POV Bella

Enjoo, muito enjoo.

Já era a terceira vez em que eu corria ao banheiro mais próximo do corredor do primeiro andar. O café amargo que havia tomado em casa agora parecia pertencer a um passado muito distante, tamanho era o meu mal estar. Uma senhora apareceu no caminho e eu praticamente a empurrei para o lado oposto, entrando com tudo no local e despejando sobre o vaso sanitário não sei nem o que, afinal meu estômago agora parecia oco de tão vazio.

– ARGH! – gemi ao sentir mais uma vez o gosto horrível em minha boca.

Respirei fundo, joguei novamente uma água no rosto e usei um pouco de enxaguante bucal que havia trazido em minha bolsa surrada. Voltei para a recepção e segundos depois ouvi meu nome ser chamado, indicando que eu já podia entrar no consultório que tinha uma pequena plaquinha na parte superior da porta: Dr. Edward Cullen.

Dei duas batidas leves na porta e entrei, fechando a mesma atrás de mim.

Sentei na primeira cadeira que vi já sentindo minha cabeça girar outra vez.

– Bom dia, senhorita... – ele pausou rapidamente, vi de relance que leu meu nome em minha ficha, mas logo voltou a falar. – Swan.

Foi aí que eu o encarei pela primeira vez. Quando achei na lista telefônica o número dessa clínica eu jamais pensaria que o doutor fosse tão... Tentador. Seus olhos verdes eram do tom de esmeralda mais puro, seus cabelos estavam levemente desgrenhados e possuía uma cor que eu jamais vira igual: uma mistura de cobre com dourado. Seu rosto era perfeito, um rosto de anjo. O olhei bestificada por alguns segundos, mas logo senti minha cabeça girar novamente.

– Isabella? A senhorita está bem?

Ele me chamou mais algumas vezes, e simplesmente não consegui responder.

A última coisa que senti foi sua mão em meu ombro, mas eu já não estava mais consciente ali.

[...]

– Não Jane, ela está bem. Foi apenas uma tontura.

– Mas doutor, não acha que devemos encaminhá-la para alguma ala maior? Não temos estrutura para isso!

– Não, Isabella apenas desmaiou, ela deve estar...

Eu ouvia vozes um pouco distantes de mim. A voz do médico era incrivelmente doce e soava para mim como uma das mais belas canções de ninar, o que me trazia paz. Ele conversava com alguém que eu nem sequer sabia quem era.

Tentei raciocinar em meio a escuridão que estava em minha mente. Edward Cullen falou que eu estava com o que? O que será que eu tinha? Eu já suspeitava que poderia ser uma...

– É isso Jane, ela está grávida!

Eu tomava anticoncepcionais regularmente, mas nunca transava com camisinha. Arriscava a sorte, mesmo que eu pudesse pegar alguma doença. Mas eu precisaria verificar isso do remédio assim que chegasse em casa.

Acontece que minha menstruação estava atrasada há três semanas, e eu estranhei isso, mas nunca imaginei que pudesse ser gravidez. Havia procurado um ginecologista porque pensei que pudesse ser algum problema hormonal, mas gravidez? Pelo amor de Deus!

Tentei a todo custo sair daquele transe, antes que meus pensamentos me dominassem ainda mais. Abri os olhos rapidamente, em choque.

GRÁVIDA? NÃO, POR DEUS, NÃO PODE SER, SENHOR!

Só de pensar em bebês nojentos, fraldas fedidas e choros incontroláveis já me dava ânsia de vômito novamente.

Ao meu lado estava uma moça loira com traços finos, trajando uma roupa toda branca. Devia ser uma enfermeira.

– Veja Edward, ela acordou.

Continuei encarando a mulher, até que um par de olhos verdes me olhou fervorosamente. Seus olhos queimavam em preocupação e desespero. Seus cabelos agora estavam ainda mais bagunçados, como se ele tivesse passado a mão neles várias vezes...

