Got My Heart In Your Hands
69 O rapto
Notas iniciais
POV: Avril
– Sou sua prisioneira, mas você quer que eu seja uma prisioneira feliz. Só posso pensar em duas possibilidades: ou pensa obter algum resgate, ou então faz parte de um bando ou qualquer coisa desse gênero.
– Pode ser.
– Você sabe muito bem quem eu sou. Deve saber que o meu pai não é rico. Não creio, pois, que se trate de resgate.
Senti um arrepio ao ouvi-lo pensar em voz alta.
– Só resta a possibilidade de se tratar de um caso sexual. É muito provável que me queira fazer alguma coisa. – Nemours observava-me. O comentário chocara-me.
– Não é nada disso. Eu só quero que você fique aqui, obedecendo as minhas ordens. – Ele deu um sorriso falso.
– Mas você está morto. Por que ainda nos atormenta depois de morto?
– Eu vim me vingar, pois você me matou. – Ele olhara-me e em minha face existia medo. Meus olhos se encheram d’água.
– O que quer? Vai me matar também? – Continuei chorando e gritando, em desespero.
– Não, isso seria muito fácil.
Olhei para ele e comecei a prestar atenção no que ele iria fazer. Estava afiando uma faca, como daquela vez que quis machucar a Lennon. Eu estava amarrada na cadeira, rebatia-me para libertar-me, mas as cordas estavam machucando. Nemours vestia uma manta preta, e seu cabelo estava desarrumado. Curioso vê-lo de manta preta, todo fantasma vestia mantas brancas. Talvez fosse um fantasma das trevas – o que eu tenho certeza que é.
– Eu vou chamar a polícia. – Disse tentando repreendê-lo.
– A polícia? Ou o caçador de fantasmas? Agora eu sou um fantasma, ninguém mais pode me ver. – Ele soltou uma risada maligna, e amarrou um pano em minha boca. Ficava fazendo barulhos estranhos, como se quisesse falar algo, afinal, o pano em minha boca estava me apertando e a saliva já estava pingando no chão.
– Feia! Burra! Esquisita!
Eu ouvia nitidamente as vozes distintas da crueldade humana, que se manifestavam através de doces e inocentes crianças. Pareciam serem as vítimas de Nemours. Ainda estava ali, sentada sozinha na cadeira, observando Nemours afiando a faca. Meus pés descalços tocavam o chão gelado aos poucos.
– Que novidade traz hoje na sua belíssima bolsa em formato de lágrima? Sabia que quando não estás por perto, sinto sua falta? – Ele disse em um tom irônico, o que me fez ficar com mais medo. Tirou o pano de minha boca, e então eu lhe respondi.
– Sente minha falta? Como assim?
– Senti falta do seu corpo. Ou você já se esqueceu das noites que passamos juntos?
– Você é um imundo. – Cuspi na cara dele.
– Nunca mais faça isso! – Ele deu um tapa fortíssimo na minha cara.
– Por que você está aqui? Como eu consigo te ver e te sentir, mesmo morto e transformado em fantasma?
– Não me faça perguntas. Apenas me obedeça.
– Está bem. – Concordei com a cabeça, balançando-a positivamente.
