Notas iniciais
Tive essa ideia agora pouco. Eu passei a noite toda escrevendo essa e mais outras historias, não gostei muito dessa. Mas se quiserem leiam.

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Pingos. Som de gotas.


Estava em casa sozinho, meus pais foram viajar. Eram três da madrugada. Tudo estava escuro, meu quarto era o único cômodo da casa com iluminação. Não, não sou uma pessoa muito medrosa, mas havia algo. Algo que fazia eu sentir medo. A sensação de alguém perto de mim, mesmo estando sozinho. Eu realmente estava paranoico.



Estava sentado em minha cadeira, em frete ao computador. Algo estava me incomodando, sentia como se a qualquer momento, alguém iria aparecer atrás de mim. Essa sensação não passava de jeito nenhum.



Minha gata de estimação, Calla, estava no chão dormindo em sua caminha – ao lado da mesa do computador. Ela é uma gata toda escura de olhos amarelados.



Não conseguia me concentrar em nada. Precisava ler meu livro online, mas algo estava errado.



Pingos.



Começou a ecoar pingos no banheiro, devia ser o chuveiro. Aquilo estava me incomodando, não conseguia me concentrar. Comecei a ficar irritado.



Os cachorros da vizinhança começaram a latir.



Olhei pela janela para entender o motivo dos latidos. E um vulto, perto da arvore que tem na casa ao lado. A casa pertence à família Garton — eles são uma família considerada normal. Tentei me concentrar para ver melhor, mas havia sumido. Os latidos cessaram.



Tentei esquecer o vulto. Eu estava vendo coisas, deve ser o sono — pensei. Voltei para minha leitura.


Silêncio.

Nenhum barulho. Nenhum latido. Nem mesmo um ronronar de Calla. Estava tudo muito quieto.

Calafrios e medo.

Tudo estava tão sinistro.

Pingos, começaram novamente. Tentei não me estressar. Não queria ir até o banheiro.

Calla ficou agitada. Andando de um lado para o outro. Ela foi em direção ao banheiro, miando.

Frio. Mas estava calor até pouco tempo. Como podia estar sentindo frio?

Eu tremia.

Um grunhido de Calla me assustou. Foi de repente, parecia que algo a atacou. Fiquei assustado.

Silêncio novamente.

Não, não consegui ficar ali. Calla onde estava? Por que não voltou?

Me levanto e vou em direção ao banheiro. O corredor estava muito escuro, fazia mais frio. Tudo estava assustador, até os moveis. As fotos na parede. Pareciam que elas estavam me observando.

Abro a porto do banheiro — que é de metal, sempre faz um barulho assustador ao ser aberta.

Acendo a luz.

Tomo um susto ao ver meu reflexo no espelho. Não esperava estar na frente dele, não gosto de espelhos nessas horas. Concentro-me.

Onde está Calla? Tento procurá-la. Não tem sinal dela.

Gotas.

Vou para o box e fecho o maldito chuveiro que estava pingando. Um calafrio. Respiro fundo e me viro para a porta, quero sair dali o mais rápido possível. Mas controlo-me, fingindo que não estou com medo. Não sei ao certo o porquê disso, mas prefiro assim.

Vou caminhando até a porta, devagar, não estou demonstrando medo. Mas estou com muito, estou ao ponto de chorar de tanto medo.

Olho de relance para o espelho novamente e, uma sombra! Algo atrás de mim! A observei, fingindo que não a vi. Não sei como consegui aquela façanha, estava com muito medo. Mas parecia uma sombra de uma mulher. Uma mulher de cabelos longos e escuros, era alta. Seus olhos eram vermelhos, assustadores. Não consegui observar mais nada de seu rosto. A silhueta negra atrás de mim parecia muito real. Fico pasmo, e viro-me.

Desapareceu, de novo.

Frio, medo e agonia me possuíam.

Vou para o meu quarto correndo. Estou louco! Foi minha imaginação! Não tem como isso ser real. Por que estou com tanto medo? Estou tremulo. Perguntas e mais perguntas. Fico desesperado.

A agonia volta.

Tento esquecer de tudo, mas não dá! Calla sumiu. Estou com medo e sozinho.

Pelo monitor vejo um vulto.

Frio e arrepios surgem.

Estou suando. Mas está frio, como? Estou com medo. Parece que estou à beira da loucura.

Respiro fundo e olho para trás.

Não a ninguém. Só tem minha cama em frente à televisão que está desligada. Não sei o porquê, mas observo a tv.

É ela! Ela está no reflexo da tv! Eu começo a chorar, eu a vi! Seu rosto é mutilado, a blusa é branca com alguns respingos de sangue, sua pele é alva. Os olhos são vermelhos sangue com veias aparentes. Ela está sorrindo para mim!

Forço minha visão, e ela some.

Estou com medo, muito medo. Agora sei que é real.

Me viro para o monitor. E meus pensamentos estão a mil, estou tão aterrorizado. Não consigo digitar de tanto tremer. Começo a chorar.

Uma silhueta aprece atrás de mim no monitor.

Frio, agonia, sensação e o medo.

Suas mãos geladas me tocam. Não tenho reação, as sinto em meus ombros. Tento segurar minhas lagrimas.

Tudo acontece tão rápido.

Vejo seu olhar de sangue através do reflexo. Ela continua sorrindo.

Fico sem reação. Não consigo me mexer! Quero sair daqui, mas ela não deixa! Estou petrificado.

Ela segura minha cabeça e, crack crack. Ouço o som do meu pescoço quebrando.

Caio da cadeira. Minha visão se embasada, tudo distorce.

Meus olhos pesam. Minha respiração falha.

Sou arrastado até o banheiro.

Ela me despeja dentro do box, nu.

A sangue.

Calla. Calla está ao meu lado com o peito aberto, a um rasgo em sua pele.

Não sinto mais medo. Estou morrendo.

O demônio passa sua língua em meu rosto, e sorri. Aqueles olhos, ficam me observando o tempo todo. Ela parece feliz, feliz por eu estar ali, feliz por esta me matando. Feliz.

Ela pronuncia algo que não entendo, pronuncia sorrindo. Tudo aquilo é engraçado e feliz para a mesma. Me encara novamente com o sorriso doentio e, então levanta sua perna esquerda e pisa com toda a força em meu rosto.

Doeu. Fechei os olhos.

Surjo em um lugar totalmente escuro. Consigo ouvir os gritos de terror de algumas pessoas. Tem algumas risadas, parecem que estão rindo de mim. Sinto uma leve brisa em meu corpo, constato que continuo nu.

Vultos, muitos vultos estão ao meu redor agora. Continuo com medo. Eles parecem perceber que estou com medo. Tento correr, não sei para onde, mas tento. Eles não deixam. Estou preso aqui.

Só consigo chorar e gritar. Peço socorro, mas ninguém me escuta.

Por favor.

Não olhe!

Ela está a trás de você! Não olhe! Por favor.

Notas finais
Então, o que acharam? Sejam sinceros! ~le vacuo eterno
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!