Saí do choque automaticamente, e me sentei rapidamente no lugar em que estava – que percebi ser uma maca, porém eu agora estava usando uma roupa leve, típica de uma consulta – sentindo meus olhos encherem de lágrimas. Tudo bem, eu era uma durona, mas não nessa ocasião. Sentia-me com o emocional abalado.

– Doutor! Ah, doutor! – solucei, tentando evitar o choro. – Eu preciso que me diga uma coisa, por favor, por favor, me diga que não é verdade! Eu ouvi algo parecido, mas eu preciso ouvir da boca do senhor! Eu não sei o que fazer da minha vida, eu nem sequer planejei isso e... – agora as lágrimas corriam descontroladamente por minha face, e eu nem sequer me importei.

Ele colocou a mão em meu rosto, e com um gesto mandou a enfermeira sair. Depois olhou-me novamente.

– Acalme-se, Isabella. Você não desconfiou de nada? Sua menstruação está atrasada há quanto tempo?

Chorei com mais força ainda ouvindo aquelas palavras, palavras que me confirmaria o que eu tanto evitei: um filho. UM FILHO. F-I-L-H-O.

– Isabella, por favor, mantenha a calma. Eu preciso informá-la de tudo, mas preciso da sua colaboração, entendeu?

Assenti, passando os dedos pelos meus olhos, o que me permitiu olhá-lo melhor.

– Doutor, isso não é possível.... – comecei.

– Por favor, me chame de Edward, não aguento mais ouvir tanto “doutor”. – deu um meio sorriso, e eu sorri fracamente com a sua tentativa de me fazer rir.

– Bem, Edward. – olhei minhas mãos que estavam sobre meu colo. – Eu desconfiei um pouco, mas achei que poderia ser algum problema hormonal, sei lá, algo assim, não sou ligada nessas coisas e eu não tinha pensado pelo lado da minha menstruação, que por sinal está atrasada há quase 1 mês. — ele assentiu levemente. – Mas me diz, por favor, não tem nenhuma chance do senhor estar enganado? Não pode ser alguma outra coisa? Por favor, diga que não! EU NÃO POSSO ESTAR GRÁVIDA! – eu segurava seu braço desesperadamente, e as lágrimas agora jorravam com mais intensidade em minha face.

– Isabella, não há erros, pelo o que estou vendo. Menstruação atrasada, enjoos fortes. Quantas vezes teve ânsia essa manhã? – perguntou cautelosamente.

– Três somente aqui, e uma em casa! – afirmei corando. – Mas isso pode ser algo estragado que comi, não pode? – perguntei lembrando da lasanha que o idiota do James trouxera sei lá de onde para o jantar.

– Bom, de qualquer forma, vamos fazer um ultrassom, está bem? – assenti, tentando limpar meus olhos novamente. Eu não iria fraquejar. – Deite-se.

Deitei-me na mesma maca que ainda estava sentada, Edward colocou um pano em cima da minha intimidade e puxou a roupa até a barriga. Pegou a aparelhagem ao seu lado, sentou-se e passou um gel em meu ventre.

Quando ele ligou uma espécie de televisão minúscula eu vi algo bem pequeno sendo projetado em um telão. Pisquei algumas vezes como para tentar ver melhor, e o ser franzino desapareceu. No entanto, o ginecologista continuou passando o aparelho, procurando ver alguma coisa também.

“Por favor, por favor, por favor, meu Deus, eu imploro que não seja verdade. Eu não posso estar...”

– GRÁVIDA. Sim, Isabella, você está grávida.

As lágrimas – agora de medo e preocupação – desceram rapidamente. O choro que eu tentei evitar agora eu não hesitava em deixar sair. Eu sabia o quanto um bebê poderia afetar o meu namoro com James. E eu sabia que ele jamais aceitaria, mesmo que fosse seu filho.

