Got My Heart In Your Hands
77 Transformando em realidade
Notas iniciais
“Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas, mas ficar feliz caso e quando cheguem. É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros. Ser pai é aprender errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar. Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos. Ser pai é saber e calar, fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão. Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida. Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam. Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber. Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende fundamento, enigma, pacificação. Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo de convivência no máximo de solidão. É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver. É quem se anula na obra que realizou e sorri sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante. Ser pai não é apenas dar seu DNA para alguém. É algo bem mais profundo. É amar, proteger, educar, dar a vida e viver pensando apenas no filho, para vê-lo, um dia, crescer. Ser pai é um presente divino, que nós homens de Deus, ganhamos. É ser exemplo para o filho. Ser herói para quem nós amamos. Ser meigo, carinhoso, dedicado, às vezes, substituto da mãe. Chamado pelos filhos de pãe. Quando criam os filhos, sozinho são eles verdadeiras mães. Ser pai é ser especialmente por amor, mesmo que o filho não seja seu, pois pai verdadeiro não é o que gera, mas sim aquele que aceita o filho como seu. Que ama, educa, ensina a criança, dando-lhes uma família, um nome, um lar. Para aquele que os pais biológicos irresponsavelmente decidiram abandonar. Ser pai por amor é ser pai duas vezes. É a felicidade do filho, de presente, ganhar. Ser pai... Para mim é muito difícil falar para vocês o que é SER PAI. Pois sei que não fui um bom filho. Sempre tive o amor do meu pai, recebi dele muito amor, proteção... Ensinou-me como a vida enfrentar, mas naqueles anos dourados, para mim, era difícil, escutar. Ser pai... Passei anos, de meu pai, afastado, mesmo estando com ele morando. Até o dia em que pai eu me tornei. Consegui seus ensinamentos entender. E para junto do meu pai, retornei. Hoje eu sei o que é ser um pai. Hoje agradeço a Deus todos os dias. Ser pai é saber que os filhos são a prova do amor que nos foi dado como grande presente. Poder ver crescer, educar, ensinar, ver adulto, honesto, já independente. Hoje são os filhos que estão ensinando. Ser pai é amar, é cantar, é chorar; ser pai é sorrir, é cuidar, e expressar a vida que Deus dá, pra prover e sustentar de afeto, teto e pão, repartindo o coração, o coração de Pai. Ser pai é buscar, corrigir, perdoar. Ser pai é abraçar, resgatar e sentir no peito a dor do filho, e a alegria do seu brilho. Nunca deixa ou vai embora. Não tem folga, não tem hora quem é Pai. Ser pai é sempre ter esperança. É sempre ter confiança, é acreditar quando ninguém mais crê. Ser pai é ter o coração de Deus, é dar a vida pelos seus. Sem nada em troca receber, apenas ser pai.”
– Muito legal essa história dos meninos serem pais, não é? – Disse Marie Lee que estava de costas para Jay, sentada na areia da praia, contemplando o céu estrelado.
– Sim. Eu penso em ser pai também. – Respondeu Jay, que passara ambos os braços ao redor da cintura de Marie, deixando os corpos bem próximos.
– Você pensa em ser pai? – Marie virou-se e olhou para Jay, sorrindo docemente.
– Todo homem pensa isso. – Ele correspondeu o sorriso doce.
– E você pretende ter filhos comigo?
– Ah, eu...
– Vou corrigir a pergunta. – Ela o interrompeu. – Você vê futuro em mim?
– Mas é claro que eu vejo. Eu me imagino ao seu lado, casando, e vendo nossos filhos correndo pela casa, e nós brigando para eles não quebrarem nada.
Marie riu.
– Ia ser perfeito.
– Está vendo aquela estrela que brilha forte? – Falou Jay apontando para o céu.
– Estou. – Ela respondeu balançando a cabeça positivamente.
– Aquela é você, sempre brilhante.
– Ah, seu lindo. – Ela sorriu e selou os lábios de Jay. – Está vendo esse tanto de estrelas no céu?
– Sim. – Respondeu ele.
– Cada estrela representa o meu amor por você.
Ele ficou sem palavras, e sorriu de forma tímida. Os dois se abraçaram forte e se beijaram.
