Got My Heart In Your Hands
128 Acorde!
Notas iniciais
Pierre’s POV: ON
Escutei alguém me chamando, senti alguém acariciando meu rosto, como de costume era minha mãe que me acordava todos os dias para eu ir para a escola:
–Filho, acorda, ta na hora.
–Mais cinco minutinhos mãe. – Eu disse me virando para o outro lado da cama.
–Nada disso, ta na hora. – Ela disse puxando a coberta de cima de mim e depois abrindo a janela.
Pude sentir os raios de sol filtrados pelo vidro da janela em meu rosto, estava frio, mas não como normalmente, então podemos dizer que o tempo estava agradável pra quem morou em Montreal a vida toda, clima frio ao extremo até mesmo no calor.
Minha mãe deu uma ultima chacoalhada em mim e saiu do quarto dizendo:
–Você quer se atrasar no primeiro dia de aula, vai em frente Pierre Charles Bouvier.
Espera ai... Pierre Charles Bouvier? Eu ia me dar mal, levantei rapidamente e fui até o banheiro fazer minha higiene pessoal. Abri meu armário e peguei qualquer roupa, eu podia ser popular, mas não me importava muito com as minhas roupas. Depois desci as escadas e encontrei Jay sentado comendo cereal e minha mãe fazendo panquecas no fogão para meu pai que provavelmente nem tinha acordado, sentei-me ao lado de Jay, coloquei o cereal e leite dentro de uma vasilha que já estava em cima da mesa pra mim. Comemos rápido, pois já estávamos atrasados. Nos despedimos de nossa mãe e seguimos para o colégio.
Sinceramente, eu não estava muito preocupado com o primeiro dia de aula, eu já estudava naquele lugar há uns anos, tinha meus amigos, minha namorada, popularidade, o que mais eu poderia querer?
Cheguei até lá, eu fui para um corredor e Jay foi para outro oposto. Eu andava despreocupado para a sala de número 9, é devia ser meu dia de sorte, não encontrei nenhum de meus amigos, devem ter ficado em casa dormindo ou até mesmo Lachelle que era minha namorada, eu não sabia se amava ela realmente, mas qual é, ela era gostosa e me amava, isso é o que importa, ah é mesmo, ela estava de férias na Califórnia, como sou lesado.
A sala estava bem vazia, normalmente a maioria dos alunos só vinha no segundo ou terceiro de aula por preguiça mesmo, eu até faria o mesmo, mas tinha minha mãe que não me deixava faltar aula ao menos que estivesse doente. Caminhei até o fundo da sala, mas espera, um garoto bem menor do que eu estava com sua mochila bem no meu lugar, tudo bem, sou aberto a fazer novas amizades e como ele poderia saber que eu sentava ali? Parecia ser novo no colégio, estava com os fones, não iria ouvir se eu o chamasse, nem ao menos sentiu minha presença, então eu dei um leve toque com minha mão em seu ombro e disse timidamente:
–Oi, desculpa lhe atrapalhar, mas eu posso me sentar aqui?
O garoto tirou sua mochila imediatamente da cadeira e olhou pra mim, ele estava com a face corada, achei engraçado, ele parecia ser uma pessoa legal:
–Ah, me desculpe, eu não sabia que existia alguém que sentava aqui.
Eu sorri, não sei por qual motivo e depois disse:
–Eu sempre me sento aqui no fundo. E... – Hesitei um pouco em falar, afinal eu estava um pouco tímido, coisa que raramente acontecia. –Você é novo por aqui, não é?
O garoto ainda com a face corada, olhou pra baixo e me respondeu:
–Sim, eu sou de Londres, mas me mudei pra Montreal quando tinha 10 anos de idade. Hoje é meu primeiro dia.
Ele devia ser mais um daqueles garotos ricos, não sei o porque, mas ele parecia ser aquele tipo de pessoa interessante que te prende a ela, então continuei a conversa:
–Seja bem-vindo, como você se chama?
Ele tossiu antes de responder, parecia um pouco envergonhado:
–0brigado. Ah, meu nome é David. E você, como se chama? – Ele corou de novo.
–Meu nome é Pierre. Prazer em conhecê-lo, David. Espero que goste da sua nova escola. Aqui não é a melhor de todas, mas você sobrevive, vai por mim. – Eu dei uma risada.
David também riu, ele ficou meio paralisado quando Joel entrou na sala, e digamos que Joel era de dar medo em qualquer um, pobre David, era magrinho, e tinha uma aparência muito fraca. Outros alunos entraram na sala e logo a professora de química, que era uma mulher muito bonita também entrou.
Fiquei observando David bocejar enquanto a aula começava, eu o entendia, química era tão chato, a aula seguiu e as vezes eu conferia o que ele estava fazendo, não falou mais com ninguém, talvez fosse meio anti-social, sei lá.
