Gotta Be You
23 Capítulo 23
Notas iniciais
POV Christian Grey
Quando chego em casa a primeira coisa que faço é ir para o meu quarto. Minha cabeça está uma verdadeira desordem. O real problema da coisa é que ela não sai da minha cabeça. Em vários momentos pensei na hipótese de estar realmente apaixonado, mas cá entre nós, Christian Grey não se apaixona. Graças ao bom Deus, eu nunca me apaixonei, e nem pretendo. Já teve momentos que eu já fiquei com uma garota mais de uma semana, mas nunca rolou um sentimento real, só foi pegação, não passou disso. Eu não consigo ficar com uma garota por muito tempo, por mais que minha atração pela a Anastásia seja grande, eu não conseguiria entrar em um relacionamento sério com ela, eu não sou assim. Um beijo aqui, um beijo ali, uma transa aqui, outra lá... Enfim, elas gostam assim.
– Christian? — Escuto minha mãe me chamar no andar de baixo. Desço as escadas e a encontro sentada no sofá, com os olhos avermelhados. — Precisamos conversar querido.
Pelo jeito que sua voz sai, completamente embargada de choro, a coisa não está boa. Percebo que a sala está repleta de caco de vidros no chão, e várias fotos estão quebradas, assim como alguns quadros. Que porra aconteceu aqui? Como foi que não vi isso antes?
– O que aconteceu? — Pergunto me sentando do seu lado no sofá.
– O seu pai vai sair de casa. — Sussurra.
Arregalo os olhos. Que porra é essa?
– O que? Por que? — Pergunto chocado.
– Chri-stian... — Minha mãe simplesmente para de falar e começa a chorar copiosamente ao meu lado.
– Mãe o que tá acontecendo? Por que a casa está toda revirada? — Pergunto olhando para ela, que apenas chora. — Mãe fala comigo, sou eu o Christian, o seu Chris. — Falo a puxando para os meus braços.
– Chris-tian... o seu pai... ele me traiu.
(...)
POV Anastásia Steele
Kate passou a tarde inteira aqui em casa. Já fazia alguns dias que não passávamos tanto tempo juntas.
– Ana, eu preciso te contar uma coisa...
Quando Kate me olha com essa cara, lá vem bomba! Indico com a cabeça para que ela conte logo.
– Estou ficando com o Elliot.
O que? Eu escutei direito?
– Grey? — Pergunto mortificada.
Ela assente. Estou completamente chocada.
– Irmão do Christian e da Mia? — Pergunto desacreditada.
Ela assente de novo
.- Kate, você tem certeza que estamos falando do mesmo Elliot? — Pergunto ainda sem acreditar.
Kate revira os olhos.
– Sim Anastásia, eu estou ficando com o Elliot Grey, o irmão do palhaço do Christian. — Fala revirando os olhos.
Ainda não consigo acreditar nisso.
– Mas você é tão diferente dele.
Kate apesar de gostar de fazer gracinhas, é uma garota centrada, estudiosa. Já o Elliot eu não sei, não sou ninguém para julgar mas, eles realmente são bem diferentes.
– Eu sei disso mas, ele é tão legal comigo, ele é muito fofo, me faz rir toda hora e depois do que te contei sobre os meus pais estarem se divorciando, estou realmente precisando de alguém que cuide de mim, que me faça rir, para esquecer tudo isso, sabe?
Assinto.
– Bom, só não quero ver você chorando por ele, se não. — Finjo que minha mão é uma arma e dou vários tiros em direção a porta. Kate ri. — Não é para rir não, tô falando sério.
Kate revira os olhos.
– Sabe o que eu reparei?
– O que?
– Você não tocou no nome do Grey hoje.
Reviro os olhos.
– Que se ferre ele. Não quero mais saber do Christian, cansei de ficar caindo nos joguinhos dele. Eu não sei o que ele realmente quer de mim, e eu também não sei o que quero dele. Ultimamente as coisas estão ficando tão confusas na minha cabeça. — Falo suspirando.
– Lembra quando eu te disse que ele não é para você?
– Claro que lembro.
– Pelo visto eu não estava enganada. — Kate fala me olhando seriamente.
Reviro os olhos.
– Olha Kate, eu nem sei o que te dizer, porque como eu tinha dito antes, as coisas estão muito confusa aqui dentro. — Aponto para a minha cabeça. — Ao mesmo tempo quero ficar com ele, quero estar longe. Antes eu conseguia resistir a ele, mas ultimamente tem sido tão difícil evitá-lo. Odeio essas sensações que tenho quanto estou perto dele, beijando ele.
