Got My Heart In Your Hands
183 Tem meu coração em suas mãos
Notas iniciais
Não havia muito que fazer, a imensidão da dor de uma perda não pode ser descritível, nem por aqueles que a sentem.
A esposa de Bernard agradeceu Pierre e David por estarem ao lado de seu marido em todos os momentos daquela agonia. Ela iria doar os órgãos dele, assim como ele queria e depois o corpo seria levado para Baltimore, sua cidade natal.
– Queremos ir ao enterro senhora. — Disse David.
– Vocês não precisam.
– Mas nós queremos! — Pierre insistiu.
– Eu sei, vocês devem se sentir culpados, mas foi Deus que quis assim. Eu sei que ele está em um lugar melhor, obrigada. — A velha senhora sorriu enquanto ia embora.
“Mesmo que as lembranças torturem, que a nostalgia que faça chorar, e que o medo de espalhe em você, seja forte e supere tudo. Afinal, assim é a vida, e tudo isso é consequência dela, você já devia saber que nada mudaria pelo simples fato de você não se satisfazer com o fim das coisas, já devia saber que a sua dor, não muda nada mais do que você mesma ”
[...]
Dois meses se passaram e as coisas estavam calmas. A banda estava fazendo uma pequena turnê pelos Estados Unidos, mas aquele dia seria diferente, eles tocariam em Baltimore, a cidade de seus amigos do All Time Low, mas não era só isso, também tinha o túmulo de Bernard e logo que chegaram Pierre resolveu ir até o cemitério.
– Na verdade eu não sei o porquê estou aqui, nem te conhecia, mas mesmo assim me sinto em dívida com você, isso é estranho, mas como sua esposa Rachel disse, você está em um lugar melhor agora. É que eu sinto uma culpa, eu sei, mas... Eu sinto. — Pierre disse diante ao túmulo de Bernard, ele trouxe consigo um buquê de flores e deixou o mesmo em cima da pedra cravada com o nome de Bernard.
– Ele está ótimo.
Pierre se virou e logo viu uma pessoa — se é assim que posso dizer — que há muito tempo não via.
– Lachelle? — Ele disse surpreso.
– Como você está?
– Bem, eu acho. — Ele disse cabisbaixo.
– Não precisa se culpar.
– Er... Ele está bem mesmo?
– Sim, nesse momento inclusive, acho que deve estar falando com Rachel.
– Então quer dizer que outros espíritos também podem se comunicar com os vivos? Não só você com a gente?
– Sim, mais ou menos.
– Como assim mais ou menos?
– Deixa isso pra lá... Alex vai participar do show de hoje à noite?
– Sim, eu acho. — Pierre disse pensativo.
– Bom, chega de se lamentar, vá se divertir. — Lachelle disse sorrindo.
– Lachelle... Obrigado. — Pierre sorriu também.
...
– Isso aqui está muito parado. — Pat disse.
– Pior que é verdade. — Chuck concordou.
– Cadê o Pierre? — David perguntou.
– Estou aqui! — Ele disse entrando no ônibus.
– Por que a gente tem que ficar no ônibus? — Laura perguntou.
– É porque os hotéis da cidade estão lotados, não achamos nenhum com vaga. — Explicou Seb.
– E por que não vieram pra nossa casa? — Disse Jack (All Time Low) entrando no ônibus.
– Não tínhamos pensado nisso. — Pierre disse.
– Vamos, galera. — Rian que chegou depois disse.
– Sério mesmo? — Jeff perguntou.
– Claro, vocês são nossos amigos! — Zack que estava do lado de fora do ônibus gritou.
– Então está bem. — David disse.
Eles foram até a casa dos meninos do All Time Low, de quem eram muito amigos. Quando eles chegaram Jack propôs que relaxassem na piscina antes do show, e eles concordaram.
– Mas gente, cadê o Alex? — Seb perguntou.
– É verdade, eu não o vi ainda. — Laurence disse.
– Acho que ele deve estar no quarto dele, sei lá, ele está meio estranho. — Zack disse.
– Devem ser problemas com a Wendy. — Rian acrescentou.
Jack ao ouvir esse nome saiu andando pra dentro da casa, e todos perceberam.
– O que deu nele? — Avril perguntou.
– Ele meio que não gosta da Wendy. — Rian respondeu.
– E quem é Wendy? — Chuck indagou.
– A namorada esquisita do Alex. — Zack respondeu.
– É, ela mexe com o Alex de um jeito que ninguém entende, eles só se vêem às vezes, e o Jack não gosta dela, parece ter ciúmes.
– E há quanto tempo eles estão namorando? — Jay perguntou.