Te quero por perto, muito por perto, se possível, com os olhos grudados nos meus. Nosso encontro foi algo tão subitamente não programado, que ficou. Sabe, como festas surpresas. Aquela que programam dois meses antes, compram tudo adiantado, chamam todo mundo e não funciona. Mas a que se é decidida duas horas antes, comprado cerveja com dinheiro amassado e moedas, fica para a história. Festas surpresas, bum! Você foi a minha festa surpresa. Te observei chegar com algum tipo de capuz tapando os olhos, alguma fantasia. Demorou horas para indagar qualquer palavra, me deixar ouvir a sua voz. Quando o fez, me disse que eu teria que lhe tirar a roupa aos poucos, devagar. E consegui, algum dia consegui, ufa. Até a última peça eu retirei, com a boca. Percebe minha nudez enquanto conversamos? Porque eu percebo a sua. Um pouco erótico, sensível, íntimo, não? É, somos. Nada vergonhoso; nada excitante aos outros, só a nós. Sou contente quando diz que conhece alguma parte de mim, porque realmente conhece. Conhece e é.
– Cadê o Jay? – Perguntou Pierre.
– Deve estar com a Marie. – Respondeu Laurence.
– E onde está a Marie?
– Deve estar com o Jay. – Respondeu Hayley.
– E onde estão os dois?
– Sei lá, cara! Para de encher o saco. – Disse Patrick.
– Nossa, não precisava falar isso. – Pierre deixou um bico se formar em seus lábios.
– Aí, pessoal... Magoou o Pierre. Vem aqui, vem. – David o abraçou.
– Deixa, David. Isso é falta de sexo. – Falou Pierre enquanto abraçava David.
– Pessoal, temos que embarcar para Londres. Temos show nas terras britânicas.
– É mesmo, Pierre. Vamos ter passagem de som. – Disse Jeff levantando do sofá.
– Eu acho melhor a Laura e eu ficarmos. – Respondeu Laurence.
– Bom, se vocês duas ficarem, eu também fico. – Disse Hayley.
– Eu também quero ficar. – Completou Avril.
– E eu também. – Disse Marie Lee.
– Então todas as meninas vão ficar? Nós estamos indo então.
– Sim, Pierre. Divirta-se. – Hayley acenou para os meninos, que tinham que correr para o aeroporto.
Olá, meu nome é Bruna Gonçalves, tenho 18 anos e sou de Curitiba. Vou contar um pouco de minha história. Há muito tempo atrás, em 2004, eu era muito fã da banda Blink 182. Mas, naquela época, eu não tinha CDs e nem nada, apenas me contentava ao ver fotos e videoclipes. Meu favorito era o Mark Hoppus, e toda vez que via os clipes, a vontade de agarrá-lo pela tela era imensa. Até que um dia fui à casa da Amanda, minha prima, e ela me perguntou se eu conhecia a banda Simple Plan.
– Não, não conheço. É uma banda nova? – Perguntei confusa.
– Eles existem desde 1999. Tinham uma banda chamada Reset, formada pelo vocalista e baterista. Então ambos saíram da banda e montaram o Simple Plan em 2002. Seu primeiro álbum de estúdio foi o No Pads, No Helmets, Just Balls, lançado no mesmo ano.
– Eles são americanos? Ingleses?
– Não, são canadenses.
– Ah.
– Senta aqui, vou te mostrar uma música deles.
Eu sentei perto dela e Amanda me mostrou uma música chamada Vacation. Eu até que curti, mas ninguém chegava aos pés do Blink 182.
– Olha, a música é legal, mas eu prefiro o meu Blink.
– O vocalista do Simple Plan é muito mais gato que o Mark.
– Nossa, eu duvido. Ninguém supera o Mark Hoppus.
– Pois o Pierre supera.
– Eu não acredito.
– Pelo menos é o que eu acho. O Pierre é muito lindo.
– Ok, preciso ir agora. Beijos.
Despedi-me de minha prima e nem liguei para o que ela havia falado sobre Simple Plan, Pierre e enfim... Para mim, o que me importava era apenas o Blink 182, e o Mark Hoppus com aquela beleza de tirar o fôlego. Um ano se passou, e eu liguei a MTV. Estava passando a tal banda que Amanda havia me falado, o Simple Plan. O clipe era de Shut Up. Comecei a assistir por curiosidade, para ver se o Pierre era mesmo bonito e se a música era boa. Passei a analisar cada detalhe. Eles invadindo o hotel, tocando em lugar errado, e depois indo para o lugar certo... Olhei diretamente para o Pierre, mas não conseguia ver tudo aquilo. Ele era bonito, sim, mas olhei para o que tinha piercings e franja. Era o baixista.