O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo que insistia em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam, só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é que é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos mais de sentimentos afirmativos do que de negativos. Se os afirmativos tomarem toda a amplitude que justifique um exame estritamente objetivo da nossa situação, os negativos desagregar-se-ão, perdendo a sua razão de ser. Mas se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero. Afirma-se que o medo é o maior inimigo do homem. O medo está por trás do fracasso, da doença e das relações humanas desagradáveis. Milhões de pessoas têm medo do passado, do futuro, da velhice, da loucura e da morte. O medo é um pensamento em sua mente e você tem medo dos seus próprios pensamentos. Um menino pode ficar paralisado pelo medo quando lhes dizem que há um homem mau debaixo de sua cama e que vai levá-lo. Quando o pai acende a luz e mostra-lhe que não há ninguém, ele se liberta do medo. O medo na mente do menino foi tão real como se houvesse de fato um homem debaixo de sua cama. Ele se curou de um pensamento falso em sua mente. A coisa que temia, na verdade, não existia. Da mesma forma, a maioria dos seus medos não têm base na realidade. Constitui apenas um conglomerado de sombras sinistras e as sombras não têm realidade. Quando você afirma positivamente que vai dominar seus receios e chega a uma decisão definitiva em sua mente consciente, liberta o poder do subconsciente, que flui em resposta à natureza do seu pensamento. Vou descrever agora um processo e uma técnica que ensino há muitos anos. Funciona como um encantamento. Tente-o! Suponha que você tem medo da água, de montanhas, de uma entrevista, do público ou de lugares fechados. Se você tem medo de nadar, comece agora a sentar-se tranqüilamente durante uns cinco a dez minutos, três a quatro vezes por dia, e imagine que está nadando. É uma experiência subjetiva. Mentalmente você está se projetando como se estivesse dentro d’água. Você sente a friagem da água e o movimento de seus braços e pernas. É tudo tão real e vívido, constituindo uma alegre atividade da mente. Não é um devaneio inútil, pois você sabe que está experimentando em sua imaginação o que depois se desenvolverá em sua mente consciente. Você será compelido a expressar a imagem da representação do quadro que imprimiu em sua mente mais profunda. Essa é a lei do subconsciente. Você pode aplicar a mesma técnica se tem medo de montanhas ou de lugares altos. Imagine que está escalando uma montanha, sinta a realidade desse ato, aprecie o cenário, sabendo que, fazendo-o mentalmente, o fará depois fisicamente com facilidade e segurança. Você nasceu apenas com dois medos: o medo de cair e o medo do barulho. Todos os seus outros medos são adquiridos. Livre-se deles. O medo normal é bom, o medo anormal é mau e destrutivo. Permitir constantemente os pensamentos de medo acarreta o medo anormal, obsessões e complexos. Temer alguma coisa persistentemente provoca um sentimento de pânico e terror. Você pode superar o medo anormal quando sabe que o poder do seu subconsciente pode mudar os condicionamentos e realizar os desejos acalentados por seu coração. Dedique sua atenção e devote-se, imediatamente, ao seu desejo, que é o oposto do seu medo. Este é o amor que expulsa o medo. Enfrente seus temores, traga-os à luz da razão. Aprenda a sorrir dos seus temores. Esse é o melhor remédio.
– Beba isso. – Nemours entregava-me um copo. Olhei rapidamente e o líquido era amarelo, e cheirava mal. – O que é isso? Parece urina.
– Mas é urina, e você vai beber.
– É lógico que não vou beber isso. – Ele foi colocando o copo perto de mim e eu virei o rosto, e com a força, fiz o copo cair no chão.
– Loira, você está me tirando do sério.
– Eu não vou beber isso, sem chances.
Eu tinha muito medo de fantasmas ou qualquer história que envolvia terror e assombração. Contava meu avô que quando rapaz ele foi passar uma semana no interior, na casa dos pais de um amigo. E à noite, reunidos na sala, o avô do amigo dele contava histórias de arrepiar. Uma delas, era a do enforcado à beira do rio. Um homem perdera sua propriedade por causa de dívidas, jogos, etc. E, ao ver que já não possuía nada, enforcou-se numa árvore que ficava perto de um rio. Mas, antes, teria dito que ninguém iria pisar nas terras dele, que nada naquelas terras iria dar fruto. Então, todo mundo que comprava aquele pedaço de terra sempre tinha problemas, e nunca conseguia que nada vingasse. Além disso, havia até assassinatos entre os familiares dos que haviam comprado a terra. Uma noite, meu avô e o amigo dele foram até lá, por pura curiosidade.... Um silêncio total... Só se ouvia os grilos. Ficaram de papo sob a árvore, quando de repente ouviram um estalo vindo de cima e o som de uma corda roçando no tronco, junto de um gemido horrível. Eles voltaram correndo para casa.
Meu pai quando tinha 17 anos era muito fuleiro. Na linguagem de hoje, baladeiro. Ele trabalhava de dia na roça e à noite ia para o baile que ficava longe. Ele ia a cavalo. Isso aconteceu no interior. Não havia luz elétrica, a única claridade era a da lua, e mato pra todo lado. Isso bem de noite, ele ia pelo caminho. A uma determinada altura, lá na frente ele avistou um homem, todo vestido de branco. Terno branco, calça branca, sapato branco, chapéu branco... Ele estranhou muito aquela figura que em hipótese nenhuma era comum naquelas paragens. Esse homem vinha caminhando na direção do meu pai, e o mais incrível foi que o cavalo se recusou a caminhar. Meu pai começou a bater nele, mas ele não andava... Bateu com força e insistência, mas ele rodopiava, e não andava pra frente. E quando esse homem chegou a aproximadamente uns 2 metros, ele virou nada, desapareceu. Apareceu atrás do meu pai, caminhando em seu caminho para o lado oposto ao qual ia meu pai. Os cabelos do meu pai, da cabeça, dos braços, e outros ficaram todos de pé, bem arrepiados. E então o cavalo começou a caminhar normalmente em seu caminho. Foi sinistro.
