Graad Gakkou - INTERATIVA
33 A misericórdia
Notas iniciais
Os dias foram passando, Maise logo estava recuperada dos traumas físicos e sua situação legal resolvida pela Fundação, Wanda havia se mudado com o irmão para a mansão, os habitantes fofocavam sobre o quão próximos Sara e Giovanni haviam se tornado e sem brigarem (com direito a alguns dos cavaleiros mais arteiros apostando sobre o que aquilo realmente significava), já Aiolos e Morgana, Milo e Leona, viraram a atração fofura e doçura.
Era sob esse clima que alguns seguiam sua própria trajetória sem a atenção de ninguém. Como Camus.
Ele decidiu não segurar vela com Milo e Leona se divertindo com algum jogo barulhento, saindo para comprar alguns livros e materiais de arte, parando por fim para apreciar um café na cafeteria anexa a livraria.
Sem os sentidos aprimorados de guerreiro, poderia-se dizer que o ruivo ficou surpreso ao ver alguém sentar à sua frente. Mas é claro que ele notou a presença da garota ali.
—Abandonado pelo melhor amigo também?
Ariadne colocou a própria compra de livros de arte. Os dois haviam se tornados próximos o suficiente para o francês aceitar a presença dela do nada e vice-versa.
—Estão jogando algum jogo no quarto. Estou surpreso com o quão inocentemente Milo está tratamento o relacionamento dele com Vendramini... – ele respondeu após um gole de café. – Mas confesso que estou feliz apesar do incômodo. Não via ele feliz como agora após tanto tempo.
—Digo o mesmo sobre Leona. Ainda mais com a mãe dela sem dar sinal algum de vida...
—Não seria o caso de abrir alguma queixa?
—Creio que sim, mas... Como ela faria isso sendo menor e estando em outro país? – Ariadne olhou para o lado, dando um suspiro desanimado.
Camus raramente via sua veterana abaixar a guarda e deixar um pouco de sensibilidade e fragilidade ser revelada. Ela realmente se preocupava com Leona. Ele admirava o quão culta, inteligente e madura a grega era, e tinha total ciência de que estava lentamente se apaixonando por ela.
Diferente de muito de seus colegas, que ou não sabiam, ou não se interessavam ou até lutavam contra, Camus não fez nada sobre seus sentimentos. Se realmente seu destino era se apaixonar por Ariadne e ele tivesse total certeza, ele deixaria acontecer. Não faria nada e nem entraria em pânico, escolheria o melhor momento para declarar o que sentia e só.
Apenas seu passado era algo que martelava em sua mente, sem ter muita noção de como reagir. A namorada de Aiolos frequentando a mansão ajudava a tornar essas memórias mais frequentes, já que ela lembrava ao aquariano o que sua mente tentava sufocar.
—Sua mente parece distante, Camus.
Ah? Ora, ele fora pego de guarda baixa enfim?
—Nada digna de nota. Apenas assuntos pessoais.
—Se desejar compartilhar, ainda que de modo mais discreto, sou toda ouvidos.
—Adoraria dividir, mas... É complicado demais. Não que eu não confie em você, Reeves, mas é realmente um assunto complicado. Se ele não tivesse as camadas que tem, eu não hesitaria em dividir e pedir sua opinião. – ele desabafou, por fim.
—Se algum dia desejar compartilhar, estarei aqui.
Era raro que qualquer tipo de sorriso da ruiva, mas era caloroso o suficiente para derreter as muralhas de gelo que Camus ergueu ao longo dos anos de sua vida.
—Eu fico grato.
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Desde aquele dia que Kanon entrou feito um tornado com o celular em punho para indagar sobre Shingen, Maise nunca mais viu o geminiano mais novo. Sabia por Saga e os demais que ele estava bem e de tudo o que aconteceu em sua antiga casa.
Kanon parecia querer evitar de vê-la. E claro que ele saberia como, eles conhecem o cosmo um do outro. Quando podia, ela pedia a algum dos rapazes para ensinar ela a controlar melhor seu cosmo, ela desejava saber ocultar para tentar se aproximar dele.
Ela finalmente entendia o que se passava no coração daquele rapaz, após ouvir de Saga sobre a tragédia que fora a vida de ambos. Claro que ele temia que algo ruim ocorresse e ele se tornasse o bode expiatório. Seu coração já o havia perdoado, mas parecia que ele próprio era incapaz de se perdoar.
Em outros tempos, Maise deixaria de lado, mas Kanon foi um catalizador importante em sua vida. Ela não queria se sentir em dívida com ele, que ele se afundasse em sua própria amargura. Quando sentiu ser capaz de se ocultar, ela foi atrás do geminiano. O encontrou após um bom tempo de busca e sua surpresa é que foi numa elevação que dava vista para a floresta onde o dojo ficava parcialmente oculto.
Kanon só percebeu a presença da garota quando os passos eram próximo o suficiente para ouvir e tarde demais para fugir. Ele se levantou de salto, surpreso. Sua expressão cansada, culpada, ele parecia não ter um bom descanso há muito tempo.
