Grades Mortais
1 Capítulo 1: A primeira visita
Notas iniciais
Uma viatura preta havia acabado de estacionar em frente ao campus de uma das Universidades mais prestigiadas do estado de Washington, U.S.A. Há alguns minutos já paradas em frente há algumas árvores, as três recentes amigas aguardavam aquela inusitada chegada, que atraíra, ao longe, a atenção de alguns estudantes.
_ Senhoritas Haruno Sakura, Yamanaka Ino e Hyuuga Hinata? – indagou o policial que conduzia o veículo cuja sirene vibrante estava ligada.
_ Sim... – respondeu a rosada, tomando a vez.
Descendo do carro, o policial de porte forte e farda reconhecível, tipicamente americana, ofereceu-lhes um cumprimento, aceitado por Sakura.
_ Meu nome é Nara Shikamaru, venho em nome do delegado Hyuuga Neji, do presídio de Blaine. – apresentou-se o policial, com o timbre de voz soando em um estranho casual, algo semelhante à preguiça. No entanto, o Nara sorrira no instante seguinte. Não negava que estava achando toda aquela situação cômica, jamais recebera a notícia de que teria de buscar três jovens em uma faculdade em Olympia e levá-las até Blaine.
Acenando de cabeça, Sakura, Ino e Hinata concordaram. Entretanto, a singela Hyuuga dera um fraco sorriso. O delegado do presídio onde visitaria todas as semanas o condenado Uzumaki Naruto, possuía o mesmo sobrenome que o seu. Talvez, fossem primos distantes.
_ São duas horas até Blaine, espero que nenhuma das senhoritas tenha problemas com enjôos ou esteja grávida. – brincou Shikamaru, abrindo a porta traseira da viatura para as estudantes adentrassem.
Acomodando-se no banco, Ino olhou para Sakura, a sua direita.
_ Esse cara está de brincadeira né? – cochichou a loira, apressada. Estava ansiosa para abrir os envelopes que tinham em mãos.
_ Já podemos abrir. – afirmou Hinata, sentando-se ao lado da Yamanaka e fechando a porta a sua esquerda.
Assim que Shikamaru deu a partida no carro, concentrou-se no asfalto. Não queria ser acusado, mais tarde, se algo ocorresse com aquelas estudantes. Apenas iria gerar demandas e mais demandas... E, como sempre costumava dizer, quanto mais problemas se evitar, menos complicada sua vida será. Assim como seu sono será menos complicado. Se havia algo extremamente prezado pelo Nara era, certamente, uma boa noite de sono.
Rasgando com delicadeza alguma o envelope marrom em seu colo, Ino o deixou sob suas pernas, tomando as folhas contidas em mãos. Sakura e Hinata fizeram o mesmo, no entanto, logo após a loira.
_ Quem é o seu, Hina? – interrogou a Yamanaka, curiosa, segurando parte da longa franja loira para avistar o papel da Hyuuga.
_ Uzumaki Naruto. Mas seu nome eu já sabia... – revelou Hinata, lendo as primeiras linhas da ficha com toda atenção.
_ Como sabia o nome dele? – perguntou Sakura, surpresa.
_ Dei uma espiadinha nisso... – confessou a Hyuuga, piscando de leve e mostrando para as amigas, um “v” com os dedos. _ ... Mas juro que só li o nome! – garantiu ela, imediatamente.
Sakura e Ino se entreolharam, incrédulas. Hinata era mesmo muito esperta, não era à toa que passara em primeiro lugar na seleção literária do primeiro dia. Frustrada e fingindo uma extrema raiva, a loira colocou uma das mãos sob a blusa roxa que trajava, na altura do colo.
_ Não acredito que eu me policiei para não quebrar a regra que o reitor IMPÔS de não abrirmos a ficha deles enquanto não chegássemos no presídio, e você já tinha feito isso! Está muito rebelde para o meu gosto Hyuuga Hinata. – manifestou-se Ino, rindo junto de Hinata com o pequeno teatro.
_ Daqui a pouco já está indo nas festas no campus... – insinuou Sakura, em tom baixo e levemente cantarolado. Rindo de canto, a rosada mostrou a língua para a amiga de pele alva e cabelos azulados. Não poderia falar muito das festas do campus, afinal, já havia ido em uma.
Ouvindo a conversa até mesmo um pouco infantil das jovens, Shikamaru não conteve um discreto sorriso. Não dava para acreditar que aquelas três praticamente adolescentes iriam acompanhá-los. Sobretudo a que ficasse responsável por Sasuke. Se havia algo que o Uchiha não suportava, era a imaturidade.
