Oi. Você se acha grande fã de Beatles? Pois, pois, isso é o que achas! Espera até conheceres a louca da minha família.

Vou começar por nos apresentar. Somos os Marlowe. Minha avó se chama Tuesday e meu avô Bentley. Nasceram nos anos 40 e a minha avó rapidamente amou os garotos de Liverpool. Pois, e arrastava o meu avô para os concertos. Ele lá com o tempo passou a gostar. Minha avó engravidou aos vinte e seis e tanto ela como o meu avô acharam que cuidar de um filho foi imenso trabalho, sendo o filho que foi! Assim o meu pai é filho único, tendo nascido a 1966.

E agora começa a parte interessante.

A justificação para todos os nomes que se seguem não sei se é culpa do meu avô ou da minha avó, porque a verdade é que ambos se tornaram fãs dos Beatles. E o meu avô achou que deveria dar opiniões quanto ao nome dos netos. Mas primeiro o nome do meu pai, Lear. Retirado tal e qual da música “Paperback Writer”. Sorte é que o meu pai gosta do nome, se não…

Eu não posso dizer o mesmo.

Sou Jude, tenho dezasseis anos e sou o mais velho dos meus irmãos. Se eu gosto do nome? Gosto. Mas não na escola. As crianças sabem ser más. Começaram por me chamar “Jew” (judeu). Isso não é um insulto, mas também não queria ser chamado de judeu. Acho que a partir dos meus dez anos as coisas evoluíram para melhor já que os meus colegas aprenderam de onde vinha o meu nome. Agora cada vez que alguém chama: “Hey Jude!”, um coro atrás de mim começa a cantar a música. O avô diz que é coisa boa. Que assim a juventude tem (mais) alguma cultura musical.

Depois de mim vem o meu irmão, Richard, de treze anos. Pouco há a dizer sobre ele. Ele tem o nome do baterista dos Beatles. E às vezes pergunto-me, já que fui eu quem nasceu primeiro, porque não fui eu que fiquei com o nome? Mas enfim, ele não tem muita ou nenhuma queda para a bateria. Prefere o baixo. E quem devia preferir o baixo vai para a bateria! Mas eu conto-vos isso mais à frente.

Terceiro a nascer foi o John, agora com onze anos. Outra vez, pouco há para se dizer até porque o meu avô quis que ele se chama-se John Winston. Enfim, fica bem fácil de perceber. Gozaram com ele na escola uma única vez. Descobrindo o nome dele, os coleguinhas chamaram-no de hippie. Ele defendeu-se, dizendo que faltava muito miolo a quem só conhecia o John Lennon como ativista. Sim, porque ele nunca foi hippie. Foi primeira e última vez.

Alguém adivinha qual o nome do meu irmão de dez anos? Vá lá, diz sem medo: Paul! Avô, até agora a originalidade dos nomes só foi para o meu pai e para mim! Ah, e lembra o que eu disse do Rick preferir o baixo? Pois, o Paul quer a bateria. A gente anda sempre meia ao contrário do resto do mundo. Ah, e ele tem dez anos mas já quer levar moças de vinte. E não é que a gente já deixou ele tentar e ele conseguiu levar a rapariga na cantiga dele?

E vocês pensam, puxa, é só rapazes! Pois, a primeira rapariga nasceu. O avô sugeriu logo Anna. E ela que quando era pequenina (agora tem nove anos) dava bem sentido à frase: “Anna, go with him”. Ela era maria vai com todos. Bastava chamá-la e ela ia sem pensar. Normalmente o “him” eram o meu pai, o meu avô, eu ou os meus irmãos, por isso não havia grande mal.

Seguidamente, o único par de gémeos, pestes de sete anos: Georgia e George. Se a Anna tivesse nascido rapaz, iria-se chamar George, porque era o membro que faltava. Acabou por saltar um nascimento. E já que ele nasceu acompanhado de uma rapariga e os nomes soavam bem juntos, ela chamou-se Georgia. Claro, mas os Beatles também têm uma música chamada “Sweet Georgia Brown”.

Com cinco anos apresentou-vos o mais travesso dos meus irmãos: Junior. Tal como Anna, ele também tem uma frase, a frase que toda a gente mais fala sobre ele: “Now Junior behave yourself.” Até que lhe assenta bem. O meu avô foi buscar esse nome à música “Bad Boy”. É, mesmo sem querer, eles que acertaram na personalidade do Junior.

Agora você pensa que nunca mais acabam os filhos. Espera só mais um pouquinho, faltam duas meninas. Primeira tem agora dois anos. Chama-se Michelle e é um anjo de menina. Eu pego nela ao colo ainda hoje e embalo-a ao cantar a música “Michelle”. Ela já disse que me prefere a cantar a música ao Paul McCartney. Embrulha Paul, eu sou melhor que tu!

E por último, a mais recente adição à família, Elizabeth. A gente chama a nossa garotinha de um ano de Lizzy ou Dizzy Miss Lizzy porque ela ainda há pouco aprendeu a andar e cambaleia muito. Parece que anda sempre tonta. Cada vez que vê os Beatles atira-se ao ecrã, ouvindo e observando-os com imensa atenção. Ela não escapou a esse afeto pela banda que toda a família tem.

E, para quem estiver curioso, a nossa mãe não se chama (Lady) Madona! Ela chama-se Yvonne e tem trinta e nove anos. Ela e o meu pai casaram-se há dezoito anos. É de louvar, não? Mas louvem mais Sr. Bentley e Sra. Tuesday, casamento que dura há quarenta e sete anos. E temos todos que dar graças a eles. Somos todos fãs de Beatles por eles. Eu e os meus irmãos somos ao todo dez filhos. E dez anos os Beatles duraram.

Eu tenho orgulho em ser um Marlowe. Em ser família da minha família. Vivemos em Liverpool, temos uma vida como todas as outras pessoas, mas quando nos juntamos é sempre uma festa. Todos cantamos, quem sabe toca umas coisas e assim somos felizes…

Oito dias por semana!


Notas finais
Eu sei, não tinha Beatles em lado algum. Daí eu acho que isto não fosse dar resultado. Mas como gostei do que a minha mente fez e como é só de um capítulo, decidi postar. Já que não tenho que fazer...
Mas comenta aí. Diz só se ficou bom. Não tenho intenções em escrever mais em breve, excepto a minha fic "Here, There and Everywhere".
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!