Grades Mortais
2 Capítulo 2: Bola de futebol, solitária e a cadeira
Notas iniciais
Apertando os dedos envolta das grades, Sasuke tinha os olhos focados no chão. Sentia uma certa dose de raiva invadir suas veias... A luz do luar adentrava pela pequena e também gradeada janela de sua cela. Aquela luz intensa... A lua iluminando parcialmente a escuridão da noite. Fora assim naquele dia.
Trincando os dentes, o Uchiha ainda perguntava-se o porquê daquela besteira tão grande, denominada de “tese” por ela. Aquilo não fazia o menor sentido e, por mais que estivesse a oito meses da morte, era completamente inútil a presença de uma psicóloga duas vezes por semana. Não iria modificar-lhe a sentença... Não o tiraria daquele lugar intragável livraria algo preso dentro de si. Algo que não sabia distinguir de culpa ou satisfação. Deveria estar sentindo-se satisfeito, entretanto, nem sempre era assim. Como hoje, após encarar os olhos tão verdes como esmeraldas daquela garota. Sim, garota. Se tivesse dezoito anos seria muito...
O porquê de alguém como ela ter aceitado aquela louca experiência não conseguia sair de sua cabeça. De pele clara, cabelos em um róseo incomum, e aqueles olhos verdes... Ela não aparentava estar a mando do governo para investigar mais a fundo seu caso. Não era um truque, como o Nara mesmo havia assegurado. Todavia, jamais confiara em ninguém, não seria agora, com os dias contados, que mudaria uma característica que aprendera a adotar. Também, não havia razões para o governo investigar mais ainda o que ocorrera aquele dia, já estava condenado mesmo, e um condenado à morte nunca tivera a pena mudada. Não em Blaine. Emitindo um suspiro irritado, o moreno ergueu o olhar, ainda sentindo o sangue ferver-lhe nas veias, tal como seu coração acelerar.
Haruno Sakura... Era a garota mais incomum que havia topado seu caminho. Ela não mostrara medo ou insegurança diante de um condenado por homicídio em massa como ele. Aquilo o irritava, era algo que estava correndo fora dos trilhos... Parecia que ela não queria deixar sua cabeça e, estar pensando em uma pessoa ao invés de ter a mente vazia ou ocupada com um plano realmente útil, tinha uma rosada de face determinada. Irritante. Aquele dia em si estava mais irritante do que poderia ter imaginado.
Uma adolescente... Uma psicóloga... Não sabia se achava aquele fato inútil ou se gostaria que ela retornasse no dia de amanhã. Sentia a loucura cada vez mais próxima, somente por saber que uma parte de si desejava ter alguém que via o mundo externo para conversar e, sobretudo, analisar. Por mais que soubesse que não haveria como deixar o presídio, via-se tentado a buscar mais e mais brechas para tentar formular um novo plano. Desespero e conformismo... Dois grandes amigos. Talvez os únicos que estavam impregnados naquelas paredes brancas com listras em laranja.
Não sabia porque havia desviado seus olhos em direção a cela de Naruto, no entanto, a animação daquele loiro extraterrestre estava também a lhe irritar. Que diabos um condenado a morte tinha de motivos para apresentar felicidade?! A cada dia que se passava o Uchiha se convencia mais: aquele moleque já estava louco!
Revirando os olhos, Sasuke sentou-se em sua cama, colocando as mãos sobre os cabelos ébano. Sua cabeça doía tanto que poderia jurar ter uma bomba relógio dentro dela. Naruto cantava terrivelmente mal, mas não iria gastar suas palavras com ele. Não adiantava e perder tempo não era um luxo pelo qual ainda tinha. Esperaria até Gaara se irritar também e dar um basta naquilo.
Ouvindo o som da grande porta da ala sete se abrir, Sasuke logo deduziu: Shikamaru. Ele não costumava aparecer por ali às noites, porém, hoje realmente precisava de algo para distrair a mente, ou aquela rosada não deixaria-o dormir também.
_ Boa noite... – saudou o guarda, erguendo uma das sobrancelhas ao constatar o comportamento de Naruto, que estava sentado ao chão de sua cela, cantando e comendo o restante da última refeição, que guardara. Comer a noite tornara-se um passatempo para o Uzumaki. _ Tenho boas novas! O presídio inteiro está sabendo que vocês três terão acompanhamento... – iniciou Shikamaru, sorrindo de canto e escorando-se nas grades da cela de Naruto, que ergueu-se do chão.