– Ai meu Deus, como ele se chama? Eu preciso descobrir.
Fui até o computador e pesquisei no Google: Nome dos integrantes da banda Simple Plan. Durante minhas andanças, acabei descobrindo que o nome do baixista era David Phillippe Desrosiers. Fiquei encantada, e comecei a baixar fotos dele. E por causa desse meu interesse por ele, fui baixando todas as músicas, desde as do Reset, e fui me apaixonando pela banda, largando de vez a minha paixão pelo Blink 182. Liguei a MTV novamente e estava passando I’m Just a Kid. Olhei para o cabelo loiro de David, mas por incrível que pareça, eu estava me encantando pelo Pierre Bouvier. Até que o cupido flechou o meu coração, e o Pierre começou a invadir os meus pensamentos e inclusive os meus sonhos. Não parava de pensar nele. Pierre... Que nome mais lindo. Adoro nomes franceses. Passei a pesquisar tudo sobre eles, e a cada dia que passava me tornava mais fã. Fui à Americanas e comprei o CD do No Pads. Paguei 26 reais. Na verdade, minha mãe que pagou, com o dinheiro do meu pai. Achamos um absurdo, mas eu queria muito, e também era o meu presente de aniversário. Cheguei em casa e coloquei o CD para tocar. Minha mãe também havia gostado muito do CD. Seu favorito era o Jeff Stinco. Ela pirava ao vê-lo na TV, enquanto eu suspirava pelo Pierre Charles Bouvier. Ele era um amor, um fofo, um lindo, um perfeito... Tudo naquele homem me encantava. Passado muitos anos, e o meu amor por eles aumentando, vi que eles haviam anunciado um show em Curitiba em Março de 2009. Vi a notícia em um site muito famoso, chamado Conexão Simple Plan. Comecei a surtar ao ver o post, com data do evento e preço dos ingressos. Lá dizia também que os ingressos começariam a serem vendidos no dia 26 de Janeiro. Falei com o meu pai imediatamente, mas como eu ainda era menor de idade, sairia caro. Eu teria que levar minha mãe comigo. Meu pai no começo não quis pagar, pois a VIP sairia 250. 125 meu e 125 da minha mãe, mas uma vez eu lembro que implorei para ir ao show do My Chemical Romance, e acabei não indo. Chorei o mês inteiro, e ele me confortou dizendo: ‘’Minha filha, você não é tão fã dessa banda como é do Simple Plan. Quando eles vierem pra Curitiba, o pai paga o show do SP pra você”, e isso já me alegrou. Então eu olhava para ele com cara de piedade, e ele acabou cedendo.
– Está bem, Bru. Eu vou ver o que posso fazer.
– Ai, você é o melhor pai do mundo. – Eu o abracei forte.
Um dia antes de iniciar a venda dos ingressos, meu pai e eu estávamos apreensivos, pois ainda não tínhamos dinheiro para comprar os dois ingressos. 250 reais, onde eu iria arrumar tudo isso? Mas, por sorte, nós tínhamos uma criação de calopsitas. E no dia 25 de Janeiro, uma alma boa e piedosa, foi até minha casa e comprou quatro calopsitas, dando o total de 240 reais. Comecei a gritar de felicidade, e meu inteirou com 10 reais, fechando os 250, e eu pude comprar o meu amado ingresso. No dia seguinte, liguei imediatamente para o Disk Ingresso e pedi dois para o Simple Plan. Não demorou muito para que estivesse em meu portão. Lili, minha cachorra, começou a latir. Achei estranho, pois ela não costumava latir com tanta freqüência a não ser que estivéssemos correndo algum risco. Olhei pela janela e havia um homem de moto, com um envelope na mão. Imaginei que fossem os ingressos, e saí correndo até o portão.
– Aqui estão os ingressos que você pediu.
Dei um berro de felicidade, e peguei o envelope da mão dele. Estavam em um envelope, ai que luxo! Entreguei o dinheiro ao moço e entrei em casa novamente.
– Mãe, mãe, mãe! Nossos ingressos.
