Notas iniciais
Capítulo 83 fresquinho pra vocês. Boa leitura. *-*

Iris — Goo Goo Dolls

– Amor, está feliz? — Perguntou Pierre com uma voz ofegante, por ter feito amor com David ali mesmo na caverna.

De um jeito ou de outro, estar com Pierre havia deixado o David feliz. As visões que ele tinha com Nemours acabaram desaparecendo como por encanto. De alguma forma — a forma mais boba, porém incrível -, Pierre fazia David esquecer-se dos problemas da vida. Era como se seu mundinho cinza e sem vida, tornasse colorido ao lado do seu grande amor.

– Claro que eu estou feliz, meu amor. — David o respondeu, também com voz ofegante por estar cansado, e abriu um largo sorriso nos lábios. Dessa vez era sincero, e não aquele sorriso forçado como de alguém que estava apavorado.

– Que bom que você está feliz então. Aonde quer ir agora? — Pierre que por breves instantes olhara para cima, desviou seu olhar para David, mesmo com dificuldades para fitá-lo por conta da escuridão.

David o olhou, pensativo, e logo vestiu suas roupas que ficaram do lado de fora da caverna.

– Não importa onde, desde que eu esteja ao seu lado. Promete ficar ao meu lado pra sempre? — Indagou David, que espalmou uma das mãos no rosto de Pierre, acariciando o mesmo com o polegar, enquanto afagava o cabelo de Pierre com a mão livre. Pierre fechou os olhos logo que sentiu David afagar seu cabelo e também as carícias por seu rosto. Aquilo parecia um sonho, David realmente havia acordado do pesadelo.

– Você é tão lindo, sabia? — Pierre levou uma de suas mãos até a nuca de David, e também iniciou suaves carícias por toda a extensão do mesmo. – E eu te amo demais. — Completou.

David ficou sem resposta, e levou Pierre para fora da caverna, para que, assim, ele pudesse fitá-lo melhor.

– Você... Não vai vestir uma roupa? — Disse David, que ria observando Pierre ainda despido.

– Por quê? Você não gosta do meu corpo nu? — Pierre deixou um pequeno bico se formar em seus lábios, daqueles bem infantis.

– É óbvio que sim, amor. Mas não quero que ninguém passe por aqui e fique desejando o corpo do meu noivo. — Ele selou os lábios de Pierre rapidamente, após ter visto o bico que estava presente nos lábios de Bouvier, que era difícil resistir.

– Noivo? Você me chamou de noivo? — Nessa hora os olhos de Pierre brilhavam, e ele falou em um tom empolgado, como se por um acaso houvesse se esquecido que pediu David em casamento.

– Sim, você me pediu em casamento, lembra? — David mostrou a aliança para Pierre, para ver se de alguma forma ele lembrava, ou fingia lembrar.

– Como eu poderia esquecer isso? Eu só estava brincando. — Respondeu Pierre que estava colocando as suas roupas.

– Hm... E... Você não me respondeu ainda.

– Não respondi o que?

– Aonde vamos?

– Que eu me lembre, você não fez esse tipo de pergunta.

– Estou fazendo agora. Aonde vamos?

– É surpresa, senhor apressado. Aguarde um pouco. — Pierre tapou os olhos de David e foi guiando-o para algum lugar.

– Eu estou ficando ansioso.

Pierre apenas riu e continuou guiando David até um lugar, onde ele havia preparado tudo. Logo que a visão de David foi liberada, ele pôde ver um local iluminado apenas por algumas velas, e pétalas de rosa no chão e na cama. Era uma suíte luxuosa, e tinha algumas fotos de David e Pierre espalhadas sobre a cama, por cima das pétalas. David, sem ações, deixou uma lágrima percorrer o seu rosto e molhar o pescoço, mas enxugou rapidamente.

– Isso é muito perfeito, amor. — David o abraçou forte, e observou Pierre trazendo duas taças e uma garrafa de vinho.

