse, é uma dupla dinâmica. Como vamos enfrenta-los? – Perguntou preocupada. Não queria ser quase esmagada novamente.

Ronan: Eu consigo enfeitiçar as armas de todos... Só precisamos descansar alguns minutos. Devemos estar na frente de Gaicoz pela noite.

Lire: Isso se conseguirmos... – Ela abraçou Ryan. O druida a abraçou de volta.

Ryan: Fique calma, Lire. Está tudo bem. – Então ela soltou Lire e foi para perto de Ronan. – Venha comigo. – O arcano e o druida então saíram de perto das meninas e foram para a rua paralela, não muito longe de lá. – Me diz a verdade. Qual a nossa chance de vencer a dupla e logo após enfrentar Gaicoz, tendo a possibilidade de enfrentarmos Cazeaje logo em seguida, nas nossas condições atuais?

Ronan: Menores que nulas. – Ele desviou o olhar. – Todos sabem disso, mas a esperança é a ultima que morre. – Ele olhou novamente para o druida – Não é mesmo?

Ryan: Não. A última que morre é a vontade... Vontades de realizar feitos até mesmo sem esperanças...

Ronan: Que tipos de feitos?

Ryan: Ser o guardião supremo das florestas, constituir família, destruir todos os males... Coisas assim... As vezes, perdemos até mesmo a esperança, mas a vontade ainda fica.

Ronan: Tem razão – Ele começou a olhar para a lua. – Tenho vontade de conseguir destruir o preconceito.

Ryan: Preconceito? Como assim?

Ronan: Eu sou da família de Erudon, os famosos espadachins-arcanos. Só por isto cubro o posto de Guarda Real de Canaban... Muitos acham que meu posto e nome são apenas intimidação e blefe. Tem muitos esquadrões em Canaban que não me aceitam e querem me tirar do meu lugar. Eles falam que guerreiros não podem usar magias... Tentei procurar refugio na terra de Serdin, mas eles são tão pacíficos que não aceitavam guerreiros...

Ryan: E porque você liga? Digo, desafie-os para duelos, ora! Você é bom, já deu para todos perceberem isso.

Ronan: Eu não posso usar magia em Canaban... Da ultima vez que tentei, fui linchado.

Ryan: O que fizeram?

Ronan: Mandaram meu esquadrão lutar contra o Drilmon Gigante, aquele do Vale...

Ryan: E...?

Ronan: Era o primeiro dia de treinamento do meu esquadrão. O Drillmon não é um alvo assim tão fácil, quem dirá o gigante. Quando chegamos ao vale, metade do esquadrão se assustou e se apavorou e caiu... A outra metade estava abalada pela perda e medo e acabaram sucumbindo um por um, as minhas costas... Foi quando vi vocês... Precisava sair de lá também... Caso contrário iria morrer. E eu sabia que a única maneira de conseguir voltar seria destruindo Gaicoz, o alvo mais cobiçado deles...

Ryan: Então vamos destruí-lo e voltar para mostrar que você é mais que digno para assumir qualquer posto que quiser. Vamos – Ele se virou para ir ao cruzamento das ruas, onde podia ver as três meninas sentadas uma de frente a outra, conversando. Ele gritou pelo nome de Lire e o grupo se reuniu novamente.

Lire: O que estavam falando?

Ronan: Ele estava me contando em quanto tinha medo de perder você e que quer ajuda para salvá-la.

Ryan: Ahn? Não foi is—Ronan o olhava impiedoso – Quer dizer... Isso mesmo – Disse rindo e coçando a cabeça.

Lire: Aaaaai! Que fofo! – Ela abraçou Ryan.

Elesis: Vamos então? – Ela se virou e começou a andar pelos ladrilhos que os levariam ao castelo. Todos a seguiram.

Arme estava quieta e pensativa... Estava se perguntando se Ronan gostaria dela e se dariam certo... Pensava se iam sair do feudo... O monban era poderoso e assustador. Lire estava com medo, não parava de tremer por dentro... Só perto de Ryan ela conseguia se equilibrar. Elesis estava receosa até de passar pelos irmãos...