De qualquer maneira, estava tudo acabado. A não ser que...

– Eu quero abortá-lo! – gritei desesperada. Não iria deixar a vida que levava por causa de um ser intruso. – Tire isso de mim agora!

Edward arregalou os olhos e por uma fração de segundo eu achei que ele fosse desmaiar.

– O aborto, apesar de ser legalizado nos EUA, em minha cabeça continua sendo um crime. Como quer tirar de dentro de você algo que não tem culpa dos seus problemas?

Franzi o cenho. Quem aquele doutor de meia tigela pensava que era?

– Escuta aqui. – comecei, colocando o dedo na cara dele. – Eu EXIJO que o senhor tire isso de dentro de mim, entendeu?

– Vai dar uma de mimada agora ou vai querer encarar os fatos?

– QUEM VOCÊ PENSA QUE É?

– Seu ginecologista, aquele que será responsável por toda a sua...

– Gravidez? Não vai ter gravidez nenhuma! Eu vou tirar esse negócio de dentro de mim ainda essa semana! – gritei já sentindo as lágrimas descerem novamente. – Seu, seu... Incompetente!

Ele arregalou os olhos para um ponto qualquer da minha barriga, e eu segui seu olhar. Foi quando avistei a enorme mancha roxa que ainda estava ali.

Levantei-me rapidamente, ignorando a tontura que senti com tal ato brutal. Fui para trás de um pano que havia no canto inferior da sala e procurei minhas roupas. Elas estavam penduradas em um cabide: minha blusa do Paramore, meus jeans surrados. Voltando vestida adequadamente para a sala vi meu all-star preto e encardido próximo a cadeira que antes eu estava sentada, então sentei para calçá-los, desejando sair o mais rápido possível dali.

– Escute, Isabellla. Isso pode ser altamente perigoso. Apesar de ser legalizado neste país, você precisa escolher o local em que irá fazê-lo, porque qualquer problema pode ser fatal até para você.

Blá, blá, blá. Esse médico de meia tigela estava tentando convencer-me de que eu poderia morrer com isso? Francamente! Se ele acha que vou acreditar nisso...

– E eu vou dar-lhe meu cartão, para caso deseje ligar para mim, digo, em alguma emergência. – entregou-me um pequeno papel laranja em que continha seu nome e sobrenome e alguns dígitos. Havia o número da sua casa e do seu celular, além do número da clínica.

– Eu acho que devo lhe agradecer, mesmo você só tendo confirmado o início do meu martírio. – ri ironicamente. – E pode esperar sentado, porque só vou te ligar para falar que eu tirei essa COISA de dentro de mim. – peguei o maldito papel e o amassei, jogando dentro da minha bolsa de lado. Caminhei a passos firmes até a saída daquele consultoriozinho.

Já na rua, pude respirar. O que eu ia fazer? Tudo bem que eu precisava me livrar desse PROBLEMA, mas por onde começar? Deveria procurar a pobre coitada da minha mãe? Não, ela seria contra. Afinal eu nascera de um descuido desse, e ela não iria querer que eu abortasse um... Bebê. Recusava-me a pensar nessa criatura como meu filho. Era melhor ligar para alguém que pudesse me ajudar.

Corri para minha picape vermelha e velha, entrando e enguiçando a porta sem querer. Merda, teria que dar um jeito nisso qualquer hora. Peguei meu celular na bolsa e disquei para a senhorita-sabe-tudo, minha amiga desde a infância.

– Alice? Você sabe de algum lugar que aborta? — disse sem rodeios.

– Bella?

– É, sou eu. — revirei os olhos. — Você sabe de algum lugar que aborta? — repeti.

Ouvi o barulho de algo sendo quebrado do outro lado da linha.

– ALICE! – berrei. Isso era hora de me fazer esperar? Há cada segundo essa criatura crescia dentro de mim!

– VOCÊ FICOU LOUCA?! Abortar? Do que você está falando?