_ Hey Shikamaru, será que não tem como você descolar uma bola de futebol americano amanhã não? – indagou Naruto, estava com aquela idéia há alguns bons meses. No entanto, agora estava disposto a levá-la a sério. Sentia-se mais feliz desde que ela deixara a sala de visitas. Alguém para conversar! Tinha pouco tempo. Não poderia esperar. Não importava se estava em uma cadeia ou em um palácio, faria seus últimos dias, os melhores!
_ Bola de futebol, fera? Está pedindo demais, não? – opinou Shikamaru, já acostumado com os pedidos do loiro.
_ Eu tenho só um pedido a fazer: cala a boca, Naruto! – exclamou Sasuke, que havia deitado-se em sua cama.
Mostrando a língua ao Uchiha em um gesto infantil, o loiro virou-se novamente a Shikamaru.
_ Eu tenho outro pedido: fornece açúcar para o Sasuke porque ele anda mais azedo que limão! – rebateu Naruto, olhando para Sasuke, que tirara os olhos do teto e passou a encará-lo.
_ Vocês dois já vão começar? Mas contem aí... O que acharam delas, hein? Gatas? – interrogou Shikamaru, com um malicioso sorriso nos lábios. Sasuke revirou os olhos em sua cela, era somente o que faltava! Eles começarem a debater ilusões com as estudantes.
_ Eu achei a Hinata legal. Ela é muito inteligente... – comentou Naruto, lembrando-se do tanto que ela falara e, conversara normalmente com ele. Ela tinha os olhos perolados... A pele tão branca... Uma aparência de uma linda boneca. Todavia, era tão culta que chegou a assustá-lo! Nunca conhecera alguém tão inteligente e... Gentil. Muito gentil. Realmente ela não tinha nada de semelhante à uma velha chata falando baboseiras religiosas, como havia suposto.
_ Então está com o acompanhado errado! – zombou Sasuke, sorrindo de canto em sua cela.
Rangendo os dentes, Naruto bufou. Coitada da psicóloga de Sasuke! Teria que ter muita paciência para contornar toda aquela chatice e irritação dele.
_ Elas irão voltar amanhã, as três. – revelou Shikamaru, olhando para Naruto. _ Quanto à bola de futebol americano, vou ver se o delegado permite Naruto.
_ Valeu cara! – agradeceu o loiro, sorrindo. Aquele lugar estava mais do que entediante. Futebol americano seria algo que todos os detentos iriam aprovar! Havia jogado muito quando adolescente. Iria riscar aquela meta de sua lista assim que a bola chegasse.
Desviando os olhos na direção da cela de Gaara, Shikamaru caminhou até o final do corredor da ala. Era impressionante como aquele ruivo possuía a capacidade de estar sempre calado, isolado.
_ Hey ruivinho! Está tudo bem aí? – manifestou-se o Nara, batendo com seu cacetete nas grades da cela de Gaara.
Apenas olhando para o guarda, Gaara manteve-se sentado no chão. Observando o jantar entregue intocado na entrada da cela, Shikamaru se afastou. “Esse rapaz está procurando ir para a solitária de novo... Não tem outro jeito” pensou o Nara, parando em frente às celas de Naruto e Sasuke.
_ Escuta... O ruivinho não comeu o dia inteiro? — perguntou Shikamaru, em tom de sussurro, chamando Naruto com um gesto de mão.
_ Quando ele comer você me avisa... – comentou Naruto, rindo. Gaara deveria ser solidário com os demais que apreciavam muito comer, como ele. Com um sorrateiro sorriso, Naruto retornou a sua cama, sentando-se nela.
Hyuuga Hinata... Ela era muito simpática e, talvez aquelas visitas não fossem tão inaturáveis assim. Finalmente teria alguém para compartilhar seus pensamentos e, colocar aquele antigo sonho em prática. Desde o dia que descobrira que... Odiava lembrar-se daquilo!!! Odiava. Odiava... Porém, ela seria a chave para colocar seu sonho no papel e ajudar outros como ele.
Além disso, com os minutos passando e a incerteza aumentando, a primeira solução era: uma partida de futebol!!! Arrasaria, Sasuke iria comer poeira!!!
Olhando a janela gradeada de sua cela, o loiro sorriu em direção a lua. Inclinando um pouco a cabeça para o lado, ele alargou seu sorriso. A lua era como os olhos de Hinata. Como os olhos do delegado. Eles seriam parentes? Bem... O mesmo sobrenome, tinham.
XXX
Como de costume, o refeitório do presídio de Blaine estava uma completa desordem. Todos os detentos almoçavam no mesmo horário, ao meio-dia, em ponto. Sentados à alguma boa distância do centro do refeitório, Sasuke e Gaara se entreolhavam a espera de Naruto, que trazia as refeições.