Eu ainda estava imóvel, não conseguia acreditar que finalmente iria ao show do Simple Plan. Passaram-se dois meses, e o dia do show finalmente chegou. Mas antes eu havia postado fotos do ingresso no meu Orkut (sim, naquele tempo, o Orkut ainda existia), e minha amiga Sofia disse que também iria. No dia do show, combinamos de nos encontrarmos na secretaria. Eu estudava de manhã e ela de tarde. Eu estava responsável por ela, passei todos os dados de minha mãe e ela foi até o cartório, para comprovar que minha mãe estava mesmo responsável. Saí da escola mais cedo. Eram aula de trinta minutos no Colégio Estadual Leôncio Correia, mais conhecido como CELC. Às 10 da manhã eu já estava na secretaria, e Sofia me esperava. Meu coração já estava a mil. Meu pai estava na porta do colégio nos esperando, e fomos até minha casa. Almoçamos, eu tomei um banho rápido e fomos se maquiar. Coloquei a minha franja para o lado, um delineador bem forte nos olhos, uma camiseta do Simple Plan e um All Star preto de cano alto. Quando estávamos prontas, entramos no carro novamente. Minha mãe também estava com uma camiseta do Simple Plan, pois também era muito fã. Chegamos até a fila do Curitiba Master Hall, que estava enorme, e ficamos ali esperando. Estava garoando, e como eu pensei que iria chover muito mais por causa do céu preto, comprei uma sombrinha e uma capa de chuva na fila. E no fim, nem choveu, só uns pingos leves. O que eu achei estranho, já que em Curitiba é comum chover e fazer frio. Fiz vários amigos na fila, mas tinha um cara louco que havia tomado muitos Red Bulls. Ficava me oferecendo água, e eu pensei: “Capaz que vou beber a água desse cara”, e depois ele ficava pedindo para fazer mosh. Eu fiquei pensando “WTF”, e simplesmente o ignorei, voltando a conversar com os outros astronauts. Ele estava se achando na fila, dizendo que iria invadir o show do Simple Plan, subir no palco e não sei mais o quê. Fiquei só rindo da imbecilidade do rapaz. Até que uma hora, minha amiga passou mal e desmaiou.
– Dá licença, dá licença. Minha amiga está passando mal aqui. – Disse ultrapassando a fila.
– Ei, ei! Você não pode cortar a fila. Volta pra trás. – Disseram as outras pessoas que estavam na frente.
– Vocês não me ouviram dizer que minha amiga está passando mal?! – Falei em um tom de voz alto.
– Ah sim, então pode passar.
Fiz uma careta para os fãs e corri com a minha amiga lá na frente, perto do segurança. Minha mãe foi junto.
– Vocês têm que ir lá para trás. – Dizia ele.
– Nós já vamos, mas é que a menina passou mal. – Respondeu minha mãe que segurava Sofia no colo.
– A gente vai levá-la no médico. Agora vão lá pra trás.
– Nós não vamos entrar. Eu só estou preocupada com a menina. – Minha mãe observava o estado de Sofia.
– Vamos levá-la ao médico. Agora vão para trás. – O segurança nos empurrava.
– NÓS NÃO VAMOS ENTRAR! – Gritou minha mãe.
Até que a Sofia foi acordando novamente.
– Sofia, tira a blusa. Está começando a esquentar. Você está suando.
– Não, eu quero ficar de blusa.
– Sofia, por favor, tira a blusa. Vai ser melhor para a sua saúde. – Continuei insistindo.
– Não quero.
– Está bem, depois não reclama se piorar e cair dura no chão. – Respondi com raiva.
Finalmente o portão abriu. Saímos correndo para tentar ficar na grade. Estávamos na quarta fileira, e tinha um grande espaço para ficar na grade. Quando pensei em correr, minha amiga passa mal novamente.
– Vou lá para os fundos.