Puta que pariu, esqueci que ela não sabia de nada. Inferno!

– Da minha g.... Ai Alice, isso não importa, ok? Fala logo se sabe ou não, preciso resolver isso o quanto antes!

– VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA E QUER TIRAR O FILHO? ISABELLA, VOCÊ NÃO ACOMPANHA OS JORNAIS?

Ah, era só o que me faltava!

– O aborto nos EUA é legalizado, está bem? — fiz questão de lembrá-la — E eu não vou perder o James por causa dessa peste.

– Perder James? Você nem ama aquele idiota!

– Não amo, mas ele é bom na cama e me dá bebidas e cigarros sem que eu peça. Com ele o mundo é mais fácil. E dá pra parar de conversinha e me falar logo o que eu faço?

– O que você faz? Ah, Bella, você quer saber o que você deve fazer? É simples: você terá esse filho.

Não ouvi mais nada, apenas desliguei o celular e o joguei longe, o vendo espatifar no tapete do carro. Merda, isso me custaria caro! Esse era o pior dia da minha vida, não devia ter nem saído da cama hoje.

Liguei a picape e dirigi sem destino pelas ruas de Forks.

O mais irônico era que as duas pessoas pra quem eu havia recorrido me falaram a mesma coisa: “tenha esse filho”. Mas será que eu estava errada? Ora, que mal faria tirar isso de dentro de mim? Ele não era meu... Certo? E se eu falasse com James? Será que ele aceitaria? Eu não tinha mais ninguém pra me ajudar! Minha mãe, Renée, seria contra, Alice também já era, minhas outras amigas também seriam, e até o doutorzinho estava de acordo com isso. Inferno, não paro de pensar naquele lindo par de olhos verdes.

Quando dei por mim já estava na tão conhecida rua, rua em que ficava minha casa.

Toda feita de madeira, mais parecia de boneca por fora, porém por dentro era uma bagunça só. Na verdade não era bem uma casa, tudo se resumia a uma cama de casal que ficava praticamente na sala, uma bancada separando a cozinha da sala e um minúsculo banheiro. Quase todos os dias rolavam bebidas e drogas aqui, e isso só passou a existir quando James entrou em minha vida, aos meus 14 anos.

Quando abri a porta, meu namorado estava sentado em nossa cama fumando um baseado e ouvindo Slipknot. Ele não estava prestando atenção em mim, então fui até o velho e enferrujado aparelho de som e o desliguei na mesma hora.

– James, precisamos conversar!

– Oh amorzinho, já chegou das compras? – eu havia mentido para ele, disse que ia comprar algo, mas eu não havia trazido sacolas e... – Bella, cadê as compras?

Merda!

– Eu, er, hum, na verdade eu preferi comprar outro dia, só coloquei gasolina na picape. Mas isso não importa, eu tenho um papo sério pra falar contigo! — corri para a gaveta da cômoda aonde ficava meu anticoncepcional, tendo a confirmação de que não tomava há alguns dias.

– Ah, qual foi Bells, a gente pode falar sobre isso depois, vem cá fumar uma comigo e fazer um sexo selvagem como sempre, vem delícia... – ele se aproximou de mim e começou a passar a língua em minha orelha. Droga, ele sabia como me envolver muito bem.

– Mas, James... – comecei o sentindo roçar seu pênis contra mim.

– Sem “mas”, cachorra. Quero te foder com força.

Os olhos dele estavam muito vermelhos, e eu sabia que se eu insistisse ele me bateria e me marcaria talvez pior do que como havia me marcado na barriga, marca que infelizmente Edward viu. Será que sexo faz mal pro beb... quer dizer, pra “coisa”? Ah, e quem sou eu pra negar sexo por causa disso? Foda-se.