Eles conseguiam agora ver os irmãos, no alto da escada em que estavam. O ambiente pareceu ficar calado... Todos sacaram suas armas, inclusive os monbans. Elesis, Ronan e Ryan começaram a correr para os inimigos, de cabeça baixa. Os monbans se preparam e entraram em formação. Lire preparava suas flechas e Arme suas magias. Antes de subirem a escada, Ronan havia encantado as armas e armaduras e Arme tinha reunido o poder para dois dias. Eles haviam combinado de não pegar leve em nenhum segundo, até os combates sessarem.

Elesis: ONDA FLAMEJANTE! – Elesis brandiu a espada, levantando uma onda de chamas e a baixou, causando uma segunda onda. As chamas foram o suficiente para esquentar as espadas dos monbans e eles cambalearem para segurar.

Ronan: ARREMESSO FLAMEJANTE! – Ele preparou uma esfera de fogo e a arremessou para os inimigos, explodindo ao meio deles, quebrando a formação.

Ryan: TERRA ESTILHAÇADA! – O druida bateu o machado ao chão, quebrando a terra. A terra se levantou em volta dos monbans, prendendo-os. A terra então produziu espinhos na parte de dentro da parede e se petrificou.

Lire: TIRO CERTEIRO! – Ela tacou duas flechas, uma em cada monban, que perfurou o ponto fraco deles: Seu pescoço. As flechas ultrapassaram os corpos e fincaram nos portões do castelo pela metade. Já não faltava muito para dar fim a eles.

Arme: ANTIGRAVIDADE! – Arme arremessou os monbans ao ar, ao saíram da prisão de Ryan, a terra se deslocou, construindo novos espinhos de baixo para cima. Quando os inimigos estavam ao alto, a magia da maga os arremessou para baixo... Os longos espinhos perfuraram da cabeça ao quadril. Já não havia mais uma dupla dinâmica lutando com eles.

Elesis: Vamos andando. – O grupo passou pelos guardas engolfados na terra e entraram no castelo.

No interior do castelo, um samurai gigante estava meditando no cetro. Ele tinha feições de esqueleto e a armadura de um samurai líder. Sua espada estava deitada a sua frente. Ele estava ajoelhado. Ele levantou a cabeça e observou os guerreiros.

Elesis: Gaicoz!

Gaicoz: Ah, Grand Chase... Porque vocês rejeitam ofertas que podem leva-las a um futuro brilhante?

Elesis: Futuro brilhante? Do que você está falando?

Lire: Por acaso é este futuro cheio de dor e sofrimento que você procura?

Gaicoz: Alguns sacrifícios tem que ser feitos por um futuro melhor. Foi isso que a senhora Cazeaje me ensinou.

Lire: Se isto é o futuro, prefiro continuar no passado.

Gaicoz: Continuar no passado? Está bem, eu posso fazer com que você caia no passado que você tanto ama... No passado do esquecimento!

Arme: Gaicoz! O seu ódio contra os humanos está consumindo seu corpo e sua alma... Por favor, pare!

Gaicoz: Parar? – Ele riu – Não há mais nada neste mundo para mim! Vamos lá, lutem pelo futuro de paz que tanto desejam! – Ele levantou e pegou a espada no chão. Ele correu para cima de Elesis. Sua velocidade era incrível... Muito mais rápido que qualquer outro inimigo que tinham visto antes. Mal deu para Ryan acompanhar com os olhos. O druida parou a espada do samurai bem próxima de Elesis.

Elesis: Ryan...

Ryan: Lute droga! – Ele estava fazendo um esforço tremendo para segurar a espada do guerreiro. Então, ele não conseguiu segurar mais e a espada foi o suficiente para cortar a armadura e cortar o peito do druida de leve. – O que?!

Lire: Ryan!