Minha avó conta que antes de minha mãe nascer, ela viu várias vezes a minha bisavó que morreu alguns anos antes. Disse que ela aparecia sempre olhando para ela. Eu não acreditava nessa história de jeito nenhum. Até que há uns meses atrás ela nos acordou assustada e suando dizendo ter visto ela de novo. Fiquei assustada na hora, mas acabei achando que fora apenas um sonho. Mas eram 11:00 da noite, e ela sempre costumava dormir lá pras 2:00 da madrugada, e além disso a TV tava ligada. Disse que enquanto assistia TV no quarto, sentiu uma paralisia no corpo e tentou levantar, porém sem sucesso. Tentou chamar meu avô, mas ele dormia e ela, sem poder se mexer, ficou vendo o espírito de sua avó se aproximar pelo corredor até ficar lado a lado com ela. Falou qualquer coisa que ela não entendeu e saiu pela porta até descer as escadas. Claro que não disse nada para ela, mas achei meio confuso... Mas no mês passado a cena se repetiu, só que com uma tia que foi passar o feriado em casa. Disse ter acordado para beber água, e quando abriu os olhos deu de cara com ela ajoelhada no pé da cama, vestida com a mortalha roxa do enterro e parecia estar rezando. Tivemos que levá-la para o hospital, pois estava em estado de choque. Fiquei apavorada com essa história toda, a ponto de não conseguir pregar o olho por vários dias. Meu avô pegou uma espingarda e disse que ia atrás daquela "coisa”, porém meu pai com muito custo conseguiu fazer com que ele desistisse da idéia. Meu avô o convenceu de que aquilo não era coisa desse mundo. Meu pai sempre contou esse ocorrido, nunca se esqueceu. Inclusive, outras pessoas de outros lugares também já relataram sobre esse homem de branco.
Uma vez, um homem, cansado, chegou a um hotel e foi falar com a recepcionista: ”por favor, eu queria alugar um quarto para uns três dias" "com certeza, senhor. O seu quarto é o 333, no 3° andar. As suas bagagens serão levadas daqui a pouco. Mas só um aviso: não entre no quarto 332". O homem, indignado, perguntou "Por que não? O que há naquele quarto?" "Bom…”, respondeu a recepcionista. "Há um tempo atrás, uma mulher se suicidou e o gerente não quer que ninguém entre lá. Pronto, aqui está sua chave e boa noite." O homem pensou "que besteira, é só lenda de hotel mesmo" e foi até o seu quarto. Quando passou pelo quarto 332, ficou morrendo de curiosidade, mas resolveu que iria só dormir. Na noite seguinte, ao voltar ao hotel, foi até a porta do 332 e espiou pelo buraco da fechadura. Ele viu uma mulher muito branca, com os cabelos pretos e a face virada para a janela. Ele ficou realmente muito curioso, mas resolveu voltar ao seu quarto. No próximo dia, ao ir embora do hotel, resolveu dar uma última espiada na mulher misteriosa do quarto ao lado. Ele olhou pela fechadura e viu tudo vermelho. Pensou "ah, ela deve ter percebido que eu estava olhando e botou um pano na frente". Ele desceu até o saguão e se encontrou com o gerente, então perguntou: "o que realmente aconteceu naquele quarto 332?" O gerente, perturbado, respondeu: "faz tempo que aconteceu, mas eu ainda lembro bem… Um casal estava hospedado naquele quarto, e por alguma razão, o marido assassinou a sua esposa. Desde aquele dia, a mulher continua lá." "Entendo…" falou o homem. “Mas como ela era?" e o gerente respondeu: "tinha cabelos pretos, cor de breu, era branca como um lençol e seus olhos são completamente vermelhos…", e o hóspede se assustou, pois havia visto uma mulher assim.