Logo o intervalo chegou e eu fiquei na sala, esperando Pat trazer meu pudim, na verdade não que ele fosse obrigado a trazer pra mim, mas tínhamos feito uma aposta e ele perdeu, então ele teria que trazer pudim todos dos dias no intervalo pra mim. David também ficou na sala e então eu perguntei:
–Hey David, você também vai ficar na sala?
–Err... Bom, você sabe, não conheço ninguém e minha irmã é diferente de mim, já deve ter feito amigas.
–E eu não sou um amigo pra você? – Ok, eu quis provocá-lo sim.
Ele ficou todo vermelho novamente e respondeu:
–Você tem razão, mas e os seus outros amigos?
–Eles devem estar na cantina, Pat prometeu que me traria pudim.
“Prometeu” foi um modo menos idiota de dizer que Patrick havia perdido uma aposta mais idiota ainda. David parecia estar segurando o riso, eu nem liguei, ficamos esperando ouvindo Green Day, viram? Eu disse, esse garoto tem bom gosto.
Logo meus amigos chegaram, Pat me deu uma leve bronca por ter que pegar o pudim pra mim, mas ele tinha perdido a aposta, não sei o porque estava reclamando. Eu os apresentei para David, meus amigos eram todos legais, receberam bem o meu novo amigo...
Lachelle entrou na sala e já veio me abraçando:
–Pi, meu amor, porque você não foi me procurar hoje?
–Olha quem chegou, Lachelle sem o clube das luluzinhas, elas te deixaram é? – Seb disse sarcasticamente eu sei lá o porquê.
–Sébastien, eu não estou falando com você, com licença. –Ela disse isso me dando um selinho.
Nesse instante eu senti tantas coisas diferentes, mas o que era aquilo? De repente me veio a cabeça, eu beijando o David, as noites de amor que tivemos... Mas o que é isso, noite de amor que nós tivemos? Nos conhecemos hoje, eu não sou gay, o que está acontecendo pra mim ter esses pensamentos? Um choro de uma garotinha depois veio em meus ouvidos, era Lennon, mas quem era Lennon? E como eu sabia o nome daquela garotinha?
Sai de perto de Lachelle, levando minhas mãos a cabeça, eu estava ficando doido? Latidos de cachorro na minha cabeça, não era qualquer cachorro, era Delilah, hã? Como é? Delilah? Eu estou louco! Agora a lembrança de David falando comigo sobre o casamento, na piscina, com Melanie e Lennon brincando com Delilah perto de nós vieram a minha cabeça, eu devia estar ficando louco, vamos Pierre, você ainda está na escola, como pode pensar em se casar e ainda mais com um garoto? Agora uma música estava na minha cabeça e eu sabia a letra dela, mesmo sem nem ao menos ter sido lançada, This Song Saved My Life, as pessoas nos mandando inúmeros tweets, eu e Chuck e mais um amigo compondo a música com o que diziam, mas eu tinha uma banda? Simple Plan, aquele filme que eu estava doido pra assistir, era por causa dele, David dizendo em quanto o assistíamos.
Lachelle se aproximou e disse:
–Pierre? O que foi?
–Você, você ta morta Lachelle, eu não sou seu namorado, você fez muitas maldades com a gente, mas agora está sempre ajudando, o que é isso? – Eu gritava.
–O que você ta dizendo?
Eu não tinha a mínima idéia do que eu estava dizendo, senti uma forte dor nos pulsos, levantei a manga da minha blusa e... Cortes? Não, eu nunca tinha me cortado, para, eu tinha sim, todas aquelas confusões com David, sim, agora tudo veio ao mesmo tempo na minha cabeça, e eu estava acreditando em tudo, nós ainda estávamos na sala, mas por quê? Porque diabos eu voltei no tempo e só me lembrei quando Lachelle me deu um selinho? Posso me lembrar de tudo desde que conheci David, mas nada de ontem, por quê?
Eu corri até David e o beijei:
–Eu te amo, lembra? – Eu mostrei meu pulso pra ele, e depois verifiquei os braços dele, mas não tinha nenhum corte, como assim?
Ele me olhou assustado e saiu correndo, Lachelle veio em minha direção e me deu um tapa:
–Como você pode? Beijar um garoto que mal conhece, me trair e ainda na minha frente Bouvier? Você é gay?
Eu não respondi, estava confuso demais, sai correndo, chorando pelos corredores, vi Joel e Hayley se beijando, mas como assim? Eles tinham parado de namorar a muito tempo, Hayley estava com Pat e Joel com a irmã de David, Julie.