_ Eu tenho que fazer amizade com essa cozinheira viu... Ver se ela descola um almoço melhor... – comentou o loiro, sentando-se e estendendo as badejas de Sasuke e Gaara.
Pegando de maneira inexpressiva sua badeja, Sasuke deu de ombros. Não lhe importava muito a qualidade da comida, era quase sempre os mesmos alimentos que comiam mesmo. Abrindo seu suco de caixinha, o Uchiha tomou um bom gole.
Sorrindo e abrindo seu suco em caixinha também, Naruto fez o gole, sendo atraído pelo olhar concentrado de Gaara, para com o seu almoço.
Não conseguia entender como o ruivo poderia ser tão criterioso, parecia que ele não gostava de se alimentar. Gaara sempre fora fácil de lidar, apesar de praticamente não dizer muitas palavras. Era o mais novo dos três, somente um ano, mas mesmo assim, o loiro não deixava de se perguntar como ele viera parar naquele presídio. Ele era tranqüilo demais para um assassino de cinco pessoas. Recluso de tal forma que aparentava nem ter consciência daquilo que fazia.
Com os olhos verdes agora sob o suco de caixinha, sabor uva, o ruivo sentiu um arrepio por sua espinha. Roxo... O mesmo roxo que ela trajara e aparentava apreciar em demasia, só pela quantidade de acessórios também na mesma coloração. Cores... Ela era uma grande reunião delas. O longo cabelo loiro de aspecto macio... A pele clara... Os olhos incrivelmente azuis, como o céu que via apenas duas vezes por semana. Assim como usava o roxo em abundância, também sorriu com muita frequência. Diante dele. Não falara nada a ela, somente confirmara seu nome, e ficara a ouvir todas as histórias contadas por ela. “Acordar as sete e meia da manhã é uma tragédia!” Sorriu de canto, levemente. Ela não tinha noção alguma de com quem estava a falar... Para alguém que morreria dentro de oito meses, acordar as sete da manhã não era assim uma tragédia. Ela tratou-lhe tão naturalmente que chegava a ser um pouco cômico. Parecia não saber o que ele fizera...
_ Gaara! Não vai comer? – indagou Naruto, chamando a atenção do ruivo.
_ Não estou com fome. – afirmou Gaara, com seu tom de voz baixo, casual.
_ Você nunca está com fome moleque... O que é? Não gosta da comida? Relaxa... Todos aqui também odeiam. – manifestou-se Sasuke.
_ Não é isso... Simplesmente não estou com fome. – explicou o ruivo, tomando um pequeno gole de seu suco.
_ Você não jantou ontem! Como pode não estar com fome? – indignou-se Naruto, agitado, mexendo as mãos.
Aproximando-se da mesa, um detento tocou no ombro do Uzumaki, que se virou.
_ Fiquei sabendo que as psicólogas de vocês são estudantes... E muito gatas. E aí? Já deram um jeito nelas? – perguntou Hozuki Suigetsu, condenado por diversas razões envolvendo tráfico e drogas.
_ Vai arrumar o que fazer Suigetsu! – exclamou Naruto, irritado. Não iria faltar com respeito com relação a Hinata. Que absurdo era aquele? Às vezes, duvidava que não entravam bebidas nem drogas no presídio...
_ E você Uchiha, sempre colocando os caras para correr... Mas não fez isso com a sua psicóloga não é? – atiçou Suigetsu, encarando Sasuke.
_ Eu vou colocar é você para correr se não der o fora daqui agora. – decretou Sasuke, com seu tom de voz grave costumeiro, que intimidava muitos dos detentos.
_ Ah é? E o que você vai fazer? – indagou Suigetsu com um notável sorriso de escárnio.
Erguendo-se de sua cadeira, Sasuke o olhou, entediado. Aquele cara estava passando de alguns limites...
_ Hey Nara!!! O ruivo aqui não está comendo!!! Devia colocá-lo na solitária!!! – gritou o Hozuki, trazendo os olhos de todos os detentos em direção a cena que estava ocorrendo.
Arregalando os olhos, Naruto cerrou os punhos. “Agora ele passou de todos os limites” constatou mentalmente o Uchiha, desviando os olhos rapidamente para Gaara, que tinha os olhos verdes assustados, acompanhando Shikamaru e mais alguns guardas se aproximarem. Não ligava para quantas vezes o ruivo fosse parar na solitária, contudo que não fosse por sua culpa. Justiça e injustiça eram os sentimentos mais marcados dentro de Sasuke...
