Gradually

1 one chapter stand


Will sente que diz para Nico que o ama do jeito mais chato possível. Ele não compra cem rosas vermelhas, não venda Nico e o leva para uma praia deserta. Assim como boa parte do resto dos sentimentos do filho de Apolo, parece que as palavras saem de sua boca antes mesmo que ele possa impedi-las.

É madrugada e eles estão na cama de Nico no chalé de Hades. Will distraidamente passeia com os dedos por baixo da camiseta de pijama de Nico, a outra mão no rosto do menino. Nico tem os olhos fechados e os lábios situados num pequeno sorriso, contente. Eles não conversam, não se beijam, não fazem nada além de apreciar a presença um do outro. É um acontecimento frequente.

E então–

Will se inclina de leve, encostando os lábios na bochecha de Nico, e diz baixinho:

– Eu te amo.

Nico abre os olhos de uma vez. Ele afasta o corpo do de Will apenas um pouco – a mão de Will ainda o envolve e parece que Nico poderia arrancá-la. Felizmente, não é o caso.

– Eu? – pergunta ele. – Mas... Mas eu... Eu...

Will sorri tranquilizador.

– Não se preocupe, eu sei.

Então ele abraça Nico propriamente de novo, e gentilmente o faz deitar para que possam dormir.

~*~

Quando Will acorda na manhã seguinte, Nico já saiu (ele tem treino de luta todas as manhãs). Will se levanta para usar o banheiro e se depara com um papelzinho azul grudado no espelho, que diz “Eu amo seus olhos”.

Há duas opções: ou uma das harpias noturnas estava se sentindo muito amorosa, ou foi Nico quem deixou o bilhete ali, para que Will o achasse. Ele pega o papelzinho e o enfia no bolso, voltando para o chalé de Apolo e para os olhares sorrateiros de seus irmãos a fim de tomar um banho.

Quando Will chega no refeitório naquela manhã, ele joga um brownie no braseiro de oferendas para seu pai (E aí, pai) e se senta no seu lugar de costume – na mesa do chalé de Hades, bem na frente de Nico. (Tecnicamente, não é permitido que Will se sente na mesa que não é a de seu chalé, mas quem se importa? Will não, Nico não, e Quíron nunca disse nada.)

– Oi – diz Nico casualmente, como faz todas as manhãs, mastigando uma colherada de cereal.

– Oi – responde Will, decidindo não mencionar o bilhete. Ele sabe, e Nico sabe, e é suficiente.

~*~

Passa a acontecer mais frequentemente à medida que a semana passa.

Will acorda um dia para achar um bilhetinho amarelo grudado no teto de seu beliche no chalé de Apolo que diz “Eu amo seu sorriso”. No dia seguinte, ele acha um verde na enfermaria do Acampamento, que diz “Eu amo sua pele”. Um grudado a seu arco e flecha diz “Eu amo suas mãos”. Will sorri sozinho toda vez que acha um recado novo, e guarda todos eles, porque mesmo que Nico não tenha dito, Will sabe a que esses recados somam.

~*~

Ao fim da semana seguinte, as mensagens na gaveta de Will passam a ficar mais e mais sinceras.

Eu amo passar minhas mãos no seu cabelo.

Eu amo dormir com você (mas pare de roncar, por favor?)

Eu amo o fato de você gostar de acordar cedo (mas não tente me acordar junto, não vai acontecer)

Eu amo a cara que você faz quando está concentrado.

No entanto, Nico não para de ser Nico, e Will encontra a si mesmo dando risadinhas por causa de um bilhete rosa que ele acha no bolso de seus shorts. Aparentemente, Nico não está satisfeito com somente despir Will com os olhos em toda chance que ele tem, e, mais tarde, fazê-lo com as próprias mãos.

Eu amo sua bunda.

~*~

Alguns dias depois, eles estão passeando (matando aula de grego antigo) e acabam na praia do Acampamento. Eles se sentam numa rocha enquanto conversam. Will está no meio de uma história sobre sua irmã por parte da família mortal, sobre a época em que ela ficou obcecada por aves e um dia chegou com um pato filhote em casa. Ele começa a divagar, falando fatos randômicos sobre os pássaros. Will percebe que Nico não está prestando muita atenção, e ele honestamente espera ser interrompido a qualquer momento, até que Nico apenas o corta com–

– Eu te amo.

Qualquer pensamento que Will tivesse sobre o número de penas na asa de um pinguim de repente se vai. Ele encara Nico, e seu rosto provavelmente está tão surpreso e cheio de descrença que Nico parece pronto para retirar o que disse e fingir que estava brincando. Porém, antes que ele tenha a chance de dizer qualquer coisa, Will se inclina e o beija levemente na bochecha.

Ele já sabia. O joguinho deles era divertido e pessoal, mas era bom ouvir a confirmação em voz alta.

~*~

Naquela noite, quando Will se dirige ao chalé de Hades, ele sabe o que o bilhete que ele vai achar no espelho vai dizer. Desta vez, em vez de tirá-lo de lá, ele tira um outro do bolso e o gruda ao lado do primeiro.

Eu te amo.

Eu também te amo.

Notas finais
oh my god that was so sappy me DESCULPEM semideuses gays apenas conseguem trazer todo o fluff pra fora de mim.
Não esqueça do review se gostou. Adios!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!