Graecus

25 A Sabedoria é trapaceada


Notas iniciais
Voltei e com vergonha, porque com tantas coisas me acontecendo que eu simplesmente esqueci de postar e também não tive tempo, então um capítulo caprichado para compensar um pouco. Espero que gostem, se é que ainda tem alguém ai.

“Muitas más línguas contam a história e retiram a parte da trapaça e então fico eu de perdedora, má tecelã. Perco meus devotos quando pensam que sou fraca ou menos dotada de inteligência e é nisso que me preocupo, sem a fé eu não sou nada e consequentemente deixarei de existir.”

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O dia estava tão quente quanto o imaginável para um dia de considerável outono, mas para mim ele acabou como um dia de inverno no Alasca.

Uma de minhas corujas veio até mim durante a manhã e trazia um papel dobrado com cuidado. Pensei que fosse uma mensagem do senhor meu pai para mais uma reunião, mas não era. Essa coruja que trouxe a mensagem era a minha única coruja negra porque eu a achava linda, eu digo “era” porque tive que matá-la. Mensageiras que trazem tão má sorte não são boas de ter por perto.

A mensagem era de Aracne e, imaginem meu espanto, minha lendária inimiga, derrota pelos meus incríveis dons de tecelã voltando a me desafiar! Era muita ousadia, mas eu, orgulhosa como qualquer deusa, aceitei imediatamente o desafio e fui até o Parthenon de Nashville para enfrentá-la mais uma vez. Acontece que não foi como o esperado e acabei sendo trapaceada.

Não digo isso para livrar minha culpa do que aconteceu, mas digo, pois é a verdade. Ela trapaceou e dessa vez utilizou de artimanhas de aranha, pois ela não estava só, tinha consigo milhares de filhotes peludos que a ajudaram na construção do manto. O combinado era: vinte e quatro horas, e o maior manto vence.

Mas regressemos um pouco.

Quando cheguei no Parthenon de Nashville fiquei um pouco espantada, pois Aracne tinha mudado de forma. Não estava mais como aranha e suas infinitas patinhas peludas, mas estava como humana. Tinha cabelo longo castanho e encaracolado, bem grosso e livremente bagunçado, os olhos estavam com o mesmo tom de castanho que sempre fora e ela estava usando muita maquiagem, como que para aproveitar enquanto tinha duas mãos humanas. Perguntei como ela poderia estar como humana e então ela disse que fora um presente de seu senhor. Perguntei quem, mas ela riu e entrou para o templo.

Lá dentro me senti quase no original Parthenon, tudo praticamente igual, até mesmo minha estátua, a Athena Parthenos, tudo estava lá, inclusive uma estranha espada que estava suspensa no teto pela teia da aranha. Nem dei muita atenção para aquilo, me preocupei apenas com a competição.

– Comecemos logo a competição que não vejo a hora de ver sua cara divina de derrotada- Aracne disse indo para os pés de minha estátua.

– Pois veremos. Trouxe minha juíza, uma ninfa da floresta. Não a conheço, portanto será justo para ambas- Respondi enquanto a ninfa se colocava num canto para nos analisar.

– Que assim comece, então. Vença-me novamente Athena, se puder- Aracne disse e imediatamente se transformou na aranha trapaceira que é e começou a tecer seu manto. Reclamei, mas ela nem se importou e então comecei a tecer.

Concentrei-me no meu tecer e tentei fazer o mais rápido que pude, mas comecei a ouvir sussurros, maldizendo-me, falando coisas cruéis a respeito de mim e isso de desconcentrou. No início pensei que era apenas minha cabeça atarefada pregando-me um peça, mas eram os filhotes de Aracne que envenenavam meu trabalho.

– Mais rápido minha deusa, pois está perdendo- Disse Aracne rindo e seus filhos sussurraram o mesmo várias vezes.