– É um momento muito especial. Afinal de contas, você se recuperou de todo aquele tormento.

– Eu tive um ótimo psicólogo. — Disse David, fazendo Pierre sorrir de forma doce.

Mais uma vez, as coisas iam esquentando. Os beijos tornaram-se mais intensos, e Pierre aproveitou-se da situação, esticando os braços para colocar a garrafa de vinho e as taças sobre a mesa à luz de velas. E por fim, acabaram fazendo amor outra vez.

(...)

POV: Marie Lee

Você acredita em amor à primeira vista? Creio que a sua resposta será não. A minha, há algum tempo atrás, também era não. Mas há uma maneira de explicar isso? Veja bem: você o vê pela primeira vez e não consegue mais pensar em ninguém. Você o beija, e sente que aquele beijo foi o melhor e mais apaixonante que você já deu em sua vida. Você faria qualquer coisa para vê-lo/tê-lo novamente e não percebe que foi apenas um momento, e que jamais se repetirá. Mesmo assim, você tenta de todas as maneiras encontrá-lo. Mas como? Ele lhe seduziu, lhe enfeitiçou de tal forma que você não sabe como ou por que aquilo aconteceu. As palavras foram as mais doces, o beijo foi maravilhoso, o rosto é inesquecível, os olhos repletos de ternura... O que fazer quando uma pessoa passa por sua vida e a deixa completamente apaixonada? Eu não sei, mas depois que conheci o Jay Bouvier, confesso que passei a acreditar em amor à primeira vista. É incrível o fato de eu me sentir bem ao lado dele, apenas tendo meu olhar preso ao rosto dele... E que rosto! Tão angelical, tão doce... Jay tinha algo diferente, que me fez ficar apaixonada no mesmo instante.

Eu já não acreditava na idéia de almas gêmeas, ou amor à primeira vista. Mas eu estava começando a acreditar que umas poucas vezes em sua vida, se você tiver sorte, você pode encontrar alguém que é exatamente o certo para você. Não porque é perfeito, ou porque você é, mas porque suas falhas combinadas permitem que dois seres separados formem um só. Mas, talvez não exista essa história de amor à primeira vista. O que existe é a pessoa certa no momento certo. Jay estava lá. Eu me apaixonei completamente e de forma irreversível por ele. No momento em que o vi, soube que minha vida nunca mais seria a mesma. E pra mim, amor à primeira vista existe... Ah, eu não sei, fico um pouco confusa com isso.

Eu o conheci em um momento súbito, foi amor emocional à primeira vista. E, desde este dia, vaivém minha vontade para reencontrá-lo. Senti-lo, beijar a boca dele... Sonhar os momentos mais emocionantes ao lado dele. Já chorei por ele e não quero nunca desistir dele, porque ele é parte emocional da minha vida, já é meu coração. Quando senti teus beijos, pareceu não ter mais fim... Sempre querendo sentir mais... Por isso não desisto dele, e se eu praticar isto sentirei-me covarde, sem sonho, sem perspectiva amorosa e verdadeira... Porque sinto nele beijos loucos. Hoje sonhei com ele, hoje o amei... Amanhã o amarei e infinitamente o desejarei.

Acredito que na vida tudo tem um porque e que nada é por acaso. Acredito em amor à primeira vista e que o pra sempre existe. Acredito no brilho de um olhar e na intensidade de um sorriso. Acredito em contos de fadas e em finais felizes. Acredito na força que as palavras têm e no sentido delas. Acredito que promessas quando são feitas devem ser cumpridas. Acredito na satisfação que sentimos em fazer bem as pessoas que amamos. Acredito que a vida foi feita para aproveitarmos cada segundo dela, sem se preocupar com o amanhã. Acredito que acreditar nos faz crescer, aprender e viver.

