Got My Heart In Your Hands
55 O diálogo
Notas iniciais
Os preparativos para registrar Lennon Rose estavam acelerando cada vez mais. Pierre levantou-se da cama e caminhou até o banheiro, cambaleando adormecido, pois o relógio indicara 8 da manhã. Não gostava de acordar cedo, pois sempre levou uma vida de rei, acordando depois do meio-dia e fazendo o que quisesse. Tirou a roupa e ligou o chuveiro, ensaboando-se e logo após pusera o shampoo. Pierre não costumava demorar muito no banho quanto David, que tinha que remover a maquiagem pesada e fazer chapinha, no qual ele fazia no banheiro. Pierre sempre reclamava disso, pois tinha que esperar a ‘’margarida’’, como ele costumara chamá-lo, sair do banheiro. Por fim, Pierre pegou a toalha e se enxugou, dando apenas uma chacoalhada no cabelo. Colocou a toalha na cintura e saiu. David ainda estava dormindo, e Pierre o acordou:
– Acorda David. Temos que registrar a Lennon. – ele disse mexendo em seu corpo, mas David apenas o olhou e voltou a dormir, cobrindo o rosto com o travesseiro. – Acorda! – Pierre gritou, e David finalmente acordou. Os gritos de Pierre assustavam qualquer um.
– Está bem, vou tomar banho.
– Ainda? Por favor, não faça chapinha.
– Mas olha só como eu levanto. – David olhou para o espelho que tinha no guarda-roupa de Pierre, e começara a arrumar o cabelo com as mãos, mas fitava o cabelo com um olhar de reprovação. Ele sempre encontrava defeitos em seu cabelo, por mais perfeito que estivesse.
– Você está lindo, vai tomar banho rápido. Eu não quero sair daqui atrasado. – Pierre olhou diretamente para David, com uma expressão séria, pois ele ficava estressado com as reclamações de David que aconteciam com muita freqüência.
– Estou indo, mon amour. – ele riu e jogou beijo para Pierre, e Pierre o retribuiu, sorrindo.
David adentrou ao banheiro e trancou a porta. Olhou-se no espelho, como de costume, e começara a analisar as espinhas. Ele ficava muito revoltado quando elas apareciam, pois famoso com espinha era algo inaceitável para Desrosiers. Mas, ele estourava todas, mesmo sabendo que não podia estourá-las por causa das manchas que ela causava, porém, ele simplesmente não conseguia vê-las amarelas sem poder fazer nada. Logo em seguida, ele tirou a roupa e ligou o chuveiro, regulando a temperatura no número oito. Este número era uma das temperaturas mais quentes do chuveiro, pois em Montreal o frio era constante, e David sempre gostou de banho quente. Ele se ensaboava e colocava o shampoo, enxaguando juntamente com a espuma em seu corpo. Pela surpresa de Pierre, David já terminara o banho, muito antes do que ele costumava demorar. Apanhou a toalha e pôs na cintura. Pierre o olhou, surpreso.
– Mas você já tomou banho? Milagre, você sempre demora. – ele disse de boquiaberta.
– Com a pressão que você me fez, eu fiquei com medo, então agilizei no banho.
– Bom garoto. Mas então, você pode me ajudar a fazer a mamadeira da Lennon?
– Claro, só vou colocar uma roupa.
David vestiu suas roupas rapidamente e foi ao encontro de Lennon, mas ela não estava lá, apenas uma luva, que provavelmente deixara cair. Ele se desesperou e chamou o Pierre.
– Ela não está aqui, Pierre. – David olhou para Pierre, e seus olhos se enchiam de lágrimas.
– Onde ela está? Pra onde ela foi? Quem pegou? – Pierre também tinha os olhos cheios d’água.
– Seqüestraram a princesinha.
– Quem seria capaz de fazer isso com uma pobre criança que não sabe se defender? E que tem poucos dias de vida?
– Vamos chamar a polícia.
Pierre pegara o seu celular e discara o número da polícia.
– Departamento de Polícia de Montreal. Em que posso ajudar? – policial atendia ao telefonema.
– Boa noite, policial. É que a minha filha foi seqüestrada, e eu estou em desespero.
– Ok, nós vamos investigar o caso. Você pode me dizer onde mora?
