Got My Heart In Your Hands
51 Sonhos
Notas iniciais
Após um dia cansativo na delegacia, o despertador de Pierre tocou, indicando 7 da manhã. Ele virou a cabeça e enterrou-a no travesseiro, suspirando baixinho e abraçando o cobertor. Alguém começou a acariciar os seus cabelos. Meio dormindo, ele sorriu e murmurou baixinho.
– David, você caiu da cama? – perguntou ele virando para o outro lado e se cobrindo com o cobertor. Lentamente, ele mexia nos olhos, tentando acordar.
– Temos prova hoje, vamos para a escola.
– Merda! – ele sussurrou e levantou-se, cambaleando meio adormecido até o banheiro onde acendeu as luzes, antes que ele fechasse a porta. Inclinou-se para a parede, respirando fundo e passando as mãos pelo rosto. Ele precisava de um banho, sem dúvida. Ele tirou a roupa e ligou o chuveiro alguns segundos mais tarde. Começara a pensar em tudo o que havia acontecido para ele chegar até ali com o David. Estar com ele valia à pena. Mas, ele nem percebeu que David estava entrando no banheiro. Quando entrou, fechou a porta suavemente, e deu uma olhada em seu reflexo no espelho. Sempre soube de sua aparência pálida, pelo menos, mais do que o resto da banda, porém logo nesta manhã, ele quase parecia um cadáver. Os círculos escuros sob seus olhos, o cabelo preto totalmente desarrumado e uma sombra. Ele dormiu sem tirar a maquiagem, então acordou com cara de vampiro, com lápis e sombra borrados. Ele bocejou e pôs as mãos na cabeça, que parecia que iria explodir com a maldita dor latejante. Ele respirou fundo. Era sua própria culpa e não podia culpar ninguém, mas somente a si mesmo por ter bebido exageradamente no bar acompanhado dos amigos, que também beberam, mas David era o mais fraco para álcool. Ele fechou os olhos e começou a coçá-lo, quando de repente, Pierre sai vestindo apenas uma toalha. Ele assustou-se, pois não sabia que David havia entrado no banheiro.
– David, que susto.
– Desculpe-me.
– Você está parecendo a Morticia.
– Por que está me comparando com a Família Adams, seu hipopótamo?
– Porque seu cabelo está desarrumado e sua maquiagem está borrada. Ei, espera aí, você me chamou de hipopótamo?
– Esquece. Vou tomar banho. — ele tirou a roupa e ligou o chuveiro. Com as mãos e com o auxílio da água, ele começara a tirar toda a maquiagem, mas quanto mais ele passava a mão, mais ficava borrado. David usava maquiagens carregadas, mais fortes que o da Avril Lavigne. Depois de já ter tomado banho, ele saiu vestindo apenas uma toalha também, e pegou as suas roupas para trocar-se no banheiro. Já estava recuperado da ressaca, e preparado para a prova. Mas Pierre esqueceu-se de estudar e estava preocupado.
– Eu não vou fazer essa prova.
– Como assim? Vale nota.
– Eu vou tirar zero mesmo.
– Para de achar que é burro. Vamos logo fazer essa prova.
– Se você me passar cola...
– Passo, agora vamos. – David disse puxando os braços de Pierre até a porta.
– Espera, eu ainda não escovei meus dentes.
– Você estava fazendo o que no banheiro?
– O número dois.
– Ou quem sabe... – David movimentou as suas mãos, fazendo algo obsceno.
– Que isso, rapaz. Eu não estava fazendo isso no banheiro. – ele olhou para os lados.
– Sua olhada para os lados não engana ninguém.
– Agora não posso olhar para os lados? – Pierre falou embolado, por estar com pasta de dente na boca.
– O quê?
– Não posso olhar mais para os lados? – Pierre falou embolado novamente.
– Se você cuspir essa espuma, eu consigo te entender.
– Vai me proibir de olhar para os lados? – ele havia cuspido a espuma.
– Ah... Não, é que... Deixa pra lá, vamos logo.
– Está bem. Só preciso passar perfume.
– Pierre, ninguém vai te cheirar não. Você não está indo para o puteiro.