_ Gaara... Você anda me deixando sem escolhas. Mãos para frente, agora. – ordenou Shikamaru. Por mais que convivesse todos os dias com aqueles três, não poderia passar pelas normas do presídio. Era um guarda, um militar americano, não poderia simplesmente deixar aquilo de lado. _ Nós servimos a comida e a obrigação de vocês é comer, não podemos permitir que vocês morram por desnutrição. Está cansado de saber disso.
Com o cenho fechado, Gaara estendeu suas mãos, sendo algemado por Shikamaru.
_ Só vai sair da solitária quando a sua psicóloga chegar. – afirmou o Nara, sinalizando para que os outros guardas levassem o ruivo.
_ E você Suigetsu, procura uma mesa e sai fora! Pelo visto ninguém lhe chamou aqui! – ordenou Shikamaru, apontando com seu cacetete na direção do centro do refeitório.
Com um suspiro, Naruto colocou as mãos sob sua cabeça. Apenas esperava que a bola de futebol americano fosse liberada, talvez Gaara jogasse pelo menos uma partida. Aquele lugar era semelhante a um velório... Apenas estavam aguardando o enterro. Tinha que fazer o velório durar mais tempo possível.
XXX
_ Oi... Como está, Naruto? – perguntou Hinata, adentrando a sala de visitas e sentando-se na cadeira de frente para o loiro.
_ Na medida da realidade, estou bem... – brincou Naruto, observando-a. Ela estava vestindo um vestido azul... Um vestido tão bonito quanto o que sua falecida mãe costumava usar.
_ Okay então... – proferiu Hinata, com seu tom suave, sorrindo amigável. _ Hoje eu gostaria de fazer algumas perguntas, pode ser?
_ Manda. – falou o Uzumaki, animado. Responderia a tudo que ela perguntasse, com exceção de alguns fatos.
_ Ouvi alguns guardas comentando que você encaminhou um pedido para uma bola de futebol americano, é verdade? – interrogou Hinata, atenta. Tinha de admitir, ouvir tal coisa lhe causara surpresa. Naruto não se portava como um preso, mais precisamente como um condenado a morte, ele exalava um bom humor invejável. Bom humor que talvez muitas pessoas livres não chegavam a ter nem em cinquenta por cento.
_Claro! Esse lugar está uma chatice desde o mês passado. – respondeu o loiro, retirando seus olhos da face doce de Hinata e colocando-os sobre a mesa branca. _ Quando se tem o tempo contado, temos que fazer desse tempo o melhor período. Não importa se é em um presídio... Porquê se você for agonizar a espera, morre muito antes.
Olhando-o, Hinata suspirou. Ele fazia de seu bom humor o único remédio para combater todas as consequências de uma prisão. Para aplacar toda a solidão, dor e a confusão da mente.
_ Entendo... E realmente acho que você tem razão. Todos poderiam pensar assim não é? – opinou a Hyuuga, gentil.
_ Eu tenho um pedido a lhe fazer!!! – revelou o loiro, ansioso, sorridente;
_ Um pedido? – questionou Hinata, pega novamente de surpresa.
_ Sim... De hoje em diante, gostaria que você anotasse tudo que eu fiz durante meus dias. Quando chegar na semana da execução, lhe digo o que irá fazer com isso. Poderia me fazer esse grande favor? É muito importante para mim. – contou Naruto, o tom de voz firme.
_ Tudo bem... Acho que também será fundamental para a minha tese. – concordou Hinata, sorrindo.
_ Beleza!!! Agora pode continuar com as perguntas... – disse o loiro, gesticulando com a mão e acomodando-se preguiçosamente na cadeira.
Rindo levemente, Hinata assentiu de cabeça. Ele era incrivelmente animado!
XXX
_ Desculpe a demora, Uchiha. Fui tomar um pouco de água. – explicou Sakura, adentrando a outra sala de visitas.
Já sentado em sua cadeira, Sasuke apenas a olhou, vendo-a se sentar de frente à ele, com um sorriso de canto nos lábios, e a sobrancelha erguida em um gesto de esperteza. Teria de tomar cuidado com tudo que diria a ela, aquela rosada parecia examinar cada expressão dele. Jamais vira alguém tão analítica que poderia alcançar o nível que aprendera.
_ Atrasando não é uma boa maneira de começarmos com isso... – manifestou-se Sasuke, em uma pequena alfinetada.
_ Mas começamos ontem. – rebateu Sakura, colocando seu bloco de anotações sobre o colo.
“Atenta...” lamentou-se Sasuke mentalmente. Ao menos, com alguém como ela, teria alguma conversa inteligente. Naruto era uma negação e Gaara não conversava muito.