– Dois meses. — Rian disse tomando um gole de suco.
– Mas o Jonathan e a Carol não quiseram vir? — Zack perguntou para mudar um pouco de assunto.
– Ah, eles estão acertando umas coisas em Montreal, Jonathan pediu a Carol em noivado, eles vão morar juntos. — Pierre esclareceu.
– Mas já?
– Sim, Jonathan disse que está ficando velho demais pra esperar as coisas acontecerem. — Pierre riu.
– Entendi.
Enquanto isso, no quarto de Alex...
– Você não pode continuar fazendo isso! — Jack gritou.
– Ela não é assim!
– Ela vai matá-lo e você sabe disso!
– Mas eu vou convencê-la, eu juro, eu juro. — Alex disse caindo sobre seus joelhos.
– Você tem que entregá-la pra polícia, sabe o que aconteceu, não sabe?
– Sei, mas...
– Mas?
– Eu a amo.
– Era tudo o que eu precisava ouvir, acabou Alexander. — Jack disse pegando sua jaqueta e saindo do quarto.
– Jack, espera. — Alex dizia chorando.
...
– Jack, aonde você vai? — Pierre perguntou vendo o amigo saindo nervoso pelo portão e com um... Cigarro na boca.
Ele encarou Pierre por alguns segundos e saiu sem dizer nada.
– Nossa, o que deu nele? — David perguntou com medo.
– Deve ter brigado com o Alex.
– Como assim?
– Ele só fuma quando briga com o Alex.
– Eu vou lá falar com o Alex e perguntar se está tudo bem. — David disse entrando na casa.
– E eu vou falar com o Jack. — Pierre se levantou.
– Vocês não vão conseguir acalmar os ânimos dos dois. — Rian disse suspirando.
“Eu acho que não possuo palavras para descrever essa confusão dentro de mim. Eu devia estar melhor com o término das aulas, mas não é assim que me sinto. Eu estou tão preocupada com algumas coisas, e com tanto medo de outras, que mal consigo dormir a noite. Desperto diversas vezes extremamente assustada com os meus pesadelos, e ao acordar percebo que eles são totalmente reais, gostaria de voltar para a época em que os meus medos eram palhaços, monstros, fantasmas, demônios. Mas agora os meus pesadelos baseiam-se nos acontecimentos da minha vida, nos meus medos mais profundos, nas preocupações, nas piores lembranças. Eu não sei se é pior ver tudo isso acontecendo e não achar nenhuma solução ou não conseguir deixa de lado e esperar o tempo resolver. Eu cuido tanta das pessoas que eu amo que acabo me esquecendo de mim mesma, me sufoco com as palavras guardadas. Há tantas perguntas para serem respondidas, tantas coisas a serem resolvidas, tantos sentimentos misturados, tanta confusão. Não sei como resolver tudo isso, me sinto tão frágil, tão instável Diariamente milhares de coisas passam pela minha mente, o tempo todo busco respostas, soluções, explicações. Tento me convencer de que tudo irá ficar bem e que o tempo irá ajeitar tudo, eu procuro dentro de mim mesma fé, esperança e força para continuar em frente, mas tudo isso não passa de uma ilusão. Os dias passam e o tempo apenas me trás mais dores, decepções, perguntas, problemas, preocupações. Parece que a minha vida gira em torno disso agora, e no fim sei que é verdade. São poucos os momentos em que me sinto em paz (paz proporcionada pela presença de uma pessoa), dificilmente consigo me desligar de tudo isso, não há mais tranquilidade e o caos reina na minha mente, no meu coração, no meu mundo. Há um vazio enorme dentro de mim, muitas vezes eu “acordo” e me pergunto o que diabos estou fazendo aqui, e se estou sendo de certa maneira castigada por algo que fiz, cada segundo que passa as minhas dúvidas só aumentam. No fim a confusão prevalece, e lá vou eu novamente em minha incessante jornada em busca de soluções, respostas, explicações, felicidade, paz…”
Pierre’s POV: On
Saí caminhando, estava frio, mas não seria difícil de encontrar Jack. Ele tinha saído a pé, graças. Devo ter andado umas 4 quadras até chegar a um parque, resolvi procurar por ele lá e realmente o encontrei, estava na margem de um lago fumand.:
– Jack?
– O que você quer?
– Está tudo bem?
– Você não está vendo?
– Me conta o que está acontecendo, cara. — Eu disse me sentando ao lado dele.
– Isso é complicado.
– Eu sei, você não tem do que eu já passei, pode confiar em mim.
– Está bem, afinal, tem a ver com você também.
– A ver comigo?
– Sim.
– Me conta, mas primeiro joga esse cigarro fora.