Num ato rápido tirei minhas roupas, enquanto James tirava apenas sua boxer e a jogava longe. Sentei em cima do seu membro grosso e cavalguei com toda a minha força, tentando deixar para trás os problemas do mundo e me concentrar somente no que fazia.

Ele chupava meus seios com uma força incrível, como se fosse arrancá-los. James na cama era algo surreal, nunca tinha provado nada igual. Tudo bem que eu tinha alguns casinhos por aí, assim como ele, mas morávamos juntos e isso era o bastante para que eu me viciasse nele.

– Me espere gozar primeiro, gostosa! – como sempre, o cachorro me fazia segurar ao máximo meu prazer, para ele derramar seu líquido dentro de mim. Egoísta.

– Ohhh, só mais um pouquinho, Bella... Vai, cavalga com vontade! Isso, ohhh...

Ele urrou quando chegou ao ápice, saindo de dentro de mim rapidamente. Eu terminei me masturbando, como na maioria das vezes. Olhei para ele e vi seus olhos verdes me encarando. Verdes? Não, James tinha olhos azuis. Eu devia estar meio louca.

– E então, querida, o que queria conversar? – perguntou já me virando de quatro na nossa cama.

– Hum, nada... – ele começou a passar o dedo em minha entrada e colocar o líquido em meu outro buraquinho. – Nada, hum, que não possa esperar...

Ele sorriu sacanamente antes de me penetrar por trás, me fazendo rasgar os poucos lençóis que havia ali.

[...]

1 semana depois...

POV Edward

Já fazia uma semana que aquela maluca havia saído do meu consultório. Mas por que diabos eu ainda pensava nela? Seu jeito durão e meigo ao mesmo tempo, seus olhos cor de chocolate amargo... Sim, ela era amarga. Por mais que não quisesse que eu percebesse, pude ver o quanto ela era doce por baixo de uma máscara em que se escondia, o quanto se mostrou sensível quando chorou. Será que havia conseguido abortar o seu bebê? Eu esperava fervorosamente que não. Imatura, era isso o que ela era.

E ainda tinha Jane, a enfermeira mor da minha equipe, que insistia em sair comigo. Eu devia aceitar, afinal uma transa não faria mal a ninguém, pelo contrário, mas o fato é que eu não conseguia esquecer Isabella Swan, e isso estava me enlouquecendo.

POV Bella

– É isso mesmo cara, me ajuda!

Alice franziu o cenho mais uma vez.

– O que eu poderia fazer?

– Sei lá, fala com James, me ajuda! – pedi pela décima vez.

– Falar com aquele bruto? Jamais. Só você pra aceitar morar com aquele covarde que bate em mulheres e ainda te influenciou a começar a beber e a fumar... – ela pensou por alguns instantes. – Escuta, você tem fumado?

– Sim. – confessei lembrando que na noite anterior James e eu fumamos umas duas cartelas.

Ela arregalou os olhos

– Vai matar o bebê!

– É isso mesmo o que eu quero, e não chame essa coisa bebê! – berrei irada.

– Desde quando virou assassina?

Ri ironicamente.

– Vai me ajudar ou não?

– Sabe o que eu acho? – neguei. — Acho que você devia enfrentar o James. Bella, uma hora ele vai perceber! Essa barriga logo vai começar a crescer. – eu ia negar e dizer que ela estava enganada, e que eu ia abortá-lo, só não sabia como. — E o filho é dele, será que ele não vai entender?

O fato era que eu estava com medo. Medo de abortar e acabar morrendo, como acontecem com tantas mulheres por aí. Tudo bem, era só escolher alguém capacitado, mas eu não conhecia nada desse assunto, e Alice – que era mais informada do que eu – não queria me ajudar. E ainda lembrava de quando eu era pequena e minha mãe falava que aborto perante Deus era crime. Isso tudo mexia comigo, me deixando em dúvida sobre o que fazer. Ótimo, eu estava ferrada.

– Quer saber? Vou falar com esse idiota.