– Quem disse? Depois da aula eu vou te levar lá, e você vai dançar Pole Dance.
– Cala a boca e vamos. – ele riu e arrastou Pierre para fora.
Eles caminharam até a escola, que não era tão longe. Pierre estava morando apenas há algumas quadras da casa de seus pais. Ao chegarem, sentaram no banco do pátio. David retirou o livro de Biologia e começara a ler o capítulo 59, enquanto Pierre escutava músicas em seu Iphone.
– Pierre, o que é Biotecnologia?
– Hã? – ele retirou os fones de ouvido. Estava escutando Time Bomb do All Time Low no volume máximo.
– O que é Biotecnologia?
– Se tem a ver com tecnologia, então... Computadores vão ser feitos de célula?
– Eu não ouvi isso.
– Fala logo o que é.
– Você é burro hein?
– Para de xingar e fala logo.
– A Biotecnologia é a aplicação de processos biológicos à produção de materiais e substâncias para uso industrial, medicinal, farmacêutico, etc. Simplificando, nada mais é do que a ciência que estuda a engenharia genética dos alimentos. A palavra biotecnologia é formada por três pequenas palavras de origem grega: bio significa vida, tecnos representa o uso prático da ciência, e logos significa conhecimento.
Pierre colocou de volta os fones de ouvido e começara a simular um solo de guitarra.
– Você me ouviu? – David cutucou o braço de Pierre com força.
– Hã? – Pierre retirou os fones de ouvido novamente.
– Vou sair daqui, viu. – ele levantou-se.
– Desculpa. Fala de novo.
– A Biotecnologia é a aplicação de processos biológicos à produção de materiais e substâncias para uso industrial, medicinal, farmacêutico, etc. Simplificando, nada mais é do que a ciência que estuda a engenharia genética dos alimentos. A palavra biotecnologia é formada por três pequenas palavras de origem grega: bio significa vida, tecnos representa o uso prático da ciência, e logos significa conhecimento.
– Não seria mais fácil você dizer que é a ciência que estuda a engenharia genética dos alimentos?
– Talvez, mas você tem que dar uma resposta mais concreta.
– Eu nunca vou conseguir gravar que a Biotecnologia é a aplicação de... De que mesmo?
– Processos biológicos à produção de materiais e substâncias para uso industrial, medicinal, farmacêutico, etc. – David repetiu a definição.
– Isso. Eu nunca vou gravar, vou tirar zero.
– Anota na mão.
– Ok. – Pierre pegou uma caneta de seu estojo, destampou-a e começara a escrever a definição.
– Posso escrever só que ela é a ciência que estuda a engenharia genética dos alimentos? É mais simples.
– Pode.
– Você não vai anotar? – perguntou ele olhando no livro e anotando.
– Já tenho tudo anotado na cabeça, eu fiz um resumo.
– Mas se fomos para o bar, como conseguiu?
– Eu fiz antes de irmos, pois odeio deixar tudo para depois.
– Eu estou namorando o Chuck Norris.
David riu.
– Sim, eu sou o cara.
– O DNA (ácido desoxirribonucléico) é o material genético onde estão guardadas as informações sobre a constituição de todos os seres vivos. O DNA é constituído por uma cadeia dupla de nucleotídeos (unidade básica das cadeias polinucleotídicas). Cada nucleotídeo possui uma pentose, um grupo fosfato e uma base azotada. No caso do DNA a pentose é a desoxirribose e as bases azotadas podem ser a guanina, citosina, adenina e timina. – David lia em voz alta.
– Timina? Isso pode servir pra dar cantada.
– Como assim, Pierre?
– Estou louco por timina. – ele riu.
– Pierre, vê se leva a sério, hoje tem prova.
– Ok.
– Podemos encontrar o DNA nas células procarióticas, nos núcleos das células eucarióticas, nas mitocôndrias e nos cloroplastos. Alguns vírus também possuem DNA. – David leu em voz alta novamente.
– Eu nunca vou fazer Biotecnologia.
– Eu pretendo, parece ser um curso interessante.
– Credo, com todos esses nomes estranhos aí. Eu vou é estudar música.
– Faça o que quiser, mas por enquanto, foque-se na Biologia, pois a prova é na primeira aula.