Kate ri.
– Pode ser uma paixonite.
Arregalo os olhos.
– Tá louca?
– Ué, vai saber?
– Acho que não em, Kavanagh.
Kate e eu, ficamos conversando até o jantar. Minha mãe nos chamou e tivemos que encerrar os assuntos por hora. Me sento na mesa e espero que papai chegue para poder atacar a lasanha.
– Boa noite mulheres da minha vida. — Papai fala, todo risonho. — Como vai Kate? Não te vejo desde... — Faz uma expressão pensativa. — ontem?
Reviro os olhos.
– Pai!
Todos riem, inclusive Kate.
– Está bem engraçadinho papis! — Kate cerra os olhos para ele. — Que tal nos contar o motivo desse seu bom humor?
– Ei! Eu que deveria ter perguntando isso, sabia? — Pergunto para Kate indignada.
– Pois bem, — Respira fundo. — fechei um ótimo negócio com a empresa de um amigo.
– Uau. — Falo entediada.
– Isso é ótimo querido. — Mamãe sorri e pega a mão do meu pai.
– Temos um motivo para brindar hoje. — Kate fala levantando seu copo com Coca-Cola.
– Um brinde ao futuro do nosso império. — Papai levanta sua taça com vindo e mamãe faz o mesmo. Levanto meu copo com coca e brindo com eles.
(...)
Depois do jantar, papai levou Kate para casa, já que Jason, nosso motorista está de folga. Jason é como um segundo pai para mim, sempre me levava para tomar sorvete quando eu brigava com o meu pai. Minha relação como o meu pai é maravilhosa, mas as vezes sinto que ele me pressiona demais, e não gosto disso.
– Princesa? — Me chama.
– Sim?
Me levanto do sofá, ficando sentada. Estou assistindo Viagem Ao Centro da Terra.
– Você conhece algum Jack? — Pergunta.
– Jack? — Franzo o cenho, pensativa. — Acho que não, por que?
– Fechei contrato com o pai dele. Bom, ele me disse que o filho estuda na mesma escola que você. Pensei que poderia conhecê-lo.
– Não sei, talvez eu conheça e não estou lembrada. — Coço meu queixo.
– As empresas Wyde são uma das maiores do país.
Oi?
– Repete.
– As empresas Wyde...
Não pode ser. Meu pai fechou contrato com a empresa do pai do Jack? Meu Deus como não reparei?
– Eu conheço o filho dele sim, pai. — O interrompo. — Na verdade até demais... — Sussurro.
– Que bom. — Sorri. — Vai ter um coquetel, quero que você vá e faça companhia para ele.
– Por mim. — Dou de ombros.
Papai e eu conversamos mais um pouco, depois, cada um foi para o seu quarto. Me deito na cama e encaro o teto. Como o mundo é pequeno. Quem diria que o meu pai é amigo do pai do Jack?
(...)
POV Christian Grey
Termino de fazer minhas malas e me jogo no pouco espaço da cama, que agora está repleta de sapatos e roupas. Ainda não acredito que o meu pai traiu a minha mãe com a secretária, esperava muito mais do coroa. Nego com a cabeça. E agora depois dessa palhaçada toda, vou ter que ver a cara do safado, e ainda morar com ele. Elliot e Mia irão ficar aqui com a minha mãe, já eu vou ter que morar com o infeliz. Por que? Minha mãe falou que como foi ela que pediu o divorcio, ele tinha o direito de ficar comigo ou com o Elliot e a Mia, e quem foi que o desgraçado escolheu? O filho imperfeito. Eu mesmo, Christian Fodido Grey, que ironia do destino. Respiro fundo e levanto jogando o restante das coisas que faltavam dentro de umas das malas e saio do quarto. Desço até a cozinha, onde tomo um copo d' água. Escuto minha mãe terminar de conversar com alguém ao telefone, deve ser o meu pai. Se é que posso chamar esse cara de pai. Coloco o copo dentro da pia e vou para sala, onde minha mãe termina a conversa.
– Não pense que só porque ele vai passar um tempo com você, que ganhará a confiança do seu filho de volta Carrick. — Fala ao telefone. — Infelizmente.
Minha mãe coloca o telefone no gancho e se vira, me olhando com os olhos marejados. Porra. Me aproximo dela e abraço com todas as minhas forças.