No início, pensei em deixá-la ir e ficar curtindo o show. Mas, percebi que seria injusta, já que eu estava responsável, então decidi acompanhá-la. Ficamos um pouco longe do palco. Fiquei triste, mas pensei na saúde de minha amiga. Uma hora se passou e o show começou. Pierre entrou dizendo “boa noite Curitiba”, em português, e iniciou o toque de Generation. Na mesma hora, minha amiga melhorou. Acho que era ansiedade de ver o vocalista mais lindo do mundo. Comecei a chorar quando vi o Pierre, mas chorei de soluçar. Desesperei-me. Começamos a cantar muito alto, e a gritar. A galera também gritava muito e pulava. Conseguia escutar pessoas gritando o nome dos integrantes, e eu gritando “Pierre”, mas infelizmente ele não prestava atenção. Os únicos que olharam para mim foram David e Jeff. Jeff me deu um sorriso quando fiz coração para ele, o que me deixou muito eufórica. A segunda música foi Take My Hand, que tinha um significado muito grande pra mim. Eu era apaixonada por aquela parte: “Porque nossos corações estão entrelaçados para sempre, e nosso amor nunca morrerá”, e definitivamente, nunca morrerá. Meu amor por eles: maior que o mundo. Eles cantaram uma música para Curitiba e tomaram caipirinha no palco. Fizeram alguns covers da Rihanna, Katy Perry e Justin Timberlake. Pierre ainda estava gordinho. O show acabou com Perfect. Clássico deles, não? Eles se despediram e eu saí da casa de show, molhada de tanto suor e quase sem voz de tanto gritar. Entramos no carro do meu pai novamente logo após ligarmos pra ele, e paramos em um carrinho de cachorro quente, pois estávamos morrendo de fome. Estacionamos em uma pizzaria, que já estava fechada. (Claro, eram 2 da manhã), e uma senhora se aproximou de nós pedindo dinheiro e chorando. Olhei para ela com cara de piedade, e tentei confortá-la. Meu pai pegou dez reais do carro, o único dinheiro que tinha, e entregou para a mulher, que saiu de lá feliz e dizendo que ninguém queria colaborar. Fiquei contente pelo ato de caridade que meu pai havia feito e fomos comer cachorro quente. Pedi com duas vinas (salsichas), muita maionese e muita batata palha, prensado na chapa. Deu cinco reais cada. Um pouco caro, mas valeu à pena... E com a fome que estávamos, nem ligamos para o preço. Voltei pra casa satisfeita e fui dormir. Nem fui para aula, pois cheguei em casa 3 da manhã e iria acordar às 5, e então acabei ficando em casa por estar cansada e rouca.
Dois anos depois, me mudei pra Inglaterra. Outros planos, outra língua, outra cultura, outro continente... Nos primeiros meses foram complicados pra mim, tive que me virar no aeroporto, mas consegui graças ao Simple Plan. Eu aprendi inglês através deles, e então tenho muito que agradecer. No mesmo ano, eles confirmaram um show em Londres, mas eu não tinha dinheiro, e então não pude ir. Fiquei um mês depressiva. Mas, no ano seguinte, eles confirmaram novamente, e eu pedi para o meu pai. O ingresso estava só 16 libras, equivalente a 48 reais, e então pude comprar meu amado ingresso. Comprei dois e dei um para minha amiga. Minha amiga Karla falou com outra amiga dela, a Rafaela, para se inscrever na passagem de som, pois eu nem era do SPCrew ainda, só assinei depois que completou um mês de show. Rafaela se inscreveu e acabou ganhando. Surtei no mesmo momento, mas acabei pensando melhor, e achei que não iria conseguir me passar por ela. Imaginei que eles pediriam minha identidade. Até que Karla me confortou dizendo que no show em Portugal, eles não pediram identidade, talvez seria o mesmo em Londres. Como Portugal também era Europa, fiquei pensando que seria igual. Saí de casa com minha amiga, Letícia ao meio-dia, e imaginamos chegar lá às 14:30, já que de Oxford para Londres eram só uma hora e meia, duas horas. Mas pensei 14:30 por causa do trânsito. Um dia antes, Karla havia me mandado mensagem no Facebook dizendo que eu teria que chegar até às 16:00, senão as chances de entrar para a passagem de som iriam ser perdidas. Fiquei desesperada e peguei imediatamente o ônibus que se direcionava a Londres. Cheguei lá às 15:30, e logo vi que não daria tempo. Letícia e eu fomos até a estação de metrô, que era rápido. Mas, a fila estava enorme.
– Acho melhor pegarmos um táxi. – Disse com uma voz triste.
– Você acha?
– Acho sim, Leti.