– Está bem. Dê-me mais aulas, professor.
– Vamos ler sobre a dengue.
– Manda.
– A dengue é uma doença causada por vírus chamados de arbovírus e transmitida por mosquitos do gênero Aedes aegypiti. É um problema de saúde pública, principalmente em países tropicais cujo clima propicia a reprodução do mosquito vetor.
a) Agente etiológico: variedades de vírus pertencentes ao grupo dos arbovírus;
b) Contágio: através da picada do Aedes aegypiti contaminado pelo vírus;
c) Ciclo de vida: o vírus se reproduz no interior do mosquito vetor e se instala em seu intestino e glândulas salivares. Quando a fêmea contaminada pica um humano, ela injeta uma substância anticoagulante, produzida por suas glândulas salivares, juntamente com os vírus. Ao se alimentar do sangue de uma pessoa doente, a fêmea do mosquito se contamina e passa a ser o vetor do vírus;
d) Sintomas: podem ser diferentes, dependendo da variedade do vírus e se a pessoa já contraiu a doença anteriormente — ou pode também ser assintomática. Os sintomas mais comuns são: dor de cabeça, dor no corpo, dor na região atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço e mal-estar. No caso de uma variedade mais grave, a dengue hemorrágica, a coagulação sanguínea é prejudicada, ocasionando hematomas e hemorragia;
e) Profilaxia: eliminar os focos do mosquito. A fêmea coloca seus ovos em locais contendo água limpa e parada. Então, evitar acúmulo de água em vasos, restos de lixo, entre outros, auxilia no controle da propagação do vetor.
– Aedes o que? – Pierre perguntou confuso.
– Aedes aegypiti.
– Vou me ferrar nessa prova.
– Eu te passo cola. Senta do meu lado.
– Ok.
Minutos se passaram e o sinal tocou. Todos entraram na sala rapidamente e puseram-se em seus lugares. Pierre, como combinado, sentou na carteira ao lado de David. Tomara que a mente de Desrosiers seja iluminada nessa prova.
– Boa prova a todos. – disse a professora, que voltou depois que Nemours foi demitido.
– David, qual é mesmo o nome do mosquito da dengue? – Pierre sussurrou.
– Aedes aegypiti.
– E como se escreve isso?
– A-E-D-E-S espaço A-E-G-Y-P-I-T-I. – David soletrou baixinho e jogou o cabelo para o lado.
– Tá, valeu. – Pierre escreveu. – E o que é dengue?
– É uma doença causada por vírus chamados de arbovírus. – David olhou para frente para ver se a professora não se aproximava.
– Que prova difícil. Só acertei o meu nome.
Os amigos estavam conseguindo fazer a prova normalmente, exceto Pierre que havia se esquecido de estudar, e encontrava dificuldades na prova inteira. Depois de colar, ele entregou a prova, juntamente com Avril, Laurence, Jeff e toda a turma. Eles saíram e foram até o corredor.
– Mas que prova complicada. – reclamou Pierre.
– Eu achei fácil. – disse Avril.
– Pra quem lembrou-se de estudar, com certeza é fácil.
– Estava com a cabeça no David, Pierre? David, oh David, meu eterno amor. – Jeff zombou.
Todos riram, exceto Pierre.
– Cala boca.
– Cala boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu.
– Ai, Jeff... Shut up!
– Shut up, shut up, shut up, I don’t wanna hear it. – Laura balançou o cabelo após o namorado ter cantado.
– Gente, eu tenho uma coisa para contar. – Avril ficara entusiasmada.
– Fala, loira. – disse Pierre.
– Vou gravar o meu primeiro CD.
– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. – Pierre gritou e a abraçou. – Sério?
– Ei, poderiam fazer menos barulho? – disse a professora que estava na porta fixando-os.
– Desculpa. – respondeu Pierre. – Mas é sério isso?
– Seríssimo. A gravadora disse que eu sou talentosa e tenho um bom potencial para ser cantora. Já estou com as músicas prontas, só falta gravá-las.
– Que bom. – David também a abraçou.
– É... – Avril olhou triste para Chuck. – Não vai dizer nada, amor?
– Parabéns.
