Gotta Be You - 2 Temporada
2 Gift of a friend - Demi Lovato
Peguei tudo o que eu precisava –enchi duas malas só pra duas semanas no meio do nada- .A viagem até a chácara foi longa, ainda bem que eu levei meus fones. Até cochilei um pouco e quando acordei olhei pela janela e só vi árvores verde-escuras, que uma fileira de cada lado formavam um caminho lindo. O carro parou e eu olhei. No final do “caminho” era um campo, todo claro, de um tom de verde ainda molhado pelo orvalho. Havia uma casa onde íamos ficar e ali perto também havia um vale. Minha mãe tava pirando, porque foi escoteira quando criança e adorava a natureza.
Deixamos nossas coisas nos quartos, cochilamos um pouco e quando eu acordei fui tomar um café da tarde. Quando eu estava lavando a louça alguém colocou as mãos nos meus olhos.
— Chris!- Eu disse.
— Ah.- Ele falou, indignado.- Depois que você limpar aí, vamos descer o vale com a Alicie?
— Ta bom, pode ser. Acorda ela lá.
— Eu não, ela vai me bater.
Eu ri.
Ele foi arrumar umas coisas e eu fui chamar a Alicie. Nós descemos o vale que estava escorregadio por causa de algumas pedras, eu torci meu tornozelo. Avistei o riacho ali perto e Chris colocou os dedos pra ver a temperatura da água, quando a Alicie derrubou-o lá dentro. A gente riu muito, principalmente Alicie, igualzinha à mãe. Ao entrar no riacho a sensação era muito boa, tudo estava tão calmo que eu lembrei da música de ninar que meu pai cantava pra mim quando eu era pequena –e cantava pra minha mãe também-.
“Just close your eyes The sun is going down You'll be alright No one can hurt you now
[…]
Hold onto this lullaby Even when the music's gone”
(Apenas feche seus olhos O sol está se pondo Você está bem Ninguém pode te machucar agora
[...]
Agarre-se a essa canção de ninar Mesmo quando a música tiver acabado)
Meu tornozelo tava doendo bastante. Depois de caminhar no rio nós tivemos que subir, todos molhados –pra ter uma idéia o riacho batia em nossos joelhos, mas nós voltamos com água até a cintura- morro acima. Na subida eu escorreguei numa pedra e estava quase caindo lá embaixo. Chris estendeu uma mão pra mim e com a outra segurou a mão de Alicie, que segurava num tronco de árvore. Eu me levantei e comecei a andar, mancando demais.
— Charlie! Deixa a gente te ajudar.- Alicie sugeriu
— Não. Ta tudo certo- Respondi.
Chris veio mais perto de mim.
— Não, não está Charlie. Deixa que a gente te ajuda.- Ele falou
Eu coloquei os braços envolta do pescoço deles, e subimos apoiados.
Lá em cima, na grama mesmo, nós nos deitamos e ficamos conversando até as estrelas aparecerem, pois já havia escurecido –o que nos deu alguns cortes por causa dos galhos, e belos arranhões subindo o vale-.
(Alicie narrando)
Deitada ali eu fiquei pensando, a situação entre a gente estava estranha. Nós andávamos brigando muito, principalmente a Charlie e o Chris. Tudo bem que dos doze aos quinze anos nós ficamos bem separados, mas a gente já tinha voltado a ficar mais próximo. Mas o estranho, é que depois deles brigarem, Chris falava alguma coisa e Charlotte obedecia como um cão obedece seu dono. Mas eu estava com muita vergonha de perguntar a eles. Passei a ficar mais atenta com aqueles dois.
Charlotte caminhou mancando até a casa, onde a colocamos na cama e eu fui buscar gelo. Chris sentou ao lado dela pra tentar tirar o tênis.
(Christopher narrando)
— Posso?- Perguntei à Charlie sobre tirar seu tênis.
Ela fez que sim com a cabeça e se preparou pois sabia que ia doer. Desamarrei o cadarço e tirei delicadamente de seu pé. Ela estremeceu de dor.
— Seja forte, Charlie! Não é essa Charlie que eu conheço- Eu disse e ela sorriu.
Alicie chegou com o gelo e eu nem tinha tirado seu tênis ainda, eu só estava fazendo ela rir.
— Se você tirar isso do meu pé rápido, acho que é melhor- Charlotte estava decidida.
Puxei o tênis molhado rapidamente de seu pé e ela fez uma careta. Eu percebi que doeu bastante.
— Falta a meia- Eu disse- Posso?
Ela fez que sim com a cabeça novamente. Coloquei seu tornozelo em cima da minha coxa e tirei a meia cuidadosamente. Pelo menos ela não sentiu dor como antes. Coloquei o gelo no local onde estava inchado e ficamos conversando –na verdade, rindo como loucos-. A Ceci havia percebido como chegamos em casa, então veio falar com a gente.
— Bem, ela torceu o tornozelo duas vezes- Eu expliquei para a Ceci, como um médico, o que fez Charlotte rir não sei porque.
(Charlotte narrando)
Na hora de dormir – apesar de ter feito calor durante o dia- eu tremia de frio e virava de um lado para o outro.
— Charlie?- Ouvi uma voz masculina me chamando.
— To aqui- Respondi batendo os dentes.
— Posso me deitar aqui? To ouvindo você tremer lá do meu quarto, e não quero que ninguém acorde.
A pessoa deitou ao meu lado e me abraçou. Eu tinha pensado que era o meu pai, mas era o Chris. O que ele veio fazer aqui?
— Ei. Charlie? Ninguém precisa ficar sabendo disso, beleza? Afinal eu só vim aqui te esquentar porque eu to com dó do seu tornozelo.
Eu ri baixinho.
Me aninhei nele e adormeci, um pouco antes dele sair eu acordei de um pesadelo. Me aninhei novamente e quando adormeci ele voltou pra cama dele. Ao amanhecer tudo voltou ao normal, como eu sou teimosa eu quis levantar pra tomar café, o que eu não devia fazer mas..
— Bom dia- Chris, minha mãe, Niall e Louis disseram juntos quando eu apareci na cozinha.
Comi umas panquecas e tomei chocolate quente., quando estava me levantando minha mãe perguntou:
— Tá melhor, filha?
— Sim, mãe, de noite eu... dormi bem.
— Que bom filha- Ela estava desconfiada, Chris estava praticamente me fuzilando com os olhos.
Fale com o autor