Vimos um táxi preto parado, por nossa sorte, e entramos, dizendo que queríamos ir até o HMV Forum. Tudo em inglês, claro. Mas o trânsito estava horrível, e acabei chegando ao local às 17:00. Sim, 17:00. Muito tarde. Já estava chorando achando que não iria conseguir, mas logo vi que a fila para a passagem de som ainda estava formada, e pensei: “Ah, não deve ter começado”. Aproximei-me e fiquei na fila, toda nervosa, enquanto a Letícia foi para outra fila, triste e brava, mas eu não poderia fazer nada, e nem iria perder uma oportunidade assim. Avistei a Karla, que era a primeira da fila, e acenei para ela. Ao chegar à minha vez, fiquei tremendo, achando que pediriam identidade. Aliás, passaporte. Na Inglaterra esse era o documento principal, diferente do Brasil. Ela perguntou o meu nome, e eu disse que me chamava Rafaela. Ela apenas conferiu na lista, repetiu o nome para confirmar, eu confirmei e a moça colocou a pulseira em meu braço, mandando-me entrar. Na porta, o homem rasgou uma parte do meu ingresso, e eu entrei, já podendo ver o meu Pierre posicionado ao palco. Eles cantaram, brincaram, e eu, como sempre doida, comecei a gritar o nome do vocalista.
– Calma, Bruna. Ele vai descer pra falar com você.
Meu coração deve ter ido lá na boca e voltado, de tão emocionada que fiquei.
– Façam um círculo que desceremos para falar com vocês. – Disse Pierre, e eu fui até o círculo já formado. Eles desceram, e eu, olhando para Pierre, nem vi que David estava se aproximando, até que sinto uma mão tocando o meu ombro.
– Olá, como está? – Virei o rosto e vi que era David. Paralisei e logo o abracei forte.
– Ai meu Deus, é você... Eu... Te amo. – Mal conseguia falar de tão nervosa.
– Ah, obrigado. – Ele respondeu tímido. – Quer tirar uma foto?
– Claro que sim!
Aproximei-me do David e o abracei pela cintura. Dei a câmera para uma menina e ela bateu a foto. Ele me deu um beijo na bochecha e eu fiquei encantada. Como ele era lindo e simpático. Fui muito bem tratada. Depois, veio o Pierre, fazendo a mesma pergunta que David. Eu fiquei de boca aberta, travei, e comecei a chorar. Afinal, o meu ídolo, a pessoa que eu mais sonhei em conhecer, estava na minha frente, sorrindo para mim e me abraçando. Aquele sorriso de arrancar suspiros, que eu nunca tirarei de minha memória. Eu estava segurando um boné nas mãos, e entreguei para ele.
– Isso aqui é o meu presente para você. É do Brasil.
– Do Brasil? Que legal! Muito obrigado. – Ele disse sorrindo.
– Poderia colocar o boné, Pierre? Quero tirar uma foto.
– Ah, claro.
Ele colocou o boné, mas como estava muito ajustado devido a minha cabeça pequena, ele teve que afrouxá-la.
– Minha cabeça é muito grande.
Eu dei uma gargalhada, e ele riu também. Preparei a câmera e ele fez uma pose linda, abrindo a boca e fazendo um sinal de jóia com as mãos. Depois ele me pediu para tirar foto, e eu, aproveitando o momento, aproximei meu rosto do dele, dando um beijo demorado em sua bochecha. Ele ficou um pouco espantado.
– Ai, desculpa, acho que fui meio inconveniente.
– Não, que isso, pode beijar a minha bochecha. Vá em frente!
Suspirei profundamente e o beijei com mais força, fechando os olhos para sentir a bochecha gorda e rosada dele. A barba dele me espetou um pouco.
– Prazer em conhecê-la, divirta-se.
Logo após, veio o Jeff, que me apertou quando tiramos fotos. Ele gravou uma mensagem linda para o Brasil, dizendo que iria voltar em breve. Em seguida, fui em direção ao Seb, e David estava perto. Ele me viu novamente, me abraçou e disse:
– Que bom te ver de novo.
Eu abri um largo sorriso. Não acreditei que ele havia se lembrado de mim. Depois tirei foto com o Seb. Pedi os olhos dele, e ele, sorrindo, respondeu:
– Não, eu preciso deles para enxergar.
Ri alto e me posicionei ao lado dele para a foto. Todos foram muito gentis, inclusive Chuck, que tirou 4 fotos comigo. Conversou, brincou, disse que amava o Brasil, enfim, foi muito legal comigo. Saí de lá realizada. O melhor dia da minha vida.
This Song Saved My Life — Simple Plan
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