– Bells, cuidado ok? Quer que eu vá com você?

Pensei por alguns instantes. Se eu falasse isso na cara dura pra James, ele com certeza iria me espancar, e eu talvez perderia a criança, o que seria bom. Por outro lado ele poderia me matar, e isso não seria nada bom. De qualquer forma ter uma ajuda não seria mal.

– Hum, ok. Vamos, preciso enfrentar a fera.

– Sua mãe já sabe?

– Não, ainda não. Mas é claro que ela vai ser contra isso, se tiver que ficar do lado da “coisa” ou de James, ela vai aceitar a primeira opção, mesmo ela gostando do meu namorado.

Seguimos para minha casa no próprio carro de Alice, eu havia deixado a picape lá, afinal a coitada quase nem saía do lugar de tão velha e empenada que estava. Quando chegamos, respirei fundo algumas vezes e minha amiga parecia que ia ter um treco a qualquer momento.

– Fique aqui, está bem? Se você entrar comigo será pior. – ela assentiu.

Tomei uma coragem absurda e entrei na casa. Meu olhar percorreu todo o ambiente, até que parou na cama. Cama em que eu dividia com James, mas ainda assim era MINHA.

Enrolada em um lençol dormia uma loira bonita, aparentemente mais velha do que eu. Ouvi vozes e fechei a porta da frente, me escondendo embaixo do enorme balcão.

– Biscatinha, acorde!

A mulher não se mexeu. James foi até ela e lhe deu uma lambida nas partes íntimas. Gemi de nojo com aquilo. Na minha cama? Não, aí era demais!

– Anda Tanya, querida – deu mais outra lambida — daqui a pouco a minha mulherzinha desgraçada chega, e não vai ser nada legal ela pegar uma biscate nessa cama aqui.

Ela começou a gemer descontroladamente, e logo James começou a fazer oral nela. Nem em mim aquele cachorro fazia sexo oral, e agora faz em uma vadia qualquer? Senti meus olhos encherem de lágrimas. Merda, cadê a Bella valentona que sempre fui? Acho que devia ser coisa da gravidez.

Não aguentando mais a cena, saí do meu esconderijo e fiquei atrás do canalha. A loira arregalou os olhos e fez sinal para que o imbecil se virasse, e quando este o fez eu lhe dei um soco com toda a força que pude, fazendo com que ele caísse sobre a cama.

A vagabunda começou a correr desesperadamente, procurando suas roupas em meio a confusão e correndo ao banheiro em seguida. Ia atrás dela, quando James me segurou pelos braços, imobilizando-me e falando em meu ouvido:

– Ora ora, ficou louca, vadia?

– Louca vou ficar se você não me soltar agora! – berrei já chorando de novo. Essa gravidez estava realmente acabando comigo.

– E se eu fizer isso aqui, hein?

Eu estava prestes a perguntar o que ele ia fazer, quando deu um soco forte em meu ventre. Automaticamente me contraí, colocando as mãos como uma proteção, e tirei forças não sei de onde para dar-lhe um chute nos testículos. James gemeu e rosnou:

– Sua imbecil, eu já sei de tudo! Acha que eu não percebi sua mudança de comportamento durante essas semanas? Desgraçada, eu não posso ter filhos! Eu sou estéril, Isabella vadia!

A última coisa que ouvi foi um grito, provavelmente vindo da tal Tanya. Depois disso eu caí no chão sem ver absolutamente mais nada.

[...]

– Bella, acorde!

Abri os olhos lentamente, tentando reconhecer o lugar. Não era em nada parecido com algo que eu costumava frequentar. Como para sair daquele pesadelo fechei meus olhos novamente, até que senti dedos frios me tocando.

– Ai Bells, vamos! – sua voz era chorosa. – Acorde!

– O que aconteceu? Ela está bem, Alice? — pude ouvir a voz da minha mãe.