_ Pois bem! Pode me contar o que fez hoje? – perguntou Sakura, encarando-o.
_ E se eu não quiser? – desafiou Sasuke, sorrindo de canto. Ela era uma garota, tinha que aprender muito sobre a vida ainda. Não fazia sentido estar acompanhando alguém como ele... Porém, ela o intrigava e, gostaria de saber os motivos que a levara àquela tese insana.
XXX
Vendo Shikamaru abrir a cela, Ino observava o ruivo dentro dela, adormecido, encolhido sobre a cama.
_ Estamos bem aqui fora, qualquer coisa, chame. – proferiu o Nara, abrindo a cela por completo. _ Ele estava na solitária, não almoçou, então decidimos não levá-lo até o outro lado do presídio.
Assentindo de cabeça, Ino entrou na cela, respirando fundo. Nunca se imaginou em uma cela antes, somente em um único dia, onde tirara uma nota horrível no colegial e se imaginou presa, no futuro.
_ Tem mesmo certeza que quer estar na mesma cela que ele? – indagou o Nara, por segurança.
_ Tenho. – respondeu a Yamanaka, decidida.
_ Pois bem... Estamos aguardando. – finalizou Shikamaru, trancando novamente a cela.
Assim que o moreno de cabelos estranhamente amarrados deixou o local, Ino olhou para tudo a sua volta. Era um espaço muito pequeno, sem dúvidas. Concentrando-se no ruivo, a loira se abaixou, tocando-o com esmero em um dos braços, afim de acordá-lo. No entanto, ele não despertara. Solitária? Porque ele teria sido mandado para a solitária? Porque não havia almoçado? Intrigada, Ino analisou outra vez sua figura. Ficara com aquela figura por toda à noite. Ele não dissera uma palavra ontem, era extremamente calado e ouviu a tudo que dissera com muita atenção. Não deveria ter falado pelos cotovelos! No entanto, havia acreditado que falando bastante, ele acabasse se soltando e falando algo também, o que não ocorrera. Vinte e dois anos... Ele aparentava ter menos. Do mesmo modo que aparentava ter tudo para estar livre, como ela... Por tudo que ele demonstrara naqueles poucos minutos, ainda não tinha identificado o que poderia tê-lo dado aquele destino cruel, como o dos outros dois que Sakura e Hinata estavam a conversar naquele mesmo instante. A Haruno ficara irritada com a personalidade do Uchiha e, não poderia negar, aquilo fora muito cômico na noite passada, que dormiram na casa de Hinata.
Com os olhos na face de Gaara, Ino tocou-lhe os cabelos vermelhos, tão vibrantes como o próprio escarlate. A pele pálida... E os olhos verdes, fechados. Olhos que ela não conseguira ver muito. Sentindo-o se mexer, a loira afastou sua mão, acompanhando-o abrir os olhos.
_ Hey... Vamos acordar? – perguntou Ino, divertida. Ele parecia assustado.
Sentando-se lentamente na cama, Gaara a olhou. O que ela estava fazendo em sua cela?
XXX
Com aquela petição nas mãos, Neji olhou outra vez. Só poderia ser uma brincadeira... Aliás, tratava-se de uma brincadeira por sinal. Uma bola de futebol americano? Naruto... Com certeza. Shikamaru deveria parar de encaminhar os pedidos sem sentido dele. Jogando o papel sobre sua mesa, o Hyuuga olhou para a grande janela de sua sala. Era o delegado daquele presídio há anos... No entanto, só a havia por ali dentro dos últimos meses. Por qual finalidade aquela garota sempre deixava flores envolta da entrada do presídio?
Erguendo-se de sua cadeira, o Hyuuga colocou-se perante a janela, imponente. A mesma garota... De olhos castanhos, cabelos presos em dois coques, cujo vento sempre os desfazia. Eram muitas flores. Porquê ela espalhava flores por um lugar como um presídio? Ainda iria fazer esta pergunta a ela, porém, quando a avistasse de mais perto.
Ouvindo batidas na porta, Neji emitiu um grave “entre”, e virou-se, vendo que elas não haviam se esquecido do que pedira.
_ Queria falar conosco delegado? – indagou Sakura, pelas três.
_ Sim... Vou levá-las a um lugar. – anunciou Neji, firme.
_ Que lugar? – interrogou Ino, confusa.
_ A sala de execução. Quero que vejam a cadeira elétrica. – assentiu o Hyuuga, prosseguindo. _ Vocês nunca devem se esquecer que o destino deles é naquele local.
Notas finais
Kisses, Nita :))
Fale com o autor