Goodbye Ada...
1 One-Shot.
Notas iniciais
– Contagem regressiva para a auto destruição ativada.
A voz eletrônica soou nos ouvidos de Leon como um balde de água fria. Ele estivera correndo sem um rumo certo por todos aqueles corredores sem vida. Aquilo tudo parecia um pesadelo interminável. Ferido e ainda cambaleante, o rapaz corria com dificuldade, mas mantendo-se em pé, até que ouviu um forte estrondo.
“Tudo menos um zumbi...” – Pediu inconscientemente. Não sabia se poderia aguentar mais uma luta.
Mas parece que esse não era o seu dia de sorte... Afinal, desde que o incidente de Racoon City havia começado, a cota de sorte do rapaz havia sido praticamente extinguida. Um urro inteligível soou, fato que o fez se virar rapidamente para olhar.
Uma criatura enorme estava parada a sua frente. Com uma cor quase cinza, um casaco proporcional para seu tamanho e uma cara monstruosa. O Tyrant fora criado pela Umbrella Corporation para obter as amostras do G-Vírus. Ele avançou lenta e assustadoramente para a direção de Leon, que começou a se afastar sem tentar movimentos bruscos, mas antes que pudesse puxar sua Shotgun barulhos ocos de tiros foram ouvidos.
O dano foi quase insignificante para o Tyrant, já que os tiros foram disparados por uma simples Handgun. Mas Leon não estava interessado na arma e sim na pessoa que a empunhava.
– Ada?! – Ele exclamou sem acreditar.
–Leon, corra! – Ela gritou.
A mulher de vermelho estava em péssimas condições, de certa forma. Seus braços estavam cobertos de sangue, por motivos que o próprio policial desconhecia. Ela empunhava a Handgun com uma expressão firme.
– Mas... – Tentou argumentar.
– Droga...! – E tornou a disparar, mas a munição havia acabado. Com impaciência e rapidez, puxou outro pente e quando estava prestes a recarregar, o Tyrant investiu contra ela.
– Ada! – Leon gritou novamente.
Ele queria fazer algo... Mas seu corpo não obedecia. Queria atirar na criatura até que ela caísse sem vida, mas não conseguia reagir. E por isso viu Ada sendo levantada do chão pelas mãos poderosas do Tyrant.
A mulher, ainda consciente, terminou a recarga e mirou nos olhos da experiência. O monstro cambaleou, porém não caiu, e a arremessou em direção a um emaranhado de fios e equipamentos que estava no lado direito do corredor.
Ela se chocou com força, provocando faíscas no dispositivo e posteriormente caindo com um urro de dor no solo frio da plataforma.
Finalmente recuperando-se do choque, Leon vira-se para a criatura e atira repetidas vezes em seu rosto. O Tyrant, que já estava atordoado, cambaleou sem rumo em direção a parte esquerda, que estava rodeada por um corrimão de metal. E com um chute rápido, o rapaz empurrou o monstro plataforma a baixo.
A experiência debruçou-se fazendo com que o corrimão cedesse, o que o fez cair de maneira rápida, talvez sem conhecimento do que estava realmente acontecendo. E para a sua infelicidade, a queda terminou num balde de lava crepitante, dando fim a existência monstruosa da criatura.
– Hasta la vista –Disse irônico.
Então depois lembrou-se de algo mais importante.
– Ada! – Repetiu novamente o nome da mulher que jazia caída ao lado dos fios de uma máquina desconhecida.
Ela sangrava muito e tentava pressionar o ferimento com as mãos para parar a hemorragia. Ele ajoelhou-se ao seu lado, sacudindo a cabeça e a pousando na dela. Queria tanto fazer com que aquilo nunca tivesse acontecido...
– Leon... – Ela disse com dificuldade – Fuja.
Ele virou-se para encará-la.
– Ei... Nós somos um time! Não vou deixar você assim! – Exclamou.
Ela o observou com uma dose excessiva de pena e negou veementemente.
– Não somos um time. Mal nos conhecemos. Nunca pensei que fosse dizer algo assim mas... Sou apenas uma mulher que se apaixonou por você... Nada mais – Disse voltando-se para observar o rapaz.
Seus olhos se encontraram naquele momento. Parecia que todo o pesadelo ao redor havia perdido um pouco de intensidade. Talvez ambos estivessem ansiando por aquele momento há um bom tempo. Ele a envolveu nos braços e finalmente se beijaram.
Um beijo com um sabor de despedida, mas não deixou de ser marcante. Talvez tenha sido mais breve do que os dois gostariam que fosse, mas aconteceu. Um leve tocar de lábios que se intensificou, deixando transparecer os sentimentos que outrora estavam ocultos e também a tristeza pela separação que sentiam.
E então se separaram.
A ferida de Ada abriu ainda mais, jorrando sangue nas mãos de Leon. Ela gemeu de dor.
– Ada... Não... – Disse a envolvendo com mais força contra seu peito.
Mas a mulher de vermelho não se moveu.
– O sistema irá se destruir... – A voz eletrônica avisou novamente.
Não havia tempo a perder. Sentiu uma profunda angústia, mas se não a deixasse agora, ele também sucumbiria.