Minha avó tem hoje 84 anos, vivia em Napanee nos seus tempos de criança, isso em 1939. Sempre que temos uma reunião de família ela nos conta suas histórias desta época, quase sempre de fantasmas e demônios. Em uma dessas histórias ela relembra quando morava na cidade de Ontário. Moravam ela, uma irmã e seus pais em uma casa grande, em uma fazenda isolada da cidade como toda boa casa assombrada deve ser. Seus irmãos já homens formados não viviam mais com eles. Certa noite seus pais foram à cidade, sabe-se lá Deus porque, e devido a uma chuva forte ficaram presos na cidade e não retornaram a casa nesta noite e então ficaram as duas sozinhas em casa, ambas em torno de 12 anos de idade. Esta irmã de minha avó sempre apresentou segundo ela, um comportamento estranho e nesta noite fatídica provou que fazia sentido seu comportamento arredio e calado. Chuva forte, relâmpagos seguidos de trovões, sons estranhos vindos de fora. De repente a chuva para, silêncio total (dizem que esta é a hora que o demônio ronda), nenhum som audível… Passaram-se alguns segundos e de repente os cães começaram a latir e uivar, como se vissem algo que devessem afastar da casa. Novo silêncio. De repente um dos cães começa a chorar um choro doído, como se estivesse sendo machucado brutalmente e silencia. Nessa hora as garotas se esconderam no quarto e trancaram as portas. Ouviram então barulho de passos ao redor da casa, mas não passos humanos, passos de algo pesado e aparentemente com cascos e para bem em frente à janela do quarto. A esta altura as crianças já estavam apavoradas, porém a irmã de minha avó como que em transe se levantou, encostou a testa na janela de madeira, com os braços pendurados ao lado do corpo e lá fica. Minha avó dizia ter ouvido a respiração do que estava lá fora, bufando na janela, como que farejando sua irmã e fazendo com que os cabelos se movessem tamanha a força da respiração da criatura que estava lá fora; religiosa, minha avó começou a orar. De nada adiantava, quanto mais orava, mais a criatura se irritava e corria em torno da casa, até que em certo momento se jogou contra a porta da sala:
– BUMMMMMM!! — O som invadiu a casa e apavorou de vez minha avó, sozinha na noite escura, apenas sob a luz de um lampião.
– BUMMMMMM!! — Nova investida da criatura contra a porta, seguida de um grito de homem como se sentisse muita dor.
–BUMMMMMM!! -BUMMMMMM!! — Por várias vezes essa criatura se jogou contra a porta, como que querendo entrar em casa. Minha avó ajoelhou-se, próxima a sua irmã que ainda estava encostada na janela em transe, segurou sua mão e começou a orar novamente. Como que por comando do demônio que tentava entrar na casa, a irmã de minha avó foi direção a porta e iria abri-la se não fosse minha avó impedindo empurrando- a contra a parede. Mesmo assim ela ainda se levantou e seguiu novamente para a porta, como se o demônio que rondava a casa estivesse dando forças a ela; minha avó conta que durante toda a noite seguiu-se esse inferno, esse demônio rondando a casa, tentando entrar, dando urros horrorosos e sua irmã completamente fora de si. Não dormiu aquela noite. Pela manhã seus pais chegaram e a primeira cena: um dos cães morto, como que amassado, com as tripas para fora, como que pisoteado por alguma coisa; dentro da casa a segunda cena: uma garota completamente fora de si, catatônica e a outra aterrorizada. Ela contou a eles toda a história… Por acaso do destino, uma de suas tias era de um centro de macumba, freqüentadora e cavalo de espíritos, sua mãe pediu a ela então que livrasse sua casa desse demônio que atormentara as duas na noite anterior. Em uma das sessões do centro, sua tia recebeu uma entidade (a qual ela não lembra o nome), e essa entidade disse que era sim o próprio demônio que estava em torno da casa, e tentava entrar para matar sua irmã, pois ela havia sido prometida a ele. Segundo minha avó essas foram as palavras do Demônio ao ser questionado do motivo de ter ido a casa:
– Num entrei… Num entrei, mas vô entrá naquela casa e fazê miséria… Vô acaba com aquela minina, vô arrebentar as carne dela, vô fazê ela sofrer… Ela é minha!!! Ela é minha!!!… Me deu eu vô levá… Eu levo… Eu levo… Desse dia em diante, eles viveram sob constante vigilância, com medo e não demorou muito vieram para Montreal, onde ela vive até hoje. Sua irmã teve um destino cruel: morreu jovem aos 24 anos. Se matou após ter seu primeiro filho, dizendo numa carta que não suportava mais os “tormentos” e que já estava farta da vida… Eu me pergunto: Aos 24 anos?! Afirma minha avó que antes deste fato, anos antes, um de seus irmãos ficou “rico” da noite pro dia. Sem dúvida esse irmão ao qual a ela se refere existiu, vejo através de fotos a fazenda e as cabeças de gado que ele possuía, porém, também se matou poucos anos depois. Ela atribui a ele, a oferta da vida de sua irmã ao demônio em troca da fortuna. Por isso, tenho muito medo de fantasmas. E principalmente do Nemours, que para mim, era o fantasma mais assustador de todos os tempos. Meus pés ainda tocavam o chão gelado. Ele havia retirado os meus sapatos, como forma de tortura. Pegou uma bacia de gelo e afundou os meus pés ali. Senti o frio arrepiar a minha espinha, meus pés já estavam congelados. Quando o fitei, de longe, estava ele telefonando.