– Nossa, que seco, o que houve?
– Nada, é que eu estou com a cabeça no mundo da lua. Parabéns, você merece. – ele selou os lábios de Avril.
– Ah, obrigada.
– Estamos felizes. – disse Laurence, abraçando a amiga, fazendo todos virem também.
– Montinho na Avril. – gritou Joel, e todos partiram para cima da Avril.
– Não! – Avril tentava se livrar, mas não conseguiu, até que finalmente eles os soltaram.
– Qual vai ser o nome do CD? – Sébastien perguntou.
– Let Go. Vou gravar depois da aula.
– Boa sorte. – disse Joel.
– Obrigada.
– Marie Lee. Olá fofa. – Pierre cumprimentou a moça que estava passeando pelo corredor.
– Oi Pierre. Eu queria agradecê-los, vocês me ajudaram muito, e por causa de vocês pude denunciar o Nemours.
– Que isso.
– Gatinha, tem namorado? – perguntou David.
– Por que está tão interessado? Quer ser o namoradinho dela? – Pierre resmungou.
– Não, é que se ela não tiver, eu tenho uma pessoa para apresentar.
– Sou solteira. – Marie respondeu.
– Ok, agora quem é a pessoa que você vai apresentar para ela?
– O seu irmão.
– O Jay?
– Mas é claro que é o Jay. Jonathan é recém-casado. Marie, você vai gostar do Jay, ele é lindo.
– Ele é apenas o seu cunhado, vai cortando as asinhas aí.
– Só tenho olhos para você, meu querido.
– Tá. Olha, se quiser conhecer o meu irmão, eu posso ligar pra ele ir lá onde eu estou morando agora junto com o David.
– Bom, é que... Eu estou um pouco tímida.
– Não se preocupe, meu irmão também é tímido e ele não fará nada contra a sua vontade.
– Está bem, eu vou. Que horas?
– Depois da escola, pode ser?
– Preciso ligar para os meus pais.
– Liga aí.
Marie tirou o seu Blackberry do bolso e começou a discar o número de sua casa. Sua mãe a atendeu:
– Oi mãe. Só queria dizer que hoje eu vou à casa de alguns amigos que conheci por aqui, tudo bem pra senhora? Ok então. Beijos. – ela desligou o telefone. – Minha mãe deixou.
– É hoje que alguém sai daqui namorando.
– Como assim, Pierre? Vou apenas conversar com o seu irmão.
– Quem sabe não rola uma Química?
– E uma Física. – completou Joel.
– Vocês vão me arrumar problema.
– Não, queremos te dar uma solução.
– Está bem.
– Então se divirtam lá e me contem tudo.
– Você não vai, Avril? – perguntou Marie.
– Não, depois da aula eu vou até à gravadora. Vou gravar o meu primeiro CD.
– Ah, que lindo. Boa sorte. – ela a abraçou.
– Obrigada.
* * *
"Não desista de seus sonhos, não desista de você! Cada sonho negado é um pouco de nós censurado. Não desista de sonhar! Cada sonho de que desistimos é um pouco da realidade que deixará de existir. O medo de sonhar tira-nos o prazer de viver o limite permitido. Porque os sonhos são limites permitidos de viver o estranho, o diferente e o novo. Muitos sonhos nos tornam grandes, muitos sonhos se realizam. E não se esquecendo que a realidade precisa da magia dos sonhos. Pense como seria sem sentido a nossa realidade se não houvesse os sonhos. Não teríamos a magia, não teríamos idéias, planos, prazeres, divagações, satisfações... Seríamos seres mortos, mortos de sentimentos. Então por que não sonhar? Lógico, não viver somente dos sonhos, até porque quem vive de sonhos já se ouviu falar: é dono de padaria... Eu falo dos sonhos que alegra nosso viver. Eu sempre falo que sonhar, sempre! Mas com os pés no chão! Esse é o melhor sonho que se pode ter. E o melhor dos sonhos é que ninguém pode roubá-los de nós. Se alguém um dia lhe disser que você é um sonhador, não leve isso como ofensa. É melhor ser um sonhador alegre e vivendo, que um sofredor triste sem amor, com a vida em preto e branco." – Autor Desconhecido
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