Como o meu pai teve coragem de trair ela? Isso é inacreditável, minha mãe é a mulher mais doce que conheço, ela é forte, trabalhadora, decidida, uma boa mãe e esposa. Sempre colocou os filhos e o marido acima de tudo e de todos. Ainda não consigo acreditar que ele "destruiu" a nossa família por uma simples secretária, tudo bem que a nossa família não era o maior exemplo, mas cara independente de tudo éramos uma família, com todos os nossos altos e baixos, mas éramos. Era sempre e para sempre. Era. Não mais.
– Vou vim te ver todos os dias mãe. — Sussurro.
– Não precisa vim aqui todos os dias querido. Mas vou querer estar sempre informada das coisas, sabe como as mães são né? — Acaricia meu rosto e beija minha testa. — Quando a situação se estabilizar, eu vou te buscar, prometo.
Assinto.
Não demora muito para um carro me pegar na porta de casa, acho estranho o meu próprio pai não vim me buscar, mas foda-se! Olho para minha mãe que tenta segurar as lágrimas em vão. Caralho! Quero chorar, mas seguro com as minhas últimas forças, aqui não Christian, aqui não, falo para mim mesmo. Dou um último abraço na minha mãe, prometendo ligar assim que chegar e entro no carro. Uma mulher, um pouco mais nova que a minha mãe está no volante.
– Então você é o famoso Christian? — Me pergunta.
– Famoso? — Rio sem humor.
– Seu pai fala muito de você.
Era só o que me faltava.
– Não vem com essa história que ele fala de mim, que se arrependeu, que tem saudades de mim e dos meus irmãos e essas baboseiras todas de filme comigo não! Eu não sei se você percebeu mas essa aqui é a vida real!– Travo o maxilar. — Meu pai abandonou a mim e aos meus irmãos, além de ter traído a minha mãe, sem ao menos se importar em como se sentiríamos com tudo isso, se precisaríamos ou não do apoio dele. Se hoje eu estou indo "morar" com ele — Faço aspas com as mãos ao dizer "morar". — é porque ele é um safado que se acha o dono do mundo, querendo me forçar a morar com ele. Mas ele que se prepare, porque pretendo fazer dessa nova estadia inesquecível. Vamos ver se ele vai conseguir aturar o babaca aqui!
– Calma, não queria te deixar nervoso.
– Você ainda não me viu nervoso. — A olho com um sorriso nos lábios. — Ainda não sei quem você é.
– Sou a namorada do seu pai, Jennifer.
O desgraçado não perdeu tempo mesmo em? Há quem eu quero enganar? Pelo o que minha mãe me contou ele a trai á anos, com certeza nesse período já formou outra família. Então foi com ela que o meu pai traiu a minha mãe? Olhando bem para a vadia, até que não é de se jogar fora.
– Vocês tem filhos?
– Não.
O caminho até a casa do meu pai foi grande, o filho da puta mora do outro lado da cidade. Ao chegarmos na tal casa me surpreendo com o tamanho e beleza da mesma. Desço do carro, dando meia-volta no veículo. Abro o porta-malas e tiro minhas malas.
– Pode deixar que eu fecho. — A tal Jennifer fala, fechando o porta-malas. — Acho que você vai gostar de ver seu pai.
Reviro os olhos.
– Você acha né? — Pergunto. – Só acha.
Lhe dou as costas e subo os poucos degraus até a porta do meu "novo lar". Entro dentro da casa e não me impressiono tanto com o luxo da mesma, é muito parecida com a casa que morávamos, o que mais me chama atenção é a figura que desce pela escada. Meu pai. Travo meu maxilar e continuo andando até chegar ao pé da escada, ficando de frente para o homem que me colocou nesse mudo medíocre.
– Meu filho.
– Filho?– Rio. — Não vem com essa de filho agora não velho! — Ele segura meu braço. — Tira a mão de mim, porra!
– Me respeita que eu ainda sou seu pai garoto.
– Pai é quem cria seu infeliz, quem dá amor, carinho, coisa que você nunca foi capaz de fazer!– Rosno.
Vejo nos seus olhos um sentimento desconhecido. Mas ignoro. Puxo meu braço, tirando o mesmo de sua mão imunda, eu tenho nojo desse cara! Minha vontade é de meter a porrada, por mais que eu seja rancoroso a esse ponto, ele é meu pai, infelizmente é, e eu o devo respeito apesar dos pesares. Estou terminando de subir os últimos degraus da escada quando o Carrick, vulgo meu pai, me chama.
– Seu quarto é o penúltimo do lado esquerdo do corredor.
