Gotta Believe
4 First Time
No dia seguinte, quando Hanna acordou, ela levou uma bronca da mãe, por ter chegado tarde e por ter ficado bêbada. No dia anterior Stefan falou para ela que as aulas começam às oito horas e não às sete, por isso ela não havia chegado atrasada no primeiro dia. E também não chegaria atrasada hoje.
Hanna estava de ressaca. Sua vontade de ir para a escola era a menor possível. Ela não estava afim de ir de saia, mas também não queria ir de calça, pois o dia estava quente e o sol tão brilhante que era impossível olhar pro céu sem piscar. Então, ela decidiu vestir um shorts jeans, uma regata branca justa, um cardigan por cima e tênis.
Depois de pronta, a garota arrumou sua bolsa de ombro rapidamente e pegou uma maçã para comer no caminho, ela não estava afim de encarar a mãe novamente.
O caminho foi longo e entediante.
As três primeiras aulas foram entendiantes e cansativas. Quando bateu o sinal do intervalo os alunos se levantaram e começaram a gritar uns com os outros, a rirem, fazerem bagunça e etc.
Duas garotas tinham entrado para a sala de Hanna. Uma chama-se Aria e a outra Spencer. Aria era mais baixa e tinha um ar misterioso, já Spencer, era mais alta e mais magra, não tinha muito de especial, exceto pelo fato de que ela é uma irritante sabe-tudo.
As duas amigas, Aria e Spencer, foram conversar com Hanna, pois a loura estava sozinha trocando mensagens com alguém pelo celular.
Hanna não notou a presença da dupla se aproximando, então sequer levantou a cabeça para cumprimenta-las.
As garotas se sentaram perto de Hanna. Uma olhou para outra, depois, Spencer disse:
__ Você já ouviu a nova musica da Beyoncé?
Hanna balançou a cabeça sorrindo até que percebeu que alguém falou com ela. Ela olhou para as duas garotas na sua frente e disse:
__ Como?
__ Você já ouviu a nova musica da Beyoncé? — Spencer repetiu com um sorriso de desgosto no rosto.
__ Ah, não. É boa? — Hanna disse, espontânea.
__ Sim! — Aria afirmou.
Hanna apenas sorriu. Ela enviou mais uma mensagem e enfiou o celular no bolso do shorts.
__ Poxa, legal.
__ Você mora aqui a muito tempo? — Spencer perguntou e Aria mandou um olhar de severo para a amiga, que, por sua vez, deu de ombros.
__ Não. Me mudei mês passado. E vocês?
__ Também não. — as duas responderam e uníssono.
__ Ei, — Hanna disse enquanto se levantava — vou comer alguma coisas, vocês vem?
__ Ahn... sim, claro.
Stefan estava numa mesa no fundo do refeitório. Junto com Elena e Caroline. Elena e Salvatore trocavam olhares tímidos e cheios de tristeza, enquanto Caroline falava sobre alguma reunião extremamente importante para todos. Hanna pensou em ir até lá, mas as duas garotas estavam na 'cola' dela e também ela não sabia se devia importuna-los.
Aria, Spencer e Hanna sentaram-se numa mesa no outro canto do refeitório, era a unica vazia. Aria e Spencer ficaram contando sobre suas vidas e perguntando sobre a vida de Hanna o tempo todo...
O mesmo garoto que havia feito aquela brincadeira de mal gosto com Marin no primeiro dia de aula apareceu na mesa das três garotas e sentou-se ao lado de Aria. Ele estava com o mesmo sorriso de deboche daquele dia e com o mesmo ar de arrogância. Hanna quis levantar e sair dali sem dar explicações, mas ela não conseguiu e também não podia deixar as duas pobres coitadas perto daquele imbecil.
__ Acho que não nos apresentamos ainda. — O garoto disse olhando para Hanna Marin — Meu nome é Tyler. Ouvi dizer que teu nome é Hanna. Ouvi certo?