Gaicoz: Ótimo. Todos juntos. Azura! – Gaicoz desapareceu e foi silencioso com a noite. Ele parecia se transportar em todos os cinco guerreiros, cortando-os gravemente. Ao final, estavam todos ao chão, ofegando e com peças das armaduras caindo ao chão, cortadas. O sangue caia de pequenos ferimentos. – Oh... Realmente fortes as armaduras de vocês. Eu costumava matar mais de sessenta guerreiros em guerra com esta habilidade. Vocês são os primeiros que ficam vivos a ela. Parabéns.

Os cortes nos braços, barrigas e costas dos guerreiros eram incontáveis... Mas eram leves. Arme se levantou, levantando o cetro.

Arme: CURAR! – Uma luz rosada saiu em esferas do cetro, envolvendo os corpos dos guerreiros, fechando os ferimentos quase por completo. Não havia tempo para uma cura completa.

Gaicoz apareceu de repente. Pegou a maga pelo pescoço e a arremessou em direção a porta, com intenção de fazê-la rolar pela escada. Se não fosse Ronan, jogando seu corpo para parar a força de Gaicoz, ela seria a primeira a morrer. Ronan a segurou e caiu ao chão logo em seguida.

Gaicoz deu uma bufada, preparando sua arma novamente. Desta vez, ele abaixou a arma duas vezes, Lançando duas ondas de impacto, derrubando Elesis e Ryan. Gaicoz apareceu nas costas de Lire usando sua velocidade.

Ryan: Lire! Cuidado!

Lire mal teve tempo para se virar e colocar inutilmente o braço sem armadura para não ver. Gaicoz baixou sua espada. Lire parou de escutar tudo. Quando percebeu, o tempo estava lento. Gaicoz havia baixado sua arma, confuso. Todos estavam todos quietos com o rosto surpreso. Uma luz esverdeada brilhava entre Lire e o samurai. A elfa observou mais atentamente e a luz parou de brilhar. A arqueira esticou a mão e um cristal se formou em sua palma.

Ela estava meio perdida, mas sabia o que era. Era um “cristal de classe” como Líllian havia explicado. Ela apertou o cristal e fechou os olhos. Ela então levantou e empunhou o arco. Ela chocou o cristal com a arma e a mesma começou a brilhar intensamente. O arco começou a flutuar e depois se dividiu em dois, indo um para cada punho da arqueira. Ela já tinha ouvido falar daquela classe de armas, chamadas “Bestas”. Eram pequenos arcos de impacto e médio alcance de disparo rápido e continuo. Ela levantou as bestas para o samurai e começou a atirar, o impacto das flechas perfurava a armadura pesada de Gaicoz, mas não era o suficiente para fazê-lo desistir.

O samurai então deu um chute em Lire, que aproveitou o impacto e realizou uma manobra em estrela, atirando novamente. Ela levantou rapidamente e não parava de atirar.

Gaicoz passou a lamina da espada no chão e arremessou pedras em Lire. Desta vez ela não conseguiu desviar. Foi atingida e caiu ao chão. Ryan se levantou empunhando o machado, mas o samurai tentou cortá-lo também. Outra luz brilhante atrapalhou o samurai, protegendo o druida.

Gaicoz: Estas fadas de vocês devem estar de gozação comigo! – Disse enfurecido.

Ryan pegou seu cristal e o chocou na arma. O machado foi tomando um formato mais estreito e afiado. Era uma “Lâmina Dupla”, um suporte em que você coloca a mão e lâminas em suas duas extremidades, sendo uma espécie de machado mais ágil.

O resto do grupo não ficou para trás, logo, todos estavam com seus cristais. Logo após de Ryan, Elesis e Arme conseguiram os seus e Ronan foi o ultimo.

Elesis chocou o cristal na espada, e a espada foi tomando um formato longo e estreito. Era uma lança.

Arme chocou o cristal e seu cetro foi tomando uma forma mais arredondada com um suporte. Ela conhecia a arma, era chamada de “Pote”. Era um implemento mágico que pode ser usada para várias funções.

Ronan chocou o cristal em seu gládio, e a arma foi tomando uma forma em que se parecia com a lâmina, mantendo a lâmina, mas alongando a empunhadura como uma lança. Era uma “Glaive”, uma lança com a lâmina maior.