– Adeus... – Ele disse ao se levantar e correr para longe.
Não queria olhar para trás.
Mal ele sabia que uma garra familiar saia ameaçadoramente do poço de lava.
------ X ------
“Como pude deixar isso acontecer...” – Lamentava-se enquanto corria em direção a saída daquele pesadelo.
Havia se passado um bom período desde que o fato anterior ocorrera. Ainda se martirizava pela morte de Ada. Não conseguia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. E tudo por causa de um minúsculo frasco de G-Vírus, algo tão mortal para a humanidade e que despertava tanta ganância entre os próprios humanos. Foi então que olhou para o vidro roxo em suas mãos.
“Isso tudo poderia ter sido evitado...”
Porém um barulho estranho o interrompeu. Ele vinha do corredor a sua frente, que provavelmente dava acesso a área final do lugar.
– Quem está aí...?
Silêncio.
– Responda! – Empunhou sua Shotgun em direção ao vazio.
– Eu estive esperando por você, Leon – Uma voz feminina e familiar soou em seus ouvidos.
A dona da frase saiu das sombras, revelando uma Ada ainda mais ferida, empunhando sua típica Handgun.
– O que está fazendo?! – Ele indagou.
– Desculpe Leon... Dê-me o G-Vírus.
Isso soou como um baque para ele.
– O...O que?! – Então tudo foi se encaixando em sua cabeça – Então você mentiu! E tudo o que Annette disse era verdade! Não acredito nisso!
Eles se encararam por um momento e a mulher de vermelho avançou em sua direção.
– Era por isso que eu disse para você fugir sem mim! Mas não me destes ouvidos!
Ele nada disse.
– Me entregue a amostra – Ada esticou o braço ensangüentado.
– Não – Negou-se.
Então ela apontou a arma para a cabeça do rapaz.
– Você não conseguiria fazer isso...
Mas ela continuou a mirar durante certeiros minutos... Mas por fim a abaixou.
– Eu...
Mas algo a atingiu nas costas, fazendo-a tombar por cima do corrimão de madeira que e estava ao redor.
– Ada! – Leon gritou.
O Tyrant apareceu com suas garras manchadas de sangue. Ele se arrastava praticamente, mas ainda estava vivo.
Com um profundo ódio correndo em suas veias ele atirou sem piedade na criatura que se movia de maneira asquerosa. Mesmo o monstro guinchando e finalmente caindo, definitivamente morto, ele continuou a atirar até acabar com todas as balas.
– Tsc... Morra desgraçado – Sibilou.
E novamente, como num deja vu, ele lembrou-se de Ada. Correu o mais rápido que pode em direção ao corrimão, mas ela não estava lá.
– Leon, aqui... – Sua voz veio em sua direção.
Ela estava se segurando na base da plataforma, com muitíssima dificuldade. Apesar de estar muito ferida, Ada era uma mulher forte que havia passado por inúmeras situações, ela ainda conseguia ficar de pé, mesmo estando assim.
– Ande saia daqui – Ela disse.
– Do que está falando?! Vamos embora juntos! Não posso deixá-la aqui!
– Mesmo com tudo o que eu fiz?
Ele não pensou duas vezes.
– Pare de dizer essas coisas... Ande, segure minha mão! – Ele a estendeu.
– Não posso... – Disse mordendo o lábio inferior.
– Como assim não pode? Ada, lembra o que combinamos? Vamos fugir juntos dessa! –Ele encorajou.
Ela sacudiu a cabeça com pesar.
– Eu realmente queria fugir com você, Leon. Mas não posso. Queria realmente fugir de todo esse pesadelo em que me meti... Você sabe que acabou.
– Não...
– Ande, solte-me logo – Ela não suportava sentimentalismos e rodeios. Afinal, na vida de uma espiã não eram permitidos tantos luxos.
– Ada seja forte! – Mas ele não entendeu.
– Adeus, Leon... – Sussurrou.
A mulher de vermelho simplesmente soltou a mão do policial, caindo naquele abismo sem fim, sem emitir qualquer som. Leon ficou parado, completamente estático, olhando para o vazio.
– Ada... – E fechou os olhos com força.
Depois tombou no chão em desespero. Ficou olhando estático para suas mãos sem saber o que fazer. E então gritou de ódio, de frustração e de dor. Sua respiração estava acelerada e seus olhos estavam arregalados de incredulidade.
E então observou uma cápsula de vidro com um conteúdo roxo. O G-Vírus. Com um longo suspiro, ele finalmente se recompôs e se levantou.
–Então... Foi por causa disso que todos morreram – Apertou o frasco – Que você vá pro inferno junto com seu criador!
E então o arremessou para as profundezas da plataforma.
Respirou fundo.
Todos sucumbiram por causa daquela ganância por um vírus letal, principalmente Ada... E agora ele colocaria um fim naquela história.
Sairia de Racoon City vivo, entenderia melhor aquela situação e finalmente vingaria a morte da mulher de vermelho.
Sim, era isso o que faria.
“Adeus Ada...” – Disse mentalmente enquanto entrava no trem que levaria para o fim daquela cidade maldita.
FIM
Fale com o autor