Aria teve uma especie de tremelique rápido e sua expressão ficou séria, sua pele ficou pálida. Spencer ficou preocupada e Hanna assustada. Tyler franziu a testa e trincou os dentes, sua pele também ficou pálida. Era como se Aria tivesse levado um choque e transmitido para Tyler. O garoto soltou um grito baixo de dor e tentou se levantar para sair dali, mas ele caiu no chão e começou a se debater, gritando. As pessoas já rodeavam a mesa para olhar a cena e algumas estavam até mesmo filmando tudo. Um amigo de Tyler tentou ajuda-lo, mas ele fez um som parecido com rosnado. A atenção estava toda para Tyler, mas algumas pessoas perceberam Spencer puxando e sacudindo Aria pelos ombros enquanto dizia "para, para, para"...
Hanna estava em pé, assustada com a situação, assim como a maioria dos alunos. Tyler se contorcia de dor e gritava cada vez mais alto. Stefan apareceu rapidamente para tentar ajuda-lo, mas Tyler não deixou que Stefan ousasse por as mãos nele. Uma aluna chegou correndo e gritando em direção aos demais alunos, ela dizia: "Saiam da frente, saiam!".
Alguns segundos depois o professor Alaric Saltzman atravessou a multidão de alunos e puxou Tyler, rastejando-o pelo piso do refeitório. O nariz de Tyler começou a escorrer sangue, a situação parecia piorar e ele fazia força contra o chão, bom, o garoto não é do tipo magrelo, então, ficou difícil conseguir tirar ele dali a força. Outros professores e o diretor estavam chegando aflitos no local.
Uma menina que estava em pé ao lado de Aria, viu o sangue escorrendo do nariz de Tyler e cambaleou para trás, derrubando um copo de água em Aria. Aria parecia ter acordado de um sonho. Ela deu um grito de susto, mas Spencer a ajudou a se levantar e as duas saíram quietas do local.
Tyler se acalmou e o mostrou grande melhora. Alaric conseguiu faze-lo se sentar em um banco e mandou que o restante dos alunos fossem para suas aulas, assim o restante dos professores também. O diretor ligou para a família de Tyler e contou o que aconteceu, mas que ele já estava melhor e não precisaria de ir ao hospital. De qualquer forma, Tyler foi embora para casa, descansar.
__ Que coisa, hein! — Caroline desabafou para qualquer um que a ouvisse. Hanna que estava perto olhou e disse:
__ Pois é.
__ Você está bem? — Caroline perguntou.
__ Sim, sim... — Hanna sabia que ela havia perguntado em relação ao que aconteceu à Tyler, mas mesmo assim ela achou que deveria fazer a mesma pergunta para Caroline — e você?
__ Também. — Caroline sorriu e foi ao encontro de Elena e Stefan. Eles se falaram um pouco e Stefan foi falar com Hanna Marin.
__ Oi. — Ele disse, sorrindo. Ainda envergonhado pela situação constrangedora da noite anterior.
__ Oi. — Marin respondeu — Ele vai ficar bem?
__ Sim... isso foi no mínimo estranho. Você não sabe o que aconteceu com ele?
__ Não. Ele se sentou com a gente e de repente começou a fazer uma cara estranha, então, quando ele foi se levantar, ele caiu e...
__ É... — Stefan disse.
__ Bom, eu não sou e nem pretendo ser amiga dele, mas fico feliz que ele esteja melhor.
__ Claro, eu também.
Ambos se afastaram com um olhar e cada um foi pro seu lado.
Hanna lembrou-se que Aria também tinha passado mal, então ela foi procurar a menina para checar se estava bem. Infelizmente, ela encontrou a vice-diretora num corredor, e teve de ir pra sala. Aria e Spencer não estavam na sala.
Os alunos estavam tensos, curiosos e assustados por Tyler. Então, todos foram dispensados mais cedo.
