Got My Heart In Your Hands

146 Eu sou só uma rachadura nesse castelo de vidro


Notas iniciais
Boa leitura.

– Eu posso?

– Ta bem Dave, mas cuidado, eu to machucado.

– David! David!

– Aiiiiii, vai com calma aí, ta doendo, ta bom David!

– Isso que dá querer se mostrar de skate, francamente Pierre, até a Melanie sabe andar melhor que você. – Disse David colocando um curativo no rosto de Pierre.

– Não precisava humilhar. – Ele fez bico.

– Mas você tem que admitir, foi muito engraçado.

– Cara, isso doeu, não foi tão engraçado!

– Desculpa. – David segurou a risada.

“É que a gente parece duas crianças. Um mais birrento do que o outro. Somos mimados, cheios de vontade. A gente briga, muito. A gente discute, se bate, se xinga e até dizemos que nos odiamos. Ah, se todo ódio fosse assim. Mas você acaba voltando pra mim e eu voltando pra você. É como se tivéssemos um imã. Um polo positivo atraído por um negativo. É a física. Até a natureza conspira ao nosso favor. ”

“Te amo sem saber como, nem quando, nem onde. Te amo diretamente sem problemas nem orgulho: Assim te amo porque não sei amar de outra maneira senão assim deste modo em que não sou nem és tão perto que tua mão sobre meu peito é minha mão, tão perto que seus olhos se fecham enquanto eu adormeço. ”

Uma semana depois...

– Pierre...

– Hummm, que foi?

– Levanta.

– Por quê?

– Tenho que falar com você.

– Mas, você já ta falando.

– É sério Pierre.

– Ta bem. – Ele disse ficando sentado na cama.

– Recebi uma ligação, e vou ter que viajar.

– Viajar?

– Sim.

– Por quê?

– Minha tia, ta muito doente e bem, os médicos dizem que esses são os últimos dias dela, preciso me despedir.

– Você ta bem?

– Sim, eu só to meio abalado, sei lá, é estranho isso, ela era uma das únicas que era legal comigo.

– Londres, não é?

– Sim.

– Eu vou com você.

– Não Pierre, minha família ainda é muito preconceituosa com essa coisa de ser gay, e também isso é um assunto que eu gostaria de tratar sozinho, além do mais, a Julie também vai.

– Tem certeza?

– Sim.

– Quando você vai?

– Preciso sair daqui a pouco.

– Pelo menos posso te levar até o aeroporto?

– Pode.

– Quando você volta?

– Acho que daqui uma semana, ou talvez menos tempo.

– Tudo isso?

– Eu preciso fazer isso amor. – David acariciou o rosto de Pierre.

– Ta bem, mas tem certeza que não quer que eu vá junto?

– Não Pierre, ta tudo bem, me promete uma coisa?

– Claro, o que é?

– Vai cuidar direito da Lennon, Melanie e também da Delilah?

– Sim, eu vou, pode deixar.

– Agora preciso arrumar uma mala.

– Quer ajuda?

– Eu adoraria ter sua ajuda. – David disse sorrindo.

Pierre sorriu e foi ajudar David, eles arrumaram tudo rapidinho, afinal, era só uma mala, David só passaria alguns dias lá, não precisaria de muita coisa.

Depois eles seguiram para o aeroporto, encontraram Julie e também Joel que não iria acompanhá-los:

– Pronta? – David perguntou para Julie.

– Sim, maninho.

Eles se despediram e embarcaram. O vôo foi tranqüilo, David e Julie chegaram em segurança na casa de seus tios, que os receberam bem, melhor do que se podia imaginar.

[...]

Pierre’s Pov: On

David já estava longe há três dias, eu estava morrendo de saudades, mas os ensaios da banda continuavam normalmente, é claro, David fazia uma falta enorme, eu estava me lembrando dos tempos do Reset, afinal eu estava substituindo ele no baixo e cantando, eu tocava bem, mas ele, ele era sensacional.

Estava tudo muito calmo em Montreal, nós passávamos os dias juntos, a maioria das vezes jogando conversa fora, mas era isso que gostávamos de fazer, eu ficava imaginando o que David estava fazendo naquele momento. Acho que nunca senti tantas saudades assim de alguém, como eu sinto dele.