– Alô? – Alguém atendeu ao telefone.
– Que bom falar com você.
– Quem está falando?
– Alguém que você admira muito.
– Nemours? O que quer agora?
– Vim avisar que sua amiguinha está amarrada em uma cadeira e com os pés afundados numa bacia de gelo.
– Avril? O que você quer com ela, seu infeliz?
– Me vingar. Ela me matou, ou você já se esqueceu disso?
– Você mereceu essa morte. Aliás, ela devia ter te matado muito mais. No fundo, ela teve piedade de você.
– Chega de conversa fiada. Eu quero negociar.
– Negociar o quê?
– Eu sei que seu pai é um empresário muito rico.
– E daí?
– Como e daí? É uma boa oportunidade para eu ter o seu dinheiro. Vou cobrar 2 milhões de dólares pelo resgate de Avril.
– O quê? Eu não tenho todo esse dinheiro comigo agora.
– Então sua amiga vai ficar comigo por mais tempo até você arrumar esse dinheiro.
– Deixa eu falar com ela... – Nemours desligou o telefone.
Pierre caiu sobre seus joelhos e começou a chorar.
– Nemours vai fazer alguma coisa contra a Avril. – Disse ele com voz de choro, abraçado com David.
– Ele te pediu 2 milhões de dólares pelo resgate?
– Sim, e infelizmente eu não tenho todo esse dinheiro aqui comigo agora.
– Pierre, eu posso te emprestar. Tenho 50 mil na minha conta. – Jay acalmara o irmão.
– Mas irmão, esse dinheiro é para comprar o seu carro.
– Eu desisto do meu carro. O importante é salvar a nossa amiga, ela corre perigo. Antes perder um carro do que uma amiga. – Marie Lee e Pierre abraçaram o Jay.
– Bom, eu tenho 100 mil na minha conta, posso te dar, Pierre. – Dizia Joel.
– Vocês fariam isso por mim?
– Claro que sim, Pierre. Somos amigos, e aqui um ajuda o outro. – Respondeu Joel.
– Ah, vocês são os melhores amigos do mundo.
– Eu tenho 1 milhão. – Falou Hayley, e todos se espantaram.
– Como tem isso tudo? – Perguntou Patrick, que estava abraçado com ela.
– Fui juntando os cachês que eu recebia dos meus shows.
– O resto eu posso inteirar, gente. – Disse Pierre.
– Então vamos logo. Ele disse onde ela está? – Perguntou Chuck, que estava muito preocupado.
– Não. Mais um problema.
Lachelle surgiu, e dessa vez, todos conseguiram vê-la.
– Lachelle? – David olhou assustado.
– Ela está na Old Street, num casarão velho de número 70. Se vocês forem agora, eu posso guiá-los até lá.
– Sim, sim... Vamos agora! Obrigado, Lachelle. – Pierre agradeceu e foi até o carro de Jeff.
– Espera, pessoal... Precisamos sacar o dinheiro primeiro. – Disse Joel parando todos na porta.
– Ah é. Vamos ao banco.
Todos concordaram com Pierre e foram ao banco sacar o dinheiro. 15 minutos se passaram e eles voltaram para casa. Foram na van que eles usavam para fazer turnê, pois no carro de Jeff não cabiam todos, obviamente.
– Segue reto. – Dizia Lachelle que estava guiando Jeff.
– Estamos perto? – Perguntara Sébastien.