– Sim Renée, agora está. Ou quase tudo bem.

O que ela queria dizer com quase tudo bem? Se eu estava viva, deveria estar tudo bem, não deveria? Bom, mas tinha uma coisa dentro de mim e...

– Alice, o bebê! – gritei já colocando a mão em meu ventre e não sentindo nada.

– Bebê? Mas que bebê, Bella? – perguntou minha mãe me olhando como se eu estivesse louca.

– Eu estou grávida! – eu falava gritando, e pela primeira vez essa frase pareceu uma verdade para mim.

– Oh meu Deus, Alice, não me diga que... – Renée começou a chorar.

– Bella, me ouça. Você...

– Agora vai ficar tudo bem. – ouvi uma voz masculina, mas não era de James. Eu já tinha ouvido essa voz antes, era doce e parecia uma canção...

– Doutor, o que aconteceu com minha menina?

– Já vou explicar tudo, senhora. Isabella, está me ouvindo bem? – perguntou e mexeu a mão em minha frente.

Assenti e pisquei algumas vezes, finalmente o encarando.

– Você conseguiu o que queria. — continuou ele, meio triste. - Não existe mais bebê nenhum.

Não? Mas eu não me lembrava de tê-lo abortado. A última coisa que me lembrava foi de James me dizendo que era estéril, o que significava que o filho não era dele, e eu nem sabia de quem era.

– Tem certeza disso, doutor? – perguntou Alice.

Eu não conseguia falar. Estava imersa em meus pensamentos tumultuados.

Ouvi alguns soluços mais fortes e olhei para o lado. Minha mãe estava sentada em uma poltrona ao lado da maca, com as mãos entre as cabeças. Um ato tão nosso.

– Eu... Eu não estou mais grávida? – questionei em um sussurro.

Ele me olhou cautelosamente antes de dizer o que eu tanto quis ouvir um dia:

– Não.

Então eu desabei. Chorei como nunca havia chorado antes, deixei as lágrimas escaparem de meus olhos sem nenhum pudor, como se o choro fosse levar consigo todas as minhas mágoas, tristezas, infelicidades que eu vivi durante todos esses anos. Há alguns dias eu realmente gostaria de ter ouvido que eu não estava grávida, que não havia feto nenhum dentro de mim, mas hoje era uma dor enorme. Me sentia vazia, e me culpei mentalmente por todas as vezes em que neguei aquele filho. Era um filho, um ser que ia crescer dentro de mim. Pouco me importava se eu não sabia ainda quem era o pai, o que importava era que ele era meu pequeno, ou pequena. E eu nunca saberia se seria uma linda menina, ou um rapazinho.

Pensando nisso, chorei mais. Uma mistura de sentimentos, uma dor imensurável. Chorei a morte do meu pai que acontecera há dois anos, vítima de um câncer no fígado. Chorei os anos que passei com James, o sofrimento da minha mãe ao me ver entrar no caminho errado, e depois o conformismo dela ao ver que eu me achava feliz com meu namorado. A descoberta da gravidez, a repulsa, o ódio que senti quando descobri que alguém – meu filho – estava querendo vir ao mundo, e isso pra mim significava ter que abrir mão de drogas, bebidas, perdição. Mas seria tudo por ele – ou ela.

Senti braços finos e franzinos me envolverem, e eu sabia que eram de Alice. Apoiei meu rosto em seu ombro e tentei me recompor, mesmo morrendo de vontade de correr dali o mais rápido possível.

– O que... – eu comecei tentando perguntar, mas minha amiga calou-me, colocando um dedo na frente dos meus lábios.

– Bella, vou lhe contar tudo, mas você tem que ser forte, está bem? – assenti.