– Claro. Moro na Ocean Boulevard, esquina com a Donnington Bridge. Número 50.
– Em 15 minutos estaremos aí. Obrigado.
– Obrigado você. – Pierre desligou o telefone. – Eu não acredito nisso.
– Eu sei que você está arrasado, eu também estou, mas venceremos isso, juntos. Eu não vou te abandonar. – David enxugara as lágrimas de Pierre.
– Me abraça. – Pierre foi em direção ao David, e ele o abraçou.
15 minutos se passaram e alguém bate na porta.
– Deve ser a polícia. – Pierre foi até a porta e abriu.
– Olá. Podem me mostrar o quarto da menina?
– Sim. – Pierre o levou até o quarto de Lennon, juntamente com outro policial. Ele pegou os seus equipamentos e encontrou a luva da criança. Depois de muito investigarem, ele encontrou uma impressão digital na luva, e descobriu que foi o Nemours, pois as denúncias feitas contra ele ocorriam freqüentemente. David e Pierre se olharam. Eles desconfiavam que Nemours estivesse por trás disso, e o policial foi até a casa de Nemours. Ele simplesmente sabia o endereço do criminoso, por sorte.
– Senhor Nemours, você está sendo acusado de seqüestrar a filha de Pierre Bouvier.
– Ela é minha filha. – respondeu Nemours olhando para David e Pierre, com reprovação.
– Mas a Lachelle deu a criança para mim, então eu fiquei sendo o responsável, e não você.
– Vamos até o tribunal e discutimos isso lá.
O policial estava levando eles até o tribunal. David mandou um torpedo para Avril e Laurence virem também, afinal, elas haviam sido estupradas por ele, que usou um documento falso, com o nome de Harry Nichols. Jeff, que estava ao lado delas, se ofereceu a levá-las até o tribunal, e aproveitou para ficar por lá. O juiz batia na mesa e iniciara o processo. Pierre queria ganhar a guarda de Lennon, e estava disposto a enfrentar tudo para ter a princesinha em seus braços novamente. A criança estava viva, e dormia profundamente no colo de uma moça. O juiz ordenara por algum testemunho, e Avril e Laurence levantaram-se e foram até a mesa mostrar a identidade do falso Harry. Pelo azar dele, ele havia deixado cair a identidade no mesmo local onde as meninas foram abusadas sexualmente. Nemours negava a acusação, que não obteve sucesso, já que o documento tinha a foto dele. Ele foi condenado, e Pierre ganhou a guarda de Lennon. Todos comemoraram e Avril pegou Lennon que dormia no colo da moça, agradecendo-a por tê-la segurado. Eles ficaram na porta, comemorando e beijando muito a Lennon.
– Que bom que ela está viva. – Pierre sorria e acariciava o rosto da pequena.
Nemours foi em direção a eles.
– Esta criança é minha, eu vou levá-la.
– Você não vai levá-la, Nemours. Você perdeu, agora esta criança é minha e do Pierre. – David o enfrentou, com uma expressão séria.
– Me dê agora esta criança!
– Eu já disse que não. – David o enfrentou mais uma vez.
– Se você não me entregar esta criança agora, eu vou fazer isso. – ele apontou a arma para David. Só tinha uma bala, e com certeza ele queria matar David. – Um, dois...
– Não! – Pierre entrou na frente de David e tomou o tiro em seu lugar, fazendo com que ele caísse no mesmo instante no chão, nos braços de David. Nemours saiu correndo e ninguém conseguiu alcançá-lo. Avril estava em prantos, e ligava para Chuck vir com os amigos. Eles chegaram 30 minutos depois e viram Pierre agonizando, perdendo muito sangue.
– Por que você fez isso, Pierre? – David chorou enquanto segurava Pierre.
– E-eu n-não p-podia d-deixar e-ele t-te m-matar. – ele dizia com dificuldades, por causa da dor e por estar agonizando.
– Mas eu preferia morrer em seu lugar.
– N-não d-diga i-isso.
– Por favor, agüente firme. – David soluçava, e Avril também.
– Por que isso? Que pesadelo. – Avril se aproximava de Pierre e pusera a mão no sangue. Ele havia atirado em seu peito. Ela não se conteve e começou a chorar de forma desesperada, assim como todos os outros.
– David, v-você... Poderia me dar um último beijo?
