Goodbye Agony
1 Goodbye Agony
Notas iniciais
Dave esperava qualquer coisa depois de finalmente vencer a droga do jogo que estragara sua vida. Desde mais coisas paradoxas até o universo explodindo.
Mas ele realmente não esperava ser engolido por um vórtice, desmaiar e... acordar. No seu quarto. No seu apartamento.
Ele ficou estático. Ele estava ali. Naquele quarto idiota e bagunçado. Sua mesa de DJ o encarando. Os posters... tudo.
Dave sorriu e sua respiração acelerou, aliviado. Casa...
Ele estava em casa. Ele estava em casa, tudo voltou ao normal!
Bro.
Seu coração disparou, e ele quase gargalhou. Bro estava vivo!
Levantou-se em um pulo, sendo atingido por uma tontura momentânea, mas isso não o deteve. Bro estava vivo, e provavelmente ia dizer que toda essa alegria de Dave não era coisa de um “cara maneiro”.
Mas isso não importava, porque... ele estava vivo!
– Bro! — Dave gritou, feliz. Seus olhos arderam.
Ele saiu do quarto, ainda cambaleante. Entrou no quarto do irmão... vazio.
Ele estava na cozinha, é claro!
– Ei, cadê você? — Ele gargalhou, mas sua voz morreu aos poucos ao encontrar a cozinha abandonada.
Ele estava no telhado, só podia. Estava esperando Dave com sua espada extremamente incrivel, e eles iriam duelar de novo no telhado. E ele como sempre ia perder. E depois se irritaria com os smuppets dele. E seria perseguido por um boneco possuído.
Porque Bro estava vivo!
... Não estava?
–... Hm... Você tá aí? — Dave gritou, subindo para o telhado.
Vazio.
Voltou para a cozinha.
–... Bro? — Dave começou a rir, mas dessa vez era um riso de nervosismo. — Que droga, seu filho da mãe! — Ele parou de rir. Ao invés disso começou a gritar. — Isso não é maneiro! ISSO É UMA ESTÚPIDA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO!
Dave procurou em todos os cômodos. A casa não estava quebrada, nem tinha aquelas engenhocas do jogo. Estava tudo normal...
– PARA, BRO, ISSO... NÃO É LEGAL! — Dave gritou, finalmente desistindo e baixando a cabeça. — Isso é doentio.
Seus olhos começaram a arder.
Não! Bro estava na rua, provavelmente comprando comida para o jantar, ou algo assim.
Dave se sentou no sofá e pegou o Iphone no chão. Abriu o aplicativo, e logo procurou o Nick idiota do John. Ele estava offline, mas assim que visse a mensagem responderia!
–-turntechGodhead [TG] began pestering ectoBiologist [EB] at 18:03—
TG: hey
TG: cara eu venci o jogo e trouxe voces de volta
TG: isso foi muito maneiro
TG: mais que muito maneiro foi totalmente maneiro
TG: agr quando alguem for procurar maneiro no dicionário vai aparecer Dave salvando todo mundo
TG: ...
TG: responde quando vir isso
–-turntechGodhead [TG] ceased pestering ectoBiologist [EB] at 18:40—
Dave pensou que o amigo devia estar passando um tempo com o pai. Quando pudesse, ele responderia.
O loiro mandou mensagem para Rose e para Jade, mas elas também não responderam.
Tudo bem... Rose também devia estar com a mãe, e Jade provavelmente estava dormindo.
Não havia nada errado! Seus amigos estavam vivos, e bem. John fazendo aquelas piadas ruins e tendo aquela estúpida paixão platônica pelo Nicholas Cage, e Rose sendo gótica e psicanalista, e Jade gostando de jardinagem e falando coisas estranhas sobre o futuro.
Tudo estava normal!
~~~~~~~~~~~~
Três dias se passaram. John não respondera as 38 mensagens, nem Rose ou Jade.
E Bro não voltara ainda.
Dave pensou que podia ir atrás dele, mas quando chegou na porta e pensou em descer para a rua movimentada congelou.
Depois voltou para trás e sentou no sofá, encarando o teto.
Não precisava ir atrás de Bro! Provavelmente a fila tava gigante, só isso.