_ Okay... Vamos ler isso! – exclamou a Haruno por fim.
Colocando os olhos verdes sobre sua ficha, Sakura leu atentamente os primeiros parágrafos. Com um arrepio no estômago, leu novamente o nome daquele que seria o objeto de sua tese: Uchiha Sasuke. Lembrava-se vagamente de quando o “caso Uchiha” foi o assunto nacional por mais de um mês, terminando com a sentença de morte do culpado.
_ Quem vai acompanhar, Sakura? – indagou Hinata, suave.
_ Uchiha Sasuke. – respondeu a rosada, olhando-as.
_ É o garoto que matou os pais, tios e o irmão? – lembrou-se vagamente a Hyuuga.
_ Sim... Vinte e quatro anos... Condenado por homicídio em massa. É basicamente tudo que diz nesses papéis, nada mais. Não fala como ele é no presídio, se tem bom comportamento ou não. – afirmou a Haruno, analisando a ficha.
_ Sakura... Qual o meio de execução desse cara? – interrogou Ino, inerte na frase que dizia: “método de execução: cadeira elétrica” na ficha que tinha em mãos. Por alguns instantes, os travessos olhos azuis pararam, impressionados. Porém, sabia muito bem com que estava lidando. Não devia estar assim...
_ Cadeira elétrica... – respondeu Sakura, procurando uma possível foto do condenado.
Notando a concentração da amiga na ficha, Hinata virou-se para Ino.
_ Quem é o seu Ino? – perguntou ela, novamente com seu tom suave natural.
_ Sabaku no Gaara. Vinte e dois anos... – respondeu em parte a loira.
_ E ele está condenado porquê? – perguntou Sakura, olhando para a Yamanaka.
_ Matou cinco pessoas no bairro onde morava, mas aqui não fala como. – revelou Ino, intrigada. Para o tal Sabaku ser condenado a cadeira elétrica, deveria ter matado aquelas pessoas com extremos requintes de crueldade, como a tv relatara no “caso Uchiha”. _ Hina, com o seu a coisa está menos feia?
_ Basicamente... O nome dele é Uzumaki Naruto, tem vinte e três anos e foi condenado por diversos fatores. Aqui diz por tráfico, assassinato de uma mulher, e também pelo assassinato de um homem. – contou a Hyuuga, guardando de novo a ficha dentro do envelope.
Com um suspiro em conjunto, as três olharam em distintas direções. Sakura focou-se na janela, observando a paisagem e, recordando-se do rosto de pele clara e cabelos negros, daquilo que pouco vira na tv sobre o Uchiha. Com os olhos em frente, Ino cerrou os punhos, era seu sonho! Seria uma psicóloga de prestígio! Faria de tudo para ao menos, ir até o fundo sobre o que poderia ter levado aquele homem tão novo a cometer aquela tragédia. Com os olhos na outra janela, Hinata emitiu um fino sorriso. Seu primeiro “paciente”! Não sabia o porquê, mas... Algo bom passava-lhe pelo corpo.
XXX
Caminhando de um lado para o outro em sua cela, Naruto estava no auge de sua irritação. Ainda era terça-feira!!! TERÇA!!! Faltavam três dias para o banho de sol!!!! Morreria andando dentro daquele totalmente conhecido e mínimo espaço, resumido a três paredes brancas e grades. Grades de ferro.
Com as mãos no rosto recém barbeado, o loiro sentou-se em sua cama, cujos lençóis alaranjados da prisão era o único item pelo qual concordava naquele espaço que, há sete meses, era sua nova casa. Oito meses... Somente oito meses... Os segundos pareciam uma eterna tortura. Em parte, Gaara tinha uma pequena razão: seria a cadeira que iria os matar, e sim, aquela vagarosa espera. Erguendo-se em um rompante de sua cama, o Uzumaki segurou nas grades, olhando para a cela a sua frente. Sasuke ainda deveria estar no banho, afinal, dos três, que ocupavam a ala de segurança máxima, mais conhecida como “a ala sete”, o Uchiha sempre era cotado para ser o último a tomar banho. Talvez, para que algo não aparecesse quebrado com alguém ainda na fila. Sasuke andava com um intragável humor de alguns meses para cá.
Esforçando-se, o loiro tentou ver onde Gaara estava em sua cela, que era um pouco desproporcional a sua visão periférica. No entanto, não estava conseguindo ver o ruivo. Apenas torcia para que ele não estivesse outra vez, “incomunicável”.
