Got My Heart In Your Hands
9 Me vejo em cada palavra que você diz
Após ouvir a mensagem gravada no rádio da escola, Lachelle seguiu em direção ao Pierre, que estava sentado na arquibancada.
– Pierre, eu... – Lachelle travou na fala, por estar com vergonha.
– Sua máscara caiu, Farrar.
– Não caiu nada, alguém que está contra mim fez isso para que você acredite que eu não quero o seu amor.
– E você não quer o meu amor mesmo, eu estou cansado de tudo. Você é uma droga no amor, seu amor é uma mentira.
– Não fala assim, Pierre. Eu estou arrependida. – Lachelle falou chorando.
– Ah, então você afirma que estava fazendo planos com o Joel para me prejudicar? – Pierre cruzou os braços enquanto a fitava, e manteu-se frio diante das lágrimas de Farrar.
– Me desculpa, mas foi ele que insistiu, eu te amo de verdade, nunca amei ninguém quanto eu amo você, Pierre. Você é o homem da minha vida.
– Para de ser falsa, Lachelle. Para. Isso me cansa. Você foi descoberta, não adianta negar, eu acompanhei de camarote o que você planejou contra mim, e tudo aquilo que você disse não parecia ter sido combinado, e muito menos o Joel ter insistido. Vocês dois queriam se vingar de mim, mas eu fui mais esperto que vocês. Agora tchau, tenho mais coisas pra fazer. – Pierre virou as costas e saiu andando.
– Pierre, volta aqui. – Lachelle gritou e Pierre, ainda de costas, mostrou o dedo do meio para ela.
Os meninos estavam orgulhosos de Pierre, nunca imaginaram que ele poderia desmascarar Farrar, mas todos sabiam de seus joguinhos, e com certeza ela não iria deixar escapar a oportunidade de poder ser herdeira da fortuna de Bouvier.
– Pierre, como você planejou isso tudo? O rádio, o CD... Como fez isso? – Perguntou David.
– Um bom mágico não revela os seus truques. – Pierre riu.
– Ah, agora vai ficar todo metido. – Falou Jeff.
– Eu desmascarei a Lachelle, vocês têm noção disso?
– Realmente, ele desmascarou. Palmas para o nosso Bouvier. – Disse Chuck, aplaudindo Pierre e fazendo todos aplaudirem também.
– Obrigado, gente. – A face de Pierre pôs-se a corar, mas ninguém podia saber se ele estava mesmo com vergonha, pois as bochechas de Bouvier sempre foram rosadas.
Pierre e seus amigos saíram andando, e mais a frente, avistaram um cartaz que estava colado em toda parte da escola. Nele dizia que iria ter um concurso de bandas, e a banda que fosse mais votada, ganharia contrato de um ano com uma das maiores gravadoras de Montreal, a Lava Records. Todos ficaram muito empolgados com a notícia, pois tinham a palavra ‘’sucesso’’ na mente.
– Vamos inscrever a nossa banda? Diz que sim, por favor, por favor. – Implorou David.
– Mas é claro que sim. – Disse Seb.
– Eba!
– Mas vocês sabem que vamos ter que ensaiar dobrado, não sabem? E compor muitas músicas. – Disse Chuck.
– Eu posso escrever 10 músicas em um dia. – Falou Pierre.
– Sério? – Disseram todos em coro.
– Não, é brincadeira, pessoal.
– Ah, Pierre... – Disse Pat.
– Tá, mas vamos nos inscrever ou não? – Perguntou David.
– Claro! – Disseram todos em coro novamente.
– Espero que a gente ganhe.
– Nós vamos ganhar, Pierre. – Todos concordaram com Chuck.
David estava de costas conversando com seus amigos quando uma menina se aproximou e pulou nas costas de David.
– Você por aqui? – Disse David, abraçando a menina.
– Sim, amigo. Vim estudar aqui, pois me disseram que você estava estudando nessa escola, e então resolvi me matricular para te ver. Que saudades! Nunca mais apareceu em Napanee, né?
– Ah, meus pais se separaram, eles que bancavam a minha viagem, e agora está difícil. Mas o que está fazendo por aqui? É uma grande surpresa pra mim. – David pegou nas mãos da amiga e balançou-as, parecendo feliz.