– Eu preciso da minha amiga. – Laurence dizia chorando.
– Estamos chegando. Só virar a esquerda.
Jeff virou o volante, e Lachelle apontou para o casarão. Estacionou a van na rua e todos desceram. Pierre abriu a porta com um chute, e Chuck entrou correndo para salvar a esposa.
– Chuck! Tira-me daqui. – Eu dizia chorando.
– Estou disposto a pagar pelo resgate da Avril. Agora solte-a!
– Você achou que seria tão fácil assim, Pierre?
– Solte-a agora! – Disse Lachelle que estava atrás de Pierre.
– E quem é você para me impedir?
– A mãe da sua filha. Você se esqueceu das noites de amor que tivemos? Você dizia que me amava, e que eu era tudo para você. Nada disso importa? Simplesmente esqueceu-se e agora está querendo se vingar de pessoas inocentes só porque são melhores do que você?
Nemours permaneceu calado, e eu ria da situação. Nunca imaginei que Lachelle Farrar seria um dia a minha heroína.
– Portanto, Nemours, quero que você desapareça. – Ela estendeu as mãos na direção dele e soltou uma espécie de magia. Fiquei impressionada, ele estava sumindo aos poucos. Devia ser coisa de fantasma mesmo. Mas agora ela é a minha fantasminha camarada. Chuck correu para me libertar, e quando livre, dei um abraço apertado e selei os lábios deles de forma demorada.
– Muito obrigada, Lachelle. – Agradeci.
– Não há de quê. Eu só quero me redimir por todo o mal que fiz.
– Você tem sido uma ótima amiga, e ótima protetora.
– Que bom ouvir isso. Nunca fui chamada de amiga.
– Mas você é nossa amiga sim.
– Bom, eu preciso ir agora. Voltar para o meu cantinho. Fiquem bem.
Ela desapareceu, e eu sorri. Estava livre de todo o mal, assim como meus amigos. Eles me abraçaram e nós saímos daquele lugar horrível e sombrio.
Histórias de fantasmas habitam a imaginação e a vida de pessoas que convivem com lugares marcados por tragédias. Funcionários e visitantes de dois grandes edifícios de São Paulo (Edifício Andraus e Martinelli) afirmam que os prédios são habitados por fantasmas e que ouvem barulhos estranhos durante a noite. No dia 24 de fevereiro de 1972, o edifício Andraus foi vítima de um incêndio (que acredita-se que tenha começado com anúncios de publicidade colocados na marquise do prédio) que matou 16 pessoas e feriu mais de 300. Um dos motivos que impediu uma tragédia maior foi o fato do Andraus ter um heliporto no último andar. Hoje, o prédio que fica localizado no centro de São Paulo é um dos mais seguros da cidade. 11 anos depois do incêndio, muitos funcionários do edifício, principalmente vigias noturnos e seguranças, afirmam ouvir sons estranhos vindos de certos locais do Andraus. Armários que abrem as portas sozinhas, gritos nas escadas e ruídos estranhos fazem parte da rotina dos funcionários do edifício. Alguns deles afirmam realmente ter ouvido sons durante a noite, mesmo sabendo que o prédio estaria complemente vazio. É inevitável não fazer ligações entre os sons estranhos vindos do interior do prédio com o sofrimento das pessoas que morreram naquele triste dia 24 de fevereiro. Mas não são só prédios marcados por catástrofes que tem seus contos de fantasmas e histórias assustadoras. O edifício Martinelli, localizado também no centro de São Paulo, guarda histórias assustadoras sobre uma "hospede" inusitada. Acredita-se que uma moça loira e sem rosto circula pelo interior do Martinelli durante a noite. Ela teria os cabelos compridos, impedindo que se veja sua face. Algumas pessoas afirmam que já viram máquinas de escrever funcionarem sozinhas e portas de armários baterem. Os funcionários e visitantes que conhecem a história afirmam que a loira deve ser da época do inicio da construção, por volta de 1930, que ronda o edifício até hoje. São histórias assustadoras de pessoas que já passaram por momentos difíceis que tornam mais místicas e fantásticas as histórias de fantasmas que assombram casas e prédios em grandes cidades. Se é verdade ou não, dificilmente saberemos, mas uma coisa podemos concluir — Ou a história desses prédios alimenta a imaginação fértil de contadores de histórias, ou coisas muito assustadoras acontecem lá dentro. – Ai que medo!
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