Quando Hanna chegou em casa, ela contou tudo o que tinha acontecido no colégio para sua mãe e acabou descobrindo que a família de Tyler, os Lockwood, são os donos da empresa onde a Ashley, a mãe dela está trabalhando.
Ashley praticamente implorou para a filha ir até a casa do garoto para ver se ele estava melhor, e claro, para mencionar que elas são mãe e filha. Hanna teve de prometer que vai na casa, só assim a mãe ficou sossegada e pôde voltar do horário de almoço para o emprego.
Marin descansou um pouco, tomou banho, se arrumou e foi para o endereço que a mãe havia lhe dado, para a casa de Tyler. Felizmente, ninguém atendeu, talvez estivessem no hospital, ou, talvez, simplesmente não estivessem em casa. Ela voltou para a casa.
Já em casa, Hanna ficou no mexendo no computador um pouco e depois assistiu um filme. No final da tarde, ela já não tinha o que fazer. Então, resolveu fazer uma caminhada para aproveitar e conhecer a cidade um pouco melhor.
Hanna já estava cansada, após correr cerca de cinquenta minutos, então ela começou a caminhar conforme seu fôlego deixasse.
De repente, ela teve a sensação de que alguém estava a seguindo. Hanna apressou o passo e entrou na floresta da cidade, para tentar despistar quem quer que fosse. Já começava a escurecer e a sensação não passava. Marin estava aflita, ela nunca se sentiu sendo perseguida e essa sensação é completamente nova e assustadora para ela. Depois de andar um pouco pela floresta, a sensação acabou e ela parou para observar a beleza natural do ambiente onde estava. Hanna riu para si mesma. "Que tolice!", ela pensou. Hanna Marin achou que era coisa de sua cabeça. Estava decidida e a dar meia volta e voltar pra casa, mas ouviu algumas vozes. Algumas vozes que ela já conhece.
Stefan, Caroline, Elena.
__ [...] nele. Ele já nos traiu uma vez! — Stefan gritava.
__ Não estou pedindo para confiarmos nele, não estou pedindo para que você seja o amiguinho dele e tampouco estou pedindo compreensão. Só quero que façamos o melhor para nós. — Elena dizia.
__ É a nossa unica opção. — Caroline ponderou.
__ Não, não, não! — Stefan passava a mão no cabelo e andava de um lado pro outro enquanto pensava.
Hanna ficou os ouvindo e observando á espreita.
Eles continuaram discutindo, até que Klaus chegou. O sorriso sínico e malicioso estampando seu rosto, como sempre. Klaus cumprimentou as duas garotas e fez uma reverencia debochada para Stefan, que não gostou nada.
__ E então? Já decidiram? — Klaus perguntou, de braços abertos, sobrancelhas arqueadas.
__ Nós o ajudaremos. — Elena disse.
__ Desde que mantenha sua promessa. — Caroline disse.
__ Nem nos sonhos! Não vamos ajuda-lo e ponto!
__ Stefan! — Elena gritou, desapontada — Eu pensei que você estivesse de acordo.
__ De forma alguma. — Stefan disse — Se você — ele apontou para Klaus — quiser algo de nós, terá que me obrigar a ajuda-lo, pois não farei de boa vontade.
__ Pois bem.
Foi tudo muito rápido. Klaus se locomoveu numa velocidade impossível para um humano e arrancou um galho de uma das arvores e enfiou o pedaço de madeira na barriga de Stefan.
Hanna se assustou e quase caiu para trás. Ela pensou em gritar, pensou em sair correndo, em... Então ela viu mais uma coisa: Klaus exibiu seus dentes brancos, e afiados como os dentes de um felino. Ele pulou sob Stefan e fincou aqueles dentes no pescoço de Stefan. Hanna realmente quis sair correndo, mas não conseguia, ela precisava entender o que estava acontecendo. Ela sentiu seu estômago revirar e foi a primeira vez que ela realmente sentiu medo. Pudera, ela estava vendo um vampiro. Klaus é um vampiro. Elena, Caroline e Stefan são vampiros.