Eu estava deitado no sofá quando o telefone tocou, era Chuck:

– Hey cara. – Ele disse do outro lado da linha.

– Pode falar.

– Tem ensaio daqui a pouco, você não esqueceu né?

Não o respondi, poxa, tinha ensaio e realmente eu tinha esquecido, fiquei em silencio pensando no que responder...

– Pierre? Você ta ai?

– Hã? Ah, oi Chuck, to sim, eu não me esqueci do ensaio não, to saindo de casa já.

– Ta bem, estamos te esperando.

– Até daqui a pouco.

– Até.

Desliguei o telefone e fui correndo trocar de roupa, eram umas sete da noite e eu ainda estava de pijamas, tinha ficado o dia todo em casa, aquele com certeza era o final de semana mais chato que já tive em toda minha vida. Peguei uma calça, um tênis e uma camiseta qualquer, depois vesti Lennon, Melanie me ajudou, ela já estava grandinha e me ajudava com as coisas, sem David, admito que ficava meio perdido.

Olhei no relógio e já eram quinze pras oito, Chuck devia estar muito bravo comigo, coloquei as meninas no carro, deixei comida e água para Delilah e as levei até a casa de Joel, que provavelmente estaria em casa cuidando de Nicolle. Toquei a campainha e ele me atendeu com cara de quem tava no sofá assistindo Tv, a mesma coisa que eu tava fazendo antes:

– Joel, precisa da sua ajuda!

– Que foi cara?

– Você pode ficar com as meninas, eu preciso ir pro ensaio, to atrasado, o Chuck vai me matar!

– Pode deixar, eu cuido delas, pode ir.

– Muito obrigado Joel, te vejo depois!

– Que isso, até.

Deixei Lennon e Melanie na casa de Joel e segui para o estúdio, quando cheguei encontrei todos esparramados no sofá, Chuck, Jeff, Seb e Pat, sim só eles estavam lá:

– Desculpa gente, tive uns probleminhas.

– Sabemos que você esqueceu do ensaio gordo, agora vamos começar logo. – Jeff disse.

– Ainda bem que você chegou, já tava ficando tedioso aqui. – Pat disse ligando a câmera.

O ensaio correu bem, foram umas duas horas mais ou menos, na última música, Jet Lag, Seb percebeu que Pierre estava um pouco triste e no final do ensaio foi falar com ele:

– Você ta bem?

– Não sei, senti falta do David em Jet Lag.

– Eu percebi.

– O que eu faço?

– Liga pra ele.

– Será?

– Faz isso, eu sei que minha voz não é igual a do David. – Seb riu.

– Você tem razão, eu vou ligar.

...

Pierre caminhou até a parte exterior do estúdio e ligou para Desrosiers. O telefone tocava, insistentemente, mas nada dele atender, Pierre estava ficando preocupado, até que ele atendeu:

– Alô. – Disse David com uma voz de sono.

– Oi, eu te acordei meu amor?

– Pierre, como você ta? Na verdade acordou. – Ele riu.

– Bem, e você? Desculpa, é que aqui ainda são dez horas da noite.

– Então não está sentindo minha falta? É aqui já é de madrugada.

Eu posso apostar que nesse momento um bico se formou nos lábios de David, eu o conheço.

– Claro que estou seu bobo, e sua tia, como está?

– Eu não sei, ela parece melhor, ficou muito feliz em ver Julie.

– Espero que ela melhore.

– Eu também.

– Quando você volta?

– Eu não sei, daqui uns dias.

– Tudo bem. – Eu disse com uma grande tristeza.

– Queria estar ai com você.

– Eu também.

– Pierre?

– Hum?

– I miss you more than anything.

– Eu também David.

– Espero que volte logo.

– Eu vou voltar, é só uma questão de tem... – Antes de David continuar falar eu ouvi um grito, do outro lado da linha, aquela voz era de Julie, fiquei desesperado. –

– David? David?

– Pierre! – Depois disso eu ouvi um barulho muito forte e o telefone ficou mudo.



Notas finais
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