– Bom, eu me mudei para Montreal agora, e vim estudar aqui.
– David, não vai apresentar a sua amiga? – Pierre fitou a garota por alguns minutos. Ela era loira, estatura baixa, olhos azuis e magra. Uma menina muito linda.
– Ah, o David é esquecidinho mesmo. Eu me chamo Avril Lavigne, sou novata na escola. Prazer em conhecê-los.
– O prazer é todo nosso. – Pierre ainda fitava Avril, e ela soltou um riso sem graça.
– Bom, e vocês, como se chamam? – Perguntou Avril.
– Eu sou o Pierre, mas alguns me chamam de Pi.
– Oi, Pi. – Avril riu.
– Eu sou Jean, mas pode me chamar de Jeff.
– Nós o chamamos de careca. – Disse Pierre.
– Quieto, gordo chato.
– Olá, Jeff. – Avril continuava rindo.
– Meu nome é Sébastien, mas sou mais conhecido como Seb.
– Prazer, Seb.
– Eu sou Charles, mas as pessoas me chamam de Chuck.
– Nossa, todos aqui têm apelido. Gostei de ver. E você, como se chama? – Avril fitou Pat.
– Patrick.
– Pat, ele é o Pat. – Disse David.
– Ah, oi Pat. Pelo jeito eu vi que vou me dar bem nessa escola. Mas eu ainda estou perdida, minha sala é a 43 e eu não sei onde fica.
– Você ficará conosco? Que máximo. – Gritou Pierre.
– Sério? – Avril empolgou.
– Sim, a gente te acompanha depois, Avie. Posso chamá-la assim, né?
– Claro, Pierre. Ops, Pi. – Avril sorriu. — David, a Laurence estuda aqui também, não é?
– Sim, Avie. Ela é da nossa sala.
– Laurence? Você a conhece? – Seb não podia ouvir o nome da amada que seus olhos brilhavam.
– Ela é a minha melhor amiga. O pai dela se mudou para Vancouver e ela está triste, não pode vê-lo todos os dias.
– Ela me contou. – Seb abaixou a cabeça.
Alguns instantes depois, Laurence se aproximou e abraçou Avril, o que fez Seb ficar vermelho de vergonha.
– Amiga, que bom te ver aqui. – Disse Laurence. – E já está conversando com os meninos, que bom. Eles são muito legais.
– Sim, eles são muito divertidos, gostei muito deles, e é ótimo saber que vamos ficar todos juntos na mesma classe.
– E vamos andar juntos também. Mas claro, se os meninos quiserem.
– Sem problemas, Laurence. Você pode ficar com a gente. – Respondeu Seb.
– Obrigada, Seb. Você sempre tão fofo comigo.
Pierre fez coração para os amigos, indicando amor no ar.
– Vamos para a sala? – Disse Pierre, notando que Seb e Laurence não paravam de se olhar, e então ele foi levando os dois para a sala, pois o sinal já havia tocado.
– Vamos, hoje é meu primeiro dia e eu não posso me atrasar. – Disse Avril.
– Você vai sentar do meu lado, Avie.
– Ok, Pi.
Pierre foi o primeiro a entrar na sala abraçado com a Avril, fazendo todos pensarem que era sua namorada. Eles riram.
– Não, ela é apenas uma nova aluna na classe, e eu queria apresentá-la a vocês.
– Deixa que eu a apresento. Pode se sentar, Sr. Bouvier. – Disse Natasha, a professora de Sociologia.
Pierre se sentou e a conversa prosseguiu:
– Como você se chama, linda?
– Avril Lavigne.
– Nome muito bonito. Eu sou a professora Natasha e dou aula de...
– Infelizmente ela é professora de Sociologia. – Pierre disse em voz alta.
– O que disse, Bouvier?
– Nada, professora. – Os olhos de Pierre mostraram espanto.
– Se ficar com gracinha mais uma vez você vai para a sala da diretoria e vai escrever mil vezes a frase: ‘’Eu não vou mais desrespeitar meus professores’’, você quer isso?
– Não, senhora. – Pierre engoliu seco.
– Então fica quieto para eu poder começar a aula. Pode sentar, Srta. Lavigne.
