Diana não perdeu a oportunidade de chamar Sarah para ir em sua casa antes da festa, afinal, era uma festa especial: uma festa para os dezesseis anos de Sarah, mesmo que ele fosse apenas em duas semanas. E ela, experimentando as roupas que levara, deixava Diana cada vez mais perdida, principalmente quando as tirava. Imaginava Sarah, com sua pele pálida em contraste com seus cabelos negros e seus seios formosos que insistiam em cair para fora do sutiã em suas mãos. Os corpos em sintonia. Sentiu sua vagina umedecendo e resolveu voltar à realidade, Sarah só era alcançada em pensamentos e sua principal fantasia quando se masturbava. Isso a frustrava, pois sabia que nunca teria o que mais almejava.

– Você ficou linda nessa roupa, Sarah! Poderia ter quem quisesse em mãos, sério mesmo!

– Você acha? Bom... então se eu achar alguém interessante na festa, já era!

– É... Então, vamos? Não aguento mais ficar em casa. Vamos, vamos!

– Ta bom, ah... Diana, faz um favor primeiro?

– Claro!

– Me empresta uma bolsa?

– Tenho só aquela. Mas pra que bolsa?

Sarah pegou a calça com que fora para a casa de Diana e tirou duas camisinhas do bolso.

– Só pra prevenção. — Aquilo foi uma estaca enfiada no coração de Diana, mas ela fingiu que estava tudo bem, e disse que, em todo caso, iria querer um empréstimo. Ela era boa fingindo que estava interessada em garotos. As duas foram andando para o restaurante, cerca de duas quadras de distância. Brendan já esperava as duas com um peixe com fritas.

– Obrigada por aturar ela com as roupas, Diana. Lá em casa eu enlouqueço com isso.

– Sinceramente, Brendan, eu não me importo. Acho até legal, um sinal de confiança, sabe? De que eu não vou deixar ela sair igual a Faith Ramsey por aí. — Brendan riu, mas retrucou:

– Eu nem acho a Faith tão estranha assim, ela só é meio hippie.

– Ah! Mas eu acho, menina estranha! Credo! E nem me venha defendendo ela.

– Estou de acordo com a Diana, Bren. — Sarah disse, com a boca cheia de fritas.

– Ok, meninas... — Disse Brendan, seguido de um suspiro.

Em cerca de três minutos, Catherine chega, arrumando seu casaco nos ombros.

– Oi.

– Ei, Cathy! Você veio mesmo! — Diana estava entusiasmada – Vamos comer, o Ted já vem nos buscar.

– Claro. É na casa do Ted?

– Não, não! Na da Sarah, mas queríamos comer antes. Sabe como é, beber de estômago vazio não dá!

– Não mesmo. — Sarah disse, se intrometendo.

Os quatro comeram, embora Cathy só tenha beliscado algumas batatinhas. Na hora que deveriam pedir a conta, ficaram observando a rua na espera de Ted.

– E a conta? — Cathy perguntou, mas foi instruída por Brendan para aguardar. Um Renaut Clio estacionou na frente da porta de saída.

– Meninas, tão com tudo em mãos? — Disse Brendan.

As três assentiram e Brendan fez sinal para levantarem

– Nós vamos correr, como sempre. Em três, dois... — Os quatro correram, atirando-se para fora do restaurante e entrando rapidamente no carro.

– Deu certo cara, vamos logo! – Ted disse, acelerando. Zoë, no passageiro, não parava de rir. Assim que se afastaram do restaurante, Ted dirigiu normalmente, até que chegaram na casa de Brendan e Sarah.

Tratava-se de um sobrado com paredes rebocadas, pouquíssimas mobílias e com bastante espaço no quintal, onde havia uma piscina inflável armada. No térreo, uma sala cheia de bolinhas ocas de plástico, algumas guirlandas natalinas enfeitando as paredes e uma porta que dava à cozinha, onde estavam as bebidas.

– Bem vinda à nosso pub particular, Cathy! — Disse Diana, levando–a para dentro. – Daqui a pouco o pessoal do colégio chega, quer beber alguma coisa?

– Não, vou deixar para mais tarde.

Logo, Diana ofereceu bebidas para os que já chegavam, não evitando virar as garrafas. Sarah já estava "alegre", dançando no meio das bolinhas de plástico. Diana, chegou e dançou próxima ao corpo de Sarah.

– Você está tão, tão linda, Sarah...

– Você também. — Riu.

– Não, não! Não assim. Eu te quero para mim, Sarah... Não entende?

Sarah continuou rindo, até o momento em que agarrou Diana pela cintura e a beijou. Diana segurou em seu pescoço e a puxou até si, deixando seu corpo mais próximo. Começou a imaginar novamente.

– Diana, não sabia que tinha um beijo tão gostoso! Aqueles caras estão de olho em você, tenho certeza que também vão gostar.

Foi então que Diana percebeu que estava se iludindo: Sarah nunca se apaixonaria por ela. Com um pouco de remorso, deixou Sarah para trás e foi se divertir em outras partes da festa, jogando-se de roupa na piscina inflável, onde Brendan também estava

Catherine e Zoë carregavam cigarros entre os dedos no andar superior, apenas apreciando a companhia uma da outra.