Com um grande barulho, a porta que dava as celas, vazias com exceção dos três, se fez presente, chamando a atenção de Naruto. Shikamaru trazia Sasuke, algemado, ainda com os cabelos ébano molhados.
Parando em frente a cela de Naruto, o Uchiha estreitou um pouco o cético olhar. Ele não iria levá-lo a sua cela? Porque estavam parados ali?
_ Qual foi, Nara? – indagou diretamente Sasuke. Como era um dos guardas responsáveis pela ala sete, o Nara acabara pegando intimidade com os três ocupantes daquele lugar. Era, até mesmo, um tanto amigo de Naruto. Entretanto, tal coisa não ocorria com Gaara, muito menos com Sasuke, pelo qual referia-se a ele somente pelo sobrenome.
_ Vocês três tem visita. – informou o guarda, sorrindo de canto ao ver as faces confusas do Uchiha e do Uzumaki. _ Mãos na abertura Naruto. – ordenou Shikamaru, sendo atendido com rapidez. Algemando-o, o Nara abriu a cela.
_ Como assim temos visitas? Nunca recebemos visitas. Aliás, nós podemos? – manifestou-se Naruto, perdido.
_ Se for acompanhamento psicológico, podem. Anda, mexam-se! Temos que acordar o ruivo! – exclamou o guarda, indo em direção a última cela. Batendo seu fiel cacete “amigo” nas grades da cela de Gaara, Shikamaru chamou a atenção do ruivo, que encontrava-se sentado, no canto de sua cela. _ Mãos na abertura Sabaku.
Em silêncio, Gaara levantou-se do chão e fez o que lhe fora ordenado. Não entendia para que estavam tirando-o de lá.
_ Que história sem pé nem cabeça é essa de acompanhamento para cabeça? Minha cabeça está legal, falou! – assentiu Naruto, já imaginando uma velha chata falando-lhe horas sobre coisas sem sentido.
_ Primeiro: sua cabeça não nasceu normal. Segundo: o que é isso? Estão tendo algum tipo de piedade conosco agora? – interrogou Sasuke, evidenciando seu tom grave de voz, capaz de apavorar muitos dos presos.
_ Fiquem quietos e tratem as suas psicólogas bem. Elas estão aqui para cumprir uma tese. Não estão por truque algum, posso lhe garantir isso Uchiha. – afirmou Shikamaru, sorrateiro, levando-os para fora da ala.
Não contaria que, além de estudantes, as psicólogas dos três eram, realmente, muito belas. Deixaria-os quebrar a cara na hora. Era por isso que dizia: nunca julgue antes de conhecer. Aqueles três deveriam aprender a lhe escutar.
“Uma velha gorda falando um tanto de besteiras... Era só o que me faltava!” pensou Naruto, cuja face já deixava expresso seu desagrado. Com um suspiro irritado, Sasuke observava o Nara retirar as algemas de Gaara. Pelo visto, nem mesmo o ruivo deveria estar gostando da situação.
_ Você será o primeiro ruivinho. Sua sala vai ser essa duas vezes por semana a partir de agora. Estamos aqui fora... Qualquer coisa, está ferrado. – ameaçou Shikamaru, apenas como precaução, para cumprir seu dever.
Com um olhar inexpressivo, Gaara adentrou na sala que tinha uma grande placa: “sala de visitas”. Fechando a porta, o ruivo se virou, lento. No entanto, logo que se virara, vira uma estranha e curiosa figura sentada em uma das cadeiras da mesa.
Sorrindo, a garota tinha longos cabelos loiros, muito claros. Os olhos, azuis, um pouco parecidos com o céu que via somente nas sextas e segundas feiras. Com uma vestimenta roxa e os lábios pintados com um vermelho vívido, ela proferiu algo, assustando-o.
_ Olá! Meu nome é Yamanaka Ino, serei sua psicóloga de agora em diante. Ou pelo menos, uma tentativa, já que ainda sou caloura. – manifestou-se a loira, corrigindo-se no final.
XXX
Com um suspiro pesado, Naruto olhou mais uma vez para a porta onde Gaara entrara.
_ Eles morreram lá dentro? Ou a velha é tão chata que ele dormiu? – cochichou o loiro na direção de Sasuke, que permanecia com sua típica expressão séria.
_ Elas são estudantes Naruto... De Olympia...– contou Shikamaru, não aguentando mais. Virando-se na direção dos dois com um leve sorriso em um misto de escárnio e diversão, o Nara encarou a expressão chocada do loiro e o olhar do Uchiha, modificar-se, mesmo que pouco.
Notas finais
Kisses, Nita :)
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