Avril se sentou e a aula começou. Ninguém suportava mais aquela aula, e a professora Natasha sempre implicava com o Pierre. Era complicado entender o porquê de a professora o odiar, mas ela não podia ver Bouvier que sempre arrumava uma desculpa para brigar com ele.
– Bouvier, você fez a lição de casa?
– Oi?
– Você fez a lição? – Natasha dizia nervosa.
– Sim, está aqui. – Pierre mostrou o seu caderno com a lição feita. Primeira vez que ele havia feito uma lição dela.
– Tudo incorreto. Arrume as suas respostas e depois me mostra para eu dar nota.
– Ô inferno... Ai! – David beliscou Pierre, para ver se ele ficava quieto e parasse de responder a professora.
– Por que fez isso, seu louco?!
– Cala a boca, você sabe como é essa professora, a conhece muito melhor que eu. Não a responda, não quero ver você suspenso.
– Eu vou mandar ela tomar no...
– Bouvier, faça o que você tem que fazer. – Disse a professora.
– Está bem. – Pierre jogou o livro na mesa e folheava os cadernos rapidamente, mostrando fúria. — Por que esse sinal não toca?
– Calma, Pierre. – Respondeu Avril.
– Você viu o quanto ela é chata?
– Comigo ela foi legal.
– Ah, é só porque você é nova, depois ela vai pegar no seu pé.
– Não é verdade, ela só pega no pé do Pierre. Ela o odeia. – Jeff riu.
– Sério, Pi?
– Sério, Avie. Não entendo essa implicância que ela tem comigo.
Uma hora se passou e finalmente o sinal toca. Era um sinal muito alto, doíam os ouvidos.
– É de lascar esse sinal, hein. Quase fico surdo. – Disse Chuck.
– Cadê o Seb e a Laurence? – Disse Pat.
– Estamos aqui. – Disseram Seb e Laurence em coro.
– Vamos comprar um lanche, eu tô morrendo de fome. – Pierre fez uma cara de faminto.
– Você sempre está com fome, seu gordo. – Disse Jeff, o que fez Avril rir muito.
– Esse horário me dá fome, ok? – Pierre se defendeu.
– Eu também quero comprar alguma coisa. – Falou-se Avril.
– Eu vou com você. – Pierre abraçou Lavigne e os dois foram andando.
David olhava torto para Pierre e Avril, estava com ciúmes dessa intimidade em tão pouco tempo, mas não se manifestou até então.
– O que você vai querer? – Perguntou Pierre.
– Eu acho que vou querer um bolo. E você?
– Eu vou querer um beijo.
– O quê?
– Te achei muito linda, e uma garota muito interessante.
– Nossa, assim você me deixa sem graça, Pi.
– Não, não diga nada.
Bouvier aproximou lentamente seu rosto com o de Avril e a fitou por alguns instantes. Seus lábios colavam vagarosamente com os de Lavigne, e então ele fechou os olhos e os dois se beijaram com intensidade. Avril pôs seus braços em volta do pescoço de Pierre e acariciou sua nuca, mostrando interesse pelo beijo.
– Pierre e Avril estão demorando, eu vou lá ver o que aconteceu.
David foi até a cantina da escola e viu os dois se beijando, na qual o deixou com raiva. Suspirou fortemente, e cruzou seus braços, pois estava enciumado. Deu meia volta e voltou para seus amigos, enquanto Pierre e Avril também voltavam, mas sem ter visto David. Os dois estavam de mãos dadas.
– Que demora só para buscar dois bolinhos. – Disse David, num tom irônico.
– Tivemos que trocar o dinheiro... Enfim, deu confusão. – Pierre disfarçava.
– Hm... E o que fazem de mãos dadas?
– Ah, nada, Dave. – Avril soltou rapidamente as mãos de Pierre, deixando a sua face corar.
Lavigne não conseguia esquecer-se do beijo que Bouvier lhe deu. Foi tão caloroso, e tão verdadeiro. Ela sentiu algo forte dominar seu coração assim que o conheceu. Avril dizia-se apaixonada, coisa de momento, assim que o viu, o cupido flechou o seu coração. Estava convencida de que finalmente havia encontrado o amor da sua vida, mesmo em tão pouco tempo. Pierre tinha algo especial que fez seu coração acelerar, um sentimento bonito que a dominava por todo o seu interior. Mas como David reagirá ao saber disso?
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