Got My Heart In Your Hands

178 Conte-me seus problemas que eu te darei a solução


Notas iniciais
Boa leitura.

─ Pierre? O que aconteceu? — Perguntou David assustado enquanto mirava seu olhar em Pierre. Segurou uma de suas mãos, que estavam frias e trêmulas.

Nenhum deles se moveu enquanto se enfrentavam. Pierre não havia dito nada, seu corpo todo estava imóvel, e durante um segundo David achou que não o tinha reconhecido. Subitamente sentiu-se culpado por aparecer assim desta maneira, sem aviso, o que tornava tudo mais difícil. De algum modo achara que ia ser fácil, que saberia o que dizer. Mas não sabia. Tudo o que lhe vinha à cabeça parecia pouco apropriado, insuficiente.

Vieram à memória de David pensamentos do Verão que tinham partilhado, e, enquanto o fitava, reparou quão pouco tinha mudado desde que o vira da última vez. Estava com bom aspecto, pensou. Com a camisa preta gola V e calça jeans desbotada, podia ver o mesmo corpo maravilhoso que Pierre possuía, segundo Desrosiers. Pierre também estava bronzeado... Fora da vez em que eles fizeram turnê no Brasil.

Embora o cabelo estivesse um pouco mais fino e mais claro do que ele se lembrava, parecia igual ao que fora da primeira vez que o vira.

Quando Pierre finalmente se sentiu pronto, inspirou fundo e sorriu.

─ Nada, David... Eu pareço ter alguma coisa?

O comentário de Pierre assustou David, que lançou-lhe um olhar preocupado. Então, depois de abanar ligeiramente a cabeça, começou lentamente a sorrir. Um sorriso falso, apenas para descontrair.

─ Parece... — Gaguejou. Levou a mão ao queixo, e ele reparou que Pierre não tinha feito a barba. ─ Você está bem?

Ouviu o choque na voz dele enquanto falava e, surpreendendo-o, veio-lhe tudo de uma vez — estar aqui, a vê-lo. Sentiu qualquer coisa a mexer-se dentro de si, algo de profundo e antigo, algo que o deixou tonto só por um momento.

Recompôs-se e lutou para se controlar. Não esperava que isto acontecesse, não queria que acontecesse. Ele não queria deixar David preocupado. No entanto...

No entanto a emoção continuava apesar dos seus esforços, e por um breve momento sentiu-se de novo com quinze anos. Sentiu-se como não se sentia há muito tempo, como se todos os seus sonhos se pudessem ainda tornar realidade.

Sem outra palavra, aproximaram-se, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e Pierre passou os braços à volta de David, puxando-o para si. Abraçaram-se com força, tornando aquilo real, ambos a deixar que os poucos minutos de separação se quebrassem no crepúsculo que escurecia.

Ficaram assim durante um longo tempo antes que David finalmente o empurrasse para o poder olhar. Assim de perto, podia ver as mudanças em que primeiro não tinha reparado. Agora era um homem, e a cara perdera a doçura da juventude. As rugas suaves à volta dos olhos tinham-se aprofundado, e havia uma cicatriz no queixo que antes não estava ali. Havia nele uma nova dureza — parecia menos inocente, mais cauteloso — e, no entanto, a maneira como o abraçava a fez tomar consciência de quantas saudades dele tivera desde o último minuto que o vira.

David ficou com os olhos rasos de água quando finalmente se separaram. Riu nervosamente para dentro enquanto enxugava as lágrimas pelo canto do olho.

─ Você está bem? — Indagou Pierre, com uma expressão de outras perguntas na cara.

─ Desculpa, não queria chorar...

─ Não tem problema... — Pierre disse sorrindo.

David deu um passo atrás, tentando recompor-se, limpando o resto das lágrimas.

─ Por que ficou dizendo “eu estou vivo”?

─ É uma história muito complicada de contar... Você não entenderia.

Ele abaixou a cabeça, um pouco angustiado, porém tentando conformar-se com o silêncio de Bouvier. De alguma forma, as perguntas trouxeram Pierre para o presente, fazendo-o tomar consciência do que poderia acontecer se não fosse cuidadoso. Não deixe que isto fique sem controle, disse a si próprio. Quanto mais tempo durar, mais difícil vai ser. E não queria que ficasse ainda mais difícil.

Mas, meu Deus, aqueles olhos, aqueles olhos esverdeados tão doces.

Desviou-se e inspirou fundo, calculando como o poderia dizer e, por fim, quando começou, tinha a voz calma.