– Desculpa, eu não costumo fumar.
– Eu sei.
– Agora me conta.
– Bom, a namorada do Alex...
– A Wendy.
– Isso, eu não gosto dela, porque... Ah, deixa pra lá o motivo. — Jack corou. – Ela é... Prima do David.
– O que? Prima do David, como assim?
– Não sei se ele te contou a história de ele ter “matado” a prima.
– Não exatamente contou, mas eu sei, continue.
– Essa menina tem uma irmã além da Alison, mas ele não sabe, aliás, ninguém sabia. Alguém do hospital disse aos pais dela que ela havia morrido, eu não sei o motivo. Ela acabou indo parar em um orfanato, mas fugiu e encontrou Melissa, a prima morta do David. Contou toda a história e fez Mel prometer que não contaria aos seus pais que estava viva, porque ela achava que eles a tinham abandonado. Depois aconteceu aquele acidente, no que Melissa morreu, e Wendy ficou literalmente louca, ela foi internada em uma clínica psiquiátrica, e saiu faz quase 6 meses. Os médicos achavam que ela se recuperou, mas as atitudes dela provam o contrário.
– Meu Deus! Mas e como você ficou sabendo de tudo isso?
Enquanto isso, na casa da banda...
– Minha prima? E como você ficou sabendo de tudo isso, Alex? — David perguntou não acreditando no que estava ouvindo.
– Eu encontrei o diário dela em um dos dias que ela tinha sumido. Jack deve ter dito que a gente só se vê às vezes, e isso é por que ela some e não diz para onde vai.
– Você contou isso pro Jack?
– Sim, mas a questão é que ela quer matar o Pierre.
– Matar o Pierre? Por quê?
– Porque ela quer se vingar de você, ela acha que você matou a única pessoa que realmente amou ela.
– O que? Então quer dizer que...
No parque...
– Sim Pierre, Wendy é a garota que está te perseguindo, que colocou drogas na sua bebida, que tentou matá-los na estrada. Ela conheceu Alex, e ele se apaixonou por ela, há mais ou menos dois meses, o problema é que ele tenta protegê-la de todas as formas possíveis, ele está obcecado e o pior é que ela não o ama, apenas está o usando. A razão de ela não querer ao David que, digamos assim, “matou” a Melissa é porque...
– Eu não me contentaria em ver a morte do David, eu preciso o ver sofrer, assim como eu sofri. Ele me tirou a pessoa que eu mais amava no mundo, então eu vou tirar a pessoa que ele mais ama no mundo também!
– Wendy? — Pierre se virou e viu Wendy, segurando uma arma contra sua cabeça com uma expressão fria e assustadora.
Desde o início
Soube que isso seria difícil de aguentar.
Como um choque tudo saiu do controle.
Oh, em um fio, nós dançamos.
Dois jovens, sem consequências.
Puxe o gatilho sem pensar.
Há apenas um sentido nesta estrada.
Foi como uma bomba relógio dando partida.
Sabíamos que estávamos destinados a explodir.
E se eu tivesse que retirá-lo dos destroços,
Você sabe que eu nunca vou deixar você ir.
Somos como uma bomba relógio.
Vou perder a cabeça.
Vamos difundir.
Baby, nós somos como uma bomba-relógio,
Mas eu preciso dela.
Não mudaria nada.
Bem, não há como sair daqui, então vamos ficar dentro
Fazer uma tempestade que poderia apenas nos levar a um fim.
A resistência é inútil.
Apenas duas crianças estúpidas e sem medo.
Como uma bala, atirando uma lição.
Há apenas um caminho por essa estrada.
Foi como uma bomba relógio dando partida.
Sabíamos que estávamos destinados a explodir.
E se eu tivesse que retirá-lo dos destroços,
Você sabe que eu nunca vou deixar você ir.
Somos como uma bomba relógio.
Vou perder a cabeça, vamos difundir.
Baby, nós somos como uma bomba-relógio,
Mas eu preciso dela.
Não mudaria nada.
Você tem meu coração em suas mãos.
Como uma bomba-relógio.
Se explodir, nós começamos de novo.
Se quebrar, nós consertamos.
Tenho seu coração em minhas mãos.
Como uma bomba-relógio.
Devíamos saber mais, mas não vamos abandonar.
Foi como uma bomba relógio em movimento.
Sabíamos que estávamos destinados a explodir.
E se eu tivesse que retirá-lo dos destroços,
Você sabe que eu nunca vou deixar você ir.
Somos como uma bomba relógio.
Vou perder a cabeça, vamos difundir.
Baby, nós somos como uma bomba-relógio,
Mas eu preciso dela.
Não mudaria nada.
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