Quando a ninfa disse que havia acabado o tempo e que devíamos parar ficou óbvio até para mim quem havia vencido. Não é preciso dizer medidas para ressaltar ainda mais o quanto foi gigantesca a vitória suja de Aracne.

A ninfa apontou fracamente para a aranha e saiu correndo, com medo de minha fúria, mas a culpa não era dela e a deixei ir. Queimei meu trabalho ali mesmo, sem nem pensar no que estava fazendo e me precipitei para cima de Aracne, eu ia matá-la.

A Aranha assumiu novamente sua forma humana e milhares de coisinhas pretas e com muitas patas circularam a mãe, para protegê-la.

– Trapaceou para ganhar de mim, pois não uma criatura na terra capaz de ganhar da grande tecelã!- Gritei para a aranha, mas esta apenas riu ainda mais.

– Eu venci. O meio não interfere no resultado, dizem alguns humanos. Aceite sua derrota, pois eu me vanglorio com minha vitória. Aracne venceu Athena, a grande tecelã! Demorou, mas tive minha vingança e quão doce ela é!

– Cale-se ou irei matá-la!

– Oh sim e depois eu volto, mais forte e com mais filhos para roer sua carne divina eternamente.

Não suportei as provocações da aranha e já com minha lança me atirei para cima dela, a fim de levar sua cabeça como prêmio para o Olimpo, mas ela se transformou em aranha e saltou para cima de minha estátua e ali ficou, rindo. As pequenas aranhas me cercaram e então me transformei em minha forma divina, aniquilando muitos dos filhos de Aracne. A aranha sibilou quando isso aconteceu, mas muitos outros filhos vieram para cima de mim, enrolando-me na teia. Não tive outra escolha. Fugi.

–Esta é a história meus jovens. Sem acrescentar, nem tirar. Eu perdi pela trapaça de Aracne e me arrependo de ter sido tão orgulhosa, se não fosse por isso, talvez a história tivesse sido diferente- Athena acrescentou com um suspiro cansado.

– Ela foi suja, não devia se preocupar tanto com isso minha deusa- Disse Fay carinhosamente, sentindo compaixão pela deusa que fora enganada.

– Muitas más línguas contam a história e retiram a parte da trapaça e então fico eu de perdedora, má tecelã. Perco meus devotos quando pensam que sou fraca ou menos dotada de inteligência e é nisso que me preocupo, sem a fé eu não sou nada e consequentemente deixarei de existir- Athena olhou para Fay e deu um sorriso melancólico, a garota então abraçou a deusa.

– Obrigada, acho que eu precisava de um pouco de amor, ando trabalhando duro desde que perdi- Athena comentou pegando uns papéis depois que Fay se afastou.

– Muito obrigado avó por nos contar a história, demonstrou mais uma vez que é muito sábia deixando o orgulho de lado e falando sobre isso. Obrigado mesmo, agora sabemos que Asmodeus está mesmo lá e vamos buscá-la.

Alec levantou e agradeceu, os amigos fizeram o mesmo e a deusa da sabedoria ficou olhando os semideuses partirem em sua missão.

– Que sejam mais sábios do que eu fui meus jovens- Disse Athena após o trio partir do Olimpo para o Parthenon de Nashville.

Notas finais
Legal? Espero que sim. Não sei quando volto, espero que em breve, estou com saudade de escrever. -- Próx: “Se o garoto fosse semideus, seria filho de Apolo. Loiro com o cabelo curto, uma penugem loira começava a surgir em seu rosto, dando os primeiros sinais da barba. Os olhos verdes amendoados e o sorriso “metade”, sedutor na medida certa. Fay estava tão encantada por ele que nem reparou que o garoto tinha uma enorme bolsa de couro pendurada ao ombro, diferente das mochilas que os jovens usam para viajar.” -- Quem aqui é divergente? Erudição, minha facção e Audácia! Espero que não tenham preconceito contra a Erudição só por causa do que a Jai fez. É isso, xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.