Got My Heart In Your Hands
124 Pra onde correr?
Notas iniciais
– Não! — Gritava Hayley desesperada.
– Tarde demais, queridinha. — Marcela sorria como uma psicopata.
– Faz o que quiser comigo, mas deixa-o em paz!
– Seria fácil demais pra você.
– Fácil demais pra mim? Você acha que está sendo fácil pra mim?
– É claro que está. Eu deveria fazer coisas bem piores, você merece. Mas ah... Eu não sei, acho que tenho muita preguiça. — Ela riu sozinha.
– Por favor, para!
– Se você tivesse me obedecido e trazido um filhinho dos seus amiguinhos, não seria assim. Mas agora vou matar você, o pequeno Charles que está aqui no meu colo e depois o resto dos seus amigos.
– Por que está fazendo isso? — Hayley estava em prantos, amarrada no canto da sala da casa de Marcela.
– Por quê? É simples, eu quero me divertir.
– Mesmo se eu fizesse o que você pediu... Você iria matar todos, não é mesmo?
– Me deixa ver... — Ela afiava uma faca enquanto segurava Charles em seu colo. – Todos não, acho que deixaria de fora alguns.
Hayley não podia fazer nada, Marcela seqüestrou-a e também o filho de Chuck e Avril.
FLASHBACK ON
Hayley saía da casa de Marcela chorando sem saber o que fazer. Ela estava em um beco sem saída, e as coisas pareciam sempre estar desabando na vida de todos.
Ela decidiu ir para casa, talvez contar a Patrick, para que ele ao menos tentasse enxergar alguma saída, alguma solução. Ela chegou em casa e encontrou Patrick correndo para todos os lados atrás de sua carteira:
– O que foi?
– Amor, você está bem?
– Sim... Vai sair?
– Sim, tenho que encontrar os caras da gravadora pra acertar tudo. Você vem comigo?
– Desculpa Pat, não quero sair.
– Tem certeza? Não quero que você fique sozinha, amor.
– Sim, eu tenho.
Ela deu um sorriso fraco e beijou Patrick. Depois dele sair, Chuck apareceu de surpresa em sua porta:
– Hayley, por favor, me ajuda!
– O que foi Chuck? Você está bem?
– Estou ótimo, mas preciso que você fique com o Charles. Avril foi à casa dos pais dela e eu tenho que ir lá com os caras da gravadora.
– Tudo bem, eu cuido dele.
– Como sou idiota, o Patrick também tem que ir, você vai com ele, não é?
– Não, eu vou ficar em casa, estou sem vontade de sair. Fica tranqüilo, eu cuido dele.
– Sério mesmo? Obrigada Hay, não sei o que seria de mim sem você. Preciso ir agora.
Chuck entregou Charles no colo de Hayley e saiu com seu carro rumo à reunião com a gravadora. Hayley passou a tarde cuidando de Charles. Ele não dava muito trabalho, e era muito esperto.
Hayley de repente se lembrou de Marcela. Agora ela estava com Charles, e veio a sua mente a idéia de simplesmente entregar Charles pra ela. Seria tão fácil, mas ela não podia fazer isso... Era o filho de seus melhores amigos, seu sobrinho de algum modo, e ela o amava. Não podia entregá-lo assim. Começou a pensar se fosse seu filho... Era uma vida.
Ela colocou Charles para dormir, tomou um banho, colocou uma roupa quente e ligou a TV para assistir a algum filme.
Era um filme sobre morte. Ela chorava, chorava e chorava pensando em como sua vida estava totalmente abalada, mas se ela contasse para alguém seria pior. Ela se sentia totalmente sozinha, Marcela atormentava até sua mente.
Todo dia ela chega em casa
E se pergunta: O que é que eu tô fazendo aqui?
Todo dia chega do trabalho
Olha pro lado sem saber pra onde ir
Vê que a vida que leva não é a mesma
Que planejou quando era feliz
Todo dia isso se repete
Ela procura um motivo pra sorrir
Com o tempo a vida faz crescer e aceitar
Que de repente tudo muda e troca de lugar
Não se entregue e não deixe a maré te levar
Só não deixe a maré te levar
Com o tempo a vida faz crescer e aceitar
Todo dia ele toma um gole
Pra esquecer tudo o que deixou pra trás
Todo dia ele se arrepende de não ter
Feito o que era capaz
Vê que a vida que leva não é a mesma
E essa rotina já não satisfaz
Todo dia isso se repete e ele procura
Encontrar a sua paz
Com o tempo a vida faz crescer e aceitar
Que de repente tudo muda e troca de lugar
Não se entregue e não deixa a maré te levar
Só não deixe a maré te levar
Com o tempo a vida faz crescer e aceitar
É!
Com o tempo a vida faz crescer e aceitar
Que de repente tudo muda e troca de lugar
Não se entregue e não deixe a maré te levar
Só não deixe a maré te levar
Não se entregue e não deixe a maré te levar
Só não deixe a maré te levar
Ainda meio sonolenta, Hayley levantou e se deparou com Marcela segurando Charles no colo:
– O que você está fazendo aqui? Larga ele!
– Bem, já que você não quis cooperar, eu mesma tive que fazer o trabalho. Mas você facilitou, os dois estão aqui.
– Eu vou chamar a polícia! — Hayley saiu em busca de seu celular, mas de repente sentiu alguém colocar um pano sobre seu rosto e tudo se apagou. Não podia ser a Marcela, ela estava longe com Charles nos braços. Ela tinha um cúmplice.
Acordou já na casa de Marcela, amarrada... Não podia se mexer, e Hayley a viu com uma faca perto de Charles.
FLASHBACK OFF
– O que você quer pra deixar a gente em paz?
– E quanto você está disposta a pagar?
“É chorar todos os dias, todas as noites. Pensar o dia inteiro em algo que não volta. É acreditar e ter esperanças mais sabendo que não adianta nada. Ter arrependimentos profundos a cada minuto que se passa. Chorar com qualquer música triste que faça lembrar do passado. Olhar estrelas e saber que tudo que sempre sonhamos virou um simples sonho que nunca vai acontecer. E assim eu vou convivendo com essa dor, sem saber mais o que fazer. ”
“É, eu sei como dói. Quando não é com a gente, tudo é mais fácil; sim, eu sei. Eu queria entender o porquê de coisas assim acontecerem, sabe? Tentar achar em uma fórmula o resultado para todas as perguntas que percorrem a minha mente. Será que eu sou mesmo uma pessoa ruim? Não sei, dizem que estou certo e que não sou, mas é incerto até quando e onde. Será que sou uma pessoa fria e sem coração? Não sei; mas eu choro, me comovo, tenho sentimentos, amo, sinto raiva às vezes, amo e amo; e, além disso, eu sinto; por mais que não pareça, eu sinto. É; sabe quando não sabe nem a forma correta de expressar teus sentimentos? Quando não consegue tampouco descrevê-los? Mas você sente, lá no fundo, tão amargamente, aquela angústia… Angústia esta que muitos sequer se atreveriam a tentar entender, quando nem nós mesmos conseguimos. Dizer o que pensa, falar o que sente, sentir e sentir, coisas tão complexas que poucos são os portadores de tamanha ousadia para tal feito. Sou humano, sim; Não consigo ser perfeito. Mas eu confio em Deus, aquele que é perfeito e que sempre nos ajuda…”
Fale com o autor