Graecus
5 Um lamento fúnebre
Notas iniciais
“Quando as chamas de fogo lamberam os cachões, um silêncio respeitoso se instalou em todos os campistas. No silêncio podia ser ouvido o som da natureza, dos grilos cantando e das árvores balançando e também do fogo crepitando levando embora o lamento fúnebre de todo o Acampamento Meio- Sangue.”
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Depois de chegarem ao acampamento, Alec ficou velando pela mãe, mas nada podia fazer e então foi cuidar da despedida de seu pai que morrera como um verdadeiro herói que fora. Ele não havia vivido nem um terço das aventuras do pai e quando viu o corpo branco como mármore, os cabelos negros e a rala barba também negra do pai ele sentou ao lado do corpo e relembrou de histórias.
Quando era criança de colo, seu pai sentava na varanda da frente e contava várias histórias, deixando o pequeno Alec assombrado com tamanho heroísmo daquilo que lhe era contado. O pai contava de como ficara um ano no Mundo Inferior, aprendendo o ofício de Hades, o senhor dos mortos e Alec pequenino como era, pulava brandindo sua espadinha de madeira, rindo e falando que queria visitar o avô, para aprender tudo isso também, porém isso nunca chegara a acontecer.
Jace contava ao filho quando estavam assando marshmallows na roda da fogueira como ele e Rovena salvaram o destino do mundo, e da cidade de Athenas, ao recuperar o elixir do conhecimento para a deusa Athena, dona de todo o conhecimento do mundo.
O pai contava também em como lutara para deixar de ser renegado, ao enfrentar a fúria dos céus e dos mares no Alasca, onde nem os deuses detém poder e isso deixava Alec assombrado, ele queria viver tudo o que pai contava com tanta paixão, mas o pequeno garoto nunca imaginou que viveria isso sem o seu maior herói, seu pai.
– Alec? Já decidiu o que fazer? — Jewel, filho de Hades e responsável pela cremação de Jace, perguntou em tom lastimoso, mas já acostumado a fazer seu trabalho.
– Sim. Meu pai é seu irmão, dê a ele uma digna despedida dos filhos de Hades e vamos cremá-lo, ele queria isso- Alec respondeu e limpou o rosto vermelho pelo lamento fúnebre.
– Tudo bem. Vou convocar o chalé de Hades e vamos preparar tudo. Não se preocupe. E quanto sua mãe?
– Minha mãe?
– Oh! Você não soube? Eu lamento, ela não resistiu. Sai da enfermaria agora a pouco- Jewel respondeu e sentiu pena do garoto, pois viu o choque que a notícia causou.
– Tudo bem. Digo o mesmo por ela, quero preparativos do chalé de Athena. Creme-os juntos- Alec disse e saiu em um silêncio digno de pena.
Antes de colocar os pais nos caixões para cremar, ele pegou os anéis que ambos usavam, em formato de coroas, sendo o do pai mais majestoso, com um líquido vermelho vinho que agora parecia mais apagado, como se sentisse o calor do corpo de seu antigo dono se esvaindo e o anel da mãe, o mais delicado, com um líquido vermelho vivo que agora também estava mais apagado.
Quando chegou o entardecer Alec se vestiu de preto, pois parecia apropriado e foi se juntar a Fay que o esperava em frente ao seu chalé. Fay estava com um vestido preto, que cobria todo o colo e parte dos braços e batia uns dedos acima do joelho, ela também prendera o cabelo num coque, escondendo a alegria de suas mechas azuis.
Ao chegar ao campo de treinamento o garoto reparou com respeito em como todo o Acampamento se vestira adequadamente para uma ocasião negra como aquela. O campo de treinamento estava lotado, todos estavam lá e Quíron estava ao centro, esperando-o para começar as homenagens, Alec e Fay foram os últimos a chegar.
– Venha aqui Alexander Stephen- Quíron o chamou com o nome completo e ele sentiu um arrepio ao ouvi-lo, pois eram assim que sua mãe o chamava quando havia algo errado.
Alec se juntou ao diretor de atividades do acampamento quando ele iniciou sua fala.
– Estamos todos aqui para prestar homenagens a dois de nossos maiores campistas, Jace Stephen do chalé de Hades e Rovena Marie Levans do chalé de Athena. Juntos, os dois enfrentaram as provações de Athena para conseguir o elixir do conhecimento, enfrentaram a fúria dos céus e dos mares para Jace deixar de ser renegado, enfrentaram momentos de tristeza, de dor e de perda, mas juntos eles superaram tudo isso e sei que juntos estão agora, nos Campos Elísios. Tenham a certeza de que morreram como heróis para deixar o filho Alec continuar a história deles- Quíron deu espaço para Alec falar, mas ele recusou com a cabeça, pois já tinha feito suas homenagens silenciosas.
– Podem acender as piras, chalé de Hades e de Athena- Quíron ordenou e alguns campistas tomaram a frente, acenderam tochas e então os caixões ficaram iluminados, estavam um do lado do outro. O de Jace era todo negro, com uma caveira em branco no centro e uma lâmina de ferro Estígio em cima, como símbolo daqueles que morrem lutando. O de Rovena era de uma madeira clara, com uma linda coruja ricamente colorida pintada no centro, um manto bege cobria-o até a coruja e tinha alguns papiros, livros e uma adaga, simbolizando aqueles que morreram buscando o conhecimento.
Quando as chamas de fogo lamberam os cachões, um silêncio respeitoso se instalou em todos os campistas. No silêncio podia ser ouvido o som da natureza, dos grilos cantando e das árvores balançando e também do fogo crepitando levando embora o lamento fúnebre de todo o Acampamento Meio- Sangue.
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