Os dois se encararam por alguns segundos, com Kanon cortando o olhar, com a coragem em frangalhos. Ele se virou e ficou de costas não conseguindo a olhar.
—Você não voltou diretamente para mim, eu só pude saber das coisas pelos outros.
Ele não respondeu.
—Kanon...
Ele continuou a não responder.
—Obrigada.
—Eu não conseguir nem mesmo dar o golpe final. Eu só tornei sua vida ainda mais complicada.
Ele finalmente abriu a boca. Ela se aproximou e o abraçou por trás, deixando o loiro surpreso.
—Se você não tivesse tido a intuição que eu era um perigo eu ainda estaria ali, eu ainda estaria ali sofrendo todos os dias os meus piores pesadelos. Sem você cruzar meu caminho, eu me tornaria alguém tão terrível e odiosa... Dar ou não o golpe final não interessa, você me salvou.
Maise encostou sua testa nas costas do rapaz.
—Você esteve fazendo comidas deliciosas para me ajudar a me recuperar, investigou o dojo e então veio com seu irmão e o Shion cortar os últimos laços que me colocavam em risco. No fundo, você é uma boa pessoa.
—Está errada, eu sou um pecador que manipulou e enganou os deuses.
—É, me contaram..., mas você, com as mesmas mãos que pecaram e os mesmos lábios que manipularam, me salvou. Você não tem que fugir de mim, não tem nada de errado. Pelo que entendi, essa é a segunda vida de vocês para poderem viver uma nova experiência. Por favor, não se culpe mais.
Kanon olhava uma de suas mãos, ela tremia com sentimentos conflituosos. Que tipo de futuro ele poderia fornecer a qualquer pessoa que estivesse ligada a ele? Por que Maise o perdoou? Suas memórias o levaram até o fatídico dia em que esteve diante de Atena, o aceitando como seu novo cavaleiro de Gêmeos.
A deusa também o perdoara e o olhara com gentileza. O mesmo olhar que Kanon estava vendo naquela garota quando ele se virou. E tal qual naquele dia que ele recebera a misericórdia da senhora do Santuário, Kanon caiu de joelhos e se permitiu chorar, com Maise o acolhendo.
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Aiolos vinha acompanhando a namorada até em casa. E por mais que disfarçasse, ele sentia arrepios sempre que estava dentro do raio de visão das janelas que estavam voltadas para rua. E mesmo sem qualquer interação, ele sabia bem de quem era o olhar fatal.
—Acho que seu pai ainda não me aceitou, certo?
Morgana via o quão pálido ele ficava e, hoje sabendo bem sobre o segredo do namorado e do amigo, entendia que era apenas o instinto e os anos de treinamento.
—Hmm... Ele até hoje não aceitou meu cunhado. O tio Saga e o tio Brian disseram que as vezes ele treina tiro usando uma foto dele como alvo.
—Eh?
—Mas ele não vai fazer nada, ainda mais que mamãe já repassou a ordem da vovó Amélia.
Eles pararam em frente ao portão e ficaram de frente um para o outro. O loiro suspirou, inclinando-se um pouco e ficando testa com testa.
—Acha que eu... deveria me apresentar a ele? Digo, essas coisas como pedir sua mão em namoro? Será que isso melhoraria um pouco? Eu... não faço ideia de como isso funciona.
—Acho que não ia mudar muito as coisas, mas se você sentir que quer fazer isso, eu vejo com a mama para escolher um dia e almoçarmos todos juntos.
Sim, Aiolos ainda sentia, o olhar afiado de Stanley em suas costas. Sua cara emburrada trazia risos a um dos ocupantes do cômodo, Saga Hans caçoava do amigo.
—Olha, até que demorou para a Momozinha achar um namorado. – ele riu, mas também estava enciumado da sua afilhada.
—Não sei por que está rindo, Saga. Você ficou mais vermelho que seu cabelo quando recebeu as ordens de deixar ela em paz. – disse calmamente Brian após um gole de café.
O ruivo parou de rir, encarando o moreno que estava pleno em sua calmaria estoica.
—Ainda não engoli como você conduziu a situação. Não é típico de você fazer exceções, o que aquele garoto tem de tão especial? Aliás, não só ele, todos naquela mansão.
Stanley ainda olhava a filha com o namorado, mas atento a conversa resmungou.
—Saga disse que eles olharam como uma calma surreal até para “sobreviventes de zonas de guerra” como eles dizem ser para fotos completamente absurdas de um crime. Você não é alguém que age sem uma razão. Além do que não é qualquer um que nocauteia nossos soldados.
Brian simplesmente olhou o líquido escuro com incomum interesse.
—Se fosse permitido, eu já teria dito. Fora isso, o máximo que posso dizer é que a Suprema Ministra tem interesse na ligação com a Fundação, então o relacionamento deles garante isso.
