Gotas de Sangue
1 Capítulo 1
— Katherine! Já falei que não gosto que entrem no meu quarto!— Calma mãe! Já estou saindo.Minha mãe gostava das coisas em seu devido lugar, e isso às vezes me deixava irritada.— Katherine, já ajudou sua irmã com a lição de casa?— Não, pois ela já está bem grandinha, não precisa mais de mim.Minha mãe sempre defendia Sophie, e eu estava sempre errada. Teve um dia em que ela quase pôs fogo na casa; mas a culpa, como sempre, foi minha.— Sophie, o que você está fazendo no meu quarto?— Nada mamãe. Estou apenas pegando o seu batom emprestado.— Ah! Tudo bem. Só não se esqueça de devolver.— Pode deixar.
Eu olhava aquela cena com o coração pulando de raiva, e para aumentar minha raiva, Sophie me olhava com um sorriso maléfico.Aquilo foi o cúmulo pra mim, saí correndo para o meu quarto, e fiz um estrondo enorme ao bater a porta.Meu quarto era o único lugar em que eu podia ter um pouco de paz.Fiquei deitada na cama, relendo alguns livros antigos que eu havia guardado. Minha única paixão era ler. Sempre que podia, meu pai me dava dinheiro para aumentar meu acervo.— Katherine, sua amiga Liza está na porta.— Ok mãe. Já estou indo.— Liza era minha amiga de infância, era como uma irmã pra mim. Às vezes eu a preferia mais do que à Sophie.Desci as escadas correndo para abrir a porta.— Olá Katherine, tem tempo para conversar comigo?— Você sabe que sempre tenho tempo pra você.— Falei sorrindo para ela. Ela me devolveu o sorriso.Subimos as escadas de madeira, que rangia sobre a pressão dos nossos pés. Entramos no quarto e trancamos a porta.— Liza, minha querida, o que tem de novidade para me contar?— Katherine, lembra-se do Peter? Aquele nosso amigo que concluiu o ensino médio conosco?— Claro que lembro. O que houve com ele?— Fiquei sabendo que ele foi assassinado, mas ninguém sabe o motivo da morte.— Céus! Que crueldade! Mas já sabem quem é o assassino?— Ainda não. A polícia está investigando.— Tomara que o peguem e o façam pagar por este crime.— Também espero isso.— Mas, e você Liza? Como você está? Já falou com o Jhon?— Não. – Liza falou secamente. – Acho que ele não gosta de mim. Melhor esquecer essa história, afinal de contas, ele já foi embora.— Embora? Para onde?— Seus pais o levaram para estudar fora do país.— Sinto muito.— Está tudo bem. Mas, e você, Katherine? Não está gostando de ninguém?— Claro que não! Garotos não prestam. São todos iguais. Prefiro continuar do jeito que estou.— E o Steven? Você não gostava dele?— Não mesmo. Éramos apenas bons amigos.— Sei... – Liza falou me encarando. – Vamos esquecer essa história então.— Katherine! Desçam para lanchar.— Minha mãe gritou da cozinha.— Eu já estava quase morrendo de fome. Vamos Liza.Abrimos a porta do quarto e descemos as escadas até chegar à cozinha. Fiquei com água na boca quando vi o bolo de chocolate que minha mãe tinha preparado. Ela sempre foi boa em culinária.— Sentem-se à mesa, já servirei vocês.Sentamos e ficamos aguardando, enquanto Sophie nos observava em silêncio. Ela nunca gostou da Liza, mas isso nem me incomodava. Algumas vezes, Liza tentava se aproximar dela, mas Sophie era o tipo de pessoa orgulhosa, e nunca dava espaço para Liza.— Sophie, tudo bem com você?— Liza perguntou, na expectativa de obter alguma resposta. Mas foi em vão. Houve silêncio por alguns minutos, até que minha mãe apareceu com alguns pratos e garfos.— Aqui estão os pratos e os garfos. Sirvam-se!Cortei um pedaço do bolo e coloquei no prato de Liza. Em seguida, cortei outro pedaço, e me servi.— Katherine, sirva a sua irmã?— O quê? – Falei aumentando o tom da voz. — Acho que ela não é tão burra. Já sabe se virar sozinha.Minha mãe me olhou com frieza, e eu entendi aquilo como uma advertência. Meio sem querer, cortei um pedaço do bolo e coloquei no prato de Sophie, enquanto ela me olhava com um sorriso sarcástico entre os dentes.Terminamos de lanchar e fomos para a sala.— Katherine, vamos passear um pouco pela praça?Quase todos os dias, Liza e eu íamos à praça para conversar. Era a praça mais frequentada da cidade, e era famosa por haver uma grande quantidade de árvores. Era conhecida como "A Praça das Árvores".— E então? Vamos?— Liza repetiu.Olhei para o relógio em formato de castelo que ficava na parede da sala. Marcava nove horas. Mas não havia o que temer, já que a praça era bastante frequentada.— Preciso da permissão da minha mãe. Espere um pouco.Aproximei-me da minha mãe, enquanto ela lavava a louça do lanche que comemos.