David respirou fundo, e olhou para Joel.
– Vai. – disse Joel em prantos.
David fechou os olhos, que estavam cheios de lágrimas, e o beijou. Após o beijo ter cessado, que teve duração de 2 minutos, Pierre deu o último sorriso e fechou os olhos, falecendo nos braços de David.
– Pierre! – David se desesperou.
– Não, nosso amigo não, não... NÃÃÃÃÃÃÃO!!!! – Avril chorava muito, e todos a abraçaram, também chorando.
– Nunca mais veremos o sorriso lindo dele. – disse Laura.
– Nunca mais jogarei vídeo-game com ele, e principalmente, nunca mais saberei o que é sentir esse amor de irmão que só ele sabia demonstrar. Ele era o meu melhor irmão, e era muito companheiro. Não vivíamos longe um do outro. – falou Jay.
– Eu o conheci há pouco tempo, mas neste tempo ele se tornou tão especial. Ele era uma pessoa extremamente carinhosa, e um amigo verdadeiro. Eu senti firmeza nessa amizade, vi que valia a pena. Ele era um menino de ouro, eu ainda não me conformo que tenha se partido de uma forma tão trágica. – dizia Marie Lee.
– A banda não será a mesma sem ele para encantar todos com aquela voz incrível. – falava Avril.
– Vamos comprar um caixão. Precisamos... Enterrá-lo. – Chuck olhava para Pierre, morto nos braços de David.
– Vamos. David, você fica aí com ele? — disse Sébastien.
– F-fico. – David encontrou dificuldades para falar, por estar chorando.
– Já voltamos.
Eles foram até a funerária, que não ficava muito longe. Escolheram um caixão azul. Era a cor favorita de Pierre, e então quando trouxeram, colocaram Pierre lá dentro e conduziram-se a um cemitério mais próximo. Enterraram-no e jogaram as flores.
– Nossa vida não será a mesma sem você, Pierre. Não mesmo. – David deixou escorrer mais uma lágrima.
“Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... Do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... Nos e-mails trocados... Podemos nos telefonar... Conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... Meses... Anos... Até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... Isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... Reuniremos-nos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.” – Vinícius de Moraes
“E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação. Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito. E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho? Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.”
Depois do sofrimento, eles foram até o apartamento de Avril. Lá estava um clima triste, e David começou a rezar, em um tom de voz baixo, escondido dos amigos.
– Deus, o Senhor acaba de receber uma pessoa maravilhosa. Eu estou sofrendo muito, mas sei que ele está em um lugar melhor. Queria muito que ele estivesse de volta, sorrindo para nós, fazendo piadas e dizendo que está com fome... Mas eu entendo.
Antes que David pudesse terminar a sua oração, Deus apareceu para David.
– Filho, tu queres este homem novamente?
– Sim, é o que eu mais quero do Senhor.
– Por que o queres de volta?
– Porque ele me faz feliz.
– Perfeito, eu vou trazê-lo de volta. – Deus ficara invisível e David sorriu por ter tido um diálogo com Deus.
Minutos depois, alguém tocara a campainha.
– Quem será? – Avril levantou-se do sofá e abriu a porta. Ao ver Pierre, ela não acreditou. Pensou em perguntar o que havia acontecido, mas a única coisa que passou pela sua cabeça foi abraçá-lo forte.
– Pierre? – disse Laurence sorrindo.
– Eu. – Pierre respondeu.
– Como está aqui? Você tinha morrido.
– Eu senti isso também, Laurence. Fiquei de frente com a morte, mas de repente eu acordei, e agora estou aqui.
Todos o abraçaram e começaram a girar, pulando.
– Nosso gordinho lindo voltou. – Avril beijou o rosto de Pierre, e ele sorriu.
– Que bom ver esse sorriso de novo. – David também sorriu.
– Ok, agora vamos pedir uma pizza? Eu estou morrendo de fome.
Eles riram.
– Você não mudou nada mesmo, Pierre. – disse Avril discando o número da pizzaria.
20 minutos depois, a pizza finalmente chegou. Na verdade, era mais de uma pizza. Quatro queijos, a favorita de Pierre, mussarela, portuguesa, chocolate... Eles comiam enquanto Lennon dormia no quarto de Avril. E assim, eles estavam felizes.
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