– Quando você entrou naquela casa, eu sabia que isso – apontou para meu ventre – podia acontecer. Chamei a polícia, mas os policiais demoraram um pouco de chegar. Desesperei-me do lado de fora, até que vi uma loira correndo e gritando feito uma louca. Entrei correndo na casa e vi você caída no chão, e James jogado gemendo de dor. Pude ouvir a última frase que ele disse: “Desgraçada, eu não posso ter filhos! Eu sou estéril, Isabella vadia!” – tremi internamente com as palavras que agora ouvi com clareza. – A polícia chegou bem na hora e foi mais do que comprovado de que ele havia te espancado, aproveitei e falei tudo o que sabia, esse animal tem que pagar por tudo o que fez. Os homens me ajudaram a colocar você em meu carro e eu lhe trouxe para cá, avisei Renée, estava muito desesperada. Quanto à loira que saiu da casa, bem, ela fugiu.

– E James? – perguntei num sussurro. Pude sentir Edward enrijecendo ao meu lado.

– Ele está preso, Bells. Mas os policiais aconselharam não voltar a morar naquela casa, porque se algo der errado lá será o primeiro lugar em que ele irá lhe procurar.

As cenas do meu ex-namorado com a loira inundaram minha mente. Em nossa cama, nossa casa. Coisa que tínhamos prometido um ao outro que jamais aconteceria sob o nosso teto. Desgraçado! Eu estava com tanto medo de perdê-lo quando iria contar-lhe sobre a gravidez. Medo de perdê-lo não por amor, nós nunca nos amamos. Mas por comodismo, porque com ele eu vivia a vida rebelde que sempre sonhei para mim um dia.

Mais soluços preencheram o ambiente, e só então me dei conta do quanto minha mãe chorava. Edward olhou para ela em desespero.

– A senhora quer uma água, um calmante?

– N-Não. – gaguejou e olhou para mim. – Obrigada, doutor.

– E para aonde eu vou agora? – eu sinceramente não sabia o que fazer. Não tinha dinheiro nem para pegar um táxi, quanto mais arrumar uma casa.

– Para minha casa, Bella.

Quem havia falado isso não foi nem Alice e nem Renée. Foi quem eu menos esperava: Edward.

– O QUE? – gritei.

– Bells, escute – começou minha amiga – Edward está apaixonado por você.

O ginecologista apaixonado por mim? Não, era piada.

Ri ironicamente.

– O que está dizendo, Alice?

– É isso mesmo, filha. Edward conversou conosco enquanto você estava inconsciente. Ele nos contou tudo. Pode parecer meio estranho, mas ele é o homem da sua vida, eu senti isso, Bella.

Morar com um cara que eu não conhecia?

– Isso se você quiser, além do mais ele poderá cuidar de você durante esse tempo que estará em recuperação, e James jamais a achará lá. – concluiu Alice.

A quem eu estava querendo enganar? Apaixonara-me pelo Cullen desde o primeiro dia em que o vira, por isso tanta repulsa. Primeiro ele me contrariou, não querendo me ajudar a abortar meu filho, depois causou em mim uma atração tão forte que eu nem sabia explicar. Até mesmo com James consegui ver seus olhos e o imaginei comigo na cama, quando na verdade quem estava lá era aquele que foi responsável por minha desgraça.

– Pode pensar, se quiser, Bella. Terá todo o tempo do mundo, eu esperarei a vida toda por você.

Acho que sorri, mas logo comecei a chorar novamente – desta vez de alegria.

Deus tinha me levado um filho – ou filha — mas me mandara um homem que eu sentia que seria meu companheiro talvez até por toda a vida, como ele mesmo havia dito.

Era hora de ser feliz.


Notas finais
SE VOCÊS COMENTAREM BASTANTE SOBRE O QUE ACHARAM DESSE CAPÍTULO ÚNICO EU POSTAREI O CAPÍTULO BÔNUS (EPÍLOGO) AINDA HOJE! POR FAVOR, COMENTEM, NÃO QUERO LEITORAS FANTASMAS, OK? CONTO COM VOCÊS! BEIJOS.