— Mãe, posso ir à Praça com Liza?Mamãe me encarou por alguns minutos. – Tudo bem, mas prometa que volta antes das dez horas.— Ok. Prometo.Liza e eu caminhamos até a porta, enquanto Sophie nos olhava com cara feia.— Cara feia é sinal de fome. – Falei.— Por que não a levamos?— Liza perguntou.— O quê? Você só pode estar brincando. – Claro que eu entendia que Liza estava tentando se aproximar de Sophie. Mas isso era o cúmulo. – Não vamos levá-la a lugar algum. Vamos embora.Liza me seguiu enquanto passei pela porta de madeira em direção à rua.Caminhamos uns cinco metros até chegar à praça. Os bancos estavam vazios e tudo estava silencioso.— O que há de errado? Onde estão as pessoas?— Liza, hoje é domingo, as pessoas estão cansadas.— Ah! Deve ser isso mesmo. Vamos nos sentar ali.— Liza apontou para o banco que ficava embaixo de uma velha árvore. Era o lugar que costumava-mos ficar quando éramos crianças.O vento uivava solenemente sobre as folhas das árvores. Sentamos e suspiramos profundamente. O ar tinha cheiro de flores, já que estava-mos no início da Primavera.— Katherine, quem você acha que matou Peter?— Liza perguntou quase chorando.— Não faço a mínima ideia. Você gostava dele?— Claro! Era o único garoto com quem eu conversava. Éramos amigos... – Liza cortou a fala para enxugar uma gota de lágrima que escorreu pelo seu rosto pálido. — Éramos amigos muito próximos um do outro. Ele sempre me deixava ganhar no Jogo de Damas. – Liza deu um leve sorriso.— Entendo... – Minha vontade era ajudar Liza naquele momento, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Então a abracei. Ficamos em silêncio, enquanto o vento uivava cada vez mais alto.Fixei o olhar em uma árvore que estava a uns dez metros do banco onde estava-mos. Estava escuro, e eu cerrei os olhos para olhar o que havia embaixo dela.— Liza, está vendo aquilo?— Onde?— Ali, embaixo daquela árvore.Liza cerrou os olhos para tentar enxergar a escuridão. – Não vejo nada. O que você viu?— Não tenho certeza. Mas parecia que alguém estava nos observando.— Deve ser fruto da sua imaginação— Liza falou com os olhos ainda voltados para a árvore.— Não sei, mas pareceu muito real.— Vamos embora, já são quase dez horas, sua mãe deve estar preocupada.— Ok, vamos.Liza e eu nos levantamos do banco com os olhos ainda voltados para a árvore. Saímos da praça e caminhamos rapidamente até chegar à porta de minha casa.— Liza por que não dorme aqui hoje?— Não, obrigada, tenho algumas coisas para fazer em casa.— Como o que, por exemplo?— Falei em tom de sarcasmo.Liza levantou uma das mãos e começou a contar nos dedos. – Arrumar o quarto da minha mãe, dar comida ao cão, preparar o jantar... – Liza parou de contar, e deu um leve sorriso para mim.— Como você é uma garota muito ocupada, deixarei você ir.— Falei devolvendo-lhe o sorriso.— Então, até mais.— Até. E se precisar de alguma coisa me liga!— Gritei enquanto Liza virava a esquina. Ela se virou e fez um gesto de coração com as mãos. Devolvi-lhe o gesto, e fiquei observando-a até desaparecer na escuridão da noite.Ainda lembro-me do dia que nos conhecemos. Tínhamos acabado de chegar ao fundamental. Liza era tão pequena... Tão frágil... Eu sempre a defendia das crianças maiores. Foi aí que nos tornamos amigas.— Katherine, o que está fazendo aí fora? Venha jantar, está quase na hora de dormir.— Obrigada mamãe, mas estou sem fome. Papai já chegou?— Já sim, mas caiu direto na cama. Deve estar muito cansado do trabalho.— Então é melhor o deixar dormir. E sophie?— Também está dormindo.— Bem, acho que agora é a minha vez. A senhora não vem?— Vou sim, mas antes preciso arrumar umas coisas aqui.— Ok, então boa noite.— Boa noite.Era a primeira vez que minha mãe conversava civilizadamente comigo, e isso me deixou contente.Subi as escadas e andei em direção ao meu quarto. Passei em frente ao quarto de Sophie, ela dormia profundamente; Seu cabelo negro e cacheado estava bagunçado e jogado sobre o rosto. Não sei por qual motivo, mas aquilo me fez rir.Entrei em meu quarto e fechei a porta. Tirei a camiseta regata preta, e fiquei observando meus seios; Estavam maiores e mais rígidos pressionados contra o sutiã. Sem dúvida, eu estava me tornando adulta.Deitei na cama e fiquei imaginando sobre Peter. Quem teria motivos para assassiná-lo? Ele sempre foi um garoto tranquilo, nunca se metia em confusão.Encostei a cabeça no travesseiro e fui cerrando os olhos lentamente. O pôster do Guns N' Roses na parede do meu quarto foi a última coisa que vi, antes de adormecer.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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