Vi coisas absurdas, que já tinham mudado, comecei a me perguntar o que estava acontecendo, vi David saindo do banheiro chorando, fui até ele e comecei a falar:
–David, você se lembra não é mesmo? Vamos nos casar, certo?
–Pierre, eu te conheci hoje, você ta doido?
–Eu não sei, estava tudo bem, mas agora todas essas memórias estão me assombrando, será que minha cabeça foi capaz de produzir tudo isso?
David tentou correr, ele estava muito assustado, mas eu não deixei, eu o segurei e ficamos paralisados por alguns instantes, o mundo havia parado, só existíamos nós, eu olhava em seus olhos e ele olhava nos meus:
–Escuta, eu te amo, muito!
Ele não disse nada e eu o beijei, dessa vez intensamente, como nosso primeiro beijo no hospital e em questão de segundos uma fumaça branca me envolveu e foi fazendo tudo sumir, David a escola, as outras pessoas que nos olhavam com nojo, tudo! Ou era eu que estava desaparecendo?
De repente eu estava no cemitério municipal, David me segurava em seus braços chorando, dizendo algo como “Ainda não chegou sua vez, fica! ”, na verdade ele estava gritando desesperado, todos estavam lá, olhei para um canto e vi Kevin sangrando, Melanie o abraçava, ele estava... Morto. Eu estava tão assustado, olhei para o outro lado, Marcela, sorrindo feito uma psicopata, com uma arma nas mãos, Hayley estava perto de Pat que estava baleado também, mas na perna, estava vivo, graças a Deus.
Comecei a sentir uma dor insuportável no abdômen e depois vi David saindo de cima de mim e sorrindo:
–Você, você voltou pra mim! – Ele me abraçou forte e me beijou.
Depois ele deu espaço pra eu respirar, eu não estava agüentando a dor, então foi isso, eu tinha morrido, as pessoas dizem que quando morre se vê a vida passar como um filme, mas no meu caso, acho que uma lembrança muito forte como conhecer o David foi suficiente, mas o selinho de Lachelle talvez tenha sido David gritando, ele precisava muito de mim vivo, então acho que Deus entendeu e me deixou vivo.
Eu levantei com muita dificuldade e fui até Marcela, cai sobre meus joelhos na frente dela, que continuava sorrindo com arma na mão. Eu tentei falar com ela, mas senti uma bala perfurando meu braço, e última coisa que me lembro de ter visto antes de desmaiar foi David acertando Marcela na cabeça com um pedaço de pau.
Acordei num quarto de hospital com muita dor de cabeça e David sorrindo ao meu lado...
“Vai ficar tudo bem. A terra continua a girar, dias ruins virão também e o céu não vai desabar. ”
Esse não é o fim
Esse não é o começo
Apenas uma voz como uma revolta
Balançando cada melhoria
Mas você ouve o tom
E o ritmo violento
Embora as palavras pareçam firmes
Tem algo vazio dentro delas
Nós dizemos, yeah
Com os braços no alto
Como se estivéssemos nos segurando a algo
Que é invisível
Pois estamos vivendo à mercê
Da dor e do medo
Até morrermos
Esquecermos
Deixarmos tudo desaparecer
Esperando o fim chegar
Desejando que eu tivesse força para suportar
Não é isso que eu tinha planejado
Isto saiu do meu controle
Voando à velocidade da luz
Pensamentos giravam na minha cabeça
Tantas coisas que não foram ditas
É difícil deixar você partir
Eu sei o que é preciso para seguir em frente
Sei qual é a sensação de mentir
Tudo que eu quero fazer
É trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive
Sentando em um quarto vazio
Tentando esquecer o passado
Isso nunca foi feito para durar
Eu queria que não fosse assim
Eu sei o que é preciso para seguir em frente
Sei qual é a sensação de mentir
Tudo que eu quero
É trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive
O que restou
Quando o fogo acabou
Eu achei uma boa sensação
Mas o certo era errado
Tudo apanhado no meio da tempestade
E tentando entender
Qual era a sensação de seguir em frente
E eu realmente não sei
Quais tipos de coisas que eu disse
A minha boca continuava mexendo
E a minha mente morreu
Juntando os pedaços
Sem ter por onde começar
A parte mais difícil do final
É ter de recomeçar
Tudo que eu quero fazer
É trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive
Esse não é o fim
Esse não é o começo
É só uma voz como uma revolta
Balançando cada melhoria
Mas você ouve o tom
E o ritmo violento
Embora as palavras pareçam firmes
Algo se esvazia dentro delas
Nós dizemos, yeah
Com os braços no alto
Como se estivéssemos nos segurando a algo
Que é invisível
Pois estamos vivendo à mercê
Da dor e do medo
Até morrermos
Esquecermos
Deixarmos tudo desaparecer
Waiting For The End — Linkin Park
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