A garota viu Caroline e Elena pularem para cima de Klaus, mas alguém saiu de trás dos arbustos e atacou-as, fazendo ela recuarem. Esse alguém, esse alguém chama-se: Tyler Lockwood. Mas ele não mostrava os mesmo caninos que Stefan e as duas vampiras. Seu rosto era diferente, era como se ele fosse algo a mais. Algo incontrolável, indomável. Se as duas que eram vampiras estavam recuando com medo, imagina só Hanna...
Stefan tentava inutilmente sair das presas de Klaus, mas ele não conseguia. E ainda tinha aquele tronco atravessado em seu corpo... A cena toda era horrível.
Quando tudo parecia perdido, uma pessoa que Hanna nunca viu na vida chegou e fincou um pedaço de madeira em Klaus. O galho era tão grande quanto o que estava atravessando Stefan.
O homem, também vampiro, tinha olhos azuis como o oceano, cabelos negros como a escuridão, pele pálida como o vazio... Ele era alto, corpo atlético, e sua expressão era amedrontante.
Klaus gritou quando a madeira atravessou seu corpo e soltou o pescoço de Stefan. O Salvatore rapidamente tirou a madeira que o estava machucando e ele parecia não estar com nenhuma dor, o que surpreendeu Marin. Tyler, quando notou a presença do outro cara, parecia um bicho assutado, e também parecia que ambos já se conheciam. Lockwood fugiu tão rápido que ninguém conseguiria dizer para que lado ele foi. Klaus se virou furioso para com o outro vampiro e sorriu demonstrando desprezo. O vampiro louro tirou a madeira do corpo como se aquilo não tivesse significado nada. Enquanto Klaus se exibia para o vampiro dos olhos azuis, Stefan aproveitou o momento de distração do louro e... quebrou o pescoço do vampiro.
Foi a gota d'água. Hanna soltou um grito agudo, fazendo com que todos se virassem na direção onde ela estava escondida até então.
Stefan Salvatore foi até Hanna e a puxou pelo braço até os demais.
__ Você está bem? Oh, meu Deus! O que foi que você viu? — Ele perguntou.
__ Eu te salvo e você nem mesmo se importa em me agradecer? — O vampiro perguntou para Stefan. Elena e Caroline olhavam para ele o tempo todo.
__ Oh, desculpe, irmão. Obrigado. Eu não sabia que você estava por aqui. Em Mystic Falls.
__ Estou bem... Vocês, vocês... vocês são...
__ Vampiros. — o rapaz afirmou com um sorriso de orgulho no rosto.
__ Ela não pode sair gritando isso por aí! — Elena gritou para Stefan, como se Hanna nem mesmo estivesse presente.
__ Elena! Que bom revê-la!
__ Ah, Damon, por favor! — Elena disse.
Então esse é o nome do vampiro. Damon. Stefan o chamou de irmão, então ele também é um Salvatore. Damon Salvatore.
__ Eu vou conversar com ela. — Stefan disse na tentativa de acalmar Elena e Caroline.
__ Você o matou? — Marin perguntou, apontando o dedo para Klaus, caído na grama.
__ Não. Ele acordará daqui algum tempo. Minutos ou horas. Para mim, quanto mais tempo ele ficar assim, melhor.
Hanna não soube o que falar.
Damon sugeriu que matassem Klaus, mas Stefan disse que é uma história complicada. Pelo visto, essa foi a primeira vez em que Damon viu Klaus.
O vampiro conversou um pouco com Stefan e depois foi embora pela floresta. Elena, Caroline, Stefan e Hanna foram embora juntos, em direção à cidade. Stefan foi explicando tudo sobre vampiros pelo caminho. Hanna prestava atenção em cada detalhe, mas ainda era difícil acreditar em tal coisa.
Elena parecia distante com os últimos acontecimento e Caroline estava apenas em silêncio.
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