Grace - Caindo
2 Uma Volta Pelo Passado
Notas iniciais
O dia inteiro. Foi o tempo que eu passei pensando nela. Achei-me muito boba por fazê-lo, nem sabia ao certo o nome dela. Chegou à noite na grande mansão Worsnop, Noah ainda estava no trabalho. Só eu e a velha Magde ocupávamos a mansão. Não me senti muito á vontade de conversar com ela sobre a Menina Dos Olhos Cor De Mel. O som do meu celular quebrou o silencio da casa.
– Quem é? – Perguntou Madge
– Um amigo. – Menti. Era Haley, minha ex-namorada. Fiquei muito tentada a não atender, mas eu sabia que ela insistiria até eu o fazer. Escondi-me em meu quarto e atendi
– O que é, Haley? – Minha voz soou grosseira.
– Calma Gray – Ela me chamava assim. Eu gosto do nome, então ele permaneceu depois do nosso termino – Eu estou com umas amiguinhas aqui... Você não quer me fazer uma visitinha?
– Não, Haley. – Eu não conseguiria ficar com ninguém. A menina dos olhos de mel era a única que eu queria
– Oh, porra. Eu só queria um pouco de diversão! – Eu teria de ir. Isso é um fato.
– Tudo bem. Chego aí em meia hora.
Eu realmente não queria ter de olhar na cara daquela menina novamente. Não depois do que aconteceu conosco. Mesmo assim, eu fui ao encontro dela.
– Gray! Ainda bem que você chegou! Elas estavam quase indo embora. — Disse ela, e apontou-me com a cabeça as duas meninas, ambas vestidas com couro preto(nas lingeries) e blusas brancas muito finas. Eram extremamente bonitas, com seus lábios melados de batom vermelho. — Elas queriam muito te conhecer. Sente e beba conosco. — E eu o fiz. Foi a pior coisa que eu podia ter feito. Bebi, transei, desmaiei
Acordei três horas depois, com o barulho de algo caindo no chão. Era uma das duas garotas (Gyih, eu acho) na cozinha. Ela virou-se para mim e eu percebi que empunhava uma faca. Suas pupilas já ocupavam toda a íris e havia pontos pontudos em sua cabeça, quase que como chifres. Ela franziu a testa de modo sarcástico ao perceber que eu havia acordado.
– Acordou pequena Grace? — Ela me perguntou, e foi se aproximando, ainda com a faca. — Vamos brincar... — Ela foi chegando mais perto e tentou ferir-me com a faca. Eu fugi — Assim não tem graça! — Exclamou ela — Quero matar a pequena filhinha que Ele deixou — Eu não tinha ideia do que ela falava. Quem é Ele?
A luz. Pense na luz. Siga a luz. Disse uma voz na minha cabeça. E não sei ao certo por que, mas dei ouvidos a voz na minha cabeça. Eu pensei em luz, incandescente e maravilhosa. Já não dominava mais meus movimentos, A Luz me movia. Enquanto pensava na Luz, asas brotaram de mim. Angelicais, magnificas e douradas. Recitei Shakespeare em minha mente: "Nem a mármore, nem os monumentos dourados dos príncipes,/ devem sobreviver a esta poderosa rima;/ Mas você deve brilhar mais brilhante que as pedras lambuzadas de tempo sórdido.”.
Senti-me imortal e infinita. Mas meu belo voou foi bruscamente interrompido pelo grave ruído emitido por Gyih. Enquanto pairava sob a sala, virei-me para olhá-la e já não era a mesma. O corpo retorcido, curvado. A pele com manchas escuras, dentes serrados. Tive medo daquela criatura, que com certeza não era humana, e que estava vindo em minha direção. Senti brotar fogo de minhas mãos, ele ardia, mas não consumia. E era branco. Fogo celestial. Gyih deu uma gargalhada grotesca. Eu não sabia ao certo o que deveria fazer. O medo me consumiu, eu não agi. Verifiquei cada ponto da casa, procurando uma saída. Só havia uma, no teto. E eu fugi por ela desesperadamente.
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