– Docinho, vamos na sacada para a fumaça não ficar aqui! — Disse Zoë, puxando Cathy pelas mãos. Antes que pudesse chegar, viu uma garota com um vestido comprido e cabelos bagunçados.

– Ah, não! Cathy, precisamos ir atrás de Ted! — E correu pelas escadas.

Na piscina, Brendan perguntou a Diana onde sua irmã estava, estranhando sua falta.

– Da última vez que a vi, ela estava na sala.

– Que estranho você não estar com ela, Diana, vocês vivem juntas.

– Tem razão, mas quero dar a ela um pouco de liberdade...

Zoë encontrou Ted na cozinha, fazendo malabarismos com taças de vinho.

– Ted, Ted! A Faith está na sacada... E se... – Ted a interrompeu:

– Fiquem as duas aqui na cozinha, vou tirá–la de lá. — E correu, encontrando Faith, que observava o céu enquanto fumava. A puxou pelo braço direito.

– Por que estão aqui? Vocês não foram convidados.

– Por isso mesmo, abestado. Antes que me venha com reclamações, aviso que já estou partindo.

– E onde o Bruce 'ta? Me diga agora! — Gritou.

– Não te interessa saber, não interessa nem a mim. — E apagou o cigarro na mão de Ted, que gritou e a xingou. Ele permaneceu na sacada e, dentro de alguns minutos, a viu indo embora pela sacada. Logo, Faith parou e lhe fez um sinal de "V" com a palma para dentro.¹ Ted revirou os olhos e, depois de ter certeza de que ela havia ido embora, desceu para encontrar Zoë e Cathy. As duas ainda estavam na cozinha.

– Ted! Ted! Cadê você? — Gritou Diana da sala.

– Aqui! O que houve?

– Você viu a Sarah? Ela sumiu...

– E acabei de ver Tyler indo embora. — Completou Brendan, que chegou todo molhado.

– Brendan, vá até o quarto de vocês, eu vou logo em seguida. – Orientou Ted, que logo expulsou os demais da casa, exceto pelos que vieram com ele. Feito isso, foi atrás de Brendan.

– Sarah! O que houve? Ah, Deus! — Sua irmã estava sem as roupas e visivelmente com dor. Os lençóis estavam revirados, havia gozo por toda a cama e a janela estava aberta. Lágrimas encheram os olhos de Brendan. – Porra, cara! Porra! — E a tirou da cama, segurando-a no colo. Theodore buscou por uma toalha e a cobriu, ainda no colo de Brendan. Os três foram de encontro às três meninas no andar inferior e, assim que chegaram, todas ficaram espantadas. Zoë caiu em prantos. Ted estava vermelho de raiva, e não conseguia parar de andar em círculos.

– Theodore! Calma... — Gritou Diana, mas nem ela mesma conseguia se acalmar. Culpou-se, afinal, foi sua culpa em ter deixado Sarah sozinha. Tudo porque não queria mais se iludir, que egoísta ela era! Deitou Sarah, quase inconsciente, em seu colo. – Eu que dei essa ideia idiota de fazer uma festa! — E chorou descontroladamente.

– Não, Diana. Eu que sou um idiota, porra! — Gritou Brendan. – Eu que não a vigiei direito, fiquei na droga da piscina! Eu que não fiz a porra do papel de irmão!

– É minha culpa! – Gritou Ted. — Ela sabe que eu sempre cuidei para que ela e nossas outras meninas ficassem bem, ela deve ter achado que eu estava de olho, mas não! Eu sou um pedaço de merda, um desmerecedor!

– Cala a boca, Theodore! Você não está dizendo nada com nada.

Diana ficou assustada com o modo que Brendan havia tratado Ted. Nunca antes o viu naquele estado, muito menos Sarah... "Óbvio que tem uma razão, eu não consigo nem imaginar minha pequena Sarah sofrendo o que sofreu... Imagino ele, que é seu irmão." pensou, com lágrimas brotando de seus olhos. Zoë, por outro lado, já estava mais calma, apertando forte a mão de Cathy, que nada entendia.

– Você que não diz nada com nada, Brendan! Você não imagina a culpa que eu sinto. — As bochechas de Theodore estavam encharcadas de lágrimas.

– E eu, então! É que não foi a droga da sua irmã que foi estuprada, você nunca vai entender isso!

No instante em que Brendan disse isso, Theodore virou-se de costas, frustrado.

– Zoë e Cathy. Vamos para casa. — Estendeu a mão para Cathy, que se levantou. Zoë levantou-se sozinha logo em seguida e Ted a pegou no colo. Os três partiram para o carro e Brendan sentou–se ao lado de Diana.

– Droga! Ele disse, olhando para Diana e, logo em seguida, para Sarah,

– Brendan... — Diana soluçou.

– Fala.

– Vamos banhá-la. Você a carrega?

– Claro. — E a pegou no colo.

"Quem dera se tudo tivesse acabado quando tudo estava indo bem. Tudo estava indo tão bem! Bem demais para que durasse" Diana pensava.

Notas finais
¹ - Sinal que pode ser usado como provocação. Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.