Olho para o meu pai com uma das minha sobrancelhas arqueadas e volto a subir a escada. Ao chegar em frente a porta do meu novo quarto, meu celular começa a tocar. Tiro o mesmo do bolso e o atendo sem ao menos ver quem é.
– Oi meu amor.
Reviro os olhos. Era só o que me faltava, uma vadia pra encher meu saco em um momento desses!
– Fala logo o que você quer, que eu tenho mais o que fazer! — Rosno.
– Calma amor, eu só quero te ver.
Quantas vezes vou ter que dizer que ODEIO que me chamem de amor. Mas que porra!
– Não!
Desligo o telefone. Julie consegue ser uma inútil quando quer. Coloco o celular de volta no meu bolso e abro a porta do quarto. O filho da puta montou esse quarto da mesma forma do meu antigo quarto, com certeza pensando que vai ganhar alguns pontos comigo, mas ele está redondamente enganado. Jogo minhas malas em cima da cama e respiro fundo. Fecho meus olhos e a imagem da minha mãe chorando ao se despedir de mim vem na minha cabeça. Seguro as lágrimas que insistem em cair. Contarei os dias para voltar para a minha verdadeira casa. Decido ir arrumar minhas coisas. Depois de terminar de colocar minhas coisas no closet, tomo banho e deito.
Amanhã será um longo dia.
(...)
POV Anastásia Steele
O Final de semana voo. Foi um piscar de olhos para a segunda feira chegar. Desço do carro do meu pai e entro na escola, Kate disse que se atrasaria, então não tenho que ficar lá fora. Depois da briga do Christian com o Jack os olhares sobre mim se triplicaram. Reviro os olhos. Ignoro todos eles até chegar no meu armário. Pego o que usaria para as três primeiras aulas e vou para a minha sala.
(...)
O sinal toca indicando que a aula acabou, fazendo todos saírem apressados da sala. Nada melhor do que se sentir livre pelo resto do dia. Guardo meus materiais na minha mochila e saio da sala. Ao chegar no portão me surpreendo ao vê-lo encostado em um carro, com as mãos nos bolsos da frente da calça. Tão lindo. Ele usa óculos escuros, então, não da para saber se ele está olhando diretamente para mim. Foi só ele começar a se aproximas para as minhas pernas virarem gelatinas.
Olha o efeito que você tem sobre mim, Grey...
– Oi. — Fala, parando na minha frente.
– O que você está fazendo aqui? — Pergunto. — Ficou com saudades da escola tão rápido assim? — Debocho.
– Não, eu fiquei com saudades de uma garota.
Reviro os olhos.
– Hum.
– A gente pode conversar ou vai me ignorar?
– Conversar sobre o que Christian? — Bufo.
– Ah, sei lá! Não complica as coisas gatinha.
– Já falei para não me chamar assim. — Falo entre dentes.
– Desculpa, — Alisa meu rosto. Reviro os olhos. — Anastásia. — Sorri de lado. — Melhorou?
Dou de ombros.
– Não tenho para falar com você Grey.
– Se for por causa da briga com o Jack, já deixo claro que pedi desculpas para ele. Foi difícil, foi, mas por você eu faço qualquer coisa Ana.– Pega minha mão e abaixa um pouco o óculos com a outra.
– Tá falando sério? — pergunto, arqueando umas das minhas sobrancelhas.
Ele assente.
– Não sei se acredito.
– Você duvidou aquele dia que eu tava no telefone com a amiga da minha mãe, vai duvidar de mim de novo? — Christian bufa. Sinto o impacto de suas palavras, mas não deixo ele perceber. – Que porra eu tenho que fazer para você acreditar em mim?
Tiro o meu celular do bolso do meu moletom, e disco o número do Jack.
– O que você está fazendo? — Pergunta. Coloco o celular no ouvido e espero que o Jack atenda. — Para quem você tá ligando?
– Alô? Anastásia?– Jack pergunta.
– Oi, tudo bem? — Pergunto, com certa dificuldade já que o Christian tenta tirar o celular da minha mão.
– Tô sim e você?– Pergunta. Posso sentir que ele está sorrindo.
– Eu também estou bem, eu te liguei para perguntar uma coisa...
– O que?
– O Christian realmente pediu desculpas pelo o que aconteceu no recreio, aquele dia?
Christian para de tentar tirar o celular da minha mão, ao perceber com quem eu falo.
– Você não confia mesmo em mim né?– Sussurra desapontado. Sinto outro impacto com suas palavras, mas eu realmente não tinha acreditado, precisava ouvir da boca do Jack.
– Ah, sim... ele veio aqui ontem. A gente tá de boa agora.
