Gotta Be You
20 Capítulo 20
Notas iniciais
POV Anastásia Steele
Enquanto brinco com os cabelos do Christian, que dorme no meu colo, fico pensando na minha conversa com o Jack mais cedo. Será que o Christian gosta realmente de mim?! Eu sei que a gente não se suporta mas eu pelo menos passei a suportá-lo, eu gosto de estar com ele, de brigar com ele e principalmente de beijar ele. Os beijos do Christian são tão bons, eu poderia beijá-lo o resto da minha vida. Só de imaginar que não sou a única que ele beija me da vontade de vomitar.
– Você não deveria ocupar os meus pensamentos assim sabia?– Sussurro, ainda brincando com os seus cabelos.
Não estava na minha lista gostar tanto assim de um idiota.
Christian se mexe na cama e assim que encontra uma posição, — abraçado ao meu travesseiro. — suspira me fazendo rir baixo. O que será que ele está sonhando? Me levanto da cama e caminho até o banheiro. Faço minhas necessidades e volto para o quarto.
– Sabia que você é um idiota? Mas um idiota bem gostoso. — Rio com o meu comentário e me deito na cama. Eu quero dormir mas o medo do meu pai aparecer em casa é maior que o meu sono.
(...)
Acordo sentindo beijos no meu pescoço.
– Huuum, que gostoso. — Falo, ainda sem abrir os olhos.
– Eu sou gostoso.
Abro os olhos, dando de cara com um Christian de cabelo bagunçado e rosto amassado.
– Meu Deus, eu dormi!
Me recomponho e me sento na cama.
– E o que tem demais em dormir? — Ele pergunta, se ajeitando na cama.
– E se alguém tiver entrado aqui? — Pergunto, enquanto coço meus olhos, que estão irritados por conta da claridade do quarto.
– É só a gente inventar alguma coisa. — Dá de ombros. — Relaxa Anastásia. — Respiro fundo e me levanto da cama. — Onde você vai?
Nem preciso responder, minha barriga fala, ou melhor, ronca por mim. Christian ri e se levanta também.
– Uoou! Já são três e meia. — Fala olhando seu relógio de pulso.
– E?
– Eu deveria estar com a Dak...
Christian para no meio da frase e me encara. Juro que oitenta porcento de mim quer chorar. Não era para ele estar aqui comigo, e sim comendo essa tal de Dak alguma coisa. Não sei como cheguei a pensar que esse filho da mãe gostava de mim. Idiota! Isso que eu sou. Anastásia querida, é o Christian Grey... o cara mais filho da puta da escola!
– Err... então Anastásia eu tenho que...
– SOME DAQUI CHRISTIAN! — O interrompo gritando, apontando para a porta.
– Calma gatinha. — Fala se aproximando.
– NÃO ME CHAMA ASSIM! — O empurro até a porta, abrindo-a. — SAÍ!
– A gente se vê na escola? — Desgraçado, filho da puta, babaca...
– NÃO OLHA PARA A MINHA CARA NUNCA MAIS, GREY! — Berro.
Vejo ele arregalar os olhos. Bato a porta na cara dele.
POV Christian Grey
Tava tudo indo tão bem... Passamos a tarde inteira juntos, mas o idiota aqui sempre acaba com tudo! Porra!
– Anastásia abre essa porta e me deixa explicar. Você deve ter entendido errado o que eu fa...
– O QUE POR EXEMPLO? — Berra, do outro lado da porta, me interrompendo. — QUE VOCÊ DEVERIA ESTAR COMENDO ALGUMA DAS SUAS VADIAS EM VEZ DE ESTAR COM A TROUXA AQUI?
Reviro os olhos. Quanto drama. Mulher é um bicho bem dramático, puta que pariu!
– Dakota é a chefe do departamento de pediatria do hospital onde minha mãe trabalha. — Suspiro. — Eu tenho que pegar uns papeis que a minha mãe pediu pa...
Sou interrompido pelo barulho da porta, que está sendo destrancada. Anastásia está com os olhos e a ponta do nariz vermelhos. Ela estava chorando? Me surpreendo quando a mesma me abraça.
– Por que não falou antes? — Pergunta com a voz de choro. Correspondo ao abraço, e beijo sua cabeça.
– Você não perguntou, foi logo gritando.
– Idiota.
Balanço a cabeça e afago seus longos cabelos.
– Que ir comigo? Ciumenta.
Anastásia se afasta, sem sair totalmente dos meus braços e assenti.
– Não confia mesmo em mim né? — Ela ameaça responder mas a interrompo. — Não precisa responder.
(...)
Caminho de mãos dadas com Anastásia pelo corredor do hospital onde minha mãe trabalha.
– Parece que você não está mentindo mesmo.
– Você tem que confiar mais em mim.
Ela começa a gargalhar e eu reviro os olhos.
Entramos na secretária e Anastásia se senta em uma das cadeiras que tinha li, enquanto eu converso com a secretária. Depois de dizer para a mulher o que eu queria, entro na sala da amiga da minha mãe.
– Christian, quanto tempo querido. — Ela se levanta e pega na minha mão. — Já está um rapazinho.
Rio, Dakota foi por muito tempo minha pediatra, enquanto minha mãe ainda era residente aqui. Digamos que fui um paciente adorável.
– Minha mãe pediu para mim pegar alguns papéis com você.
– Ah sim, só um minuto.
Ela mexe nas gavetas da sua mesa e tira uma pasta.
– Entegue nas mãos dela, por favor.
Assinto, pegando a pasta.
– Tchau. — Falo por fim, saindo da sala.