Gaicoz: Só pode estar de brincadeira! Morram! Azura! – O guerreiro desapareceu novamente, mas desta vez, os guerreiros o enxergavam.

Arme colocou a mão no pote e tirou algumas bombas, defendendo os golpes da espada do guerreiro com pequenas explosões. Lire desviava com acrobacias. Ryan defendia com uma lâmina e contra atacava com a outra. Ronan impedia o ataque colocando a lamina no caminho do samurai e quando ele foi em Elesis, ela o perfurou no peito, prendendo-o no local.

Gaicoz: Isso é... Impossível! Ninguém nunca conseguiu desviar, contra atacar, defender me impedir de realizar o Azura!

Elesis: Dica pra você: Não somos qualquer um. Nós somos a Grand Chase! Agora me diz, onde está Cazeaje? – Ela disse, ainda prendendo o samurai na ponta da lança.

Gaicoz: Você acha mesmo que eu vou te dizer?

Elesis: Se não dizer, vai morrer em vão.

Arme: Elesis lembre-se da Terra de Prata! – Ela disse, colocando a mão no ombro da guerreira.

Gaicoz: O que? Como você sabe de lá? Impossível!

Arme: Como eu disse antes, muita força e pouco cérebro. Você simplesmente acabou de confirmar. Elesis, por favor. Faça-o rápido. Ficar perto dele me dá pena.

Elesis começou a se concentrar. Ela tirou a lança do samurai e a preparou para arremessar. A arma entrou em combustão. Então ela jogou a lança.

Elesis: LANÇA DE FOGO! – A arma mais parecia um projétil em chamas do que tudo. A lança criava ondas de fogo pelo seu rastro, pela velocidade. A ponta acertou Gaicoz e o prensou na parede. A lança não parou até que o tronco do samurai virasse chamas. Depois, a lança voltou para Elesis.

Ronan: Eu não teria vencido sua ajuda. Obrigado, por terem vindo me ajudar.

Elesis: Sem problemas! Agora podemos seguir em frente, rumo ao castelo de Cazeaje.

Ronan: Eu gostaria de me unir à Grand Chase para caçar Cazeaje e mantê-la longe do reino. – Elesis sorriu e acenou que sim com a cabeça.

Arme: Uhul! Por Serdin e pela paz! – Então abraçou o guerreiro.

Lire: Agora nós temos outro membro. Puxa, estamos ficando cada vez mais fortes.

Ryan: É muito legal ter o líder da Guarda Real de Canaban conosco! – Disse olhando para Ronan.

Ronan: Tenho certeza de que podemos cooperar de agora em diante.

Elesis: Acredito que sim. Obrigada – Então esticou sua mão para apertar a de Ronan. O Arcano olhou confuso, e então apertou de volta. Era a primeira vez que uma residente do alto escalão de Canaban apertava sua mão.

Arme: Valeu mesmo, Ronan! – Então, rindo, ela abraçou o guerreiro. Era o primeiro momento de felicidade entre os guerreiros da Grand Chase. O primeiro Capitão de Cazeaje foi derrotado.

As armas começaram a brilhar. Logo, os cristais estavam nas palmas dos guerreiros novamente e as armas haviam voltado a seu estado inicial. Eles alugaram o castelo principal de Gaicoz para passar a noite.

Pela manhã, o grupo resolveu voltar para Canaban. Agora com o primeiro cristal de liberação, foram recebidos como reis. Eles ficaram dois dias na capital.

No final do terceiro dia, Arme e Ronan já tinham coletado informações e mapas sobre a viagem de Vermécia para a Terra de Prata. Também, receberam a noticia do desaparecimento do corpo da Rainha de Canaban. Alguém teria invadido o cemitério, cavado sua cova e a tirado de lá. No final do dia, Ronan conseguiu um navio próprio, que seria seu transporte principal durante aqueles momentos. No outro dia, eles zarparam em rumo a Terra de Prata.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.