─ David, antes que fiques com idéias erradas, eu queria te ver outra vez, mas há mais do que isso. — Fez uma pausa de um segundo. ─ Vim aqui por um motivo. Tenho que te dizer uma coisa.

─ Que coisa?

Pierre desviou o olhar e não respondeu David por uns instantes, surpreendido por não conseguir dizer-lhe ainda. Em silêncio, David sentiu uma emoção a afundar-se-lhe no estômago.

─ Eu imaginei que estava morto... E agora eu estou com medo de te perder. — Pierre finalmente conseguiu pronunciar-se.

Começaram a andar em direção à piscina, de mãos dadas, e sentaram-se em uma cadeira próximo a ela. David soltou a mão dele, surpreendendo-o, e continuou a andar deixando uma distância mínima entre ambos de modo a que não se pudessem tocar.

Pierre olhou para David. Ele estava muito bonito, com o cabelo espesso e os olhos doces, e andava com tanta elegância que parecia que deslizava. Parecia que, a cada olhar, ele se apaixonava ainda mais pelo pequeno David, com sua pele branquinha e os cabelos negros.

David tinha traços como inteligência, força de espírito, paixão, traços que inspiravam grandeza aos outros, traços que aspirava para si próprio.

Pierre ficou ao lado de David, e novamente segurou uma de suas mãos, levando a mesma até seus lábios e distribuindo um pequeno beijo sobre ela.

─ Desculpa ter feito-lhe passar por isso...

David suspirou densamente, e mirou Pierre, que soluçava um pouco... Ele o abraçou, e por um instante, um alívio completo e imediato tomou conta do casal.

─ Você sabe que eu te amo... — Pierre acrescentou.

─ Eu também te amo, e muito...

Eu devo aproveitar todos os dias da minha vida enquanto há tempo, porque depois pode ser tarde demais, disse Pierre aos seus pensamentos. E ele tinha razão... Aliás, Lachelle tinha razão. Devemos aproveitar a nossa vida da melhor maneira possível, pois mais tarde, você se arrepende daquilo que não fez. Se você morresse amanhã, o que faria? Procuraria realizar todos os seus sonhos hoje? Iria fazer tudo aquilo que tivesse vontade? Perdoaria seus inimigos? E as mágoas, você simplesmente esqueceria e levaria a vida normalmente, como se nada tivesse acontecido?

É isso o que temos que pensar, na vida depois de amanhã... Nunca se sabe o que pode acontecer. Talvez você ganhe na loteria, ou fique pobre. Você pode conhecer o amor da sua vida, ou sofrer uma desilusão amorosa. Tu podes comemorar a sua vitória, ou chorar pela sua derrota. Nós todos falhamos, machucamos uns ao outros... Às vezes, no momento da raiva, você diz coisas que ferem a outra pessoa por quem você está discutindo, e isso não é algo bom. Mas devemos perdoar. Perdoe, por mais que seja difícil esquecer, perdoe, pois perdoando você estará fazendo um bem para si mesmo e para o mundo. Afinal, que tipo de ser humano é você? Por acaso tu nunca cometestes erros?

Pense bem, porque hoje você pode odiar uma pessoa, e amanhã ela pode não estar viva. Não adianta chorar por uma morte e pedir perdão para tal no caixão... Enquanto ela estava no mesmo mundo que você, tu nunca procuraste a pessoa para dizer o quão importante ela é, certo?

Portanto, aproveite... Ame ao próximo, desfrute das coisas boas que a vida lhe proporciona e, principalmente, não guarde rancores. Deus lhe ensinou a perdoar os erros das pessoas, pois ninguém é perfeito, e nem você, pessoa que está julgando a falha dos outros. Somos filhos de Deus, e muitas vezes pecamos. Não amamos o nosso irmão, desrespeitamos a família, e nem pedimos perdão para isso. Às vezes esperamos mais do que a pessoa pode oferecer.

Mas como bons cristãos, perdoamos, e aceitamos isso com um lindo sorriso estampado no rosto. Sorria, viva intensamente, acredite em seus sonhos. Nunca deixe que alguém diga que você não pode realizá-lo, pois nada é impossível. Corra atrás do que sempre desejou, e não se importe com a opinião alheia. Se você quer, vá à luta, conquiste... Você não pode conseguir nada se não correr atrás. É como em um teste, você não vai passar se não estudar. Lute, e não desista!

Notas finais
Pessoal, o texto final (Devemos aproveitar a nossa vida da melhor maneira possível) fui eu que escrevi... Não peguei de nenhum site, como eu gosto de fazer quando alguns textos me agradam... Esse foi de minha autoria, e é para ser refletido. (: