Gossip Girl: Rio De Janeiro.
1 Um carioca sabe mesmo implicar com o irmão caçula.
Renato estava debruçado sobre a espaçosa sacada da cobertura dos Grayson na exclusiva Avenida Atlântica. Seus cabelos loiros escuros esvoaçavam com a leve brisa de verão típica do Rio de Janeiro, mas aqueles olhos azuis como safiras tinham uma expressão inquisitiva e se vista de outro ângulo. As mãos firmes levaram a taça de Grey Goose até os lábios, secando por fim o restante do líquido que ali continha. Ele sempre fora criado com algumas regras básicas: Podia beber o que quisesse desde que não passasse vergonha na frente dos amigos de seus pais. Nunca teve hora pra chegar em casa e podia namorar com quem quisesse também que seus pais nunca se importaram. Renato girou os calcanhares, deixando a taça em cima da rústica penteadeira de madeira branca maciça e rumou até a sala. Ele havia acabado de chegar de São Paulo com os pais que passariam meses a fio pelo Rio de Janeiro à negócios. A mãe, Elizabete Grayson, estava relaxada no sofá com seus perfeitos cabelos loiros platinados e um vestido Marni azul petróleo; ela era o reflexo de uma estilista em ascenção. O jornal O Globo, estampava manchetes sobre a bolsa.
- Bom dia, querido! – Elizabeth levantou-se trovejante, deixando um abraço apertado em Renato, afagando seus cabelos com as unhas enormes e pintadas de esmalte em cor-de-rosa choque.
- Bom dia – Renato grunhiu em desafeto. Mas que porra era aquela? Será que só ele estava odiando largar a merda de São Paulo para ter que viver no meio daquela cidade tenebrosa, quente e com uma fama terrível? Ele sempre teve uma paixão secreta pelo Rio de Janeiro, mas ele via tanta desgraça nos noticiários sobre o lugar que aquilo havia o desanimado completamente. Claro que nas férias do verão passado ele havia preferido gastar fortunas com o cartão AmEx ilimitado do pai no Copacabana Palace do que ir para a casa da família em Paris, mas agora era diferente. Ele não queria morar lá.
Enquanto muitos de nós adoraríamos estar no seu lugar!
Entre caixas de papelão lacradas, a grande sala de estar até que era bonita se muito bem analisada. Talvez ficasse melhor sem nenhum móvel decorando, mas esta visão não duraria muito, pelo menos não até o fim da tarde. Os devaneios de Renato logo foram interrompidos quando a figura alta e forte, sem camisa e de ombros largos, vestindo apenas bermudas Cáqui adentrou a sala, que contradizia totalmente rude com a aparência mais delicada do menino mais novo que ali também estava. – Como sempre de mal humor, não? Você devia ensinar bons modos para este rapazinho. – Irônico, Eduardo, o filho mais velho dos Grayson, despejava suas palavras como sempre irritantes em direção de Renato.
- Cala essa boca! Vai tomar um banho porque você está fedendo e já estamos atrasados! – Renato o reprimiu, enquanto alisava fielmente o suéter avelã Christian Lacroix por cima da blusa social e gravata do colégio. Os irmãos se matricularam no colégio só para meninos São Bento, conhecida por seu ensino rígido, esta escola carrega uma tradição secular para a elite carioca.
Renato apenas girou os olhos, enquanto a mãe bufara baixinho em retenção. Ela já estava acostumada com as guerras diárias dos dois filhos homens, mas não gostava de fazer parte delas. Era a típica ex-rockeira-drogada que tomara jeito na vida e casara-se com um banqueiro paulista, mas ela era a única que tinha paciência com os meninos, já que Ricardo Grayson sempre fora um pai extremamente ausente. – Já chega! Eduardo, já para o banho! E você, meu bebê... – A mãe se aproximava perigosamente de Renato, que apenas jogou os cabelos para trás, forçando o seu melhor sorriso de filho perfeito. – Tome esse suco de laranja, está maravilhoso! Tem que começar bem o dia! – Ela disse, super protetora com o caçula. Eduardo fingiu nem ligar, passando a mão em seu abdome perfeito e tirando o iphone branco de dentro da bermuda. Digitara rápido, com apenas uma mão e saiu em disparada para o banheiro, mas não sem antes, de bagunçar os cabelos de de Renato. A mãe apenas repreendeu o mais velho com um olhar, o que não adiantou. Esta era uma típica manhã dos Grayson, e este é apenas o primeiro dia do resto de suas vidas.
Para nossa sorte!
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