—Mika não conseguiu arrancar nada dos computadores deles. Não tem como confiar em nada vindo da Fundação, da mansão ou o que seja dessa senhorita Kido.
—É mais fácil eu trair vocês que esses garotos fazerem algum mal a Morgana. – mais um gole ingerido, a xícara foi colocada na mesinha de centro e Brian se levantou. – E não há lugar mais seguro nessa cidade que aquela mansão para ela estar, mais até que nosso melhor quartel. Isso é tudo que posso garantir.
O moreno se aproximou da janela e discretamente olhava o casal com calma e até algum carinho.
—Apesar que não acredito que vocês ficarão sem saber tudo por muito tempo. – completou. – Só não posso garantir como lidarão com isso.
—Ei! Se vamos saber de todo modo é só contar logo. – reclamou Hans. – Para quê enrolar tanto?
Mas uma nova presença ali cortou a linha de pensamentos dos três homens. Yomi olhou com alguma severidade que fez os três se lembrarem de sua mãe, a falecida ministra Yone.
—Por que não é hora de saberem. De todo modo, vou aproveitar que Aiolos-kun gentilmente trouxe Morgana para casa e pedir um favor.
O três viram que ela tinha uma pequena trouxa e o cheiro indicava biscoitos recém assados.
—Ah não, isso é sacanagem. Biscoitinhos e nenhum é para nós? – Saga fez bico.
—O de vocês já está separado. Esse aqui é para o Milo, o amigo da Morgana que vive na mansão.
—Não sabia que algum daqueles meninos tinha ganhado sua graça. – o olhar de Stanley era mais um olhar curioso que severo ou com ciúmes.
—Milo é o outro garoto que acompanhou Morgana e Aiolos aquele dia. Ele e Morgana são apegados a ponto de se chamarem de irmãos e... Sim, aquele menino realmente precisa de cuidados e orientações. Ele não teve ninguém e sequer sabia o que era um abraço de família...
—Ele realmente puxou seu coração maternal de jeito. – Brian deu um curto riso pelo nariz. – Definitivamente, seu carinho vai ajudar muito ao garoto.
Stanley logo se lembrou do outro garoto loiro, de longos cabelos cacheados que as vezes acompanhava a filha. Parecia ser um jovem de riso fácil e extrovertido, mas com o modo que tanto Yomi como Brian o descreviam, parecia que tal sorriso era m misto do jovem grego realmente valorizar sua filha como para esconder um vazio em seu coração.
—Por que não traz esse garoto aqui, Yomi? – disse de repente.
Yomi o olhou surpresa.
—O que? Não posso acreditar que ao menos um deles merece meu respeito?
—Quem é você e o que fez com meu amigo Stanley? – disse o ruivo de forma dramática.
—Saga, você estava impressionado com os gêmeos, até adoçou alguns comentários quando era sobre eles.
—Ei, Brian! Você é meu amigo ou não?!
A mulher suspirou, deu de ombros e só saiu. Iriam começar a trocar farpas de novo igual três moleques. Ela saiu lá fora, ignorando a troca de brincadeiras do marido e os amigos, que só pararam quando um tópico muito curioso foi tocado.
—Um almoço? Claro, posso arranjar. Traga Milo também, Stanley está curioso com ele. – disse Yomi com um sorriso gentil.
Aiolos pegava a trouxa com os biscoitos.
—Eu o avisarei então. Ele também está namorando, então não sei se ele estará em algum encontro.
—Ah, ele pode trazer a namorada também. Depois vocês poderão ir no parque de diversões em casal. – a mais velha continuava com gentileza e doçura.
Saga deu outro riso para Stanley.
—Se você pensava em trocar o loiro como casal para a Momozinha, se deu mal.
—Quem disse que eu pensava nele como um novo namorado para Morgana? – o olhar fatal se desviou para o ruivo. – Só sempre senti que Milo seria um bom garoto como um filho que nunca tive.
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Mais uma seção de meditação entre Shaka e Kay havia terminado, com a garota teimando em pedir que ele a treinasse em luta também. Mas ela então fechou a cara.
—O que foi?
—Tive uma sensação estranha... Como se alguém nos vigiasse.
O que não poderia ser mais correto, e Shaka sentia as vezes que a mansão era vigiada por algo anormal.
—Eu também sinto, mas não consigo definir onde essa pessoa está e suas intenções.
—Não deveria avisar seus amigos?
—Sem provas é dificil ter sustentação em um argumento. Principalmente com tantas coisas acontecendo. De todo modo, Kay, qualquer alteração estranha não se aproxime e se estiver aqui na mansão, saia. – disse o loiro com severidade.
—Mas Shaka...
—Pelo que soube, uma divindade maligna está rondando e não posso saber quando irá atacar. Proteger você e os demais humanos é minha função e você ainda não está pronta para realmente batalhar. Me prometa que fará isso.
A ruiva o olhava surpresa. Ela nunca viu o virginiano tão preocupado assim.
—Eu... eu prometo...
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