Anastásia ri de alguma coisa no seu celular. Me aproximo dela e levanto uma das minhas sobrancelhas.
O que tem de tão engraçado alí?
– Ei, vamos? — Pergunto.
– Sim, vamos.
Ela não tira os olhos dessa merda de telefone. Estou me segurando para não mandar essa porcaria longe e ter a atenção dela somente para mim.
– Mas esse Liam é muito bobo. — Murmura, mas escuto perfeitamente.
– Quem é Liam?
Em momento algum, Anastásia olha no meu rosto.
– Não te interessa, Christian.
Tiro o celular das mãos dela e vejo que ela troca mensagens com o tal Liam.
– Ei, me devolve isso aqui! — Fala tentando pegar o celular.
– Quem é esse cara? — Pergunto nervoso.
– Já disse que não te interessa! — Fala cruzando os braços e fechando a cara. — Agora quer por favor me devolver o MEU celular?
Enquanto Anastásia faz graça, ligo para esse cara. Levo o celular no ouvido e calo a boca dela com uma mão. Já que a mesma não para com o chilique. No terceiro toque ele atende.
– Analika da minha vida. Resolveu me ligar ao in...
– Da sua ô caralho, cara! Quem você pensa que é para ter tanta intimidade com a minha namorada?– Rosno, o interrompendo.
– Quem fala?
– Olha aqui seu playboyzinho de merda, é bom você parar de falar com ela, entendeu? Esquece que a Anastásia existe? E cara, Analika? — Rio. — Não tinha um apelido melhor para inventar não?
Sem esperar resposta, desligo o celular e tiro a mão da boca da minha gatinha.
– VOCÊ FICOU MALUCO, CHRISTIAN?
– Não grita! Estamos em um hospital e aqui tem doentes e médicos, que precisam de silêncio. — Falo a repreendendo.
– Como se você se importasse! — Revira os olhos. — Se o Liam contar alguma coisa para o meu pai... — Fala passando a mão pelos cabelos, nervosa. — E por que falou "Minha Namorada"?– Tenta imitar a minha voz. — E a gente nem namora de verdade, idiota!
– Subiu a cabeça. — Falo, destravando o carro.
Anastásia adentra o carro e fica olhando a paisagem pela janela, emburrada. Reviro os olhos. Odeio ficar assim com ela. Tão perto mas ao mesmo tempo tão longe. Passo a dirigir com uma mão, colocando a outra na coxa dela que no mesmo instante me olha, bufa e tira minha mão. Reviro os olhos e coloco a mão de novo.
– Desencosta! — Rosna.
– E se eu não quiser? — Provoco a fazendo bufar, o me faz rir.
Chata! Essa garota é muito chata mas algo vem me prendendo á ela. Se fosse alguns dias atrás eu simplesmente ignoraria, como sempre faço com garotas do naipe dela. Mas por alguma razão não consigo ficar afastado dela. Sempre estamos conversando nem que seja por mensagens — uma mais idiota que a outra — ou pessoalmente, eu gosto de estar com ela. Gosto da companhia dela.
– Christian eu quero terminar.
Começo a rir.
Terminar o que? Não temos nada! Tudo bem que foi eu que inventei essa farsa toda de namoro mas... do que ela tá falando?
– O que?
– Terminar essa coisa que temos. Não aguento ter que te dar satisfação da minha vida, enquanto você não me dá da sua. Eu cansei disso tudo.
– Pirou gatinha? — Pergunto, olhando em seus olhos, já que o sinal está fechado.
– Amanhã, quando chegarmos na escola não teremos mais esse rolo, namoro, ou seja lá o que isso for. — Responde me ignorando.
– Você quer parar de conversar comigo é isso? — Pergunto, com certo medo da sua resposta.
– Quero que as coisas voltem a ser como antes. Você sendo um bad boy com a sua turma de populares e eu... continuarei sendo a Anastásia Steele de sempre.
Não falo nada, apenas acelero com o carro.
Em menos de sete minutos chegamos na casa dela. Anastásia olha algum ponto á sua frente e eu estou tentando entender as coisas. Sei que somos diferentes, que não nos suportamos, mas — não sei como — passamos a nos suportar e a conviver juntos. Eu não quero me afastar, ainda mais agora que as coisas estavam começando a ir bem entre nós... acho que não consigo. Querendo ou não querendo, ela agora faz parte da minha vida, de mim.
QUE PORRA EU TÔ PENSANDO? ACORDA, CHRISTIAN! VOCÊ É CHRISTIAN GREY E TEM TUDO E TODOS AO SEUS PÉS.
– Tá esperando o que para sair do carro? — Pergunto, já ligando o veículo novamente.
Anastásia me olha, por um momento penso ter visto tristeza em seus olhos mas isso é impossível, já que foi ela mesma que quis isso. Ela tira o cinto, abre a porta e desce do carro sem olhar na minha cara.
Que se foda. Acelero com tudo, sem rumo, para a noitada de Seattle.
E eu que por um momento pensei que estávamos bem...
(...)
POV Anastásia Steele
Entro em casa correndo e fecho a porta. Corro para o meu quarto e deixo as lágrimas rolarem. Por que está doendo tanto? Não era para doer assim, eu não gosto dele... eu não sei que droga eu sinto! Por que ele é tão grosso? Por que ele tinha que ser assim? Me deito na cama e pego meu travesseiro, chorando cada vez mais.
Christian Grey é como uma droga, me fez ficar dependente, e agora sofro com a abstinência.
Olha o que você está fazendo comigo, Christian...
(...)
"O medo de sofrer é pior do que o próprio sofrimento. E que nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca de seus sonhos."
– Paulo Coelho.
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