Ele estava vivo, ora essa.
... Ele... tinha que estar vivo.
~~~~~~~
Meses se passaram.
O estoque de água já estava acabando, assim como o de comida.
John ainda não respondera nenhuma das 367 mensagens desesperadas. Rose não lhe agradeceu ainda pelo presente de aniversário que ele mandou para ela pelo email, um remix da música favorita dela. Jade não dissera nada estranho sobre o futuro.
Bro não voltara.
Dave resolveu finalmente procura-lo. Colocou os óculos e saiu de casa.
A rua estava movimentada, cheia de carros e Bro vinha acenando na esquina e vindo na direção dele.
Ah... como Dave desejou que aquilo fosse verdade.
Mas só recebeu a visão da rua completamente vazia e abandonada. As lojas fechadas. Nenhum barulho sequer a ser ouvido além da respiração descompassada de Dave.
E então ele gritou. Por segundos, minutos ou horas ele não soube dizer. Mas gritou. Gritou e chorou.
Porque estava sozinho.
Porque seus amigos não estavam ali.
Porque Bro não estava ali.
Ele vencera o jogo sozinho, e ai estava. Era o único sobrevivente do jogo. O único sobrevivente da Terra.
~~~~~~~~
Dave estava sentado no sofá. Já não sabia a quanto tempo estava assim. A quanto tempo ele estava em casa?
A quanto tempo ele estava sozinho?
Mas ele não podia simplesmente morrer.
A esperança.
A maldita esperança ainda estava ali, dizendo que seus amigos iam aparecer magicamente e rir da cara de retardado dele.
Eles iam voltar.
~~~~~~~~~
O loiro estava deitado no chão. Sua testa queimava em febre, e ele sentia muito frio.
E então ela apareceu.
– Jade? — Dave perguntou, encarando a garota sorridente.
– Vai ficar tudo bem, Dave!! — Ela disse, alegremente.
O loiro sentou-se. Então a outra se aproximou. Dave arfou.
– É você Rose? — Dave perguntou, e sentiu a boca tremer.
– É claro que sou eu, quem mais seria?
– Isso me lembra muito aquela cena em que o Nicholas Cage est... — Dave parou de ouvir. Aquela voz... ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
Levantou-se, cambaleante e olhou para trás.
O garoto sorria, mostrando aqueles dentes salientes que precisavam de um aparelho urgentemente. Os olhos azuis brilhavam de felicidade.
Dave correu para o melhor amigo e o abraçou.
– John?! — Dave sentiu os olhos arderem. — John! Prometo nunca mais falar mal do Nicholas Cage de novo. E prometo não falar que você é um bosta, John. Porque você não é!
– Hey Dave, tá tudo bem! — John riu e tentou se soltar do abraço. Dave o abraçou mais forte.
– Não, não tá! John, eu te amo, mano. Você é meu melhor amigo. Você tá vivo. Vocês tão vivos. Eu senti tanta a falta de vocês.
Rose riu, e Jade bateu palminhas, contente.
– Seu Bro não vai ganhar um abraço, garoto?
Dave congelou. Seu coração apertou. Seus óculos jaziam no chão. Quando ele encarou a figura alta parada a alguns metros, não aguentou, e lágrimas constantes surgiram, acompanhadas de soluços.
Bro tirou os óculos, revelando os olhos alaranjados que pareciam prestes a chorar também.
Dave correu, e abraçou Bro com toda a força, abraço esse que foi totalmente retribuído.
Minutos se passaram, até Bro se afastar de Dave e se abaixar, olhando fundo nos olhos do mais novo.
– Caras maneiros não choram.
– Você está chorando. — Disse Dave, com a voz tremendo. Bro limpou uma lágrima do próprio rosto e sorriu.
– Irônico, não?
Dave abraçou o irmão com força mais uma vez. Eles estavam ali.
– Vamos, Dave? — Perguntou Jade.
– Para onde?
– Para casa, oras! — Respondeu Rose animada.
E eles foram. E Dave foi com eles. Porque eles estavam ali. Estavam finalmente ali.
E Dave seguiu os amigos, deixando para trás as más lembranças, o mundo vazio e um corpo morto deitado na sala.
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