Encaro bem o rapaz a minha frente. Não consigo acreditar que ele realmente fez isso por mim. Sei que Christian é orgulhoso demais, e ele fez isso por mim, deixou seu orgulho de lado para tentar me agradar, Christian me surpreende a cada dia mais, só não sei se isso é bom ou ruim.
– Legal. — Sorrio, mesmo sabendo que ele não me vê, diferente de Christian que está atento a tudo. — Então, mais tarde eu te ligo para a gente conversar direito. Eu acabei de sair da escola, tô louca para chegar em casa logo, sabe como é né? — Pergunto rindo.
Jack ri.
– Falou então, se cuida baixinha.
– Baixinha é a vovozinha! — Rio e encerro a ligação.
Coloco o celular de volta no bolso. Christian olha para todos os lugares, menos para mim.
– Perdeu alguma coisa? — Pergunto, chamando a sua atenção.
– Não. — Responde seco. — Vou indo nessa.
Me dá as costas e vai para o carro. O Sigo e abro a porta do carona, entrando no carro. Christian me encara com uma cara de poucos amigos, dou de ombros.
– O papai não vem buscar a princesinha hoje? — Pergunta debochando. — Filho da mãe!
– Não, mas o bobo da corte veio. — Pisco para ele.
– HAHAHA! Muito engraçado. — Fala bufando.
Dou risada e Christian revira os olhos. Seus olhos hoje estão com uma tonalidade de cinza claro, misturado com um azul turquesa. Não sei explicar a cor exata, mas é algo surreal. Seus olhos são hipnotizantes.
– Cuidado para não babar no bobo da corte. — Fala rindo, me tirando dos meus devaneios. Coro e reviro os olhos, o fazendo rir ainda mais. Bufo.
Christian acelera o carro, já estou acostumada então nem me assusto quando o mesmo passa em um sinal vermelho. O som do carro está muito alto, abaixo um pouco, mas Christian aumenta de novo. Bufo e encaro a cidade que passa feito um borrão pela janela. Um fedor de fumaça de cigarro invade minhas narinas. Olho para Christian que fuma enquanto dirige.
– Joga isso fora! — Falo ente dentes. Ele se faz de surdo e continua. — CHRISTIAN! — Grito, fazendo ele parar o carro com tudo. Por sorte não voei pelo vidro do carro.
– Tá maluco garota? — Pergunta com os olhos arregalados. Acho que exagerei. — Eu podia ter matado nós dois!
Tiro o cinto e abro a porta do carro, saindo. Bato a porta descontando a raiva que estou sentindo e começo a andar. Não sei exatamente onde eu estou mas dou meu jeito. É impossível conviver com o Christian, por mais que eu tente não dá cara. Esse jeito impulsivo e inconsequente dele estraga tudo. Quando entrei naquele carro estava disposta a entendê-lo, a conhecê-lo melhor, mas as suas atitudes me fazem pensar se eu realmente deveria estar fazendo isso.
– Anastásia? — Ei, Anastásia espera!
Meu coração diz para mim esperar, mas a minha mente diz para continuar andando. Não aguento mais! Paro de andar, e abaixo a cabeça. Christian me alcança e pega minha mão.
– Por que saiu do carro daquele jeito?
Rio.
– Você realmente não sabe? — Pergunto olhando no fundo do seus olhos, me perdendo em uma imensidão cinza.
– Por que as coisas são tão complicadas entre a gente? — Bufa irritado.
– Me diz você. É você– Cutuco seu peito. — quem complica as coisas. — Revido.
– Eu? — Começa a rir, mostrando seus dentes brancos, perfeitamente alinhados. Sorrio encantada, a risada dele é linda. — Você que é cheia de frescura.
Abro a boca em um "O" perfeito e me desvio dele, fazendo o que eu deveria ter feito. Sinto sua mão apertar meu braço, me fazendo virar para encará-lo.
– O que foi agora? — Pergunto. — Me deixa ir embora!
– Eu não sei o que é isso mas, eu não quero que você vá embora.– Fala me surpreendo. Abaixa a cabeça. — Esse fim de semana foi uma merda para mim e acho que de algum jeito descontei minha raiva em você então...
– O que aconteceu? — Pergunto me aproximando, estou preocupada, nunca vi o Christian assim, tão indefeso.
– Eu posso até pensar em te contar... mas não aqui. — Sussurra.
(...)
Das grandes traições iniciam-se as grandes renovações.
– Vassili Rozanov.
"Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?"
– Renato Russo.
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