Fiz questão de ser à primeira vista, pra esse seu amor nada segmentado e totalmente desarmado. No primeiro instante me vi dona de seus atos e percebi que o controle de tudo se encaixaria, na pretensão de te fazer meu. E naquele meio caminho andado estávamos, já que você passou a me acompanhar diariamente, dentro de tudo aquilo que eu achava o sonho dos sonhos. E o que fez uma mulher, do meu porte, querer andar lado a lado com um sujeito, de poucas palavras, feito você? Talvez a vontade de tirar proveito do que eu sempre fiz questão de esconder e que você sacou logo de cara. Mas a parte mais poética disso tudo é que você me fez crescer nas palavras gigantes dos textos de nossas vidas juntos, trouxe o verbo mais marcante, pra fazer parte dessa nossa ação contínua, que é nos amarmos sem frescura e com a verdade estampada em nossos rostos, mesmo que doa às vezes. Nunca tivemos vergonha de expor os nossos piores defeitos na hora de uma briga histórica, nunca deixamos de nos perdoar, de coração, na hora certa, porque a convivência nos mostrou que estarmos juntos é o que nos move — o seu ombro é o meu ombro! Loucura é viver tantos dias em tão poucos meses, sendo que você me faz sentir eterna, dentro desse infinito que é te amar.

– Marie, está gostando de suas férias aqui no Havaí? — Jay disse olhando em meus olhos, que tinham certo brilho. Era incrível que mesmo eu sendo namorada dele, ele não me chamava de amor. Às vezes eu ficava decepcionada com isso, mas pode ser que ele seja aqueles homens que pensam em casar, ter filhos e quem sabe perder a virgindade somente após o casamento.

– Estou sim, Jay. — Eu o respondi adentrando minhas mãos por sua camisa, e espalmei as mesmas em suas costas, sorrindo com malícia. Mas, sem imaginar, ele tirou minhas mãos dali, e eu o olhei triste. – O que foi, Jay? — Completei o fitando, em uma expressão séria.

– Eu não acho que estejamos preparados para fazer amor. Melhor não. — Ele se afastou de mim um pouco. Mas espera aí, eu não sou perigosa...

– Jay, já não somos mais crianças.

– Eu sei que não, mas é melhor esperar um pouco. Somos namorados, ainda é cedo para nos entregarmos assim.

Ele me olhava um pouco assustado, e eu inconformada. Não conseguia acreditar que o amor da minha vida estava se recusando a transar comigo.

– Eu não estou acreditando no que estou ouvindo. — Deitei Jay na cama e fiquei sobre ele, movimentando meu quadril de forma lenta para ver se conseguia fazê-lo mudar de idéia, mas tudo o que ele fez foi tirar meu corpo que estava por cima dele, e levantou-se, com medo.

– Marie, não. Eu não quero. Por favor... Fiquemos só nos beijos mesmo, ok? Eu não quero te iludir e nem me iludir. Pra fazer sexo, tem que ser especial. Eu não quero que você se sinta encurralada e sendo obrigada a transar comigo só porque eu estou afim. Quero algo mais. Se importaria em esperar mais um pouco? Pelo menos até já estarmos um bom tempo juntos, e assim, podermos nos casar e termos uma perfeita lua de mel. — Jay segurou as minhas mãos, olhando profundamente em meus olhos. Sem querer, deixei uma lágrima escorrer, mas balancei a cabeça positivamente.

– Sim, você tem razão... Eu fui rápida demais, me perdoe. O que vai pensar de mim agora? Que sou uma oferecida. — Disse com uma voz de choro.

– Eu jamais pensaria isso de você. Foi uma vontade, eu te compreendo... Eu que te peço perdão pela minha atitude, mas eu não quero que você saia ferida, só quero lhe fazer feliz e que esse momento seja especial, tanto pra mim quanto pra você.

– Está bem. Com certeza será especial. — Eu o abracei, tentando me conformar e controlar o meu desejo, que estava quase ficando fora de controle.

Voltamos ao hotel, aproveitando nossas férias no Havaí, e lá encontramos com os nossos amigos. Escondi-me atrás de uma árvore quando vi os casais sentados na grama, abraçados e contemplando a luz do sol. Joel e Julie, Avril e Chuck, Hayley e Patrick, Laura e Jeff, Laurence e Seb, e... Onde estão Pierre e David?

– Se troca aí, meu amor. Vamos voltar ao hotel. — Disse David que já estava vestido, enquanto Pierre colocava novamente sua boxer, e por fim as outras peças de roupa. Desceram até o saguão e voltaram para o hotel.

– Até que enfim apareceram as margaridas. — Disse Avril rindo.

– Estávamos tendo nossos momentos de romantismo. — Respondeu David.

– É mesmo, safadinhos? — Chuck deu um leve soco no ombro dos dois.

– Esses dois não perdem tempo. — Disse Hayley também rindo.

– Que tal irmos para um parque aquático? — Propôs Jeff.

– Claro, vamos... Eu adoro piscina. — Joel ficou empolgado.

– Não vai mijar na piscina, viu, amor? — Julie deu um selinho em Joel, e depois riu.

– Olha só, não sabia que fazia essas coisas. — Laura também riu.

– Nem eu. — Completou Laurence.

– Vamos para a piscina logo. — Patrick e Pierre falaram em coro, e se olharam.

– Estamos indo, gordinhos. — Zombou Sébastien.

Nós fomos até o parque aquático logo que vestimos os trajes de banho. Eu ainda estava com a cara fechada, não conseguia sorrir como os meus amigos, que se divertiam na piscina e nos tobogãs.

– Você ainda está triste comigo, não está? — Jay percebeu que eu estava olhando para o nada, e sem dizer uma palavra.

– Claro que não, Jay. — Disfarcei.

– Então olha pra mim. — Ele virou o meu rosto e eu olhei para ele. – Me perdoe por tudo, eu sei que fraquejei. Talvez você não me ame mais como antes, porque ficou extremamente chateada comigo. — Jay olhou para baixo, tentando não chorar.

– Não, também não é assim. Eu que fui idiota demais por querer apressar as coisas. Me desculpe, isso nunca mais irá acontecer. Eu vou respeitar a sua decisão, e não farei nada contra a sua vontade. — Levantei o rosto dele e o beijei, mas fui interrompida por Pierre.

– Os pombinhos poderiam parar de comer a língua um do outro e virem se divertir? A água está uma delícia.

– Você não mijou aí não, né irmãozinho? — Jay riu.

– É claro que não. Eu fazia isso na piscina lá de casa só.

– Que nojo, Pierre. — Fiz uma cara enjoada.

– Estou brincando, né.

– Jay, quando vou conhecer a sua família?

Ele soltou um pigarro assim que fiz a pergunta.

– É... Amanhã.

– Amanhã? Então está bem. Mas será que eles vão gostar de mim?

– Claro que vão. — Ele selou meus lábios rapidamente, e pulamos na piscina de mãos dadas. Brincamos de jogar água um no outro, e também de subir nas costas do outro e tentar derrubar o adversário. Consegui derrubar a Avril, mas por meu azar, Pierre era muito mais forte, e me fez cair das costas do Jay em questão de segundos. Mas estava muito divertido. Nunca havia sido tão feliz, e eu confesso que estava sentindo falta disso.

Mas pra me deixar aflita, no dia seguinte, eu iria conhecer os pais de Jay. E agora? Estou confusa. Não sei o que eles irão pensar de mim... Mas tudo bem, o jeito é me divertir no parque aquático e esquecer esses problemas. No fim, vai dar tudo certo. Eu sou uma pessoa repleta de esperanças.

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos.Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril. (Fernando Pessoa)

Jaded — Aerosmith

Notas finais
E aí? Como será que os pais de Jay Bouvier irão se comportar diante da namorada do filho? Eles vão aprovar o relacionamento deles? O que pode virar essa apresentação a família? Se querem saber, continuem acompanhando. E deixem reviews, por favor.